Samantha Who?, 2007


1x06 "The Hypnotherapist"
A estrada da independência leva tempo, mas não importa de onde você vem ou pra onde esta indo. A jornada é sempre melhor quando você tem alguém para dizer "Obrigado por estar aqui".

1x04 "The Virgin"

Você não percebe até você perder, mas a sua memória é tudo o que você é. Sem ela você é uma tela em branco renascida, sem pontos de referência, experiências, até mesmo opiniões.

1x02 "The Job"

Coco Chanel disse que para evitar o excesso de acessórios, as mulheres deviam olhar no espelho e tirar uma coisa. Com você, geralmente era a sua dignidade.

1x01 "Pilot"

Tem uma música de Tom Waits que diz: Se você se distanciar o suficiente, estará no seu caminho de casa.

Mais informações: IMDB (ING) Entrei de Gaiato (BR)

Súplica do livro

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O ilustre desconhecido

Comentavam que aquele era O cara. Visto em cerimoniais, palestras, shows, eventos, casamentos, funerais, homenagens, saraus, premiações e por aí vai. Transitava com desenvoltura em todo tipo de festas, desde as mais finas e requintadas até as consideradas simples e modestas. A grande massa presente aos eventos o via somente poucas vezes, não porque ele tinha faltado a algum evento - o que era impossível, conforme notavam os mais atentos - mas porque nem todos freqüentavam tanto quanto ele as festividades sociais. A sua agenda provavelmente girava exclusivamente em torno disso. Alguns levantaram a hipótese dele ser o dono, ou empregado, de um cerimonial ou buffet. Isso ninguém nunca soube, somente que ele tinha presença confirmada sempre, e sempre era visto conversando com o prefeito, com o capitão, com o governador, fazendo os brindes, dançando com a noiva, saindo nas fotos da debutante, relembrando alguma virtude de alguém que estava sendo homenageado, enfim, entretendo os convidados.

Como boatos são coisas que não faltam em festas, um dos que surgiram certa feita foi o que o viram em uma inauguração de um "puxadinho" num bairro de periferia. Dizem que dançou forró e bebeu até a cerveja esquentar e beijou a mulata mais quente da festa até ela esfriar. Mas boatos vêm e vêm e, como pensamentos, perdem-se rapidamente.

Na high society, era visto ora fumando um charuto entre os homens de negócios importantes, dando e recebendo tapinhas nas costas, ora divertindo as damas com gracejos e anedotas. Havia ainda o comentário surdo de que ele ganhava a vida fazendo conexões necessárias entre as pessoas nas festas: se alguém precisasse de algo e houvesse naquela festa alguém capaz de ajudá-la, ele sabia exatamente quem era e te apresentaria.

Talvez tenha escolhido o anonimato como cartão de visitas e de fato ninguém o conhecia suficientemente bem para lembrar qual era seu nome. Porém, todos apreciavam muito a sua companhia. Agradava diferentes faixas etárias, diferentes sexos, credos, raças e opiniões. Alguns garçons o viam diversas vezes trocando beijos com uma ou outra moça em cantos obscuros ou próximo às piscinas. Ele também conhecia jogos e brincadeiras das mais interessantes que faziam as crianças o idolatrarem fascinadas.

O que ninguém via, aquilo que não aparecia nas festas, nos eventos, nos cerimoniais, casamentos, velórios, chás de bebês, era que no final da festa, quando tudo acabara e todos já haviam ido embora para as suas casas, ele saía da cozinha com um embrulho contendo restos generosos do buffet e se dirigia solitário assobiando uma música qualquer do Roberto Carlos até o ponto de ônibus mais próximo.

Parecia feliz não somente quando era o centro das atenções, mas também quando estava inteiramente só.

Oito milímetros (8mm), 1999

Quando você dança com o diabo, você não muda o diabo, o diabo muda você.

Mais informações: IMDB (ING) Cinema com Rapadura (BR)

Ruas de fogo (Streets of fire), 1984


A noite está apenas começando
(Tonight is What it Means to be Young, do Fire Inc.)


