Coleção Folha Grandes Livros no Cinema (2013)


O jornal Folha de São Paulo lança mais uma vez outra coleção no mínimo diferente: adaptações clássicas de clássicos (dãr) da literatura para o cinema. Os 25 livro-filmes podem ser adquiridos semanalmente nas bancas por R$ 17,90 ou pelo site da coleção (livrosnocinema.folha.com.br). A vantagem pra quem comprar pelo site é o desconto (cada filme cai para R$ 14,32) e o parcelamento em seis vezes, para quem for assinante UOL ou Folha. Aqui deixo a minha dica: você não precisa necessariamente ser assinante, faça como eu: peça o login emprestado de algum conhecido que seja assinante, pague com o seu cartão e bote para entregar na sua casa. E caput!

Mas o que torna essa coleção diferente das outras? Bem, duas coisas: primeiro são adaptações de livros. De livros! Segundo, são filmes que você não acha fácil na locadora, Netflix ou piratex na internet. Eis a lista:
  • Crime e Castigo (1970) - direção de Lev Kulidzhanov
  • Ricardo III (1955) - direção de Laurence Olivier
  • 1984 (1956) - direção de Michael Anderson
  • A Hora da Estrela (1986) - direção de Suzana Amaral
  • Os Miseráveis (1986) - direção de Glenn Jordan
  • Os Assassinos (1978) - direção de Glenn Jordan
  • Anna Karênina (1948) - direção de Julien Duvivier
  • O Leque de Lady Windermere (1949) - direção de Otto Preminger
  • Orlando (1992) - direção de Sally Potter
  • O Tempo Redescoberto (1999) - direção de Raoul Ruiz
  • O Castelo (1997) - direção de Michael Haneke
  • O Vermelho e o Negro (1954) - direção de Michael Haneke
  • A Queda da Casa de Usher (1960) - direção de Roger Corman
  • O Amante (1992) - direção de Jean-Jacques Annaud
  • Fausto (1926) - direção de F.W. Murnau
  • Mulheres Apaixonadas (1969) - direção de Ken Russell
  • Os Vivos e os Mortos (1987) - direção de John Huston
  • A Duquesa de Langeais (2007) - direção de Jacques Rivette
  • O Deserto dos Tártaros (1970) - direção de Valerio Zurlini
  • Doutor Fausto (1982) - direção de Franz Seitz
  • O Som e a Fúria (1959) - direção de Martin Ritt
  • Germinal (1993) - direção de Claude Berri
  • O Som da Montanha (1954) - direção de Mikio Naruse
  • Édipo Rei (1967) - direção de Pier Paolo Pasolini
  • Tess (1979) - direção de Roman Polanski

Dá-nos o amor nosso de cada dia

A memória, às vezes, escolhe trilhas estranhas para fazer as suas caminhadas. Só ela é capaz de esquecer coisas propositalmente para mais tarde nos maravilhar com a redescoberta de algo que já sabíamos. Foi o que aconteceu comigo dias atrás, enquanto eu me divertia em uma faxina periódica para diminuir a papelada acumulada em casa. Encontrei em uma gaveta a pasta de estudos do primeiro período – que mais tarde viria a ser o único – do curso de jornalismo da PUC em Goiânia, cursado em uma época em que não sabia exatamente o que queria da vida. Ainda hoje não arrisco dizer se sei. Relendo xeroxes, testes e provas, encontrei o trabalho final da disciplina Teoria da Comunicação I começando a exalar o aroma típico de pergaminho. Havia me esquecido completamente, apesar de ter me decepcionado bastante com ele. Aproveitando a proximidade do Dia dos Namorados o professor solicitara que os alunos entrevistassem alguém sobre o amor. A tarefa era simples, mas o entrevistador deveria passar um tempo junto ao entrevistado para tirar as próprias conclusões sobre a veracidade do discurso. Lembro que alguns colegas logo de cara já mencionaram os avós, outros, com mais acessibilidade social, citaram nomes de personalidades ilustres como o prefeito ou o governador. No quesito originalidade eu estava na zona de rebaixamento da terceira divisão. A minha família morava longe. Eu não conhecia ninguém relevante. Nem namorada eu tinha para usar como cobaia. Eu precisava de uma boa ideia urgente.

