O filho eterno, de Cristovão Tezza

Há duas maneiras de se ler um livro. A primeira é pelo conteúdo, aquilo que existe só entre as capas, não importando quem seja o autor ou o título da obra, onde o leitor simplesmente é levado pela história em si e pelo jeito como é contada. A outra maneira é usar e abusar do material extra livro, analisando, por exemplo, o contexto em que foi escrito, a vida e outras obras do escritor, as críticas, resenhas e prêmios conquistados, bem como as fontes de inspiração. Em O filho eterno, livro de Cristovão Tezza, pode-se chegar a duas conclusões, dependendo da leitura escolhida. Veja o porquê.

Se você ler O filho eterno como um romance, deve ser porque verificou na catalogação do livro que ele aparece como “romance brasileiro” e, portanto, deve ser lido como um romance, uma ficção, mesmo que baseado em fatos reais. A ficção geralmente tem as pretensões de argumentar sobre pontos de vista comuns (ou incomuns), de educar, entreter, emocionar e fazer pensar. Mas o principal – e talvez vital – objetivo da ficção é simplesmente contar uma boa história, fazendo com que o leitor goste e sinta vontade de ler de novo, de emprestar para amigos e parentes, de incorporar trechos em sua filosofia de vida, e sentir-se mais feliz por isso.

O livro de Tezza, sob esta ótica, poderia ser uma grande lição de vida e um sucesso de público se não fosse, extremamente, comum. A história não traz novidades, seja em estilo, em escrita ou em originalidade. Um dos fios narrativos da história, o principal, começa nos anos 80 com o narrador revelando os pensamentos e a vida de um homem sem nome, aspirante a escritor, que nunca teve emprego fixo, vive sustentado pela mulher enquanto não publica nem vende nada e que é surpreendido pela notícia de que o seu primeiro filho tem Síndrome de Down. Ainda no hospital, no dia do nascimento, o pai assume o papel de anti-herói calhorda, hipócrita e insensível (ou simplesmente politicamente incorreto) ao rejeitar e menosprezar o filho, tratando-o como um estorvo para os seus planos de sucesso, liberdade e sociabilidade. Ele torce para o menino morrer. Usa o repertório mais inimaginável de palavras que alguém em sã consciência usaria para um filho: algo, a coisa, um ser insignificante, criança horrível, pequeno monstro, pedra inútil, deficiente mental, absolutamente nada, pequeno leproso, problema a ser resolvido, idiota, pequena vergonha e filho-da-puta. É uma tendência natural tomarmos partido pelos fracos e indefesos, ainda mais se o ataque é injusto.

Contudo, a aversão dele não é só porque o menino é diferente, mas porque não queria filhos, indicando que a gravidez provavelmente não foi planejada e confirmada a insensibilidade ao tratamento dispensado também para a filha caçula, normal.
“A primeira criança de um casamento é uma aporrinhação monumental – o intruso exige espaço e atenção, chora demais, não tem horário nem limites, praticamente nenhuma linguagem comum, não controla nada em seu corpo, que vive a borbulhar por conta própria, depende de uma quantidade enorme de objetos (do berço à mamadeira, do funil de plástico às fraldas, milhares delas) até então desconhecidos pelos pais, drena as economias, o tempo a paciência, a tolerância, sofre males inexplicáveis e intraduzíveis, instaura em torno de si o terror da fragilidade e da ignorância, e afasta, quase que aos pontapés, o pai da mãe. É uma criança – como todo recém-nascido – feia . É difícil imaginar que daquela coisa mal-amassada surja como que por encanto algum ser humano, só pela força do tempo” (pg. 73-74).

A esposa - conhecida só como ela - tem papel secundário, é só um meio para se chegar a um fim: sustentar o escritor enquanto ele não ganha dinheiro. Ou então, ela é a culpada por o filho ser diferente (os genes de Down vêm da mãe) e tola por persistir nos tratamentos. O protagonista imagina várias vezes largando a esposa e filho para recomeçar a vida sozinho, em outro lugar, livre e sem problemas. Não é contado mais nada sobre ela: como a conheceu, como se casaram, como ocorreu a gravidez e a gestação. Para o protagonista, é mais importante lembrar-se de uma paixonite adolescente que não deu certo.

Porém, antes da metade do livro a coisa muda um pouco. O tempo e a convivência fazem o pai olhar o filho diferente, comparando características e limitações do menino às suas como pai, pessoa e escritor. Ele não admite mudar por causa do filho, mas se resigna com a situação, como sempre fez na vida. O humor (negro) que o protagonista repete várias vezes como a sua melhor característica, quando faz alguma observação mordaz, na verdade são sarcasmo e ironia egoístas de quem tem medo de enfrentar a realidade de frente. A antipatia gerada contra o protagonista - fórmula perfeita com efeitos imediatos no leitor – vai caindo quando o foco da narração se desloca da insensibilidade do pai para a ingenuidade do filho.

Muitas limitações do filho descritas, como a visual de dez metros de diâmetro, o trabalho e as motivações artísticas, o sexo, etc. são críticas ao que o pai tem exatamente dentro de si. As passagens a seguir falam do filho, mas poderiam ser sobre o pai.
“A criança parece não responder ao seu afeto; vive na sua própria redoma – parece que nada do que há em volta toca a ela de fato” (pg. 127).

“Ele não gosta do imperativo, nem mesmo para si próprio, ao espelho: ninguém me dá ordens. Um orgulho idiota, um pequeno teatro: passou a vida obedecendo, tentando se ajustar a alguma coisa que ele não sebe o que é” (pg. 199).


Além da relação pai e filho, são mostrados paralelamente flashbacks contando as aventuras do pai quando jovem em Portugal (Coimbra), França (Paris) e Alemanha (Hauptbahnhof) como mochileiro que trabalhava ilegalmente em subempregos e lia mais que aproveitava o lugar. Ou, no Brasil, com um grupo de teatro interrogado por policiais da ditadura militar (em São Paulo) e se apaixonando platonicamente pela primeira vez (em Antonina, Paraná). O conformismo do pai, que na juventude desejava ser um rebelde ao estilo Nietzsche, tenta justificar a perda de tempo que a sua vida sempre foi. Quando jovem, recebia dinheiro do irmão revolucionário do Brasil, quando adulto, era sustentado pela mulher. Isto é justificado como não adesão ao sistema e com o objetivo de tornar-se escritor. Mas ele cede ao sistema: aceita trabalhar como professor público universitário.

O ritmo do livro flui de maneira leve e ágil. Mas não é o suficiente para torná-lo um referencial. Tezza usa e abusa da intertextualidade – as referências a outros livros, filmes, pinturas, desenhos animados, etc. – mas fora duas comparações mais acertadas (a da rotina diária do menino com a maldição de Sísifo e a do intelecto do filho com os bebês incubados em Admirável Mundo Novo) o resto é só citação.

Os capítulos parecem contos reunidos, escritos aleatoriamente em épocas diferentes. Alguns até poderiam ser retirados sem fazerem falta. Há características mais visíveis em capítulos aleatórios, indicando que foram escritos na mesma época. Um deles é o uso excessivo dos dois-pontos. No primeiro capítulo, eles chegam a aparecer até quatro vezes num único parágrafo. Inicialmente, pensei ser um estilo pessoal de escrita do Tezza, uma marca registrada, assim como faz José Saramago, mas quando os dois-pontos desaparecem nos capítulos seguintes, só retornando nas páginas 83 e 199, mostra que foi só uma febre passageira e não um recurso proposital.

Mas há pontos positivos e o livro não é de todo ruim. Por exemplo, o que as informações médicas e científicas sobre a síndrome de Down é mostrado funciona bem: ora o pai relembra uma dissertação de mestrado que revisou para um amigo geneticista, ora ele pesquisa em dicionários, ora são os médicos que lhe explicam em consultas. A história traz alguns lampejos filosóficos sobre a profissão de escritor, pinceladas históricas sobre a política e economia do Brasil nas décadas de 80 e 90 e um pouco da revolução dos Cravos, em Portugal, em 1976.

Entretanto, se você ler O filho eterno como uma autobiografia, deve ser porque Tezza confessou ter escrito o livro baseado-se em sua vida. Ele tem um filho com síndrome de Down. Por isso, está sendo elogiado por ser cruelmente honesto em mostrar pensamentos e sentimentos mais íntimos, mesmo os que deixem o leitor contra ele. Mas, como citado antes, ao optar pela “autobiografia ficcionada”, não se pode encarar o livro como uma biografia, mas como um romance, uma ficção, sob o risco de cair em uma armadilha. Por exemplo, se você acusar Tezza de ser ou ter sido um pai insensível, egocêntrico e mau-caráter, ele pode simplesmente sair pela tangente dizendo que esta parte foi ficção, inventada só para deixar a obra mais chamativa. Até provaria a afirmação arrolando outros personagens que aparecem no livro como testemunhas de defesa, porque os pensamentos mesquinhos e egoístas do pai não são compartilhados com outros, são só pensamentos. Ninguém que conheceu Tezza na época do nascimento e crescimento do filho poderia dizer o que ele pensava. Até porque, no livro, o pai escritor procura manter as aparências. “A idéia – ou a esperança – de que a criança vai morrer logo tranqüilizou-o secretamente. Jamais partilhou com a mulher a revelação libertadora” (pg. 39). Fica a dúvida: Tezza, como pai, pensava realmente aquilo ou foi só ficção acrescentada para vender o livro? Se ele era daquele jeito, foi preciso coragem para se mostrar publicamente como era realmente e ninguém sabia. Seria um caso mais de coragem do que talento. Mas, se ele inseriu as características só para tornar o personagem odioso, porém, que inexistem nele, talvez seja a grande sacada do livro e talvez da vida dele.