Eu tive um sonho com um anjo na praia
E ondas perfeitas começaram a vir
Seu cabelo estava flutuando num arco-íris dourado
E seu toque tinha um poder paralisante

Eu tive um sonho com um anjo na floresta
Encantado no meio de um lago
De seu corpo saiam raios de luz
E a terra começou a tremer

Mas eu nao vejo nenhum anjo na cidade
Eu nao vejo nenhum coro santo cantando
E seu eu ainda nao posso ter um anjo
Eu ainda posso ter um rapaz
E um rapaz é a coisa mais proxima
A coisa mais próxima de um anjo
Um rapaz é a coisa mais próxima

Eu tive um sonho com um rapaz num castelo
E ele dançava como um gato na escada
Ele tinha o fogo de um príncipe em seus olhos
E soavam tambores em seus ouvidos

Eu tive um sonho com um rapaz numa estrela
Olhando para o mundo real
Ele está sozinho e sonhando com alguém como eu
Eu não sou um anjo, mas ao menos sou uma mulher

Eu tive um sonho que quando a escuridão acabar
Nós estaremos juntos em raios de sol
Mas isto é apenas um sonho e esta noite é a realidade
Nunca saberá o que significa,
Mas você saberá o que sinto
Quando estiver por acabar (acabar)
Antes que você saiba que começou
(antes que você saiba que começou)
Tudo é possível esta noite
Pare de chorar (esta noite)
Antes que você saiba, acabou (esta noite)
A noite está apenas começando
A noite está apenas começando

Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos
Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos

Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem (a noite está apenas começando)
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos (antes que você perceba acabou...)
Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem (a noite está apenas começando)
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos (antes que você perceba acabou...)

Disse uma prece na escuridão para que a magia comece
Não importa o que pareça
A noite está apenas começando
A noite está apenas começando
Antes que você perceba acabou,
A noite está apenas começando
Antes que você perceba acabou

Solo

Eu tive um sonho que quando a escuridão acabar
Nós estaremos juntos em raios de sol
Mas isto é apenas um sonho e esta noite é a realidade
Nunca saberá o que significa,
Mas você saberá o que sinto
Quando estiver por acabar (acabar)
Antes que você perceba acabou

E tudo é possivel esta noite
Pare de chorar (esta noite)
Antes que você perceba, acabou (esta noite)
A noite está apenas começando
A noite está apenas começando

Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos
Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos

Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem (a noite está apenas começando)
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos (antes que você perceba acabou...)
Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem (a noite está apenas começando)
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos (antes que você perceba acabou...)



Mais informações: IMDB (ING) Projeto Autobahn (BR)

Mal-me-quer


Não iria deixar barato. Onde já se viu alguém brincar com os sentimentos de uma mulher e se safar assim? Ah, não com ela. Iria fazer da vida daquele cachorro um inferno. Não lhe daria sossego um minuto sequer. Sabia o email, o blog e o orkut dele. Conhecia os sites que ele frequentava e as pessoas com quem se relacionava. Tinha o site da empresa em que trabalhava, uma multinacional. Iria começar a disseminar verdades e mentiras sobre ele. Várias. Desde as mais simples, críveis, até as mais escabrosas e difíceis de engolir. Insultaria quem entrasse na sua frente e tivesse a audácia de defendê-lo, provavelmente gente da mesma laia. Entraria em sites pornôs e listas de spam e cadastraria o email dele em todos. Adicionaria o perfil dele em sites gays, pedófilos, racistas e até nos doadores de órgãos anônimos. Colocaria a foto dele no cafajestes.com.br, espalharia textos preconceituosos, nazistas, machistas, chauvinistas, narcisistas pela internet como se fossem dele. A profissão, credo e ginástica dela a partir daquele momento seriam persegui-lo, incomodá-lo, humilhá-lo. Aquele insensível aprenderia do pior jeito possível com quem havia mexido. Saberia exatamente quem ela era.

Perigosa. Vingativa. Revoltada. Desesperada. Uma alma partida. Um coração magoado. Ele iria aprender a nunca mais fazer isso com as mulheres. Nunca mais conversaria com garotas pelo msn, chat e email até seduzi-las. Não mandaria poemas para elas. Não diria obscenidades tão necessárias às mulheres carentes. Não as ensinaria a atingirem orgasmos virtuais. Não aplicaria o golpe do Coração Solitário em mais nenhuma divorciada. Não. Era o fim daquele Don Juan de araque.

Enquanto isso, em um lugar distante:

- Issaí, Marquinho. Anotaê meu novo email e messenger: moreno 1435 sedutor arrôba zêdábliuxis ponto com. Tive que mudar por causa duma minaê, sabe cumé qui é né? Um cara goxtoso como eu elas experimentam e não largam mais, hehehe. Depois te passo as fotos que ela me mandou só de calcinha, cê precisa ver. Agora tenho de ir porque a minha mãe ta berrando de novo pra eu terminar meu dever de casa. Falous procê, seu viado.

