O último gibi que não li

Eu iria ao centro da cidade comprar a edição especial do Capitão Submarino. Antes, resolvi passar na casa do Waltinho para irmos juntos, e ele seria o primeiro a me felicitar pela aquisição. Mas a casa dele estava fechada. Fui só. De todo jeito, o Waltinho ficaria sabendo amanhã na escola. Eu estava ansioso porque seria nesta revista em quadrinho limitada que o Capitão enfrentaria sozinho o monstro AQUÁTICO de duas cabeças e oito tentáculos, salvando o reino de Atlântida. Todos os garotos do bairro só falavam da edição especial desde que ela apareceu nas bancas. Eu realmente precisava daquela revista, era uma questão de vida ou morte. Por isso, guardei o dinheiro do lanche de vários dias – ganhava umas mordidas no sanduíche da Isa, mas nem sempre EXTINGUINDO a fome por completo de quem tinha o carinhoso apelido de Jibóia –, além de lavar o carro do pai por dois sábados e capinar todo quintal do seu Antonio. Ralei pra caramba. Mas o prêmio compensava o sacrifício.

Lembro da sensação que tive ao pegar o exemplar lacrado e deixar sobre o balcão as notas suadas de minhas suadas economias em prol daquele prazer supremo. Estava maravilhado, e ao voltar para casa pensava em rasgar logo o plástico que envolvia a edição, mas queria fazer disto um ritual, sem ninguém por perto para atrapalhar. Seria um prazer só meu. Amanhã eu levaria a revista para a escola e todos iriam babar. Mas hoje à noite ela era só minha. Iria até levar ela para a cama comigo. De tempos em tempos, levantava o embrulho até o nariz para sentir o cheiro de plástico novo, inebriante, estimulante como um incenso ofertado pelo SACERDOTE atlânte quando precisava solicitar a ajuda do Capitão Submarino.

Porém, o universo achou minha alegria INCÔMODA demais, e haveria de me dar uma lição, daquelas que entra na mente de uma criança para nunca mais sair. Em meu leito de morte hei de lembrar do ocorrido naquela tarde. Em uma esquina, uma roda de homens parecia interessada em algo no centro. Curioso, me espremi entre os adultos, para presenciar boquiaberto um ágil MANIPULADOR da curiosidade alheia e de três cartas de baralho dobradas. O desafio era alguém acertar sob qual das cartas estava RECÔNDITO um botão. O homem primeiro mostrava teatralmente a todos onde havia colocado o botão, movimentava as cartas, trocando-as de lugar com rapidez e oferecia o dobro ou nada para quem conseguisse acertar. Um homem apostou dez reais. Todos se empolgaram enquanto as cartas eram alternadas. Acompanhei com os olhos e sabia exatamente onde estava o botão. O homem apontou a carta que eu olhava e duplicou o dinheiro dele, além de receber tapinhas nas costas e comentários de muito bem, você é esperto mesmo... O ganhador fez nova aposta, vinte mangos. O homem das cartas fez uma careta, disse que precisava contar se teria mais vinte reais no bolso caso o apostador ganhasse novamente. Seu sorriso voltou quando percebeu que tinha o dinheiro e disse que desta vez iria ser mais rápido. De novo, vi onde estava o botão. E acertei, assim como o apostador, ele dobrou o dinheiro e eu minha confiança. Depois de ganhar, o senhor guardou o dinheiro e saiu, e a maioria dos curiosos da roda se dispersaram. O homem das cartas continuava lançando o desafio, mas ninguém apostava. Ah, se eu tivesse dez reais, pensava, poderia duplicá-los facilmente. O que aconteceu em seguida foi tão rápido que a minha impressão foi a de ter durado poucos segundos. Alguém tocou em meu ombro e perguntou por que eu não tentava. O homem das cartas ouviu e imediatamente disse que a primeira tentativa era de graça. Tentei. Acertei. Ele disse que ele estava azarado naquele dia e que eu poderia dobrar meu dinheiro facilmente. Respondi que não tinha dinheiro. – E quanto custa essa revista, ele perguntou. – Quinze reais, respondi. – Ela é nova não é. – É. – Então fazemos o seguinte, você aposta a revista e se ganhar te dou mais quinze reais, o dinheiro que você gastou nela. Vozes me incentivaram. Apostei.

A sensação de vazio ou de perda, não sei, se apoderou de mim e me deixando como um ESCRAVO à venda parado na esquina enquanto o mundo se movia rapidamente ao redor. Observava a tudo e a todos como se estivesse em outra dimensão, vendo desaparecerem, primeiro a roda de homens que ali estava, depois os cochichos, sorrisos de deboche e olhares de pena dos que presenciaram a cena. Em pouco tempo, ali na esquina, só restava eu dos que presenciaram a minha queda. Mas o meu rosto queimava de vergonha. As pernas, braços e lábios estavam ali, mas inertes. A mente flutuava longe, depois da retirada da carga que levava nas mãos, no imenso vácuo branco onde eu ora não acreditava no que ocorrera e ora acreditava. Idiota. Como pude ser tão tolo? Agora teria de voltar para casa e contar uma mentira para a mãe para não ser chamado de burro. Teria de dizer para o Waltinho que a edição especial não era especial para mim ou que já tinha lido ela emprestada de alguém. Contudo, apesar da preocupação em esconder minha vergonha dos outros para não aumentá-la, somente tempos depois perceberia que algo pior rompera dentro de mim. Segurar a sensação amarga nos olhos e do peito, desconhecida porque nunca antes sentida, me fizera perder um pouco da inocência infantil descobrindo que não existiam heróis na vida real. Aquele foi o último gibi que não li.