Outro exemplo que poderia ser levantado, mas que, ao considerarem a obra como autobiografia, o crítico poderia ser acusado de ser um monstro tão grande quanto o personagem do livro: o protagonista, no livro, é um escritor que não alcança o sucesso a medida que os anos (e os livros) vão passando. Se a realidade foi assim, então com os prêmios e o sucesso de O filho eterno, pode-se afirmar que foi por causa dos problemas do filho que o pai finalmente abandonou o limbo literário. O escritor aproveitou-se de uma situação e pessoa reais para faturar em cima. Não que seja errado. O problema alguns pensam que é.

Confesso que conheci o livro só por causa da 2ª CLB - Copa de Literatura Brasileira. Como na edição anterior, vários livros disputam entre si, com direito a favoritos, azarões, perdidos no espaço e aspirantes. Tezza tornou-se favorito quando começou a ganhar prêmios e mais prêmios literários e receber elogios da crítica. Mas em uma disputa entre O filho eterno e Música perdida, vencedor da CLB de 2007, meu voto continuaria com o do ano passado.

Existem pessoas que têm a opinião que as indicações dos críticos devem ser vistas como o oposto, seja no Oscar, seja em relação a livros. Isso talvez se dê porque o ponto de vista do crítico tende a ser diferente do da maioria das pessoas. Não que um ou outro estejam errados, pois quando se fala em decidir o que é bom ou ruim, belo ou feio, vulgar ou divino, parte-se primeiro do subjetivismo, seja o crítico ou a pessoa comum. O que mais importaria, talvez, fosse um livro que além de apresentar um apurado nível técnico, lisguístico e literário também agradasse ao leitor comum. Pelo jeito, não é o que acontece com este livro.

Se você quiser conhecer um pouco mais sobre Cristovão Tezza, segue abaixo uma entrevista com ele.


Ruimm
leitura: Novembro de 2008
obra: O filho eterno, de Cristovão Tezza
edição: 2ª, Record (2007), 222 pgs
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Batismo

Em 28/11/2008, completei o desafio do NaNoWriMo 2008, contabilizando 50.216 palavras em um romance. Posso dizer que, apesar de xingar os organizadores até cansar por terem escolhido o PIOR MÊS DO ANO para se escrever um romance, eu vi, vim e venci. Agora sou um escritor. Não um que ganha dinheiro com o que escreve, ou que tenha legiões de fãs, mas um que tem o essencial: um livro inteiro escrito. Mesmo com
  1. o texto Bodas de Papel para o Duelo de Escritores para o dia 6,
  2. primeiro capítulo da monografia para o dia 11 e revisão do projeto para o dia 22,
  3. estréia da coluna Palavras Mal Ditas no OPS! com artigos para os dias 15 e 30,
  4. texto final da bolsa-pesquisador do PBIC para o dia 17,
  5. provas finais do semestre até 5/12 e
  6. manter a regularidade do blogue para não criar teias de aranha,
posso afirmar que sim, é possível escrever um romance em 30 dias, se você não parar para respirar. Mesmo que você não more sozinho em uma cabana na montanha. Mesmo que o telefone, email e MSN não parem de te chamar durante o horário de trabalho e de lazer. Mesmo saindo para um chopinho aqui, uns amassos acolá, ou filminhos e seriados ocasionais. É possível MESMO! Sou a prova viva dessa teoria doida inventada pelos doidos lá do Nano.

Ainda pretendo acrescentar uma coisa ou outra no romance que, por hora, se chama O silvo da cascavel, e colocarei aqui a quantidade final de caracteres que ele atingir em 30/11. O que digo da experiência é que vale muuuuito a pena, pois você passa a conhecer os seus limites e, acima de tudo, a sua capacidade. Ano que vem, serei um dos participantes que certamente estará de novo na disputa, se bem que, terminando o desafio tão animado como estou, já penso em escrever um novo romance, individual, em janeiro, quem sabe um JeffWriMo...

[ Editado em 01/12/2008: total de 51.226 palavras, com direito a alguns sufocos de principiante. ]

Versos Simples, de Chimarruts



Versos Simples
Chimarruts

Composição: Sander Fróis

Sabe, já faz tempo,
Que eu queria te falar
Das coisas que trago no peito

Saudade,
Já não sei se é a palavra certa para usar
Ainda lembro do seu jeito

Não te trago ouro,
Porque ele não entra no céu
E nenhuma riqueza deste mundo
Não te trago flores,
Porque elas secam e caem ao chão
Te trago os meus versos simples,
Mas que fiz de coração.

Sabe, já faz tempo,
Que eu queria te falar
Das coisas que trago no peito

Saudade,
Já não sei se é a palavra certa para usar
Ainda lembro do seu jeito

Não te trago ouro,
Porque ele não entra no céu
E nenhuma riqueza deste mundo
Não te trago flores,
Porque elas secam e caem ao chão
"te trago" os meus versos simples,
Mas que fiz de coração.

Uuuh, yeaah aah

Trocando livros pela internet


Recentemente descobri mais um site essencial para os aficcionados em livros.

Antes, já havia dado a dica do site brasileiro Estante Virtual, local onde você pode vender e comprar livros usados por um bom preço e que reúne muitos sebos espalhados pelo Brasil.

Agora, descobri no blogue Livros e Afins a dica do site, também brasileiro, TrocandoLivros que, como o nome diz, é um site para a troca dos livros que você não quer mais por algum que seja de seu interesse.

Assim com na Estante Virtual, o Trocando Livros não cobra taxa alguma pelo serviço, só as despesas de envio correm por sua conta. O sistema funciona da seguinte forma: primeiro, você cadastra os seus livros usados no site, depois aguarda alguém solicitá-los. Quando isso é feito, você pode confirmar ou recusar o envio do livro e, confirmando, terá de informar o código de rastreamento dos Correios no site. Logo após, você recebe automaticamente um crédito para gastar em qualquer livro cadastrado no site.

Até agora, já troquei 4 livros:
- O Desastronauta de Flávio Moreira da Costa por Budapeste de Chico Buarque;
- O Adiantado da Hora de Carlos Heitor Cony por O Enigma do Quatro de Caldwell/Thomason;
- O Dia do Coringa de Jostein Gaarder por Anjos e Demônios Edição Especial Ilustrada de Dan Brown;
- O Executivo de Joseph Finder por O Apanhador no Campo de Centeio de J. D. Salinger.
Eu costumo enviar livros pelo serviço Impresso com Registro Módico e os fretes saem por volta de R$5,00. Nada mal para você ter um outro livro em suas mãos, se livrando dos antigos. A proposta do site vale a pena, se considerarmos que se você for em algum sebo em sua cidade a moeda de troca costuma ser dois livros seus por um deles, além do que não são todos os livros que eles aceitam.

A verdade conveniente de cada dia

Minha rápida contribuição com o tema CINISMO no Duelo de Escritores da semana. Depois do Nano e das provas, volto a elaborar algo mais longo.

O que o senhor tem a dizer do novo viaduto construído pelo governo federal?

Nossinhora, é bom demais da conta, sô.

Mas eu gostaria que o senhor dissesse, para todos os que estão nos assistindo neste momento, quais problemas o novo viaduto solucionou e se, além disso, ele trouxe alguma vantagem, em particular, para o seu bem-estar.

Craro que ele resorveu os meu probrema, moça. Antis, eu não tinha casa, agora eu moro mais a Maria e us mininu ali ó, imbajo daquele vão. Antes nóis ficava no relento, peganu chuva e sor, agora não, agora u guverno resorveu nossus probrema di vêizi.

Corta, Marcão. Não vai dar para usar isso, o pessoal da edição vai me trucidar. Não tem algum morador da região que esteja simplesmente passando por aqui? Aquela senhora lá, por exemplo... Ei, senhora... puf... puf... puf... pronto, Marcão?

O que a senhora tem a dizer do novo viaduto construído pelo governo federal?

Sexo e amor: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra

Você não leu, mas seu horóscopo hoje dizia:

"Tome cuidado: o ideal seria que sexo e amor sempre viessem na mesma embalagem. Mas não. São produtos vendidos em lojas diferentes. Por isso, nunca vincule sexo e amor. Sexo é uma necessidade do corpo, um instinto animal, primitivo. Amor é um ideal da alma, um objetivo a ser alcançado todo dia, o dia todo, por toda a vida. Se você pensar que sexo e amor andam, obrigatoriamente, juntos, acabará querendo transar somente com quem ama e quando estiver amando, ou então, caindo de amores pela pessoa com quem transar. Tá certo que existem exceções, mas em geral, o primeiro caminho vai gerar desejos insatisfeitos, culpas e conflitos internos em sua cabecinha, e o segundo fará com que você escolha a pessoa errada como companheira, por motivos tão fúteis e frágeis, que terminarão como um orgasmo. Você passará, somando toda a sua vida, cerca de 120 dias transando (ininterruptamente!), mas os dias que passará amando são incomensuráveis, porque podem repecurtir além da sua existência."