Resolvi andar para espairecer. Não sei quais mecanismos ligam o caminhar à produção de ideias. Talvez algum hormônio produzido pelo esforço físico telefone para os neurônios. Ou talvez seja só porque esqueçamos momentaneamente o problema, acendendo a luz e deixando a janela mental aberta para atrair as novas ideias. As avenidas planejadas, amplas e arborizadas do centro de Goiânia são o lugar ideal para se encontrar tipos e situações inusitadas. Não chegam perto de uma Quinta Avenida no quesito gente exótica, mas vez por outra apresentam figurinhas bem raras. E foi com uma destas que me deparei.

Antes das denúncias de extermínio pipocarem pela mídia, era normal encontrar mendigos nas ruas de Goiânia como parte integrante da paisagem citadina, um cartão postal nada desejável aos comerciantes locais e aos políticos da capital. Um maltrapilho encontrava-se sentado próximo à esquina segurando um cartaz em papelão escrito “uma esmola por um amor de deus”. Neste ponto preciso admitir que a minha compulsão em defesa da língua portuguesa já foi bem mais ferrenha no passado. Cheguei a abandonar possíveis relacionamentos com garotas a quem carinhosamente classifiquei como Meninas Concerteza. Pois é, a má escrita me broxa deveras. Contudo, a construção gramatical simplória na placa do mendigo me trouxe empatia por ele. Até pensei que um “ismola” se encaixaria melhor ali. Sorri com a sensação pecaminosa de burlar as sagradas regras gramaticas para indicar pobreza não só material mas também intelectual e isso ser utilizado como propaganda. Plenamente justificável.

Retirei dez reais da carteira e me aproximei. Assim que depositei a nota na tapoer suja ele me dirigiu o grande par de óculos negros encaixados tão perfeitamente no meio de uma profusão de cabelos e barba compridos que pareciam ter nascido com ele. Senti um arrepio percorrer pelo corpo, parecia que ele olhava além de mim, sensação que aumentou quando ouvi a voz grave agradecendo e pedindo a minha mão. Era uma voz melodiosa, porém firme, daquelas que esperamos ouvir bradar no momento de nossa morte ou suspeitamos tê-la ouvido quando nascemos. Estendi automaticamente a mão e senti um pequeno choque – similar ao que acontece vez por outra no carro ou no chuveiro – quando ele a usou para levantar-se. Por um momento pensei estar alucinando sob a impiedosa baixa umidade da região Centro-Oeste. A estatura do homem me pareceu enorme, colossal e, mesmo eu sendo mais alto, senti-me minúsculo, insignificante, fugaz. Aquele cara sim sabia o que era ter presença natural.

- Eu sei quem você é e o que precisa.

Puxei a mão. Com certeza EU não o conhecia. Mas assim que ele falou pensei que talvez ELE me conhecesse de outras vezes que eu tivesse passado por ali. Porém, descartei logo a hipótese, pois a capital tem mais de um milhão de habitantes e a Avenida Independência não costuma ser minha rota habitual. Contudo, ao observar melhor as roupas gastas mas limpas do mendigo uma lâmpada brilhou na minha cabeça.

- O senhor é cigano?

- Não, meu amigo, não faço parte dos roma. Apesar de vir de uma tradição tão antiga quanto.

Lembro-me de ter ficado surpreso com a inesperada erudição do mendigo e fazer uma anotação mental para procurar o significado da palavra desconhecida posteriormente. Curiosidade despertada, resolvi continuar a conversa.

- Então não entendi o que o senhor quis dizer com me conhecer e saber o que preciso.