Desafio de escrita proposto no Duelo de Escritores. Consistia em escrever um texto usando as 7 palavras que encontram-se DESTACADAS nele. Como percebi que a maioria dos duelistas criaram textos a partir das 7 palavras, resolvi fazer o inverso: peguei uma história que já existia em minha cabeça e inseri as palavras nela. Espero não ter ficado muito forçado.

O Príncipe Maldito II

Leia também a Parte I.
Ágata nasceu cega, nunca viu nada em sua vida além da escuridão.

Mas ao crescer, mostrou-se extremamente atenta às coisas ao seu redor. A sua atenção e percepção eram tamanhas, que chegavam assustar a sua mãe e as amas. Ah, Ágata era uma princesa, a filha caçula do rei Leopoldo. Era mais querida talvez por ser a mais cuidada, ou a mais cuidada talvez por ser a mais querida. As suas duas irmãs não eram malvadas para com ela, até porque costumavam compensar a inveja que tinham dos mimos dos pais para com Ágata fazendo coisas que ela não conseguia fazer. Ágata nunca brincava com as outras crianças. Nunca saia para cavalgar. Nunca freqüentava as festas da corte. Nunca flertava com os rapazes. As irmãs julgavam-se mais felizes do que ela, pois não percebiam que alguém que nunca conhecera um certo prazer não poderia ficar triste por não desfrutá-lo. Ágata acostumou-se a viver no castelo tão bem que não precisava de guia para os seus movimentos. Mas Ágata tinha um segredo e que só ela a sua mãe conheciam. A princesa cega, de tão atenta aos barulhos, movimentos e outras sensações que somente os cegos conseguiriam perceber, aperfeiçoou o ouvido com uma acurácia tão perfeita, que passou a perceber os menores ruídos cada vez mais nítidos. Às vezes, encostava-se à janela do castelo que dava para o portão principal e brincava de ouvir os sons lá embaixo. Aprendeu a separar e isolar um som em meio a milhares, e muitas vezes à distâncias em que uma pessoa normal julgaria impossível ouvir. De fato, o seu ouvido ficou tão sensível e treinado, que certo dia, a princesa Ágata passou a ouvir os pensamentos daqueles que a rodeavam. De início, assustou a sua mãe ao responder uma pergunta que esta não lhe fizera, apenas pensara. Assim, ambas descobriram a estranha habilidade que a princesa adquirira. A rainha, mãe de Ágata, julgava o dom da filha uma dádiva fornecida para compensar a cegueira, mas receosa de que os religiosos da corte julgassem mal a filha, fez ela prometer que não contaria a ninguém, nem mesmo ao rei, seu pai, sobre sua habilidade.

Um dia, porém, a estimada rainha faleceu. Em seu leito de morte, Ágata ainda ouviu o último pensamento da mãe, “a sua promessa continua após a minha morte, minha querida”. Ágata se agarrou a mão da mãe, chorando e dizendo que sim, que jamais quebraria a promessa, mas a mãe não ouvia mais nada, estava morta. Os que ouviram, o rei e as irmãs, não entenderam, mas a perdoaram, pois Ágata era muito apegada a rainha.

Depois do período de luto pela morte da rainha, o rei, desgostoso com a vida, jurou fazer de tudo para não se afastar de suas filhas, agora o seu único consolo e felicidade. Estabeleceu um teste dificílimo para os que queriam cortejar as princesas. O rei, ao ver o pretendente à sua frente, na presença de toda a corte, dava uma resposta, e o jovem teria um dia e uma noite para retornar ao rei qual era a pergunta correta àquela resposta. Às vezes, o rei dizia somente "terra", ou "verde", ou "mãe" e esperava pela pergunta que resultava naquela resposta, pergunta que só ele sabia e que esperava nunca fossem acertadas. E é claro que ninguém acertava. Isso fez com que as irmãs de Ágata passassem a chorar e a lamentar na presença da irmã. Elas tinham planos de se casarem e terem filhos, mas com as condições impostas pelo rei, temiam virarem solteironas fadadas a viverem sonhando com príncipes em cavalos brancos, em uma janela em alguma torre dos fundos do castelo. Ágata, comovida pela dor das irmãs, perguntou a elas: - Se eu souber a pergunta à resposta fornecida pelo rei, nosso pai, vocês conseguiriam informá-la aos vossos pretendentes? – Claro, responderam as irmãs, mas como você conseguirá tal façanha? – Não se preocupem com isso, preocupem-se em escolher a quem desejam como marido e me informem o nome, para que eu saiba qual a resposta que este deve dar ao nosso pai. Ágata mantinha assim a promessa à sua finada mãe, mas ao mesmo tempo ajudava as irmãs. Até porque, não era tão difícil descobrir que pergunta o velho rei fazia. Basicamente, ele vinha alternando sempre as mesmas três perguntas, sem precisar formular outras, já que nenhum príncipe acertava.

Não é preciso dizer que o plano funcionou perfeitamente, para a alegria das princesas e o espanto do rei, que atribuiu o acerto dos enigmas impossíveis de serem acertados à Providência Divina. Aqueles só poderiam ser os maridos enviados por Deus para as suas filhas. E assim, casaram-se as irmãs mais velhas de Ágata, deixando-a como a única princesa, solteira, no castelo do rei. Apesar da sua limitação, Ágata era uma princesa inteligente, bela e formosa, e muitos cavalheiros chegavam até o rei para aceitar o desafio e desposá-la. Como agora restava somente uma pergunta na mente do rei, e Ágata não podia ver as feições dos seus pretendentes, ela preocupava-se em apenas escutar os pensamentos deles quando estavam na presença da corte para o desafio. Mas, ouvi-los assustava a princesa. Alguns chamavam o rei de bobo ou louco, outros somente faziam planos em como gastar no dote, e ainda outros pensavam em coisas vis e imorais envolvendo a princesa ou o reino. Ela nunca iria desposar alguém com pensamentos como aqueles, mesmo que fossem príncipes. Para Ágata, o que havia íntimo da pessoa era o mais importante.

