Pep Talk 2008: Meg Cabot

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

Caro autor NaNoWriMo,

Eu sei o que você está fazendo. Você está pensando em trair, certo?

Rá! Peguei você!

Qual é? Um traidor conhece o outro. Você acha que eu nunca fiz isso?

Talvez, para alguns de vocês, não seja tarde demais: vocês ainda não cruzaram a linha... talvez você apenas aprecie a idéia de abandonar a história que está trabalhando atualmente.

Talvez você esteja pensando em só dar uma pausa e fazer algumas anotações sobre a história que acabou de imaginar, aquela super-fresca, totalmente legal, certeza-de-virar-bestseller que sonhou outro dia, enquanto presume saber em qual curva errada virou em seu trabalho atual.

Mas eu estou aqui para que você saiba: é assim que começa. A próxima coisa que vai fazer é o esboço de um personagem. Depois, um pequeno diálogo. E então, todas as cenas.

E então você estará acabado. Terá desistido inteiramente do trabalho em curso, e a próxima coisa que descobre é ter começado a trabalhar em tempo integral na nova história que imaginou.

Sei muito bem o que vem depois. As desculpas. A racionalização: "E daí? Eu troquei de histórias. Mas eu ainda tenho um trabalho em andamento. Ele só não é o meu trabalho original. E estou só um pouco atrasado na minha contagem de palavras. Mas continuo escrevendo, certo?"

Sem dúvida, parece inocente o suficiente. Mas o problema para quem faz isso é que, obviamente, a nova história sempre vai parecer melhor que a anterior, interrompida e descontrolada, que você trabalhava a tanto tempo. A nova história tem a aura de frescor orvalhado. Ela clama por você! É toda "Iuhuu... olhe para mim! Eu não tenho problemas de enredo e os meus personagens são intrigantes, e alguns deles usam casacos de couro e oh, sim, sabe aquela transição esquisita que você tentou imaginar perto do capítulo quatro e não conseguiu? Eu não tenho disso!"

Eu sei. Parece bom.

Mas quanto tempo até que outra idéia apareça, deixando os seus personagens atuais pouco atraentes, e você decida abandonar a nova por ela? Quantas palavras você vai conseguir então?

Não o suficiente para um livro inteiro, quantas palavras forem. O negócio funciona assim: se você continuar deste jeito, nunca terminará nenhum livro.

Você acha que eu não passei por isso? Trair o seu trabalho atual por um novo é o truque mais velho no livro! Eu tenho um engradado plástico de leite abarrotado de histórias que comecei e nunca terminei porque os traí, fiquei tão apaixonada pela nova história que nunca mais voltei à antiga. Fiz uma vez, e outra, e outras mais.

E isso, meus amigos, é a maneira de você nunca terminar um livro. Aprenda com alguém que tem centenas (talvez até milhares) de histórias inacabadas por causa desse fenômeno.

Então, pare agora! Pare de usar uma idéia de nova história (ou qualquer outra desculpa que use) para evitar o esforço que você ainda precisa fazer em seu trabalho atual!

Coloque a "Nova História Brilhante" longe, para mais tarde, quando você terminar o seu trabalho atual! Se a sua "Nova História Brilhante" é tão boa, ela ainda estará lá esperando por você.

E por favor... não acabem como eu, com um engradado plástico de leite integral cheio de histórias semi-acabadas. Pense no que fez você se apaixonar pelo seu trabalho atual em primeiro lugar. Regue-o com a atenção que merece.

E seja lá o que você faça, não deixe que ele acabe nas caixas de "Leite da Vergonha". Pense onde estaríamos se todas as grandes histórias que amamos hoje terminassem ali, abandonadas e esquecidas pelos seus autores, porque eles se distraíram por uma "Nova Idéia Brilhante" enquanto estavam trabalhando.

Respire fundo. Assim. Sente-se melhor?

Sim. Eu também.

Agora vamos voltar ao trabalho.

E sobre a traição... eu não conto nada se você não contar.

Meg

Meg Cabot é escritora da série Diário da Princesa e do próximo lançamento Abandon. Saiba mais sobre ela e suas obras visitando o seu website.

Leia também o texto original em inglês.
Postar um comentário