Superdicas para escrever bem, de Edna M. Barian Perrotti

A Saraiva lançou a Série Superdicas, com vários livretos escritos por especialistas nas mais variadas áreas e que trazem, bem... superdicas! para vários aspectos da vida profissional e acadêmica atuais. Eis alguns dos temas abordados:
Os livros custam menos de R$10,00 e recentemente adquiri o Superdicas para escrever bem para fechar um pedido de vários livro em um valor promocional. Mesmo não esperando muito de um livro que traz uma dica por página, totalizando 60 dicas e 136 páginas, o livro traz algo de bom. Afinal, quem atira para todos os lados inevitavelmente irá acertar alguém. E o livreto é isso, dicas sobre tudo: desde como vencer as barreiras da escrita, passando por como desenvolver e melhorar o seu texto, até chegar em regras gramaticais e orientações científicas para TCC (Trabalhos de Conclusão de Curso) e monografias.

A sinopse da editora sobre o livro é a seguinte:
"Você que acha que escrever é um bicho-de-sete-cabeças vai aprender a soltar o verbo na escrita com Superdicas para escrever bem diferentes tipos de texto. A professora Edna M. Barian Perrotti lista uma série de dicas para ajudá-lo a organizar as idéias, tornar seu texto claro e coerente, comunicando sua mensagem de modo eficiente e objetivo, porque escrever bem também é o seu cartão de visitas, uma habilidade cada vez mais exigida nos mais diversos âmbitos, refletindo diretamente na sua personalidade. Com estas superdicas, você vai perder o receio de escrever, aprendendo que a fluência escrita pode ser desenvolvida."
O livro, além de barato e útil pela sua diversidade de informações, é também, muito bem produzido. Impecável na capinha dura, diagramação e português. E também, de certa forma, é um currículo para a doutora em Linguística Aplicada Edna M. Barian Perrotti, que presta assessoria para a produção e revisão de textos. Dá até vontade de, escrevendo um texto, usar as habilidades dela como revisora. Talvez, quando algum meu estiver quase quase, eu a procure.

Bom
leitura: Novembro de 2008
obra: Superdicas para escrever bem diferentes tipos de textos, Série Superdicas, de Edna M. Barian Perrotti
edição: 1ª, Saraiva (2006), 136 pgs
procure o melhor preço:






Livros com Frete Grátis

Você estava esperando alguma promoção de frete "na faixa" para comprar aquela carrada de livros que deseja ler, ou para a faculdade? Pois o Submarino está com a promoção "Frete Grátis para todo o Brasil" e sem limite de valor mínimo de compra. Mesmo que vc compre um livro de dez reais, ele chegará até você por dez reais. Eu já fiz a minha comprinha, e você, vai deixar passar?

Minha estréia no OPS! - O Pensador Selvagem

A partir de hoje, começo a escrever artigos quinzenais sobre literatura, com exclusividade para o portal OPS! - O Pensador Selvagem. Por isso, se quiserem ver o meu esforço em produzir algo de qualidade (superior ao que escrevo aqui), cliquem no linque, leiam o artigo de inauguração A Arte de Não Ler e se sobrar um tempinho, comentem. Vejam a breve descrição da minha coluna, batizada com o título Palavras Mal Ditas:
Falar sobre literatura é fácil. Seja na escola, na internet ou no boteco. Mas antes, precisamos gostar dela, pois falamos daquilo que prezamos. Esta coluna não tem pretensões de fazer alguém gostar de literatura. Mas, talvez, fazer com que aqueles que já gostam, tenham mais lenha para a sua fogueira mental. E, como a família das Musas aumenta a cada dia, a relação entre a literatura e as outras mídias – cinema, música, internet etc. – serão constantes aqui. Espero que aproveitem a paisagem, pois eu serei apenas um guia nesta viagem.

Entrevista: ANTÔNIO LOBO ANTUNES

Vídeo promocional do último romance de Antônio Lobo Antunes, O arquipélago da insônia. Na entrevista, o escritor português fala diversas coisas sobre escrita e literatura. Dica do blogue Mundo de K.

A FÃ

Minha contribuição para o Duelo de Escritores da semana. O tema, que foi escolhido por um louco lá, foi "Revele as técnicas de escrita que você usa, mas de uma forma original". Tentei escrever algo que não soasse didático demais, e confesso que me inspirei em um trecho de A Morte em Veneza de Thomas Mann. Desta vez, convidei muita gente para participar, então vamos ver quem topa a brincadeira. Vale sempre relembrar que "esta é uma obra de ficção e qualquer semelhança de nomes e situações com a realidade é mera coincidência". Divirtam-se.


A FÃ


Querido Roberto Alfer,

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que sou sua fã desde o seu primeiro livro, e a cada nova publicação a minha admiração por você só fez crescer. Assim, chegou um ponto em que, tornou-se tamanho o sentimento que despertastes em mim que não pude mais me conter, tenho a absoluta certeza de que o meu desejo mais forte precisa ser compartilhado contigo: eu quero me casar com você.

Sim, estou te pedindo em casamento, por meio deste e-mail.

Mas não precisa se preocupar, não sou destas malucas que saem por aí perseguindo o primeiro romântico que aparece na frente. Eu te conheço bem, por meio de seus livros. Li e reli e analisei todas as suas obras e entrevistas à exaustão, e agora conheço a sua personalidade melhor do que ninguém. Dizem que todo escritor deixa um pouco de si no que escreve. Eu digo que você deixou muitas pistas de como você é, e digo com convicção, pois sou formada em lingüística e psicologia.

Os meus amigos e parentes já não agüentam mais ouvirem eu repetir citações retiradas dos seus livros ou maravilhar-me com alguma característica pessoal sua que descobri em suas histórias. Me convenceram a revelar este sentimento bonito que tenho dentro de mim, e te procurar. Mas o seu único contato é o email robertoalfer@editoragranada.com.br. Saiba que os seus livros me ajudaram a te amar cada vez mais, e tudo o que descobri sobre você e sobre o seu passado, só fizeram com que eu me apaixonasse mais e mais por você.


Hoje sou toda sua. Por favor, não jogue fora esse amor.

Mas, talvez queira saber um pouco sobre o que descobri de você em seus livros, e porque posso dizer que aprendi a te amar. Vou listar apenas as principais características que cada um dos seus romances best-sellers me revelaram sobre você.

Começo pelo seu Brumas de uma Saudade. Os detalhes precisos que você usou para descrever as características fortes de Emily, toda a luta que ela teve para vencer as dificuldades que insistiam em querer derrubá-la, demonstram que você baseou-se – um pouco, ao menos – em alguém próximo a você, e eu arrisco dizer que foi em sua mãe. O lema dela era vencer acima de tudo, e reflete as emanações de seu subconsciente em superar os obstáculos. As descrições carinhosas sobre os sentimentos de solidão de Emily e a insistência em mostrá-la como um anjo revelaram que você foi um filho apaixonado pela mãe, obediente e disposto a fazer sacrifícios por ela. Esta última parte é evidente quando você a revela de forma maniqueísta, ela contra o mundo, lutando incansavelmente até que a felicidade fosse obrigada a dar-se por vencida e sujeitar-se à ela. Você sempre desejou a felicidade da sua mãe, assim como era evidente que o narrador torcia por Emily. E você quer alguém como Emily, como a sua mãe, para estar ao seu lado. Eu sou esta mulher, você já achou a quem procurava.

Depois, com o lançamento de Estranho Destino, um livro diferente do anterior que foi considerado por muitos críticos como uma provável autobiografia sua, trazia um protagonista incapaz de ser compreendido pela sociedade, apesar de buscar o melhor para todos. Um mártir desconhecido. E os críticos estavam certos, o Carlos Henrique do livro é seu alter-ego. Você, Roberto, busca ajudar a humanidade com os seus livros, mas são poucos os que reconhecem e entendem isso. E sou uma dessas privilegiadas. Sei o quanto é difícil viver fazendo algo que você ama e que os outros nem se importam. Mas a característica mais marcante do escritor revelada aqui foi a sua carência afetiva. Você quer alguém ao seu lado, você precisa desse alguém, você, assim como o Carlos Henrique, sente-se preso em uma redoma de vidro sendo observado por uma flor do lado de fora. Você, caro escritor, está na redoma – o ofício de escrever que existe entre o escritor e a humanidade – e eu serei a sua flor, se você assim o quiser. Deixe-me quebrar a redoma e libertá-lo, para que o seu final seja diferente do do livro.

As Pessoas que Marcam marcou uma fase difícil em sua carreira. Provavelmente alguém querido em sua vida faleceu. Aqui aprendi sobre a sua filosofia e religiosidade, quando você assumiu o papel do cãozinho Pop. Encarnar a personalidade de um animalzinho de estimação como narrador-personagem fez você sentir-se inferior ao restante do mundo e, por isso, analisá-lo fria e objetivamente. A frase que você pôs na mente de Pop no momento em que ele era atropelado por um caminhão me marcou durante muito tempo, e até mandei tatuá-la em meu ombro, junto com a figura de um coração. “Amar é viver o amor até as últimas conseqüências.” Você conseguiu mostrar sutilmente toda a sua virilidade intelectual ao brincar com as mentes dos leitores, os levando em uma viagem fantástica em caminhos desconhecidos, principalmente quando termina o livro com um epílogo no céu dos cachorros.