Um dia, foi solicitada uma audiência com um príncipe que viera de um reino distante, além das montanhas do horizonte. Ágata postou-se em seu lugar, um pouco abaixo do rei, não esperando daquele moço mais do que o de costume, quando entrou o cortejo do príncipe. Um arauto aproximou-se e disse em voz alta que eles vieram de longe para pedir a mão da princesa e livrar dois reinos de uma maldição lançada sobre eles. O rei e a princesa ficaram assustados, pois não sabiam de maldição alguma sobre eles. Foi então que o príncipe se aproximou. A princesa pode ouvir os seus pensamentos nitidamente. Ele havia sido amaldiçoado quando jovem com duas maldições, mas depois de algum tempo foi-lhe revelado como quebrá-las, assim como a que pairava sobre o rei Leopoldo e a princesa Ágata.

A maldição que afetava o rei Leopoldo havia sido lançada por um bruxo que trabalhava no castelo antes do pai de Ágata tornar-se rei. O falecido pai do rei atual, o avô da princesa, havia expulsado os praticantes de magia negra do castelo, e o bruxo jurou que no dia em que as filhas de seu filho se casassem, todos os membros da linhagem real morreriam subitamente, no mesmo dia. As palavras do bruxo perderam-se no tempo, mas se cumpririam assim que Ágata se casasse. E avisou que aquela maldição só poderia ser quebrada por alguém que fosse mais amaldiçoado que eles. E o príncipe que ali estava tinha duas maldições.

Ágata soube de tudo, mas foi só ela, porque o príncipe nada falou. Ao invés disso, seu arauto revelou que o soberano não proferia a sua voz há anos por causa de sua maldição, e que, desde então, aprendera a ser um rei justo e bom. Ágata estava confusa, o príncipe era sincero em seus pensamentos, e revelava para ela uma maldição que só ele poderia quebrar.

O rei, como de costume, embora receoso – e Ágata percebeu – fingiu não estar interessado na maldição e disse ao visitante que a prova continuava sendo a mesma. O rei daria a resposta, e o príncipe teria um dia e uma noite para pensar qual era a pergunta correta. O príncipe fez sinal para o seu arauto dizer que ele aceitava o desafio. A resposta dada pelo rei foi "terra”. Os sentimentos de Ágata se agitavam em seu íntimo. Ela precisava pensar no que fazer. Se o estranho estivesse certo, ela teria, de algum jeito, de informar-lhe a pergunta que estava na cabeça de seu pai. Como fazer isso, já que ela era cega e o príncipe não falava, Ágata não tinha a menor idéia.

Foi quando, por meio de uma tabuleta, o príncipe escreveu algo que o arauto leu em alta voz. O príncipe dispensava o prazo, iria responder o enigma ali, naquela hora. Ágata ouviu os pensamentos dos que estavam no salão de audiências do palácio, dos nobres, do rei, dos guardas etc., até os pensamentos dela, todos se resumiam a apenas um: "Quem esse idiota pensa que é?"

Coraline, de Neil Gaiman

Fábula juvenil gótica. Ninguém sabe combinar estas 3 palavras tão bem quanto Neil Gaiman. Em Coraline (e não Caroline, por favor!), ele revela as influências de Alice no País das Maravilhas e Crônicas de Nárnia, mas com o seu toque pessoal de Sandman. Coraline é uma menina que, ao explorar a nova casa velha em que mora descobre uma porta que conduz a outro mundo, onde as pessoas tem botões no lugar de olhos, os animais falam e outras coisas estranhas acontecem. Mas, à medida que Coraline percebe que lá não é tão legal quanto parece, ela (e o leitor) sentem-se cada vez mais como que fugindo dentro de um pesadelo. E você conhece essa sensação, não é? Muitos criticam o livro como sombrio demais para os jovens, mas para quem curtia Jason Voorhees, Freddy Krueger, Michael Myers & companhia (isso na MINHA adolescência, hoje os jovens bocejam com esses caras), um livro infanto-juvenil, mesmo com um certo terror, mas com uma lição no final, é algo importante e que falta atualmente. Além de estimular a leitura daqueles que cada vez menos ligam para ela. Em fevereiro de 2009, estréia a animação baseada no livro, que pelo trailer promete. Lido em e-book.

leitura: Janeiro de 2009
obra: Coraline de Neil Gaiman, com ilustrações de Dave McKean
tradução: Regina de Barros Carvalho
edição: 1ª, Rocco Jovens Leitores (2003), 159 pgs
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Bom