Heroes, 2006-2007


2x08 "Chapter eight: Four months ago..."

É a habilidade do homem de lembrar-se que nos diferencia. Nós somos a única espécie que se preocupa com o passado. Nossas lembranças nos dão voz. Elas testemunham a História para que outros possam aprender. Para que possam celebrar as nossas vitórias e serem advertidos sobre nossos fracassos.

Existem várias formas de definir nossa frágil existência. Várias formas de dar significado a ela. Mas são nossas memórias que dão forma ao seu propósito e dão contexto a ela. Os sortimentos particulares de imagens, medos, amores e arrependimentos. Por essa cruel ironia da vida é que estamos destinados a manter a escuridão com a luz. O bem com o mal. O sucesso com a decepção. Isso é o que nos separa, o que nos torna humanos. E no fim, temos de lutar para nos sustentar.

Mais informações: IMDB (ING) Blog Heroes Brasil (BR)

Cora Coralina

O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.

Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas.

Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Cora Coralina é o pseudônimo usado por Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), poetisa goiana. Publicou o seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, com 75 anos. Em 1983 foi eleita intelectual do ano e ganhou o Prêmio Juca Pato.

Os coxos dançam sozinhos, de José Prata

Porto Brandão é um cafajeste. Policial corrupto e corruptor que não liga para regras. Não respeita os seus superiores nem os subordinados. Faz o que quer, quando quer e do jeito que lhe convier impulsivamente em cada ocasião. É machista, racista e narcisista. Esbanja seu pseudo conhecimento soltando frases em latim em todas a situações e abusando de produtos de grife americanos que exaltam o american way of life. Humilha a todos ao redor somente para saciar o seu ego e sentir-se superior a todos, e se alguém o confronta, ele encara o desafio seja contra quem for.

Porto Brandão é um cafajeste. Mata prostitutas gordas e loiras de forma cruel, sádica e mesquinha. Assassino vil e calculista, faz questão de deixar uma assinatura pessoal e inconfundível em suas vítimas, que são como troféus para ele. Acredita ser um profissional que está sempre um passo à frente da polícia, mas é surpreendido quando outro assassino passa a mexer em suas vítimas e a alterar as cenas dos crimes tentando incriminá-lo.

Esse é o Brandão, policial e assassino ao mesmo tempo de Os coxos dançam sozinhos, livro do português José Prata. E para aqueles que já vociferam contra o autor desta resenha creditando a ele a culpa por estragar algum mistério essencial da trama, saibam que o autor já revela tal situação tanto na contra-capa do livro quanto no primeiro parágrafo da estória:

“Estou no quarto e não estou sozinho. À minha frente, deitada ao comprido, de barriga para baixo, está a velha que matei hoje de manhã. Bem morta, nua de todo, as banhas esparramadas pela alcatifa. Um mimo. O problema foi terem destacado para o caso o inspector Brandão – e caso não saibam o Brandão sou eu, Porto Brandão, prazer em conhecer-vos.”

Primeiro romance de José Prata, Os coxos dançam sozinhos é um bom livro policial e merece ser lido. Primeiro pela idéia bastante original de começar com a premissa de revelar que o assassino em série e o investigador designado para o caso são a mesma pessoa. E protagonista da estória, narrada em primeira pessoa. Em segundo lugar, pelo tipo nada convencional de Brandão: nada de baixinhos barrigudos com bigodões parecendo aquilo que o imaginário brasileiro a tempos estereotipou como o investigador policial português. Ele faz musculação e adora exibir seus bíceps e tríceps a quem estiver por perto. Da mesma forma com que cospe frases em latim esperando que outros ao redor tenham a obrigação de saber o que significam, exibe seu estilo ora com camisetas apertadas para demonstrar seus músculos ora com sobretudos e óculos que lembram os cops dos filmes americanos. Como geralmente ninguém entende suas citações – cabe aqui lembrar que o latim é considerado uma língua morta e usada hoje, quando muito, no curso de Direito e na missa católica – ou piadas de duplo sentido – é o assassino e tudo o que diz é com humor negro (qualquer semelhança com Dexter não é mera coincidência) – ele humilha, despreza e zomba de seu auxiliar estagiário Alminha, seu boss o Major Alvega ou de qualquer vítima que tenha a infelicidade de cruzar o seu caminho. Mas se o livro todo fosse só isso tenderia a não render uma boa trama. Mas rende, e rende muito.