- Eu posso explicar, meu jovem, se além do dinheiro também tiver um pouco de tempo para este pobre miserável.

- Fique à vontade, respondi, interessado pela figura.

- Bem, eu, assim como todos os mendigos, tenho por mãe a Pobreza e pai a Riqueza. Sou pobre por não ter dinheiro mas rico por ter liberdade. Sou um paradoxo para a sociedade, alguém que o sistema não entende. E você sabia que na mitologia existe um deus que também é filho da Pobreza e da Riqueza? O que significa que devo ter pelo menos um ser divino na família – e soltou uma risada gostosa – portanto, vou usar a minha condição privilegiada para lhe conceder um desejo em troca da sua generosidade.

- Igual à estória do gênio da lâmpada?

- Não, não. O gênio deixava os outros escolherem o desejo. Eu vou lhe conceder um desejo que nem mesmo você sabe que tem. Eu vou te apresentar ao amor.

- Sei. Então quer dizer que o amor é um desejo que nem mesmo eu sei que tenho?

- Claro, todos, sejam humanos ou deuses, querem conhecer o amor pelo menos uma vez na vida, nem que seja em um encontro casual na rua ou na internet ou em uma folha de papel.

- Concordo, mas como o senhor pretende fazer isso, perguntei por perguntar.

- Desconfio que você escreva bem, meu rapaz. Apesar de VOCÊ ainda não saber agora, vai descobrir isso no futuro. E um dia, dentre todos os textos que escrever, um será sobre o encontro de hoje, sobre esta conversa. Suas palavras não te garantirão o Nobel, mas serão lançadas como uma flecha certeira, direta, profunda. E, não muito tempo depois, uma certa moça acabará lendo o seu texto. Ela será o alvo. Pronto, o seu desejo, o meu e o dela, cumpridos.

- E o que acontece se eu nunca escrever sobre isso?

- Aí é que está a graça da coisa, meu rapaz. Você já o está escrevendo neste exato momento, na sua cabeça. Depois que a semente de uma história entra na mente é impossível não plantá-la em algum lugar depois. Falo sério quando digo que já vi pessoas ficarem loucas por quererem barrar o que está além de suas forças.

- E se por acaso eu não gostar da moça? E se ela não tiver nada a ver comigo, se ela não gostar de ler... – neste ponto percebi a falha do meu argumento, pois se ela não gostasse de ler não teria lido o meu texto. O velho sorriu.

- Não existem relacionamentos impossíveis neste pequeno universo em que moramos. Estão aí as tragédias gregas que não me deixam mentir. Elas mostram que vale a pena viver e morrer por um amor, seja ele quão diferente for. Aguarde e confie. Até eu me casei e tive uma filha que me dá grande prazer, embora faça muitas coisas por aí que eu não concorde. Mas, é a vida!

De repente, uma colegial passa e deposita uma moeda na tapoer. O mendigo volta-se para ela e pede o celular da garota. Assim como acontecera comigo antes, ela o entrega sem objeção. O mendigo aperta apenas uma tecla e devolve o aparelho, dizendo:

- Pronto, agora ele vai responder as suas mensagens. Tenha um bom dia, mocinha!

Ela se afastou com um semblante confuso e esperançoso. Sem dar mais atenção para mim, o mendigo juntou cuidadosamente as esmolas, o cartaz, o cobertor pega-pulgas e a bengala. Só quando se afastou em seu passo trôpego é que percebi que era cego.