Artemis Fowl, de Eoin Colfer

Ao ler Artemis Fowl, é inevitável não imaginar que, se fosse um filme, seria parecido com... Harry Potter! Não nos aspectos negativos, mas em mostrar uma história que agrada o público infanto-juvenil. Eoin Colfer demonstra querer escrever apenas literatura juvenil passageira. Ele não quer o Nobel, nem imortalidade, muito menos elogios dos críticos. E justamente por focar bem seus objetivos, consegue entreter: cria um núcleo de personagens conhecidos – fadas, trolls, anões – com uma roupagem diferente. Ninguém vai esquecer a versão Colfer de como os anões fazem para cavar túneis, eca! O ritmo e fluidez do livro fazem com que ele possa ser lido em poucas horas, sem esforço algum. É um livro-passatempo. Uma falha: apesar de o autor tentar passar a imagem de anti-herói para o menino gênio, Artemis não faz NADA de ruim no livro todo, pelo contrário. E a tradução peca, ao tentar contemporaneizar gírias inglesas, algumas já se mostrando obsoletas e estranhas, mesmo poucos anos depois da tradução: berro, chongas etc. não devem fazer muito sentido para muitos adolescentes. Talvez o melhor fosse usar expressões menos regionalistas. O livro já rendeu 6 continuações e uma graphic novel, a versão em quadrinhos do primeiro livro.

leitura: Janeiro de 2009
obra: Artemis Fowl: o menino prodígio do crime (Artemis Fowl) de Eolin Colfer
tradução: Alves Calado
edição: 9ª, Record (2004), 288 pgs
compare os preços: Buscapé - Americanas - Cultura
Regular

A marquesa d'O... e outras estórias, de Heinrich Von Kleist

O alemão Heirich Von Kleist é um gênio da literatura. Em se tratando de tragédias, ele não perde para Sófocles ou Shakespeare. E alguns de seus escritos estão compilados no livro A marquesa d’O... e outras estórias (esgotado!), que traz 5 novelas, 6 estórias curtas e 2 ensaios, que só pela sinopse já revelam a sua genialidade. Michael Kohllhas, uma crítica ao Estado de Direito, conta a história do homem que precisou tornar-se um assassino para que a justiça fosse feita e que, certamente, influenciou Kafka na escrita de O Processo. A escritora Francine Prose indica o conto A Marquesa d’O... como o exemplo ideal de como começar uma história (veja abaixo). O Noivado em São Domingos traz um negro caçador de brancos. Terremoto no Chile mostra como os homens podem ser mais destruidores que a natureza. O estilo de escrita do autor, de longos diálogos no mesmo parágrafo, provavelmente foi imitado por Saramago. Especialista em explorar ao extremo o lado ruim do ser humano, mesmo daqueles considerados “bons”, Von Kleist transformou até mesmo a sua vida numa tragédia grega: aos 34 anos, suicidou-se junto com a esposa, enquanto faziam um piquenique, em uma bela manhã de sol.
"Em M..., uma importante cidade da alta Itália, a Marquesa d'O..., uma dama de excelente reputação e mãe de crianças muito bem educadas, comunicou pelos jornais que, sem saber como, havia engravidado, que o pai da criança, que estaria para nascer, deveria aparecer e que ela, por motivos familiares, estaria decidida a desposá-lo." (pg. 103)
leitura: Janeiro de 2009
obra: A marquesa d'O... e outras estórias (Die marquise von o... und andere geschichten) de Heinrich Von Kleist
seleção, tradução e posfácio: Cláudia Cavalcanti
edição: 1ª, Coleção Lazuli - Imago Editora (1992), 252 pgs
compare os preços: Estante Virtual (usados)
Excelente

Todas as cidades, a cidade - de Renato Cordeiro Gomes

Saiu no Amálgama.com.br a minha resenha do livro Todas as Cidades, A Cidade, de Renato Cordeiro Gomes, entitulada A alma da cidade. O primeiro parágrafo do artigo diz:
"Você já pensou se as cidades tivessem alma? Sim, uma alma semelhante à que imaginamos nos seres humanos, que mantem a forma de escultura de fumaça invisível assim que desaparece a massa corpórea. Algo que continue através dos tempos mesmo que a cidade não exista mais. Bem, Renato Cordeiro Gomes não só pensou nisso, mas escreveu uma tese interessante sobre como seria esta alma, ou a cidade literária, em seu livro Todas as cidades, a cidade (Rocco, 2008). Para ele, a cidade literária é feita não só de textos, mas também de imagens, esculturas, músicas… enfim, tudo o que se interliga construindo avenidas, prédios, pontes, e outras estruturas formadas de símbolos."
Gostou? Então clique aqui e leia o artigo completo.