Acontece algo inusitado na rotina de crimes e investigações de si mesmo com que Brandão não contava. Após cometer os seus crimes, Brandão (o assassino em série) passa cada dia por mais apuros quando alguém acessa as cenas dos crimes e faz modificações nas vítimas, tentando deixar pistas sobre Brandão que ele houvera apagado. O grande mistério é descobrir quem faz isso e por que. Seria um copycat (cópia-gato na versão portuguesa do termo), um imitador de assassinos? Paralelamente, há trechos breves no final dos capítulos – também breves – que mostram a perturbadora infância de Brandão e a sua relação com a mãe que podem justificar a sua personalidade tão dicotômica e perturbada.

"- Bom dia Sr. Inspector. A mãezinha, está melhor?
(A mãezinha é um vegetal que eu tenho lá em casa, anda a soro há cinco ou seis anos, desde o Grande Coma. A enfermeira diz que está rija, que se aguenta ainda outros cinco ou seis. Cá por mim por tudo bem, a pensão da Mamã dá-me jeito, os Armani são baratos mas nem tanto…)"


O único ponto fraco para os leitores brasileiros é a quantidade enorme de palavras, gírias e expressões portuguesas que não são comuns por aqui nem mesmo nos nossos dicionários. Por causa disso o livro, classificado como divertidíssimo humor negro pelos nossos irmãos portugueses, não causa maiores sorrisos em um brasileiro, provavelmente por diferenças nos estilos de humor apreciados e compreendidos distintamente por cada povo. Mas esses detalhes não chegam a atrapalhar em nada no entendimento da trama. A originalidade, a repulsa pelo protagonista que nos faz torcer contra ele na maior parte do tempo, as lembranças de sua infância como parte de um quebra-cabeça à parte, o final bem ao estilo Agatha Christie amarrado com uma surpresa aos leitores fazem de Os coxos dançam sozinhos uma ótima opção de leitura de fim de semana.

leitura em: Novembro 2007
obra: Os coxos dançam sozinhos, de José Prata
edição: 1ª, Editora Nova Fronteira (2005), 206 pgs
preço: Compare os preços de Os coxos dançam sozinhos no BuscaPé
Bom

Monteiro Lobato


Um país se faz com homens e livros.

José Bento Monteiro Lobato (1882-1948) foi promotor público, empresário, fazendeiro e escritor brasileiro. Dentre suas obras destacam-se Urupês, Cidades Mortas e a coleção infantil O Sítio do Picapau Amarelo.

Mandando Bala (Shoot 'Em UP), 2007


Porque os EUA é a terra das oportunidades onde um pobre pode ficar rico e um frouxo pode virar um cara durão se tem uma pistola na mão.

Alguém tem de ser o esperto e alguém tem de ser o burro.

Mais informações: IMDB (ING) Revista Paradoxo (BR)

Poder Além da Vida (Peaceful Warrior), 2006


Sinopse: Dan Millman (Scott Mechlowicz) é um talentoso ginasta adolescente que sonha em participar das Olimpíadas. Ele tem tudo o que um garoto da sua idade pode querer: troféus, amigos, motocicletas e namoradas. Certo dia seu mundo vira de pernas para o ar, quando conhece um misterioso estrangeiro chamado Socrates (Nick Nolte). Depois de sofrer uma séria lesão, Dan conta com a ajuda de Socrates e de uma jovem chamada Joy (Amy Smart). Ele descobrirá que ainda tem muito a aprender e que terá de deixar várias coisas para trás a fim de que possa se tornar um guerreiro pacífico e assim encontrar seu destino.

Trecho "A felicidade está na jornada e não no destino":


Conhecimento não é o mesmo que sabedoria. Sabedoria é agir.

É possível viver a vida toda sem estar acordado.

Todos lhe dizem o que fazer e o que é bom para você. Não querem que você encontre suas próprias respostas. Querem que você acredite nas respostas deles. [...] Quero que pare de reunir informação no seu exterior e comece a reunir informação no seu interior. As pessoas temem o que há por dentro. E é o único lugar em que encontrarão o que precisam.

As pessoas não são o que pensam. Elas pensam que são e isso lhes traz todo tipo de tristeza.