É claro que usei aquela experiência no meu trabalho final. Todo aquele papo estranho parecia um sinal dos deuses universitários que fornecem boas notas aos alunos desesperados. Resultado: reprovei com louvor na matéria. O professor escreveu em garrafais letras vermelhas abaixo na nota: fuga do tema. Logo depois, abandonei o Jornalismo e entrei no curso de Direito. Tinha mais a ver comigo. Hoje, formado, lembro-me de pouca coisa que tenha marcado aqueles dias. Mesmo o que marcou acabou sendo arquivado pela memória em uma pasta de papéis velhos. Não me pergunte por que resolvi publicar agora aqui no blogue a versão virtual do que aconteceu comigo anos atrás. Talvez seja mais fácil perguntar por que eu escrevo. Talvez seja uma maneira de relembrar o passado. Ou talvez colorir com uma pitada de imaginação e fantasia. Afinal, quem escreve o passado é a memória, a melhor ficcionista de todos os tempos. Mas talvez, e esta é uma hipótese que não descarto totalmente, talvez seja apenas meu subconsciente apontando que continuo solteiro e que o cartaz do mendigo não era um erro de grafia e sim uma promessa. Vai que.

Quem me olha do lado de lá

Há um cadáver dentro do meu quarto. Já não enxergo como antigamente, mas os imbecis não me enganam, eu posso sentir o cheiro. Aposto que foi ideia da imprestável da minha filha para me enlouquecer. Malditos filhos, eles querem a minha fortuna! Já não fosse suficiente me deixarem vigiada dia e noite neste quarto pela espiã que denominam carinhosamente como enfermeira Moema agora me vêm com estes joguetes infantis. Nos meus belos anos quem ousasse me enfrentar, não importa se fossem os caras maus de verdade ou corações partidos vingativos ou enfermeiras de sorriso falso, conheceriam de perto a sola francesa do meu salto alto em suas caras. Eu deveria ter aprendido a lição com Cronos: devore antes de ser devorado. Ah, malditos! Os meus velhos ossos ainda servem para me conduzir com dificuldade, lentamente, pelo cômodo. A dor é tamanha que há tempos até mesmo ela deixei de sentir. A claridade da janela cega, mas forças não existem para fechá-la. O chão estremece de frio ao sentir os meus pés. A idade se condensou em minha prisão e na maldição dos meus herdeiros. Bem feito! Paro em pé diante do espelho e ele reflete uma mulher esbelta de olhos felinos e longos cabelos negros. Eu sei quem você é, querida. Ela sorri diabolicamente ao se admirar do que aquele corpo foi capaz de induzir a homens, mulheres e crianças fazerem. O meu reino por uma noite, sussurram vozes na memória. Durmam com o inimigo, meus queridos, para a eterna satisfação de sua futura viúva. Cada flerte, cada taça de champanha, cada vestido de seda caindo suavemente, cada gemido de prazer capitalizados em títulos de rendimento a longo prazo. O problema de ter sido tão eficiente foi ter meus ganhos ultrapassando os anos de vida. Se mate de inveja, Lady Macbeth, pois remorso e culpa são natimortos para mim! Embora até tenha previsto que as serpentes que daria à luz herdariam o meu veneno, não me preparei para que o usassem homeopaticamente como tortura contra mim. Uma brilhante tortura, admito. Como estão fazendo agora, para me punirem ainda mais, cobrem com um lençol branco o meu amado espelho. Safados! Malditos!

