Rapidinha do dia nº 9

- Certeza que o meu colchão é muito melhor que o seu - gabou-se o rapaz.

- E como você sabe disso? - ela, curiosa.

- Porque só no meu colchão tem eu!

- Sei.

- Quer fazer o teste lá em casa hoje a noite?

No dia seguinte:

- É, o seu colchão é melhor que o meu mesmo. Pena que a garantia esteja vencida.

- Isso nunca tinha acontecido comigo antes...

- Sei.

Leituras de 2009

Em 2009, assim como nos outros anos, fiz leituras bem variadas. Estatisticamente, superei minha meta de livros lidos em 2008, aumentando de 50 para 86. O acréscimo de 2007 para 2008 havia sido de somente 2 livros. Agora só não foi mais por causa do corre-corre faculdade-trabalho-férias. Queria ter chegado nos 100, mas fica como objetivo para 2010.

O destaque fica para o mês de outubro, com 17 livros lidos, meu recorde até agora. E passei a ser questionado pela pergunta que todos os leitores vorazes escutam, se a quantidade lida não atrapalha na qualidade da leitura. Antes, eu também acreditava que atrapalhava, agora não. Pelo contrário, quanto mais se lê, maior passa a ser a rapidez e capacidade de compreensão da leitura. Só pra constar, outubro foi o mês em que melhor me saí em testes e provas, bastando dar uma lida no material de estudo para tirar as notas mais altas da sala.

Outro destaque para este ano ficou por conta das HQ's para adultos. As classifiquei como livros devido à quantidade de páginas e densidade dos quadros. Depois da Watchmen (influenciado pelo filme) não parei e fechei as séries Oldboy e Bórgia, e parte de Vagabond, sem falar na Whiteout e a versão de O Hobbit em quadrinhos. Uma grande vantagem é encontrar muitas delas disponíveis na internet, até as esgotadas ou não publicadas no Brasil. Pirataria? Sim, mas com o diferencial que ficamos com vontade de comprar as edições em papel assim que (re)surgirem por aqui.

Algumas leituras foram influência direta de outros leitores (reais e/ou virtuais) a quem tenho consideração. Outras nasceram de outras leituras. Outras, a pedido de escritores ou editoras. No conjunto, acredito que 90% foram de bons livros, que de alguma forma acrescentaram conhecimentos, ideias e cultura à uma pequena cabecinha careca do interior de Goiás.

Se alguém precisar de referências sobre as leituras abaixo, basta me procurar.

JANEIRO
1. O leilão do lote 49, Thomas Pynchon.
2. A casa das belas adormecidas, Yasunari Kawabata.
3. Todas as cidades, a cidade, Renato Cordeiro Gomes.
4. A luz fantástica, Terry Pratchett.
5. A arte cavalheiresca do arqueiro zen, Eugen Herrigel.
6. A marquesa d'O... e outras estórias, Heinrich Von Kleist.
7. Artemis Fowl, Eoin Colfer.
8. Coraline, Neil Gaiman.
9. A Oxford de Lyra, Philip Pullman.

FEVEREIRO

10. O mágico de Oz, Lyman Frank Baum.
11. O perfume, Patrick Süskind.
12. História de um louco amor / Passado amor, Horácio Quiroga.
13. Avante, soldados: para trás, Deonísio da Silva.
14. Hamlet : poema ilimitado, Harold Bloom.
15. Watchmen, Moore/Gibbons.

MARÇO
16. Hamlet, William Shakespeare.
17. Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll.

ABRIL
18. Tudo o que eu queria te dizer, Martha Medeiros.
19. Calipso e Ulisses, Simone Athayde.
20. A revoada: O enterro do Diabo, Gabriel García Márquez.
21. Direitos iguais, rituais iguais, Terry Pratchett.
22. O caso dos exploradores de cavernas, Lon L. Fuller.

MAIO
23. O clube dos anjos, Luis Fernando Verissimo.
24. Através do espelho, Jostein Gaarder.
25. A décima segunda noite, Luis Fernando Verissimo.

JUNHO
26. Esaú e Jacó, Machado de Assis.
27. O opositor, Luis Fernando Verissimo.
28. Dagon, H. P. Lovecraft.

JULHO
29. Como me tornei estúpido, Martin Page.
30. Os livros perdidos de Eva, Josh Howard.
31. Singularity 7, Ben Templesmith.
32. A casa dos budas ditosos, João Ubaldo Ribeiro.
33. Esses livros dentro da gente, Stela Maris Rezende.
34. Vagabond v.1, Takehiko Inoue.
35. Oldboy v.1, Tsuchiya/Minegishi.
36. Oldboy v.2, Tsuchiya/Minegishi.
37. Oldboy v.3, Tsuchiya/Minegishi.
38. Estratégia do pensamento e projeto de vida, Michel Echenique Isasa.
39. A arte da ficção, David Lodge.
40. O sagrado e o profano, Mircea Eliade.

