As Vinhas da Ira, de John Steinbeck

Há que se ter medo da hora em que o homem não mais quiser sofrer e morrer por um ideal, pois que esta é a qualidade básica da humanidade, é a que a distingue de tudo o mais no universo.

A gente podia viver mil vidas ao mesmo tempo, mas no final só pode escolher uma. É demais pensar com antecedência em como tudo poderia vir a ser. Você pode viver no futuro, porque é muito jovem ainda, mas para mim o futuro se resume na estrada que corre debaixo dos nossos pés.

Não force a fé até à altura do voo dos pássaros e não rastejará como os vermes.

Não existe pecado nem virtude. Só existe aquilo que a gente quer fazer. Tudo faz parte da mesma coisa. Algumas coisas que a gente faz são boas e outras não prestam, mas isso está na cabeça de cada um.

As mulheres se acostumam mais depressa que os homens. Uma mulher tem a vida toda nos braços, o homem tem ela na cabeça.

Sempre que um homem tivesse um pouco de dinheiro podia embriagar-se. Aí acabavam-se as arestas, e tudo era quente, confortador. Aí não havia mais solidão, pois que o cérebro povoava-se de amigos e o homem podia achar seus inimigos e aniquilá-los. O homem sentava-se num buraco e a terra tornava-se macia debaixo dele. A desgraça doía menos e o futuro não mais aterrorizava. E a fome não mais rondava por perto, o mundo era suave e sem complicações e o homem podia chegar aonde quisesse. As estrelas desciam maravilhosamente próximas e o céu era tão encantador! A morte era um amigo e o sono era irmão da morte. Voltavam os tempos antigos... uma moça de pernas bonitas, com quem outrora se dançava em casa... um cavalo... oh, faz tanto tempo que isso aconteceu!