A mente é um órgão de reflexão. Reage a tudo. Enche sua cabeça com milhões de pensamentos aleatórios por dia. Nenhum desses pensamentos revela mais sobre você do que uma sarda na ponta do nariz.

Às vezes, é preciso perder a cabeça antes de pensar racionalmente.

Emoções são naturais. Como o clima passageiro. O que fazer quando não se pode fazer aquilo para o qual nasceu?

As pessoas mais difíceis de serem amadas normalmente são as que mais precisam de amor.

Nunca será melhor. Do mesmo modo que nunca será menos do que ninguém. O hábito é o problema. Só precisa estar consciente de suas escolhas e ser responsável por seus atos.

Toda ação tem seu preço e seu prazer. Reconhecer ambos os lados o torna realista e responsável por meus atos.

A morte é uma transformação. É um pouco mais radical do que a puberdade mas nada que nos deixe particularmente chateados. A morte não é triste. O triste é que a maioria das pessoas não vive nada.

Ser guerreiro não exige perfeição. Ou vitória. Ou invulnerabilidade. Ele é a vulnerabilidade absoluta. Essa é a única coragem de verdade.

Quase toda a humanidade passa por essa situação difícil. Quando não conseguem o que querem, sofrem. E mesmo quando conseguem exatamente o que querem, continuam a sofrer. Porque não podem se agarrar a isso para sempre.

Paradoxo: A vida é um mistério. Não perca tempo tentando entendê-la. Humor: Tenha senso de humor especialmente sobre si mesmo. É a força por trás de toda atitude. Mudança: Nada permanece o mesmo.

A jornada é o que nos traz a felicidade, não o destino.

Amor Pensado


Penso, logo amo.
Ou amo, logo penso.
Ou não logo, não penso, só amo.
Tanto não penso que pensei viver é não pensar, é amar.
Mas amar não começa no pensar?, pensei.
Oh tola incerteza.

O meu coração fica dentro da cabeça.
Só pode.
Assim sei porque cada vez que penso nela ele bate tum tum.
Acelerado tum tum tum tum quando ela está perto.
Irregular tuuuuuuum tut um se ela se vai.
Desnorteado tum paralalalá chibum se me sorri.
Meu coração se aperta todo diante dela
Repuxa minha face até parecer um sorriso bobo.

Quisera eu acreditar no amor como algo inventado na idade média, moderna ou antiga.
Que algum filósofo ou escritor pensou e puf! criou o amor.
Fácil assim.
Sem paranóia.
Talvez se acreditasse nisso também acreditaria que posso dizer o que eu quiser que o amor é e puf! acreditariam em mim.

Eu diria que o amor está dentro do coração.
Mas que o coração está dentro da cabeça.
Pois amamos aquilo que vemos, já que os olhos estão na cabeça.
E meus olhos derramam lágrimas quando meu coração chora.
E amamos o que ouvimos, porque os ouvidos estão na cabeça.
Por isso não ouço a ninguém quando meu coração ensurdece.
Também amamos aquilo que degustamos, pois a boca está na cabeça.
Assim quando a beijo meu coração fica pertinho do dela
Tão pertos que nem parecem dois, mas um só.
Enfim, diria que amamos
Ou pensamos que amamos
Simplesmente
Porque o coração está dentro da cabeça.

E lá no fundo um pergunta
E aquilo que fica no meio do peito, o que é?
Sei lá, acho que se chama cérebro.

Poema em linha reta, Álvaro de Campos


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Stardust - O Mistério da Estrela, 2007


Um filósofo certa vez perguntou: "Somos humanos porque contemplamos as estrelas ou às contemplamos por que somos humanos?" O verdadeiro ponto é: As estrelas também nos contemplam? Essa é a questão.

Você pode procurar a maior riqueza de todo o universo e nunca encontrará nada mais lindo: o amor é incondicional. Mas também sei que pode ser imprevisível, inesperado, incontrolável, insuportável e estranhamente fácil de achar que está odiando.

Mais informações: IMDB (ING) Adoro Cinema (BR)

O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini

Compre o Caçador de PipasAVISO: Esta resenha contém revelações sobre o enredo (spoilers).