In San O foi o livro que eu mais gostei. A meta-história da escritora nipônica San, que descobre ser a personagem de um outro escritor é de uma genialidade nunca antes vista. Eu li este livro quatorze vezes! Comprei até mesmo a versão ilustrada, com fotografias dos quadros psicodélicos que você pintou quando o livro vendeu cem mil cópias. Sei que neste livro você estava buscando razão em sua existência. O sentimento de dualidade expunha algo intimista, cruel e chocante em seu ser, tentando entender a essência do seu trabalho como escritor. Assim, percebi que até mesmo os grandes escritores precisam de auto-afirmação, precisam de fãs, de quem ame os seus livro e, por tabela, os amem. Eu sou a sua San e você é o meu escritor, ou será o contrário?

Por último, mas não menos importante, A Volta Incompleta revelou-me o quanto você evoluiu como escritor. Apesar dos críticos considerarem o seu pior trabalho, o problema é que eles não analisaram a sua obra como um todo, vendo nuances e pistas que eu consegui ver. Toda a saga da sua vida chega ao clímax no livro em um outro planeta cheio de ficções, alienígenas e problemas que não existem por aqui. Mostra que você deseja mudanças, que agora é a hora que está aberto a novas experiências em sua vida pessoal, mesmo em lugares e com pessoas diferentes. Foi aí que percebi que você clamava por alguém que o entendesse, e acredito que esse alguém seja eu.

Meu amor, sou profundamente grata a ti por me transformar na mulher mais feliz e apaixonada deste planeta nestes últimos tempos. Saí de um relacionamento difícil e pensei que nunca mais confiaria novamente em alguém. Você me fez ver a vida com outros olhos, com os seus olhos. Por isso estou disposta a me doar por completa a você, e envio o meu contato e minha foto. Como pode ver, não sou de se jogar fora, apesar de já não ser nenhuma adolescente. Entendo perfeitamente os motivos que o levaram a não aparecer em público e evitar a mídia. É perigoso, fútil e desnecessário. Mas, mesmo não te conhecendo, não sabendo como é o seu rosto, eu volto a afirmar: eu sou tua. Aceite o meu amor respondendo a este email, com a sua resposta e, dependendo dela, os seus dados para que eu entre em contato.

Fico por aqui com um abraço e um beijo, meu grande amor.

De sua amante nas letras,

Ana Paula Galvonne


MINI EPÍLOGO


A resposta, da editora, chegou algumas semanas depois e fez com que Ana Paula se trancasse no quarto durante dias, recusando-se a comer, ora chorando ora gritando. Passada esta fase, fechou o consultório, vendeu tudo o que tinha e mudou-se para um local desconhecido sem despedir-se dos amigos e parentes nem levar livro algum consigo. Nem o notebook levou. Em seu programa de email, dentro da pasta Lixeira, uma mensagem solitária, abandonada, não sabendo se iria ser Excluída Definitivamente para o Nirvana ou Restaurada para mais um ciclo de vida na Caixa de Entrada, dizia, em partes: “Roberto Alfer é o pseudônimo de Dorinha Stelmann, escritora de 80 anos de idade que mora em Blumenau com os netos.

"Ontem à noite, enquanto eu dormia" de Antonio Machado


Ontem à noite, enquanto eu dormia
(tradução de Jefferson Luiz Maleski)


Ontem à noite, enquanto eu dormia,
sonhei – maravilhosa ilusão! –
que uma corrente jorrava
em meu coração.
Eu disse: por qual canal secreto,
oh água, você vem a mim,
água de uma vida nova
que eu nunca bebera antes?

Ontem à noite, enquanto eu dormia,
sonhei – maravilhosa ilusão! –
que havia uma colméia
bem dentro do meu coração.
E as abelhas douradas
faziam favos brancos
e mel doce
das minhas velhas imperfeições.

Ontem à noite, enquanto eu dormia,
sonhei – maravilhosa ilusão! –
que um sol ardente brilhava
dentro do meu coração.
Era ardente porque sentia calor
como em uma fornalha,
e sol porque brilhou
e trouxe lágrimas aos meus olhos.

Ontem à noite, enquanto eu dormia,
sonhei – maravilhosa ilusão! –
que era Deus quem eu tinha
bem dentro do meu coração.


Last night, as I was sleeping
(tradução de Robert Bly)


Last night, as I was sleeping,
I dreamt – marvelous error!—
that a spring was breaking
out in my heart.
I said: Along which secret aqueduct,
Oh water, are you coming to me,
water of a new life
that I have never drunk?

Last night, as I was sleeping,
I dreamt -- marvelous error!—
that I had a beehive
here inside my heart.
And the golden bees
were making white combs
and sweet honey
from my old failures.

Last night, as I was sleeping,
I dreamt -- marvelous error!—
that a fiery sun was giving
light inside my heart.
It was fiery because I felt
warmth as from a hearth,
and sun because it gave light
and brought tears to my eyes.

Last night, as I slept,
I dreamt -- marvelous error!—
that it was God I had
here inside my heart.


Ayer por la noche como dormia
(texto original de Antonio Machado)


Ayer por la noche como dormia,
error soñar-maravilloso de I! –
que un resorte explotaba
en mi corazón.
Dije: ¿A lo largo de qué acueducto secreto,
agua del Oh, usted está viniendo a mí,
agua de una nueva vida
que nunca he bebido?

Ayer por la noche como dormía,
error soñar-maravilloso de I! –
que tenía una colmena
aquí dentro de mi corazón.
Y las abejas de oro
hacían los peines blancos
y la miel dulce
de mis viejas faltas.

Ayer por la noche como dormía,
error soñar-maravilloso de I! –
que un sol ardiente daba la luz
dentro de mi corazón.
Era ardiente porque sentía calor
como de un hogar,
y sol porque dio la luz
y trajo los rasgones a mis ojos.

Ayer por la noche como dormí,
error soñar-maravilloso de I! –
que era dios yo tenía
aquí dentro de mi corazón.


Antonio Machado (1875-1939) foi um poeta espanhol.

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Duelo de Escritores

É, acabei levando a Rodada Especial de Aniversário (1 ano) do blogue Duelo de Escritores, graças a 8 votitos, que agradeço de coração. O blogue Duelo de Escritores apresenta uma proposta interessante: a cada dez dias, cinco duelistas de Santa Catarina escrevem sobre um tema e abrem a votação entre si e para o público. O ganhador leva o prêmio de poder escolher o próximo tema. Na Rodada Especial, quem duelou foram os leitores, com textos sobre o tema "Um Ano". Eu concorri com o meu Bodas de Papel. Depois disso, acho até que vou transformar o conto em livro, o que me dizem? Ah, para que vocês vejam o nível dos concorrentes, dêem uma olhada no que escreveram o Leo Molleri e a Daisy. 1 abraço.


Seguem alguns comentários extraídos do blogue sobre o texto vencedor.

NO TEXTO
Anônimo disse... Vou só opinar, até porque esta semana quem vota, pelo que entendi são somente os colaboradores do blogue. Queria dizer que gostei do texto (apesar de um pouco longo), mas ficou faltando o essêncial, o fim que concluia o início do texto...a escolha do presente do primeiro aniversário de casamento. Qual foi o presente? Paula

Anônimo disse... De Paula para JLM, Eu gostei do texto, e achei a história linda, o que acho que aconteceu é que faltou sim o complemento final para ela ficar perfeita. Pode ser uma táctica de escrita, deixar o leitor divagar e ser ele próprio a escolher o final, mas o índício desse final deve ser dado, a meu ver, por quem escreve a história. Deixar uma pista para o leitor...e acabar a história assim, porque estava longa, não me pareceu bem... Quando se escreve, temos como objectivo cativar o leitor e prênde-lo ao nosso texto. Conseguiste isso a meu ver. Eu fui lendo com entusiasmo, porque o encontro deles fois mágico e estava à espera de uma prenda mágica também, e quando cheguei ao fim fiquei desiludida... Desculpa a minha sinceridade, mas foi o que eu senti...faltou o fim, mesmo que esse fosse dúbio...mesmo que deixasse o leitor na dúvida. Mas, nem na dúvida ficámos... Paula

Daisy Carvalho disse... Uma bela estória. Daria (com certeza) uma película de comédia romântica. Sou suspeita por ser roteirista, o que não invalida o fato de o conto ser dos bons. Eu tenho um final he-he-he. Acho que a Valéria tipo 'jogou na cara' dele por anos essa estória deles. Mas viverão felizes para sempre, agora que se casaram, anos depois. Gostei, gostei muito.

fabioricardo disse... Belíssimo! Uma emocionada e linda histporia de amor.

Rodrigo Oliveira disse... tb gostei bastante desse seu texto. inclusive do final. só senti falta de um link com o gancho da compra. Eu sei q não é o foco, mas qdo vc trabalha a história dentro da história, era bom q mesmo a narrativa exterior tivesse ao menos uma indicação de final (ainda q não seja um fim propriamente dito). Só pra garantir q não fique nenhum ponto sem nó (mais motivos associados e menos motivos livres, diria um estruturalista). Enfim, de todo modo, um texto mto bom. parabéns.