Alguém para amar

Em uma lanchonete, um homem e um garoto, próximos à janela, esperavam calados o pedido. O olhar distante do menino atravessava a rua e se fixava em um cachorro que insistia em lamber vagarosamente algo no meio das patas traseiras. O homem tentou chamar a atenção mencionando que nas manhãs de domingo poucos costumavam transitar pela rua tão cedo. E perguntou novamente ao menino se realmente não desejava comer nada. O garoto olhou para baixo, tímido. É que não quero ouvir a sua barriga reclamando de fome depois, insistiu. Mas o garoto era teimoso, e insistiu em manter como resposta o cabisbaixo silêncio. Contudo, desviou os olhinhos para a mesa quando a garçonete colocou o xis beicon, ketchup e maionese, o copo de suco de laranja com canudo e dois guardanapos que o homem havia pedido. Ela ouviu um não quando perguntou se desejavam mais alguma coisa e percebeu que o homem parecia deslocado na presença do garoto. Lembrou que algo naquela cena não lhe era estranho. Claro, concluiu, já vira aquilo antes, ou imaginara ter visto, quando levou o filho passar o primeiro final de semana com o pai, o canalha do ex-marido. É cruel fazer uma criança aprender a gostar de um estranho, mas mais cruel seria o pequeno crescer sem conhecer o crápula que o pai era. Fantasiar um pai herói poderia relegá-la o papel de vilã. Mas o crápula era o vilão. E esse aí deveria ser outro. Pobre garoto, resmungou, enquanto voltava à cozinha. O homem comia e olhava para o garoto que olhava o homem comer. Com a boca cheia, deixando à mostra pedaços de alface e ovo, o homem disse que a situação já estava chata, afinal, eles precisavam chegar a um acordo. Eu te amo garoto (o garoto tremia) e vou cuidar de você a partir de agora, enfatizou, antes de fazer barulho chupando um gole pelo canudo para empurrar o que mastigava. Pense no quanto vamos nos divertir a partir de agora, me conte tudo o que a sua mãe não te deixa fazer e será a primeira coisa que nós faremos hoje. Quer ir ao cinema, ao shopping, ao circo, o quê? Vamos menino, diz alguma coisa. Hoje estamos por sua conta. Eu prometo que vamos nos divertir muito. O garoto deu um suspiro mudo, mas cheio de palavras. Qualquer observador mais atento diria que era triste, sem esperança, cansado, como se não ligasse para mais nada que acontecesse dali pra frente na sua curta passagem pela vida. Uma lágrima esboçou nascer enquanto o homem gesticulava pedindo mais um suco, mas o menino apenas fungou. E foi ao erguer os olhos úmidos para encarar com desprezo o homem, pois raiva e medo já não tinha mais, que o menino viu os homens armados entrando de repente, gritando polícia e mandando ninguém se mexer. A garçonete sabia que tinha visto o menino antes, e só mais tarde percebeu que fora duas noites atrás, no intervalo da novela. Nota de desaparecimento. O dedo gordo tremia ao fazer a ligação pressionando as três teclas da cavalaria. O homem, parado, olhava o garoto, buscando uma cumplicidade inexistente, suplicando para que dissesse que estava bem, que se divertia mais com ele que com os pais de verdade. Mas o menino já havia corrido para longe. Ao ser algemado e conduzido até a viatura - julgado por olhares curiosos que segundos antes perguntavam o motivo da confusão - o homem virou para o menino pela última vez e mexeu os lábios pronunciando três palavras inaudíveis, mas que o garoto sabia de cor, e que o faziam tremer cada vez que as ouvia.

Tema proposto pelo Duelo de Escritores: EU TE AMO.

A arte cavalheiresca do arqueiro zen, de Eugen Herrigel

Treinar arco e flecha, esgrima, pintura, arranjos florais ou artes marciais não é a mesma coisa para um ocidental e um praticante Zen. Essas atividades são encaradas como um meio para se atingir a sabedoria transcendental, um coração puro, trilhar o caminho do meio ensinado por Buda. O alemão Eugen Herrigel morou seis anos no Japão e, durante este tempo, procurou compreender e vivenciar o Zen através de aulas de arco e flecha com o mestre Kenzo Awa. Porém, não foi fácil, e revelou em A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen as dificuldades que encontrou, a maioria por racionalizar demais sobre coisas que deveriam somente ser sentidas e por impacientemente buscar resultados visíveis. Algo comum a todo ocidental. Mas ele conseguiu, e deixou para a posteridade um excelente manual para que outros, com os mesmos pensamentos iniciais errôneos, também conseguissem alcançar o Zen e compreender o sentido do ensinamento: “Antes que eu penetrasse no Zen, as montanhas e os rios nada mais eram senão montanhas e rios. Quando aderi ao Zen, as montanhas não eram mais montanhas, nem os rios eram rios. Mas, quando compreendi o Zen, as montanhas eram só montanhas e os rios, apenas rios.” Lido em e-book.

leitura: Janeiro de 2009
obra: A arte cavalheiresca do arqueiro zen (Zen in der Kunst des Bogenschiessens) de Eugen Herrigel
tradução, prefácio e notas: J. C. Ismael
edição: 17ª, Editora Pensamento (2001), 91 pgs
compare os preços: Buscapé - Submarino - Cultura
Bom

Dons


"Deus deu o dom certo para cada um:
o da fala às mulheres
e aos homens o da falta de atenção.
"

Jefferson Luiz Maleski

A luz fantástica, de Terry Pratchett

Dizem que as continuações costumam ser inferiores em qualidade. Mas isso não se aplica a Terry Pratchett, senão a sua série Discworld não teria 35 continuações. Talvez o sucesso se dê pelas suas histórias serem sobre heróis, deuses e magos. Ou talvez porque a maioria dos volumes não precise ser lida em seqüência, conforme explica o The Discworld Reading Order Guide 1.5 (em PDF). A Luz Fantástica (volume 2 da série), é uma das continuações diretas, ou seja, traz o mesmo núcleo de personagens no momento exato em que terminaram no volume anterior. Ricewind, o mago que só sabe um feitiço mas que nunca o invocou por temer o que ele poderia fazer, e seu amigo Duasflor, o turista ingênuo e otimista que vive perdendo a sua Bagagem (uma mistura de mala móvel e cão-de-guarda), desta vez precisam salvar o Mundo do Disco do choque catastrófico com uma estrela vermelha. Como eles vão fazer isso ninguém sabe. Os outros magos, como sempre, por burrice ou ganância, só atrapalham, mas novos amigos – um anão, uma virgem que sonha ser sacrificada e um herói versão Conan idoso – vão ajudar. Participação especial dos Trolls e de Herrena, a Megera com Cabelos com Hena.

leitura: Janeiro de 2009
obra: A luz fantástica (The light fantastic) de Terry Pratchett
tradução: Roberto DeNice
edição: 1ª, Conrad Editora do Brasil (2002), 232 pgs
compare os preços: Buscapé - Cultura
Excelente

Leia também:
- Resenha de A cor da magia (v. 1)
- Resenha de O senhor da foice (v. 11)

Meus escritos em 2008

Em 2007, ano de estréia do Libru Lumen, publiquei 14 textos de minha autoria. É muito, se imaginar que minha pretensão original era escrever somente resenhas de livros. Parece que a pretensão mudou, e acabei aumentando a produção em 2008. Me arrisquei até a fazer traduções! Pode? É, esse mundo tá maluco mesmo, e mais malucos são os que se aventuram a escrever. Malucos que, como li dias atrás, tornam a vida do restante dos viventes mais amena e feliz.