O que diferencia um livro bom de um ruim? Alguns diriam que é a estória em si. Mas, e se existissem dois livros sobre a mesma estória, o que tornaria um deles melhor que o outro? Provavelmente a capacidade de um dos autores em melhor criar a arte literária, expressando de um modo único e perfeito aquilo que deseja transmitir. Sabe-se que duas pessoas podem presenciar o mesmo fato e o narrarem em versões totalmente distintas. Apesar de ambas falarem a verdade, contarem a mesma história, o resultado final será algo diferente, pessoal, único. E a versão mais popular será aquela que melhor saciar um anseio que os ouvintes ou leitores procuram satisfazer. Essa é versão da história que cairá no gosto das massas, até sendo vulgar, imprecisa ou parcial. Ela agrada e pronto, mesmo que não seja boa literatura, apenas entretenimento.

Um dos defeitos que tenho é que não consigo conter a curiosidade em ler um livro que muitos compram e indicam já há algum tempo, apesar de conhecer a diferença entre os best-sellers e boa literatura: a maioria das vezes eles não andam juntos. Aprendi essa diferença com vários grandes escritores, que entre outras coisas, disseram:
"Em minha época não tinha best-sellers e não podíamos prostituir-nos. Não tinha quem comprasse nossa prostituição."
(Jorge Luis Borges)

"A filosofia mercantilista que desde muito tempo vem regendo a cultura converteu às grandes casas editoriais em máquinas de vendas de best-sellers previsíveis, pré-fabricados sobre um rigoroso estudo de mercado. Para isso contam com estratégias que vão desde os mais sutis recursos publicitários ao aconselhamento de críticos especializados, encarregados de convencer aos leitores de que o livro que eles desejam é aquele que está no setor de “Novidades” e que em rigor deveria se chamar “Fugacidades”, porque não costuma ser outro o destino dessa classe de literatura."
"Os best-sellers estão para a literatura como a prostituição está para o amor.
"
(Ernesto Sabato)

"O povo é tão simplório que prefere ler o novo a ler o que é bom."
"O reconhecimento pela posteridade costuma ser pago com a perda de aplauso por parte dos contemporâneos, e vice-versa.
"
(Arthur Schopenhauer)

Que O caçador de pipas é um best-seller não há dúvidas, pois já ultrapassou a barreira dos cinco milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, sendo um milhão apenas no Brasil. Também já virou filme – outro aspecto comum entre os best-sellers – que estreará no próximo ano. Mas mesmo correndo o risco de ter uma jihad literateira contra mim, não creio que o livro de Hosseini deva ser classificado como boa literatura. No máximo um dramalhão popular, bem ao estilo do Titanic (1997), considerado por muitos como o filme do século. O livro é um entretenimento para as massas, mas o pior é que passa uma mensagem política subliminar que nem todos percebem claramente.

Nos muitos comentários entusiastas dos leitores sobre o livro, há expressões de que é um relato fidedigno dos costumes, lugares e pessoas do Afeganistão, que o livro é uma lição de vida, que ensina ao leitor a ver os relacionamentos com outros olhos e que é o melhor livro que já leram em suas vidas. Seguem abaixo algumas considerações sobre cada uma dessas afirmações.

Em primeiro lugar, trata-se de um livro norte-americano escrito para norte-americanos, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando o Afeganistão passou a fazer parte da mídia – e da vida – dos estadunidenses. Seria óbvio que aparecessem escritores justificando a invasão a um país estrangeiro, mostrando a diferenças de governos, culturas e tecnologias entre os países invasor e invadido. O caçador de pipas faz esse papel. Como mostra a vida de um garoto que passa a infância no Afeganistão e que depois refugia-se nos Estados Unidos as comparações seriam até certo ponto inevitáveis. Mas o autor vai além da mera comparação e afirma categoricamente que sua nova pátria é melhor que a anterior: através dos olhos de Amir, o protagonista do livro, ou de Baba (o pai de Amir), como neste trecho:

"- Só existem três povos nesse mundo que são homens de verdade, Amir – dizia ele. E os contava nos dedos: - os americanos, esses heróis fanfarrões; os britânicos e os israelenses. Todo o resto – e, ao dizer isso, costumava fazer um gesto com a mão, acompanhado de um “pfff” - não passa de velhotas mexeriqueiras."