NA VOTAÇÃO
Félix B. Rosumek disse... Os outros textos foram muito legais também, incluindo os dois menores do daniel e da tamara e o grandão do jlm, muito bem construído.

Marco Ribeiro disse... Meu voto vai para... Bodas de Papel. O texto é envolvente e carismático, e bem fiel ao tema, não podendo esquecer do título. O autor descreve bem as personagens e cenas, e nos surpreende com um final fora do previsto.

Tamara disse... Tá, chega de enrolação. Eu gostei MUITO dos textos da Sílvia, do Jefferson e do Léo.

Luanna disse... O meu voto vai para Bodas de Papel, de JLM‏. Texto muito interessante, prende mesmo a atenção da gnt.

Daisy Carvalho disse... Olá pessoal, Como já comentei os ótimos textos, com carinho especial para cada um deles, agradeço ao Duelo pela oortunidade. Estou muitíssimo feliz por ter novos amigos. :) O conto do Leo e do jefferson me tocaram mais por ser eu roteirista, assim, busco imagens, e esses textos mexeram com minha criatividade. TODOS são bons textos, porém. Agradeço aos que votaram em Tempo, um ano só. Meu voto vai para Jefferson por ser um texto contemporâneo. Abraços a todos! :)

fabioricardo disse... Eu, quando li o texto da Sílvia, sabia que já estava ali o meu voto. Mas então outros dois concorrentes roubaram minha atenção de uma forma que me surpreendeu. O Jefferson e o Leo escreveram textos fantásticos, de uma qualidade ímpar. Eu poderia votar no Leo pelo sentimento que tive ao terminar o conto. Ele me bateu direto na espinha, cheguei a tremer por uns instantes ao ler a última palavra. Achei isso fantástico. Mas dessa vez meu voto vai ficar mesmo com o Jefferson, pela obra como um todo. Foi divertido, envolvente, e mais que isso, me fez querer ler lgo o resto para saber finalmente o que aconteceria. E isso não é todo texto que faz. Meu voto, então, vai pro Jefferson.

Rodrigo Oliveira disse... Tivemos uma boa rodada de aniversário! Gostei de vários textos, por motivos diferentes, especialmente os dos Léo, Jefferson, da Sílvia e da Daisy.

Sylvia disse... Bem, o meu voto vai para o texto do Jefferson, a história dele teve uma construção simples e envolvente ... muito interessante. parabéns

costadessouza disse... O conto do Jefferson foi uma grande e deliciosa surpresa. Que bom lê-lo! Bom-humor, romantismo, e uma viagem bem conduzida pela imaginação dele. Foi o melhor.

Thiago Floriano disse... Gostaria de dar meus parabéns a todos os leitores/duelistas desta rodada especial. Os textos foram muito bons e ficou realmente difícil escolher só um pra votar. No final, fiquei em dúvida entre os textos do Léo e do Jefferson. O primeiro principalmente pelo final "destruidor" e o segundo pela construção do texto como um todo, que prendeu minha atenção de forma incrível. Meu voto vai para o Jefferson. Grande abraço a todos.

Jéssica disse... votando rapidinho antes que acabe o tempo: fico com o jeff, de brasilia, bodas de papel ;D =*

Félix B. Rosumek disse... O resultado da rodada é:
Jefferson: 8 votos
Daysi: 5 votos
Silvia: 2 votos
Tamara: 1 voto
O Jefferson levou e seu temá será postado para a próxima rodada. novamente um parabéns a todos pelos excelentes textos e principalmente ao campeão!

O Príncipe Maldito

Era uma vez, um príncipe, amaldiçoado porque falava demais. Mas ele só falava demais porque ninguém o ensinou quando pequeno que as palavras poderiam trazer sérias conseqüências. No caso do príncipe tagarela, as palavras foram a sua maldição. Ele, literalmente, não era homem de meia palavra. Talvez fosse de meia tonelada de palavras. Sempre falava o que precisava falar. Mas também muita coisa que não precisava. Doesse a quem doesse, desde que nunca doesse nele. Falar muito tem disso, presta-se demasiada atenção às suas palavras e não se percebe a guerra que está se armando ao seu redor. Só quando é tarde demais.

Se alguém era feio, assim que o conhecia, o príncipe dizia que ele era feio. E ele sabia todos os sinônimos para feio: horroroso, horrível, horrendo, disforme, sem beleza, de aparência desagradável, desproporcionado, desprezível, nojento, vergonhoso, desventuroso, difícil de suportar, asqueroso, repugnante, repulsivo, revoltante, repelente, etc etc etc. E fazia o mesmo com quem fosse alto, baixo, gordo, magro, corrupto, burro etc. Por isso, granjeou inimigos por todo o reino, pois ninguém gostava de ouvir a verdade sobre si revelada em público, mesmo que fosse pela boca de um príncipe. E ainda mais uma boca que falava tanta coisa ruim.

O príncipe só tinha amigos falsos e interesseiros, que não se importavam em ter as suas falhas apontadas pelo príncipe. Ele também não tinha pretendentes, pois mulher alguma gostava de ouvir que precisava fazer uma dieta, que o vestido estava horrível, que a mãe mais parecia um ogro... Apesar dele também falar das virtudes das pessoas, pois ele falava muito, quando ouviam sobre os seus defeitos, esqueciam tudo o que fora dito de bom antes.

Como ele era o filho único do rei, ninguém fazia nada contra ele, nem o censurava, e ele cresceu assim até chegar a idade adulta. Foi quando, em uma bela manhã, o príncipe passeava pela feira quando viu uma velha encurvada, feia e descabelada, roupas esfarrapadas, escolhendo algumas maçãs para comprar.

- Meu Deus! Você parece uma bruxa! – exclamou o príncipe.

A velha virou-se para ele, e um dos guardas que o acompanhava a reconheceu como a feiticeira perigosa do Vale Sombrio, que há muito era procurada por todo o reino. O guarda soou o alerta e logo ela estava sendo levada presa à masmorra, mas não sem antes maldizer o príncipe:

- Hoje, você denunciou meu disfarce e por isso eu o amaldiçoo: perderás a coisa que mais amas na vida, a fala, d'antes tão aprazível para ti, será silenciada por sua própria vontade e as tuas palavras tornar-se-ão tão repugnantes aos narizes daqueles que as ouvirem quanto o são para o coração. Serás a tua maldição perpétua, e a quem você contar sobre ela, só o abrir de sua boca o tornará repulsivo e odiado!

O príncipe gelou. Ele acabava de ser amaldiçoado por uma bruxa. Uma bruxa do Vale Sombrio. Olhou para um lado, olhou para outro, e percebeu que todos o observavam e esperavam por uma atitude sua. Disse então ao chefe dos guardas, com um sorriso amarelo nos lábios:

- Acha que esta maldição é para valer?

O guarda fez uma careta de nojo. Não só ele, mas todas as pessoas que estavam ali perto. Era como se quisessem vomitar. O príncipe, sem entender nada, perguntou:

- O que há com vocês? Por que estão assim?

O pânico foi geral. Pessoas tossiam, vomitavam e desmaiavam, animais fugiam para longe e plantas secavam. O guarda, de estômago mais forte, se aproximou do príncipe, tapando o nariz com uma das mãos e respondeu:

- A bruxa... meu senhor... ela o amaldiçoou com o bafo do dragão! Por favor, Majestade, não fale mais nada, pois nós não conseguiríamos suportar o mau cheiro. O fedor de podridão é grande. Não sei se consiguiria resistir em sacar a minha espada para matá-lo só para que não falasse mais.

O príncipe agora compreendeu a maldição. As suas palavras tornaram-se repugnantes aos narizes daqueles que as ouvissem. Mesmo de animais e plantas. Colocou a mão no ombro do guarda e fez gestos indicando que ficaria calado. Viu no rosto do guarda o alivio que sentiu. Depois de alguns gestos difíceis e confusos de serem compreendidos, conseguiu fazer-se entender que desejava ir ao calabouço, para ver a bruxa. Ao chegar lá, pediu, com gestos novamente, para ficar a sós com ela. Com os braços presos em algemas nas paredes, ela sorriu mostrando os dentes podres ao vê-lo do outro lado das grades.

- O que eu posso fazer para que você retire a maldição?

A feiticeira se contorceu-se de nojo. Não pensava em mais nada a não ser vomitar com o cheiro extremamente asqueroso. Ela soltou um grito de dor e nojo e náusea que ecoou por todo o castelo.

- Saia já daqui, seu cão imundo. Já não bastava me prender e agora vem me torturar com a sua maldição? Pois conseguistes piorar mais a tua sina, agora terás outra maldição: além de seres amaldiçoado até o fim de sua vida com as palavras podres que sairão da sua boca, vais desposar uma princesa também amaldiçoada. Esta é a sua segunda maldição neste dia. E se insistir em continuar na minha presença, serão só as primeiras de várias.