Livros Adquiridos - Julho 2013


16 livros = -R$ 342,39

162. o oceano no fim do caminho - neil gaiman - intrínseca - r$ 9,90 - www.skoob.com.br (lido) (trocado)
163. sandman livro 6: fábulas & reflexões - neil gaiman - conrad - r$ 19,80 - www.skoob.com.br (vendido)
164. histórias de robôs vol 1 - diversos - l&pm - r$ 4,95 - www.skoob.com.br
165. o chamado de cthulhu e outros contos - h. p. lovecraft - hedra- r$ 4,95 - www.skoob.com.br
166. a guerra da arte - steven pressfield - ediouro - r$ 18,74 - www.estantevirtual.com.br (doado)
167. deus um delírio - richard dawkins - companhia das letras- troca - www.skoob.com.br (vendido)
168. leonardo da vinci: desenho e pintura completa - frank zollner - taschen - r$ 79,11 - www.siciliano.com.br
169. a jornada do escritor - christopher vogler - nova fronteira - r$ 46,72 - www.estantevirtual.com.br
170. infância - j. m. coetzee - companhia de bolso - r$ 19,10 - www.estantevirtual.com.br (amigo secreto sebo valinor)
171. hagakure - yamamoto tsunetomo - conrad - r$ 54,63 - www.estantevirtual.com.br
172. o jogo da amarelinha - júlio cortázar - civilização brasileira - troca - www.skoob.com.br
173. os miseráveis - victor hugo - cosac naify - r$ 90,80 - www.livrariadafolha.com.br
174. luka e o fogo da vida - salman rushdie - companhia das letras - troca - www.skoob.com.br
175. morte súbita - j. k. rowling - nova fronteira - sorteio - www.facebook.com.br (vendido)
176. minhas universidades - maximo gorki - ediouro - troca - www.skoob.com.br
177. a marca de atena - rick riordan - instrínseca - troca - www.skoob.com.br

Pulsão por Jogar

Um jogo de chantagem sexual envolvendo dois adolescentes e um professor, aonde quem assume o papel de vítima é um tanto indefinido. Esta seria uma sinopse simplória para o livro A Menina Sem Qualidades (2004), da escritora alemã e ex-advogada Juli Zeh. Isto porque o livro traz muito mais: levanta a teoria dos jogos aplicada nas relações humanas; mostra o conflito gritante entre gerações e as ideologias que cada uma delas acredita; reflete como a mudança (ou muitos diriam a falta) de valores, moral, ética e objetivos afeta os jovens contemporâneos; levanta o papel da literatura, música, filosofia e do direito na vida cotidiana, bem como os efeitos do cenário político mundial no dia-a-dia; entre outros assuntos. Tudo apresentado em uma prosa densa e complexa, característica da literatura alemã, com metáforas e diálogos instigantes e inteligentes.

O livro inspirou a série homônima da MTV Brasil (2013), que teve o mérito de ser uma excelente adaptação abrasileirada. O professor polonês refugiado que dá aulas de literatura na Alemanha tornou-se um argentino no Brasil, transferindo assim certa carga de xenofobia. A literatura alemã deu lugar à latino-americana, com destaque aos livros do Cortázar. As referências musicais do livro, como a banda Evanescence que estourava na Alemanha em 2004, foram atualizadas para uma lista das preferências pessoais do diretor Felipe Kirtch. Enfim, a série não ficou igual ao livro, mas o resultado é satisfatório.