Ou através de personagens que apesar de não morarem nos EUA admitem a sua superioridade, como Rahim Khan, amigo de Amir residente em Cabul:

"- Pelo que vejo, os Estados Unidos infundiram em você o otimismo que fez deles um grande país. Isso é ótimo. Nós, os afegãos, somos um povo melancólico, não somos? Quase sempre ficamos chafurdando em ghamkhori e autopiedade. Damo-nos por vencidos diante das perdas, do sofrimento; aceitamos tudo isso como um fato da vida ou chegamos até a considerá-lo algo necessário."

Há também uma série de referências a marcas e empresas que conquistaram o mundo, como Coca-Cola, Ford, Electrolux, Singer, Reader’s Digest, além dos filmes e atores hollywoodianos, como que mostrando a supremacia norte-americana também em outros aspectos. Os filmes indianos e paquistaneses são mencionados, mas preteridos pelos garotos Amir e Hassan quando esses julgam como melhores os faroestes norte-americanos.

O engodo do livro é tentar se vender como uma mensagem afegã ao mundo. Usa incansavelmente palavras persas inseridas no texto, explicando-as logo em seguida. Para um afegão que fosse ler o livro nesse estilo soaria excessivamente repetitivo. Para um não-afegão poderia transmitir a idéia que o escritor é um nativo do Afeganistão e portanto uma espécie de porta-voz do seu povo.

"- Que estranho! – exclamei.
- O quê?
- Estou me sentindo um turista na minha própria terra – respondi, olhando para um pastor que ia andando pela beira da estrada, conduzindo umas seis cabras magérrimas.
Farid deu uma risadinha. Jogou fora o cigarro.
- Ainda considera esse lugar a sua terra? – perguntou ele.
- Acho que uma parte de mim vai sempre pensar assim – respondi, mais na defensiva do que pretendia.
- Depois de vinte anos vivendo na América...

- Por que é que está dizendo essas coisas? – indaguei.
- Porque você queria saber – respondeu ele rispidamente. Apontou para um velho maltrapilho que se arrastava por uma estradinha de terra, carregando um imenso saco de aniagem repleto de forragem preso às costas. – Esse é o verdadeiro Afeganistão, agha sahib. O Afeganistão que eu conheço. Você? Você sempre foi um turista por aqui. Só que não sabia disso.
"

A opinião de Amir está longe de ser unanimidade pois ele pertence ao grupo étnico Pashtun – tribo dominante com 42% da população – e mostra uma visão pashtun do Afeganistão. Além disso, o protagonista – assim como o autor – fugiram do Afeganistão quando este foi invadido em 1980 pelos soviéticos. Não ficaram lá para enfrentar os problemas. A sua idéia sobre o Afeganistão, a vida e dificuldades daqueles que lá permaneceram, sendo muitas vezes massacrados, é a de um observador externo e distante. Não revela de maneira alguma a realidade, mas somente um ponto de vista pessoal. Quem se mantém informado através de revistas e jornais bem conceituados que pesquisam sobre o assunto consegue ver com olhos críticos em que pontos o livro é faltoso. Amir admite tacitamente que não conhece o seu próprio país de origem quando vê a fotografia de seu amigo de infância com o filho – Hassam e Sohrab – que diferentes dele continuavam no Afeganistão:

"Olhando para essa foto, era possível concluir que aquele homem achava que o mundo tinha sido generoso para com ele."

"Hassam e Sohrab estão parados, um ao lado do outro, apertando os olhos por causa do sol, e sorrindo como se o mundo fosse um lugar bom e justo."

Amir não consegue entender alguém sendo feliz independente do lugar e das condições em que viva. Todos os países tem os seus problemas e dificuldades, mas passar a idéia errônea de que apenas um é o melhor, a única fonte de felicidade para todos é pura presunção. Pelo caráter sectário desta obra, provavelmente Khaled Hosseini nunca ganhará o prêmio Nobel de Literatura, se bem que hoje é possível que prêmios, antes respeitáveis, sejam comprados e manipulados.

O Afeganistão não deixou de existir e mesmo debaixo de duas tiranias diferentes – russa e Talibã – o seu povo conseguiu sobreviver. Interessante notar que o livro não fala que o governo dos Estados Unidos apoiou o Talibã na tomada do poder, nem das invasões e bombardeios americanos que ocorreram anos depois para retirá-los, em que vários afegãos inocentes morreram. Não mostra a opinião desfavorável que a maioria dos povos árabes têm dos EUA e do sistema capitalista. Este é um outro aspecto dos livros norte-americanos: relatam somente os “benefícios” levados pelos Estados Unidos ao mundo. Não me surpreenderia se amanhã surgisse um romance escrito por um iraquiano mostrando o quanto os EUA são melhores que o Iraque.