O príncipe, se lamentando por cometer o segundo erro em tão pouco tempo, saiu às pressas da presença da bruxa. Correu para o palácio, não sabendo o que deveria fazer e sem poder pedir a ajuda a ninguém. Por isso, seguiu até o alto da torre mais alta, onde ninguém poderia ouvi-lo, e deu um grito de desespero. Neste instante, algumas aves que voavam por ali caíram mortas ao redor. Sozinho, o príncipe chorou e lamentou em altos brados pelos erros que o levaram até ali. Culpou os céus e o inferno pelo seu destino, depois culpou a si mesmo, para por fim se acalmar e para de jogar a culpa em alguém e pensar nas soluções práticas para os seus novos problemas.

Para a primeira maldição era preciso que ninguém ouvisse as suas palavras. Elas provocavam uma reação de repulsa e desespero e morte dependendo do ouvinte. O príncipe primeiro pensou como isso poderia ser útil, mas as hipóteses foram descartadas uma a uma. A mais provável, seria a de usar a sua voz nas Cruzadas, falando aos exércitos inimigos. Mas percebeu que não iria funcionar: necessitaria estar sozinho no meio do exército inimigo, senão os aliados sofreriam as mesmas conseqüências que os outros. E além disso, atrairia toda a fúria inimiga para si, todos desejando matá-lo para ele ficar quieto. Deste modo, resolveu que daquele dia em diante não pronunciaria mais nenhuma palavra enquanto vivesse. A maldição selava o seu silêncio eterno.

O problema seria a segunda maldição, que além de o príncipe não conhecer, afetaria também a sua futura esposa.

(Continua...)

Sonhando Acordado "The Good Night" (2007)

Se a sua música ou livro preferidos nunca acabassem, se as emoções causadas por eles continuassem infinitamente, quem não adoraria continuar dormindo? O cara que descobrir o sonho perpétuo será um deus para mim.

O opcional de fábrica dos humanos é a solidão. Tristeza é uma garantia.


Um homem deprimido encontra a mulher perfeita em seus sonhos. Ele passa a buscar um meio de manter este relacionamento o maior tempo possível. Com Penélope Cruz, Gwyneth Paltrow, Danny DeVito e Martin Freeman. Saiba mais em: Adorocinema.com, IMDB (nota 6.1) e Youtube.

Gênesis gramatical

No princípio era o verbo.
Depois, apareceram o sujeito e o predicado.
Todo o resto, foi o Diabo quem inventou.

Michael Crichton (1942-2008)

Morreu terça-feira passada (04/11/2008), com 66 anos, o escritor norte-americano Michael Crichton. Segundo o site CNN.com, ele tinha câncer. Os fãs de ficção científica conhecem bem o escritor, mas a grande maioria do público vibrou com as adaptações de seus livros para o cinema, como "Parque dos Dinossauros" (dirigido por Steven Spielberg) e "O 13º Guerreiro". Ele também foi o autor da série "ER - Plantão Médico". A escrita de Crichton sempre baseou-se em extensas pesquisas bibliográficas - no final de cada livro aparecem as referências - misturando detalhes técnicos, teorias científicas e muita ação. Crichton também escreveu roteiros de filmes famosos e dirigiu alguns.

Michael Crichton nasceu em 1942 em Chicago e formou-se em Medicina. Em 1969 ganhou o Prêmio Edgar Allan Poe de Melhor Romance, sob o pseudônimo de Jeffrey Hudson. Segue uma lista dos seus principais livros (alguns adaptados para o cinema):

A Luneta Âmbar, de Philip Pullman

Aviso: esta resenha contém revelações sobre o enredo (spoilers).

É quase um consenso que os episódios finais das grandes séries – em livros ou tevê – nunca agradarão a todos. Talvez até faça sentido afirmar que os que detestaram o final são em número igual ou superior aos que gostaram. Os seguidores (leitores ou telespectadores) mais exaltados culpam imediatamente os autores (escritores, roteiristas ou diretores), apontando-os como pessoas incapazes de chegarem a um desfecho à altura da série. Outros mais bondosos, até assumem certa parcela da culpa, admitindo terem criado grandes expectativas antes do final. E como diz um pensamento budista "grandes expectativas resultam em grandes frustrações".

É claro que estas não passam de tentativas para explicar porque o final não agradou tanto quanto o começo, ou mesmo o meio, da história. É uma tentativa de justificar porque A Luneta Âmbar não me agradou, enquanto os dois volumes anteriores sim. O livro A Luneta Âmbar encerra a trilogia Fronteiras do Universo, do escritor britânico Phillip Pullman. Os volumes anteriores são A Bússola de Ouro e A Faca Sutil. Ao contrário do citado no parágrafo anterior, comecei a ler sem grandes expectativas, pois a pessoa que me emprestou o livro revelou que ele não era bom como os anteriores. E tenho de admitir, ela estava certa.

A Luneta Âmbar revela todos os mistérios levantados nos volumes anteriores, amarra todas as pontas soltas. Os mocinhos vencem os vilões. O universo - ou universos, já que é uma história de viagens dimensionais - é salvo. Aparecem novos personagens importantes, uns para ajudar, outros para atrapalhar. Mesmo assim, é um livro longo e chato. É longo porque é chato, e é chato porque é longo. O leitor ficará aborrecido antes de ler um terço do livro. As páginas parecem travar o tempo e o desenrolar da história não flui naturalmente. Tudo parece forçado e fora de lugar. Estarei eu exagerando? Veja alguns dos motivos que me levaram a pensar assim.

1º problema: a falta de iniciativa e ação dos protagonistas e antagonistas.

Os escritores consagrados não cansam de dizer que o sucesso de uma boa história é a ação. Mas a ação praticada pelos protagonistas, afinal, a história gira em torno deles. Nada mais natural que eles é quem roubem o trem ou vão atrás de quem roubou, matem ou busquem vingança porque mataram um amigo, fujam ou persigam, corram ou cansem de correr e enfrentem o psicopata assassino, virem um monstro verde ou queiram destruir o monstro verde, etc e etc e etc. Qual seria a necessidade de um personagem principal que não faz nada, que não ajuda a trama avançar, que deixa a impressão que tudo aconteceria com ou sem ele? Imediatamente me vem à memória o principal defeito da 5ª temporada da série 24 Horas: o protagonista, Jack Bauer, não resolvia nada, só era capturado várias vezes pelos vilões, e sem os velhos amigos das temporadas anteriores, o velho Jack já era. São os personagens secundários que salvam o dia. Em A Luneta Âmbar, Will e Lyra estão tão ruins em seus papéis que não lembram nem de longe as suas atuações anteriores: A Bússola girava em torno de Lyra e A Faca em torno de Will, mas A Luneta passou a girar em volta dos personagens secundários. Não é Will quem salva Lyra. Nenhum dos dois vence os antagonistas - a Autoridade e Metraton -, aliás, o grandes vilões dão menos trabalho que os seus subalternos. Melhor, não dão trabalho algum e mostram ser - assim como os protagonistas - irrelevantes para a trama.

2º problema: personagens ruins ou desnecessários ou ambos.

Começo pelos antagonistas. Seriam personagens que dariam excelentes vilões se não fossem caracterizados como personagens planos e não redondos. Explico, os personagens planos são os atores coadjuvantes, que não precisam de detalhes e somem do mesmo modo como apareceram, puf!, sem que ninguém perceba. Os dois grandes vilões do universo são insuportavelmente fracos e descartados facilmente. Faz-nos pensar como é que alcançaram o posto de dominantes de mundos se caíram tão fácil. A Autoridade, a origem de todo mal mostrado na trilogia, morre de inanição, chorando e gritando como um bebê. É patético. Metraton, o superanjo fodão, líder das forças do mal, é derrotado em uma briga corpo-a-corpo com dois humanos que não tinham poder algum. Os vilões dos livros anteriores, a sra. Coulter e o Lorde Asriel, poderiam render mais, mas são desperdiçados. As intrigas e estratégias feitas por eles não resultam em nada. A mudança em suas personalidades soam falsas devido à rapidez com que são expostas ao leitor.

Ama, a menina que habita páginas e páginas no início do livro, assim que salva Lyra é descartada como se fosse necessária somente ali. Ela foi usada, abusada e jogada fora.

Balthamos e Baruch, os anjos “homossexuais” apaixonados, só sabem lamentar não poderem viver as suas paixões carnais igual a quando eram humanos. Balthamos então chega a dar raiva, por suas covardias e falta de foco.

As criaturas mulefas e tualapi, bem como o universo em que vivem, mostram uma ótima criatividade do escritor (o corpo dos mulefas lembram motos e o dos tualapi barcos à vela), mas deixam a pergunta no ar: “Para que eles servem?” Caberia a mesma resposta se a pergunta fosse sobre o mundo deles, as árvores gigantes, o Pó e o óleo das nozes gigantes: servem só para acrescentar mais páginas inúteis ao livro.

