O médico e o mecânico (autor desconhecido)

Um mecânico está desmontando o cabeçote de uma moto, quando ele vê na oficina um cirurgião cardiologista muito conhecido. Ele está olhando o mecânico trabalhar. Então o mecânico pára e pergunta:

- Ei, doutor, posso lhe fazer uma pergunta?

O cirurgião, um tanto surpreso, concorda e vai até a moto na qual o mecânico está trabalhando. O mecânico se levanta e começa:

- Doutor, olhe este motor. Eu abro seu coração, tiro válvulas, conserto-as, ponho-as de volta e fecho novamente, e, quando eu termino, ele volta a trabalhar como se fosse novo. Como é então, que eu ganho tão pouco e o senhor tanto, quando nosso trabalho é praticamente o mesmo?

Então o cirurgião dá um sorriso, se inclina e fala bem baixinho para o mecânico:

- Tente fazer isso com o motor funcionando...


Conclusão: Quando a gente pensa que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Alice é realmente um livro estranho, inicialmente. O leitor sente-se perdido na história, como se estivesse sendo conduzido por um escritor enlouquecido ou como se fosse transportado para um mundo sem a mínima pretensão de ser racional. Mas, em uma análise mais profunda, e levando-se em conta que é um livro infantil, pode-se dizer que Lewis Carroll tentou mostrar o mundo adulto pela visão de uma criança. Muitas coisas não fazem sentido, seja uma cerimônia de chá, um jogo de croqué, as atitudes daqueles que mandam, um julgamento etc. E, quando a criança, querendo satisfazer sua curiosidade inata, faz uma pergunta sincera, recebe complexas explicações que a deixam mais perdida ainda. Neste ponto de vista, o livro é uma pérola infantil, que deve influenciar muito mais crianças que adultos, pois já perderam a capacidade de sentir sem racionalizar. Quem senão uma criança conseguiria imaginar um País de Maravilhas com coelhos preocupados com a hora, cartas de baralho fiéis a uma rainha que só ordena execuções, um chapeleiro, um arganaz e uma lebre em uma interminável cerimônia de chá ou um gato de Cheshire que desaparece e reaparece em partes? As aparentes loucuras trazem à tona ensinamentos simples, mas importantes aos jovens.
Alice continuou: “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”

“Isso depende bastante de onde você quer chegar”, disse o Gato.

“O lugar não me importa muito...”, disse Alice.

“Então não importa que caminho você vai tomar”, disse o Gato.

“...desde que eu chegue a algum lugar”, acrescentou Alice em forma de explicação.

“Oh, você vai certamente chegar a algum lugar”, disse o Gato, “se caminhar bastante.” (pg.84)

leitura: Março de 2009
obra: Alice no País das Maravilhas (Alice's Adventures in Wonderland) de Lewis Carroll
tradução: Rosaura Enchemberg
edição: 1ª, L&PM - Coleção L&PM Pocket, vol. 143 (1999), 178 pgs
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Regular

O desenho animado da Disney (1951), foi adaptado da obra de Carroll para parecer um pouco mais entendível, e pode ser visto no Youtube, dublado, em 8 partes.

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 - Parte 5 - Parte 6 - Parte 7 - Parte 8

Em 2000, a EA lançou o jogo de computador American McGee's Alice, onde uma Alice adulta e dark retorna ao País das Maravilhas, agora bem mais perigoso. Delicie-se com o trailer do jogo abaixo.

História de um louco amor seguido de Passado amor, de Horacio Quiroga

Saiu no Amálgama.com.br a minha resenha do livro História de um louco amor seguido de Passado amor, de Horacio Quiroga, entitulada Louco amor louco. O primeiro parágrafo do artigo diz:
"Responda rápido: qual seria o futuro de alguém cujo pai, padrasto, esposa e três filhos tivessem se suicidado? O que ele se tornaria com uma família assim? Bem, Horacio Quiroga (1879-1937) teve uma família assim e tornou-se escritor."
Gostou? Então clique aqui e leia o artigo completo.

Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons

“Quem vigia os vigilantes?” é mote central da HQ Watchmen, escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. A graphic novel foi uma das que revolucionou as histórias em quadrinhos e ganhou muitos prêmios por isso. Originalmente publicada no Brasil em 1999 pela Abril em 12 revistas mensais, ganhou recentemente uma edição definitiva pela Editora Panini Brasil. A HQ traz a história de um grupo de ex-super-heróis (os Watchmen) que vivem nos EUA de 1985, em uma iminente 3ª Guerra Mundial contra a URSS. Assassinatos, conspirações e flashbacks da vida dos heróis vão arquitetando a trama e mostrando que tudo pode ter mais de uma interpretação. Apesar dos heróis serem desconhecidos para quem não leu a HQ, os seus conflitos pessoais fazem o leitor se identificar de cara com algum. Um exemplo é Rorschach, sendo que a frase dele quando se vê preso e ameaçado pelos bandidos que capturou no passado é a máxima do cara durão. Os desenhos são únicos, contando até 3 histórias paralelas ao mesmo tempo. Alguns quadros respondem a perguntas feitas no texto, o que garante diversão até mesmo nas releituras. A história do pirata é um brinde aos leitores. Os “documentos” no final de cada edição também. Em março de 2009 estréia o filme que, pelo trailer, parece ser uma boa adaptação. Lido em e-book.

leitura: Fevereiro de 2009
obra: Watchmen de Alan Moore, com ilustrações de Dave Gibbons
tradução: Jotapê Martins
edição: 1ª, Abril (1999), 12 edições de 36 pgs
compare os preços: Buscapé
Excelente