Em segundo lugar, o livro faz sucesso por demonstrar a fórmula que sempre funcionou em romances: a exploração dos conflitos. Desde os existentes entre pai e filho, crianças, classes sociais, etnias, países, culturas, até os entre o bom e o mau tanto no íntimo de um personagem (coragem versus covardia, por exemplo) quanto entre dois protagonistas que assumem papéis antagônicos na trama. Não existe estória sem conflitos. A fórmula milenar de apresentar os problemas de um herói que possui falhas de caráter, depois a luta deste em solucioná-los (os problemas e as falhas de caráter) e finalmente o retorno à normalidade pré-existente é seguida à risca em O caçador de pipas. Por isso os leitores se identificam com o personagem, pois foi utilizado um apelo psicologicamente universal, explorado por quase todos os romances escritos. Muitos que julgam aprender uma lição de vida do romance como se ele fosse uma espécie de auto-ajuda não percebem que os conflitos e as lições na verdade estão em seu íntimo, o livro somente os trouxe à tona.

O livro começa bem, tem alguns escorregões apelativos durante o decorrer da trama, mas termina satisfatoriamente o enredo, apesar de cair na qualidade escrita. O autor passa a usar expressões como "fanfarras da epifania" e ensaios não tão felizes como os abaixo que fazem o final parecer ter sido escrito por alguém diferente do início do livro:

"Perspectivas são um luxo quando se tem um enxame de demônios zumbindo constantemente na cabeça."

"Quieto significa em paz. Tranqüilidade. Estar quieto é baixar o botão do VOLUME da vida. O silêncio é pressionar o botão pra desligar. Desligar tudo."

A parte em que Amir viaja até Peshawar para encontrar-se com Rahim Khan e este revela a tragédia ocorrida com Hassan e a situação de Sohab em Cabul já conduz automaticamente o raciocínio do leitor ao final previsível da situação entre Amir e Sohab (ainda mais que Amir não conseguia ter filhos e se considerava em dívidas com Hassan), mas o protagonista (e o escritor) insiste tolamente em não compreender durante as páginas seguintes a conclusão óbvia.

Aqueles que dizem terem lido o melhor livro de suas vidas revelam o quão pouco lêem ou a falta de qualidade em suas escolhas. Apelar para o sentimentalismo, fazer chorar ou sorrir não é sinônimo de qualidade literária. O caçador de pipas é um bom entretenimento de final de semana, com certeza recomendado antes de muitas diversões atuais menos edificantes, mas comparado aos clássicos da literatura mundial ele perde feio. Mesmo assim, se for para estimular a leitura em um país onde ela não tem primazia já cumpre um papel importante, desde que analisado criticamente.

Leia também a crítica sobre o filme no Contracampo.

Segue um vídeo com frases do livro e algumas fotos do Afeganistão feito por uma fã brasileira que mostra um pouco da estória que os espera:


leitura em: Outubro / Novembro 2007
obra: O Caçador de Pipas (The Kite Runner) - Edição Ilustrada, de Khaled Hosseini - Tradução de Maria Helena Rouanet
edição: 2ª, Editora Nova Fronteira (2006), 478 pgs
preço: Compare os preços de O caçador de pipas no BondFAro
Regular

Sem Reservas (No Reservations), 2007


Deus deveria ter escrito um livro de receitas para a vida, prescrevendo exatamente o que devemos fazer.

Mais informações: IMDB (ING) Cinema com Rapadura (BR)

Jorge Luis Borges


Publicamos para não passar a vida a corrigir rascunhos. Quer dizer, a gente publica um livro para livrar-se dele.

Sempre imaginei que o Paraíso fosse uma espécie de livraria.

Jorge Luis Borges (1899-1986) foi escritor, poeta e contista argentino. Abordou temas como a filosofia, a metafísica, a mitologia, a teologia e a cultura dos Pampas argentinos.

Nômade (Nomad), 2005


- Fala com tanta certeza do futuro. Diga o que o futuro traz para mim.
- Vai saber por si mesmo que até as estrelas caem dos céus e novas estrelas nascem.

Como noite e dia, o bem e o mal estão sempre juntos. Alguém precisa dar a vida para que outro prevaleça, em nome do amor e da justiça.

Mais informações: IMDB (ING) Cine Players (BR)