A doutora Mary Malone, do "nosso" universo, assim como Will, em A Faca deixa a impressão que será essencial no desfecho. Mas o que ela faz é extremamente chato. Além de dar uma de antropóloga, vivendo e aprendendo sobre os mulefas, ela sobe nas árvores gigantes e não descobre nada, inventa a tal da luneta âmbar só para ver o pó que todos vêem menos ela, e contar uma histórinha de romance muito ordinária que teve quando era freira que abriu os olhos de Lyra para a vida. A dra. Malone faz muita coisa sem fazer nada. É difícil de acreditar que ações tão pequenas tenham efeitos tão grandiosos quanto o livro quer passar. As críticas inteligentes à igreja que aparecem em A Bússola, que são o grande diferencial da série, viraram argumentos grosseiros e fúteis. Pullman usa Mary para atacar o celibato e o Padre Gomez o fanatismo. Mas o escritor sai do aspecto geral para exemplos particulares, e não consegue criticar o problema, só os personagens.

O Padre Gomez, assassino religioso com a missão divina de matar Lyra, é inverossímil ao extremo. Ele recebe o perdão antecipado pelo assassinato que pretende cometer, mas sente-se mal na possibilidade de ferir Will em algum descuido por ele estar perto de Lyra, para logo em seguida matar sem remorsos um tualapi só para mostrar quem manda no pedaço. A consciência do homem mais parece uma montanha-russa! O seu fim também é fútil, fazendo com que o leitor faça questão de apagar a sua figura da memória como se ele nem mesmo tivesse entrado na história. Eu já apaguei e não notei diferença alguma.

3º problema: cenas inúteis e irrelevantes para a trama.

O objeto que dá o título ao livro é inútil na trama. Enquanto a bússola de Lyra, ou alietômetro, responde a qualquer pergunta que ela faça e a faca de Will de um lado corta qualquer material que exista e do outro abre portais interdimensionais, o que faz a luneta? Ela deixa que dra. Malone veja o Pó. Só isso. Emocionante, não?

As viagens através de várias dimensões feitas por Will e Lyra em A Faca são meios de se atingir um objetivo. Ou eles estão fugindo ou precisam chegar em outro lugar sem serem vistos. Agora eles passam de um universo ao outro em uma velocidade vertiginosa, às vezes apenas para dormir em um lugar calmo. São tantas dimensões que confunde.

Há outras cenas que não acrescentam nada: Will quebrar a faca; o mundo intermediário entre o mundo dos vivos e o dos mortos; a conversa com as Hárpias; a luta na usina de energia; a batalha universal onde nenhum dos personagens principais tem um papel relevante e o final que poderia salvar o livro, mas dá o golpe de misericórdia como sendo um grande fiasco.

4º problema: referências e citações para dar um ar intelectualizado.

As citações e o uso de personagens bíblicos, como Enoque, por exemplo, não ajudam na história e parecem colocadas ali só para que o leitor fique ciente que o escritor leu a Bíblia. Pelo menos, Gênesis. Em seus agradecimentos finais, o escritor revela quais livros o influenciaram na escrita de A Luneta:

"Eu roubei idéias de todos os livros que li em minha vida. (...) há três obras com relação às quais - mais do que todas as outras -, devo reconhecer, tenho dívida de gratidão. Uma é o ensaio Sobre o Teatro de Marionetes, de autoria de Heinrich von Kleist (...) A segunda é Paraíso Perdido de John Milton. A terceira são as obras de William Blake." (pg. 525-6)

Pena que a qualidade de A Luneta Âmbar não chegue nem perto das obras que inspiraram o autor. Parece que ele as usou somente nas citações, que diferente dos outros volumes, aparecem no começo de cada capítulo.

5º problema: nenhum final memorável.

Como o tema central da história é a grande batalha final entre o bem e o mal, muitos personagens ou morrem ou viram purpurina no ar ou não vivem felizes para sempre. Muitos se sacrificam para salvar outros. Mas nenhum final é memorável. Os únicos que morrem deixando saudade são os cavaleiros galivezpianos Tialys e Salmakia, a meu ver os dois melhores personagens da trama. Fica a velha impressão de que A Bússola e A Faca fizeram sucesso e os ediores pressionaram o autor para escrever o final logo, mesmo que fosse mal acabado e bobo. A Faca é inferior à parte anterior como uma fotocópia de um original. E A Luneta é pior, a fotocópia da fotocópia. O gostinho de mistério, o de querer continuar lendo, vai acabando à medida em que as explicações idiotas vão sendo dadas.

A Luneta Âmbar ganhou o Prêmio Whitbread como Livro do Ano, apesar de ser o pior dos três livros da saga. Provavelmente aconteceu o mesmo que com o último livro de As Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, A Última Batalha, que ganhou o Prêmio Carnegie Award de Melhor Livro Infanto-Juvenil do Reino Unido em 1956, apesar de ser o mais fraco dos sete volumes. Talvez seja um costume britânico premiar os últimos volumes de uma série, mais pelo reconhecimento atrasado do conjunto da obra do que pelo valor do volume em si.

Philip Pullman ainda lançou outro livro, Oxford de Lyra, que traz Lyra com 15 anos de idade, 2 anos após o final da trilogia. O livro deve ser evitado pelos que não leram a trilogia por conter spoilers. Segundo o escritor
"A Oxford de Lyra é uma espécie de degrau entre a trilogia e o livro que virá em seguida. Achei que seria divertido acrescentar alguns documentos e miscelâneas do mundo de Lyra, como, por exemplo, um mapa da Oxford que ela conhece, e conforme eu fazia isso, sentia que a história começava a ganhar forma. Do telhado da torre da faculdade de Jordan, Lyra e Pantalaimon vêem uma revoada de pássaros no céu sobre o Jardim Botânico – uma revoada comportando-se de forma muito estranha. Durante a investigação sobre a causa dos pássaros estarem se comportando daquela maneira, Lyra aprende algo sobre si mesma e sobre seu relacionamento com a cidade onde vive; e algo sobre o próprio aprendizado. Mas junto com a história, há fotografias e outras miscelâneas do mundo de Lyra e do nosso, e se você olhar atentamente, poderá achar algumas pistas sobre o curso futuro da história de Lyra" (Fonte: Editora Objetiva).

O "livro que virá em seguida" já tem título, chama-se The Dust Book ("O Livro do Pó").

Se você pretende ler a trilogia Fronteiras do Universo, talvez seja bom ter em mente o pensamento filosófico de que mais vale a jornada e não o destino. Portanto, curta a paisagem, tire fotos nas paradas e pontos turísticos, aproveite o percurso, pois o final não trará nada de interessante.

Leia também:




leitura: Outubro de 2008
obra: A Luneta Âmbar (The Amber Spyglass), Coleção Fronteiras do Universo v. 3, de Philip Pullman
tradução: Ana Lucia Deiró Cardoso
edição: 1ª, Editora Objetiva (2007), 526 pgs
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Bodas de Papel

Desafio de escrita proposto no Duelo de Escritores com a rodada especial de aniversário de um ano do blogue. E o tema não poderia ser outro: "Um Ano". Desta vez há o duelo propriamente dito, pois estou concorrendo não só com a Daisy e a Jéssica, mas com todos os leitores do blogue que enviarem os textos para lá. Vai que dou sorte e ganho essa, hein? Quem gostar do texto, vai lá no Duelo e dá uma votadinha em mim. Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas estou aqui, só pedindo um votinho! ;)

***Os créditos da foto são da Denise Arcoverde.

Viu o homem entrando na loja e saiu voando para atendê-lo. Enquanto o cliente olhava as jóias na vitrine, o vendedor pousou suavemente ao seu lado.

- Posso ajudar?

- Procuro por um colar relicário. Vocês têm?

- Temos sim. Me acompanhe, por favor. É para presente?

- Sim, é o meu primeiro aniversário de casamento. Sou novo nessas coisas de presentes. Penso que se escolher algo que não esteja à altura da afeição que tenho pela minha esposa, ela ficará menos feliz do que desejo. E não existe ninguém no mundo que eu queira agradar mais.

- O senhor é romântico e parece gostar muito da sua esposa. Como ela se chama?

- Valéria.

- Então me conte como vocês se conheceram enquanto escolhemos o melhor relicário.

- Só se eu resumir, ok? Pois é uma longa história. Eu sou apaixonado por ela desde o colegial. Nós estudamos juntos durante três anos e eu sempre gostei dela, mas não tinha coragem de contar. Eu era o esquisito da turma, sabe? Caladão e sem jeito com as mulheres. E a Valéria era a garota mais badalada, não só da sala, mas do colégio. Era extrovertida e gostava de organizar festas. Ela era radiante! Só quem a conhece para saber o verdadeiro significado da palavra beleza. Eu, contudo, como você está vendo, nunca fui grande coisa, e por isso vivia em casa, na frente do computador.

- Entendi, vocês eram de tribos diferentes. Mas como ela se interessou pelo senhor?

- Bem, eu sempre fui um cara que aprecia muito a leitura. Você gosta de ler?

- Er... um pouco, só não leio mais por falta de tempo. O último livro que li foi O Segredo.