AGOSTO
41. Oldboy v.4, Tsuchiya/Minegishi.
42. Oldboy v.5, Tsuchiya/Minegishi.
43. Oldboy v.6, Tsuchiya/Minegishi.
44. Oldboy v.7, Tsuchiya/Minegishi.
45. Ficções, Jorge Luis Borges.
46. Ensaio sobre a cegueira, José Saramago.
47. A vida secreta dos grandes autores, Robert Schnakenberg.
48. Desvendando os segredos da linguaguem corporal, Allan e Barbara Pease.
49. O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes Saavedra.
50. Narrativas gráficas, Will Eisner.

SETEMBRO
51. O mundo é bárbaro, Luis Fernando Verissimo.
52. Vagabond v.2, Takehiko Inoue.
53. A sedução da palavra, Affonso Romano de Sant'Anna.
54. Vagabond v.3, Takehiko Inoue.
55. O profeta, Khalil Gibran.
56. Oldboy v.8, Tsuchiya/Minegishi.
57. A menina que roubava livros, Markus Suzak.
58. A droga da obediência, Pedro Bandeira.
59. A guerra da arte, Steven Pressfield.
60. Bilbo, o hobbit, Tolkien/Dixon/Wenzel.
61. Vagabond v.4, Takehiko Inoue.
62. Vagabond v.5, Takehiko Inoue.

OUTUBRO
63. Mastigando humanos, Santiago Nazarian.
64. Whiteout: morte no gelo, Rucka/Lieber.
65. Vagabond v.6, Takehiko Inoue.
66. Vagabond v.7, Takehiko Inoue.
67. Hagakure, Yamamoto Tsunetomo.
68. O curioso caso de Benjamin Button, Fittzgerald/DeFilippis/Weir/Cornell.
69. Satanás, Mario Mendoza.
70. Borgia v.1, Jodorowski/Manara.
71. Borgia v.2, Jodorowski/Manara.
72. Borgia v.3, Jodorowski/Manara.
73. Querido e devotado Dexter, Jeff Lindsay.
74. Na busca de um homem, Michel Echenique Isasa.
75. Vagabond v.8, Takehiko Inoue.
76. Vagabond v.9, Takehiko Inoue.
77. Vagabond v.10, Takehiko Inoue.
78. O herói cotidiano, Délia Steinberg Guzmán.
79. Deus existe?, Ratzinger/d'Arcais.

NOVEMBRO
80. Melhor que você mesmo, Steve Farber.
81. Como escrever um livro, Ariel Rivadeneira.
82. Caim, José Saramago.

DEZEMBRO
83. Eric, Terry Pratchett.
84. O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams.
85. O símbolo perdido, Dan Brown.
86. Notas do subsolo, Fiódor Dostoiévski.

The summer is tragic!, de Rosana Hermann

Chegou o verão. E com ele também chegam os pedágios, os congestionamentos na estrada, os bichos geográficos no pé e a empregada cobrando hora-extra.

Verão tambem é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.

Verão é picolé de Ki-suco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.

Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis. Mas o principal, o ponto alto do verão é... a praia!!

Ah, como é bela a praia!

Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.

Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.

Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O verão é Brasil, é selva, é carnaval, é tribo de índio canibal.

Todo mundo nu de pele vermelha. As mulheres de tanga, os homens de calção tão justo que dá até pra ver o veneno da flecha, e todo mundo se comendo cru.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão chegando. É muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias.

Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinha! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo.

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como perfurar um poço pra fincar o cabo do guarda-sol. É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé.

Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da maravilha que é entrar no mar! Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo. Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem aquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor.

Mas, claro, tudo tem seu lado bom. E à noite o sol vai embora. Todo mundo volta pra casa, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo. O xampu acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde o creme de barbear até desinfetante de privada. As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa de praia oferece.Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo.

O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família. Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical.

The summer is tragic!

O texto acima é mais um dos falsamente creditados a Luis Fernando Verissimo. A real autora, a jornalista paulista Rosana Hermann, se manifestou no blog Autor Desconhecido, comprovando a sua autoria.

2010 aqui

Bem, depois de umas férias prolongadas e merecidas, a primeira coisa a falar é... cara nova do blogue! Podem dizer que ele tá meio espalhafatoso, como que querendo chamar a atenção e, pra ser sincero, é isso mesmo. Quero que este ano seja quente, queime o que houve de tradicional, de conservador, de bitolado. E para demonstrar bem o meu desejo de mudanças e transformações nada melhor que expressar isso através da arte, não? Agora é arregaçar as mangas, desejar boas-vindas aos que aparecerem pela primeira vez e um abraço aos que já passaram por aqui antes, e voltar a fazer aquilo que mais gosto: escrever.

A você, espero que aconteça tudo de bom na sua vida daqui pra frente, e que mesmo as dificuldades sejam vistas não como obstáculos, mas como provas que aperfeiçoarão o seu ser.