Contos
  1. O príncipe maldito - Parte I
  2. Bodas de Papel (ganhador do Duelo de Escritores especial de 1 ano)
  3. A fã (DdE*)
  4. Partir ou ficar são dois lados da mesma moeda (DdE)
  5. Como matar um bicho-papão:
    Parte VI: Epílogo

    Parte V: Final
    Parte IV: O trauma
    Parte III: A mãe
    Parte II: O pai
  6. Perseguição
  7. Fado:
    Parte II (em parceria com a Daisy)
    Parte I (em parceria com a Daisy)
  8. Indiana Jones e o Grande Kahuna
  9. O anjo da morte
Minicontos
  1. O meu amor, os meus amores (DdE)
  2. A verdade conveniente de cada dia (DdE)
  3. Sexo e amor: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra
  4. %$HF76$$¨%4#%@_+L^}Çl
  5. Buda e o ladrão
  6. Missiotário (DdE)
  7. O planeta assassino (DdE)
  8. Microcontos (DdE)
  9. Dois afegãos na esquina
  10. Tolocracia
  11. Compreendendo as mulheres (ou não):
    Parte II

    Parte I
  12. O referencial
  13. Gerundismo exagerado
  14. Homem que é homem que é homem
  15. O dom (para o curso literário online)
  16. A fantástica loja de brinquedos
  17. Professor por natureza
  18. O guardião
  19. 30s
  20. O monge e os cães
Poesias
  1. Dois lados de um sonho
  2. Pensamentos (So/No)turnos
Artigos
  1. A usucapião autoral (para O Pensador Selvagem)
  2. A arte de não ler (para O Pensador Selvagem)
  3. Literatura gay para todos
  4. O que é o leitor?
  5. Tudo o que não sou
  6. Leitura para escritores (para o Amálgama)
  7. OlimPiadas 2008
  8. Escritores sem fronteiras (para o dia do escritor)
  9. O significado do nome
  10. A lei e a moral
Traduções
  1. 9 Pep Talks do Nanowrimo 2008
  2. Ontem à noite, enquanto eu dormia (poesia de Antonio Machado)
  3. À "Minha Amada Imortal" (cartas de Ludwig Van Beethoven)
*DdE - temas sugeridos no blogue Duelo de Escritores.

O beijo roubado

Inspirado pelo tema XADREZ, do Duelo de Escritores.

Na cobertura do Edifício Paradises, Edmundo Ortega apreciava, lentamente, milhares de estrelas, o terceiro on the rocks e o final de um charuto. Só lamentava não ser cubano. O charuto, claro. Mesmo assim, tinham um gosto peculiar. Edmundo e o charuto.

Ritual particular das recentes noites de sexta-feira, era o refúgio em que encontrava prazer após intragáveis reuniões de negócios, jantares e coquetéis insossos com amigos idem e viagens para lugares onde sempre havia um puxa-sacos, sorrisos falsos e tapinhas nas costas. Mas tais coisas passavam ao longe das noites de sexta-feira. Edmundo gostava de apreciar os prazeres que julgava serem de todo homem normal, os solitários, e sentia como se só naquele exato momento conseguisse lembrar do verdadeiro homem que era, do homem que fora no passado e do homem que gostaria ter sido um dia.

Geralmente, levava pouco tempo para as sensações aparecerem. Apesar do negrume do céu pontilhado de infinitas luzes, o que Edmundo via a sua volta era o azul claro de um dia ensolarado. Ao redor, não era um apartamento que o rodeava, mas um parque esverdeado repleto de vida. Também não ouvia o vento trazer os sons de motores e buzinas espalhados pelas ruas abaixo, mas gritos de crianças brincando e até, quem sabe, os latidos de um cão.

Piquenique escolar. Mil novecentos e... não importa. Fazia um bocado de tempo. Ele olha para o lado e vê o gordo Raul correndo inutilmente para alcançar os garotos que tomaram o seu boné. Mais adiante, meninas brincam de pular-corda. À frente, as professoras arrumam, sob a frondosa sombra de uma árvore, toalhas repletas de frutas, bolos e garrafas de refrigerante de groselha, enquanto ralham vez por outra com alguém. É quando Edmundo, ou melhor, Édi, sente duas mãos taparem os seus olhos.

- Advinha quem é?

Seria fácil demais responder, então ele preferiu brincar: - Se conseguir adivinhar, o que eu ganho?

- Faço com você algo que ninguém mais pode fazer.

- E como vou saber que você não tá mentindo?

- Vai ter que confiar em mim.

- Tá bom, pra mim, é a Jéssica.

- Acertou, seu bobo. Também, depois de tantas dicas que dei você não erraria nunca!