- Então vou contar outro segredo: quem lê muito e considera a leitura um prazer, como eu, não fica muito tempo sem virar escritor. É inevitável, uma coisa puxa a outra. Primeiro, comecei escrevendo contos e poemas em blogues da internet. Depois fiz resenhas de livros e crônicas nos jornais da minha cidade. Participei até de Duelos de Escritores, acredita? E isso me ajudou bastante. À medida que fui entendendo e aplicando as técnicas de escrita que aprendia, os meus textos melhoraram e granjeei leitores assíduos. Em pouco tempo o pseudônimo, ou apelido, com o qual assinava os textos ficou bastante conhecido. Porém, escrever me isolava dos outros. Vivia trancado no quarto, publicando textos e trocando emails. O mais próximo que eu conhecia como namorada era o email girlXX@camanducaia.com! Eu também não freqüentava festas e não tinha contato extra-classe com os colegas. Mas eu era feliz, e ingênuo, na minha solidão, até o dia em que vi a Valéria. Ela coloriu a minha vida. Se fosse possível a sensualidade e a pureza habitarem juntas o mesmo ser, seria nela. Valéria passou a ser a musa dos meus poemas de amor e de sofrimento, porque naquela época, ela estava namorando.

- Parece que você tinha um problemão.

- Sim. E eu morria sempre que o namorado ia buscá-la no fim da aula. Cada beijo que eles trocavam era um elefante pisando em meu coração. Mas ele não valorizava a jóia rara que tinha. Certo dia, ouvi que eles haviam terminado. O cafajeste a traíra com outra. Era a chance que eu precisava. Mas como conquistar alguém que eu sentia falta de ar só de pensar, quanto mais chegar perto, conversar, convidar para sair? Foi quando resolvi usar as minhas armas: eu decidi escrever.

- Já sei, o senhor escreveu uma carta romântica.

- Claro que não, eu não era tão audacioso. Até pensei nisso, mas temia a reação dela. Se ela não gostasse da minha atitude ou me interpretasse mal, poderia usar o que eu escrevi contra mim. Por isso, eu precisava que outros a influenciassem a gostar de mim. Então, escrevi um livro para ela.

- Um livro? Como assim?

- Eu escrevia capítulo por capítulo, todos dedicados a Valéria. Publiquei eles em um blogue usando o meu pseudônimo e, sem ninguém me ver, espalhei cópias nos murais do colégio, revelando que haveriam continuações no blogue. A personagem principal da trama se chamava Valéria e o narrador anônimo era apaixonado por ela.

- Que legal! E como a Valéria reagiu?

- Eu não percebi de imediato porque a história virou febre. Todos no colégio queriam saber quem era o admirador secreto. Os colegas comentavam tanto o texto que os professores passaram a usá-lo nas aulas. Valéria parecia indiferente no início, mas à medida que observava a reação dos colegas, dos professores, das amigas dela, notei que começou a gostar da brincadeira. O meu plano estava funcionando. O olhar dela passou a buscar quem a observava. Tive de tomar cuidado, e ela me pegou duas vezes olhando para ela. A minha sorte foi que todos olhavam para ela. Contudo, o problema começou quando um dos professores espalhou a notícia pela internet que a ficção acontecia paralela à vida real, com cidade, colégio e musa de verdade. Os fãs dos meus textos enlouqueceram. Alguns tentavam antes, em vão, descobrir a minha identidade, mas agora surgia uma pista concreta. Assim, proliferaram as teorias sobre a identidade do escritor. Revistas publicaram matérias como "Jovem Escritor Anônimo se Declara em Livro" e "O Romantismo Anônimo da Vida Real". Jornais, rádio e televisão entrevistavam Valéria, colegas, professores e escritores locais. Não faltou quem quisesse aparecer. As amigas de Valéria viraram correspondentes de blogues de fuxicos e literatura. Os capítulos que eu escrevia passaram a ser publicados em outras mídias e mais pessoas passaram a acompanhar a história. Mas isso era algo que eu não tinha previsto.

- Toda essa atenção te atrapalhou?

- Um pouco. Mas eu estava entusiasmado com a reação da Valéria. Ela tornou-se popular em toda a cidade. Aparecia em jornais e na tevê. Faltava aulas para dar entrevistas. Em uma que lembro, ela disse que desejava conhecer o autor da homenagem para agradecê-lo por tamanha admiração. Logo depois, choveram engraçadinhos, até de outros estados, confessando serem o escritor, mas foi imposto que deveriam provar se revelando no blogue do livro. Nem preciso dizer que falharam.

- E foi difícil escrever o livro?

- Eu tinha uma idéia quando comecei a escrevê-lo, mas enquanto as histórias real e fictícia avançavam e se entrelaçavam, tive que alterar algumas vezes o que tinha imaginado. Mas o livro ficou mais próximo da realidade. E eu pude declarar tudo o que sentia por Valéria, suspiro por suspiro. Filosofei sobre a vida, o amor e a solidão. Dediquei-lhe uma música, um poema e uma estrela. Enfim, fiz tudo o que pude, joguei com todas as cartas. A seqüência dos capítulos durou dois meses, até chegar a parte final. Valéria já tinha desconfiado de quase todos os rapazes do colégio. E eu precisava me revelar e não sabia como. Por isso, no penúltimo capítulo resolvi propor um concurso de escrita, em que todos os rapazes poderiam escrever finais para a história. Seria o duelo final em que o melhor cavalheiro conquistaria o coração da donzela. O diretor gostou da idéia e, patrocinado por jornais e empresários locais, promoveu o Primeiro Concurso de Escrita do colégio. Os concorrentes poderiam escrever sobre qualquer coisa, mas os que escrevessem sobre o último capítulo do romance concorreriam na categoria principal. Foram convidados professores e escritores de renome para serem os jurados. Eles analisariam não só o melhor final, mas o mais harmonioso com o livro.

- É claro que o senhor ganhou, não é?

- Não, eu não me inscrevi.

- Como não? Não era o que o senhor queria?

- No começo sim, mas depois de sugerir o concurso, refleti mais. As coisas estavam fora de controle. Eu não queria ganhar um concurso, ser famoso, dar entrevistas. Eu queria a Valéria. Mas precisava acabar com o que havia começado. No dia do resultado do concurso, o ginásio municipal estava cheio de repórteres, celebridades locais e populares. Fãs do escritor anônimo vieram de todas as partes. Era uma oportunidade única para ver e ser visto, mas eu me encontrava sentado sozinho, próximo à saída de emergência, quando, sem perceber, ouvi um oi do meu lado. Quase caí quando vi que era Valéria. Respondi engasgado, tentando disfarçar, e se ela percebeu o meu nervosismo, eu não percebi.

"Você se inscreveu no concurso?" – ela perguntou, com os olhos brilhantes fixos nos meus.

"Não", respondi, com o coração batendo mais alto que a minha voz.

"E por quê não? Você não gostaria de ser um dos meus pretendentes?"

"Gostaria, mas não deste jeito, com todos esses holofortes."

"E o que você faria, ao invés disso tudo? Lembre que você teria um adversário forte o suficiente para escrever o final de um livro dedicado à mim, em um concurso amplamente divulgado."

"Eu nunca poderia escrever um final sem saber como a história termina. Eu não poderia, por exemplo, dizer que a mocinha se apaixonou pelo mocinho, que eles viveram felizes para sempre, quando não sei nem se ele a conquistou. Por isso não me inscrevi. Eu estou cansado desse barulho todo e só quero ver como esta história vai terminar. Por mim, eu simplesmente levaria flores até a sua casa, junto com um poema, para só você ler, e depois te convidaria para sair."

"Eu poderia dar algumas sugestões para o seu final, se você fosse escrevê-lo."

"Sugestões? Como assim?"

Créditos da foto: Denise Arcoverde (http://lovingbags.com)"Por exemplo, você poderia escrever que a mocinha, de início, achava aquela história toda muito estranha, mas com o tempo, ela passou a gostar do admirador secreto. Ele conseguiu, usando as palavras que saíam do coração tocar a alma dela. Mas essa mocinha tinha um problema, o seu admirador permanecia secreto. Então, ela discretamente pediu ajuda aos fãs do escritor e aos professores do colégio, que se comoveram do sofrimento da mocinha apaixonada, e juntos elaboraram a lista dos candidatos mais prováveis. Analisaram perfis e provas de redação arquivadas na secretaria. Um a um, os candidatos foram descartados até sobrarem três ou quatro. Destes, só um era da sala da mocinha. Agora estava mais fácil, mas ela precisava ter certeza. Então, pediu ao diretor do colégio o histórico do tal aluno, o seu endereço e telefone. O diretor concedeu e foi gentil abonando as faltas dela quando ela foi à casa do aluno no horário de aula. A mãe do aluno, que já desconfiava do filho, porque mãe sempre sabe das coisas, foi calorosa com a mocinha. Conversou muito com ela e pode-se dizer que tornaram-se amigas. Ela deixou que a mocinha entrasse no quarto do filho, mexesse no computador dele e levasse alguns rascunhos retirados dos blocos de anotações. Essa mocinha, depois de convencida da identidade do seu admirador, resolveu deixar de ser apenas uma personagem para ser co-autora. Por isso, ela escreveu o final que ela queria para o livro, usando as anotações do amado, assinou o texto com o nome dele e inscreveu o texto no concurso."

- Puxa vida! – disse o vendedor de jóias – que história! E como era o final escrito por ela?

- Eu poderia dizer que o texto dela ganhou o concurso. Que revelou o autor e foi publicado como um livro de sucesso. Mas o ponto mais importante para mim, é que o livro termina com o admirador-não-mais-secreto indo à casa dela, levando flores e um poema e a convidando para sair. E a resposta dela ao convite, só ele ouviu, e continua ouvindo até hoje.