Quem desejar assistir a série, os capítulos estão disponíveis gratuitamente no sítio da MTV Brasil. As referências literárias citadas na série, aparecem aqui neste tópico. Abaixo, seguem alguns trechos destacados do livro:
O conceito de revolução pacífica é um oximoro.
É provável que eu seja a favor de que o ser humano receba aquilo que deseja em medidas limitadas.
Com energia, ele colocou as mãos às costas de Ada e empurrou-a em frente. Firmes e sem temperatura, seus dedos estavam entre as omoplatas dela e se encaixavam ali com perfeição, parecendo ter crescido no lugar como asas de anjo. O sistema nervoso de Ada anunciou dor, uma sensação extrema de bem-estar, calor e frio ao mesmo tempo. E então ela soube enfim que tinha razão: Alev era o único culpado pelo mal-estar que ela sentira, pela fraqueza e pelos terríveis laços de pensamento das últimas semanas. Ele possuía aquela quantidade de força que ela havia perdido, e o toque de seus dedos foi igual a um pagamento de 2 centavos em uma dívida que chagava aos 10 milhões. O que ela mais teria gostado de fazer seria cortar suas mãos e ficar com elas. Assim que ele a soltou a fim de apontar para a porta de Grüttel, o corpo dela voltou ao estado da recusa a cumprir ordens, obedecia com indolência ou se recusava a obedecer, e ela tinha dificuldades em cerrar os punhos, como se tivesse acabado de acordar de um sono de 12 horas. Pelo menos, Ada agora sabia que não estava sofrendo as sequelas da insolação croata, e também que não estava doente nem grávida.
[Aos olhos de uma mulher] um homem pode ser culpado de incontáveis maneiras.
Desde que aprendeu a ler, Ada lia muitos livros. Ler não era para ela nem trabalho nem hobby, não dava conta de nenhum interesse especial. Ler era uma condição na qual o tempo passava, porque não sabia fazer outra coisa, enquanto o intelecto de Ada era colocado em conserva no alimento, de modo que a cobiça agitada desse mesmo intelecto passava do consumo ao aproveitamento de forma constante e homogênea. [...] Ada lia como se empurravam troncos em uma serraria. E, uma vez que as toras mais grossas e duras demoravam mais a ser consumidas, ela preferia sobretudo a literatura do penúltimo século e tudo aquilo que havia sido escrito antes da Segunda Guerra Mundial. As obras novas, ela as considerava manobras de desvio das grandes questões, elas eram leves e doces, mais ou menos como pipocas, que deviam ser consumidas enquanto a cabeça se ocupava com outras coisas.
Esta resenha é fruto da parceria com o Empório Gourmet e sua nova seção "Livros que Merecem Bons Vinhos".

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Minhas Leituras - Julho 2013


7 livros = 2265 páginas

55. aventuras de alice no país das maravilhas (1865) - lewis carroll - objetiva - 168 pgs - muito bom [releitura]
56. barba ensopada de sangue (2012) - daniel galera - companhia das letras - 424 pgs - bom
57. o curioso caso de benjamin button (1922) - f. scott fitzgerald - ediouro - 128 pgs - muito bom [hq] [releitura]
58. a menina sem qualidades (2004) - juli zeh - record - 546 pgs - excelente
59. como roubar a espada de um dragão (2011) - cressida cowell - intrínseca - 376 pgs - bom
60. a torre negra vol. 2: a escolha dos três (1987) - stephen king - objetiva - 415 pgs - bom
61. o oceano no fim do caminho (2013) - neil gaiman - intrínseca - 208 pgs - muito bom

Filmes & Séries Vistos - Julho 2013

20 filmes
3 séries
1 show

133. guerra mundial z (word war z) - eua, 2013 - muito bom
134. vai que dá certo - brasil, 2013 - bom
135. bad kids go to hell - eua, 2012 - ruim
136. a voz do coração (les choristes) - frança, 2004 - excelente
137. em transe (trance) - eua, 2013 - excelente
138. o oitavo dia (le huitième jour) - frança, 1996 - muito bom
139. gallowwalkers - eua, 2012 - ruim
140. somos tão jovens - brasil, 2013 - regular
141. uma história de amor e fúria - brasil, 2013 - bom
142. irreversível (irreversible) - frança, 2002 - bom
143. [show] zé ramalho ao vivo - brasil, 2005 - bom
144. oblivion - eua, 2013 - bom
145. o cavaleiro solitário (the lone ranger) - eua, 2013 - bom
146. os intocáveis (les intochables) - frança, 2011 - excelente (re-visto)
147. up - altas aventuras (up) - eua, 2009 - excelente (re-visto)
148. renoir - frança, 2012 - bom
149. imaginaerum - finlândia, 2012 - ruim
150. invasão à casa branca (olympus has fallen) - eua, 2013 - regular
151. [série] awkward: 3ª temporada - eua, 2013 - regular
152. [série] luther: 3ª temporada - inglaterra, 2013 - excelente
153. [série] revenge - eua, 2011 - muito bom
154. cherry - eua, 2010 - regular
155. amor bandido (mud) - eua, 2013 - regular
156. wolverine imortal (the wolverine) - eua, 2013 - bom