Jéssica era a amiga ruiva dele. A melhor - ou a única amiga da sala, talvez da escola toda - já que ele não era lá tão sociável. Enganado pelos pais, ele ainda acreditava que ia para a escola só para estudar. Foi Jéssica que ensinou o que era convivência. Ao menos, a convivência com ela. No pequinique, ela usava uma blusa branca e A saia xadrez, além de meias brancas que iam até o joelho e rabo de cavalo. Édi era vidrado naquela saia, pois os quadros em tons de cinza contrastavam com a tez alva da pele dela. A sobreposição caleidoscópia de quadrados pequenos dentro de grandes exercia um efeito hipnótico tão grande que vez por outra ela percebia o seu olhar fixo na saia tentando achar a saída daquele labirinto. E ela ria. Como Jéssica ria. Além da saia xadrez, o que ela tinha de melhor era o sorriso. Era praticamente impossível ficar bravo ou “de mal” com ela após ouvir ela rindo. Edmundo guardava com carinho todas aquelas risadas.

- Vem comigo, Édi – Jéssica disse, puxando-o pela mão.

- Aonde?

- Ué, você não quer o seu prêmio? Vou te dar ele agora.

- Mas o que é?

- Você já vai ver, é surpresa.

Ele a seguiu curioso, ansioso, submisso. Afastaram-se dos outros até uma clareira em que ninguém os via. Ele disse que as professoras avisaram para todos ficarem à vista e que provavelmente iriam brigar. Mas ela o convenceu dizendo que o prêmio valeria a pena. Pararam atrás de uma árvore, o coração de Édi acelerava por fazer algo escondido, proibido, com a Jéssica, sem nem ao menos saber o que seria. Mas suspeitava.

- Feche os olhos e não abra até eu mandar.

- Por quê?

- Porque senão você não ganha o prêmio! E não vale espiar que eu estou de olho.

- Tá bom – fechou os olhos enquanto ela soltava a mão.

Ele ouviu barulhos em arbustos, como se ela estivesse ocupada com algo. Sentiu-se nervoso, pois já sabia, na escola, o que os meninos e meninas faziam quando sozinhos. Eles se beijavam. Apesar dos adultos amaldiçoarem que criança que beija na boca tem sapinho e de ele nunca ter beijado antes, ficou na expectativa de receber como prêmio um beijo da amiga. Mas, se assustou quando ela pegou novamente em suas mãos. Ambos estavam ofegantes.

- Não abre até eu mandar – repetiu, como se ele não a obedecesse sempre.

A respiração dela foi ficando mais próxima, e Édi sentiu o hálito quente no rosto. Havia também o perfume de morangos no ar. Mesmo aguardando, receou ao sentir o toque suave nos lábios. Naquela hora, ele era todo excitação, alegria e descobrimento. Bateram os dentes na primeira tentativa, e cada um deu um sorriso forçado. Depois, fluiu tão natural que os dois pareciam integrados naquele ambiente. Aquelas duas bocas infantis se encaixavam com perfeição. Ela colocou os braços ao redor do pescoço dele e ele a abraçou pela cintura. Foi o seu primeiro beijo. Durou agradáveis e eternos quinze segundos, até ele abrir os olhos e ver que não era Jéssica quem ele beijava. Era Magda.

- O que é isso?! – afastou assustado olhando ao redor. Jéssica assistia a cena a certa distância.

- Você conhece a Magda, não?

Claro que conhecia. E compartilhava a opinião do restante dos meninos de que ela era a menina mais esquisita da sala. Usava óculos com lentes grossas que deixavam os seus olhos enormes e duas maria-chiquinhas com algum dos desenhos populares entre as meninas. Sempre era vista com roupas de professora, só que em miniatura. Era sempre ridicularizada, e por isso vivia quieta no canto da sala, perto da janela. E Édi estava beijando logo ela? Olhou para a carinha miúda à sua frente, com os pequenos olhos piscando rapidamente, provavelmente tentando enxergar algo. Jéssica alcançou-lhe os óculos, e ela os colocou em seguida. Ele não sabia o que falar. Realmente era uma surpresa. Conforme Jéssica prometera, ninguém mais na face da Terra poderia fazer aquilo com ele. Mostra-lhe o que era um coração traído. Olhava para uma e para outra buscando uma resposta enquanto os olhos se enchiam d’água.

- A Magda me confessou que gosta de você – Jéssica tentou justificar.

- Mas eu não gosto dela! – ele gritou segundos antes de sair correndo de volta ao piquenique.

Ele não queria que elas o vissem chorar. Mas mudou de direção no meio do trajeto, pois tampouco queria que os outros vissem. Agachou atrás de uma grande pedra, até ambas passarem correndo por ele. E então, ele chorou amargamente. O primeiro beijo, aquele que ficaria eternamente gravado em sua memória, o que era para ser da garota da saia xadrez, foi roubado.

Em algumas semanas, a família de Jéssica mudou-se para o nordeste e eles não se viram nunca mais. Mas a amizade já tinha se esfriado. Ela ainda tentara explicar-lhe diversas vezes, mas ele corria para o banheiro. Magda continuou estudando na mesma sala que Édi até terminarem a quarta série. Nunca mais o olhou nos olhos, pelo menos não que ele tivesse visto. Ninguém nunca descobriu o ocorrido. Talvez, enquanto Édi considerava o episódio vergonhoso, para as garotas era apenas um segredo entre amigas.

Anos depois, Edmundo encontrou Magda em uma festa. Tinha mudado bastante, usava lentes de contato e estava extremamente atraente. Não a reconheceu de imediato, mas ficou encucado com a estranha exuberante que não parava de olhá-lo e sorrir até ela se aproximar e se reapresentar. Os dois riram juntos, e beberam alguns drinques e relembraram os episódios da infância, inclusive o do beijo. Ela confessou que aquele foi o primeiro beijo dela e que pensava que ele o usaria contra ela. Mas não, ele foi um verdadeiro cavalheiro. A conversa estava animada quando Magda foi ao banheiro. Edmundo olhava a bebida cintilando no copo e pensava em como o mundo dá estranhas voltas, quando sentiu duas mãos tapando seus olhos e reavivando a memória.

- Adivinhe quem é, que você ganha um beijo.

O coração dele parou, por um instante. Era a voz de Jéssica. Sem pensar, sem nem ao menos olhar, virou-se com rapidez e beijou quem quer que estivesse ali, fosse ruiva, míope, com ou sem saia xadrez. Desta vez, quem roubaria o beijo seria ele.

- Amô-ôr, vem pra cama, vem! No que você fica aí pensando enquanto admira as estrelas e me deixa sozinha te esperando?

- Penso em você, minha querida, em você - respondeu Edmundo, com um sorriso maroto.

A casa das belas adormecidas, de Yasunari Kawabata

Dormir calmamente com uma garota como aquela seria um consolo fugaz para quem persegue os prazeres da vida que já não tem mais”. Eguchi, um velho de 67 anos, passa a freqüentar a casa que oferece adolescentes virgens sedadas como companhia para “velhos que deixaram de ser homens”. São cinco capítulos, cinco visitas e seis diferentes virgens. Cada uma conforta Eguchi de maneira diferente, lembra-o de um passado esquecido, revela um medo premente. Acima de tudo, o olhar profundo sobre a beleza do corpo e alma femininos transforma a história em um hino de louvor às mulheres, sem deixar de lado questões importantes como a solidão, a velhice e a morte. Yasunari Kawabata ganhou o Nobel de Literatura em 1968 e suicidou-se 4 anos depois. Publicado em 1961, o livro inspirou Gabriel García Márquez a escrever Memórias de Minhas Putas Tristes. Tenho de admitir que ambos são muito parecidos e que até eu fiquei inspirado a escrever um conto sobre o tema.

leitura: Janeiro de 2009
obra: A casa das belas adormecidas (Nemureru Biju) de Yasunari Kawabata
tradução: Meiko Shimon
edição: 1ª, Estação Liberdade (2004), 124 pgs
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Bom

O leilão do lote 49, de Thomas Pynchon

Considerada a obra-prima do norte-americano Thomas Pynchon, o livro apresenta a história de Édipa Maas, nomeada inventariante da herança de um ex-namorado. Pierce Inventarity era praticamente o dono da pequena cidade industrial San Narciso, Califórnia. Édipa, além de encontrar-se com tipos insólitos – um ex-ator mirim que virou advogado, quatro camareiros covers dos Beatles, um diretor de teatro impulsivo, um analista que receita LSD aos pacientes, etc – se depara com a organização secreta chamada Tristero, manentedora de um sistema de correios paralelo, com selos oficiais falsificados e carteiros bêbados. A começo da trama é coeso e interessante, mas vai se perdendo em devaneios alucinógenos até chegar ao ponto em que, no final, não se sabe se o que está sendo narrado é a realidade da trama ou uma ilusão da mente de Édipa. Ela praticamente sai do papel de protagonista e passa a acompanhar tudo junto ao leitor. Os críticos dizem que o autor aplica a teoria da entropia em sua obra, mas o certo é que a história não deve agradar os que gostam de finais onde os mistérios são solucionados. Eu sou um destes. O livro está esgotado no Brasil e é encontrado, raramente, em sebos.

leitura: Janeiro de 2009
obra: O leilão do lote 49 (The crying of lot 49) de Thomas Pynchon
tradução: Jorio Dauster
edição: 1ª, Companhia das Letras (1993), 166 pgs
Regular

Os 5 melhores livros de 2008

Dentre as leituras q fiz em 2008, encontrei livros excelentes, bons, regulares e ruins. E, seguindo a mesma eleição q fiz das leituras de 2007, resolvi não só eleger o melhor livro q li no ano, mas os 5 melhores. Não são todos lançamentos de 2008, nem os mais vendidos do momento. O meu critério continua sendo aqueles q mais influenciaram o meu pensar e falar e principalmente, o meu escrever. São pérolas q trazem não só boas histórias, mas bons contadores de histórias, onde o mais importante não é O QUÊ se conta, mas COMO se conta. Abaixo segue a lista dos livros q fizeram a minha cabeça em 2008 e q, com certeza, eu levaria para uma ilha deserta.


1º lugar: Os girassóis cegos, Alberto Méndez (2007, Mundo Editorial) - o único livro do escritor espanhol q faleceu em 2004 traz 4 contos q retratam o lado "derrotado" na Guerra Civil Espanhola. Além disso, é uma verdadeira lição de escrita.
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2º lugar: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino (2005, Cia das Letras) - Já emprestei o livro para inúmeras pessoas e até agora não encontrei um q não gostasse da história. Foi o 1º livro q li do Aquino, mas não será o último. Novamente, a arte de narrar está explícita em uma história de sedução e loucura.
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3º lugar: O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Saramago (1991, Cia das Letras) - Com razão é o livro mais polêmico do escritor português. Ele mostra Jesus de um ponto de vista humanista, coisa q vai de encontro a mtos dogmas religiosos. Destaque especial para a morte de José, para o Diabo e para a conversa de Jesus com Deus no meio do mar da Galiléia.
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4º lugar: A Desobediência Civil e Outros Ensaios, Thoreau (2005, Martin Claret) - Filosofia e política em uma tese q influenciou mtos pensadores, como Ghandi e Martin Luther King Jr., e q demonstra oq deve ser feito qdo uma lei é injusta.
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5º lugar: Oficina de Escritores, Stephen Koch (2008, Martins Fontes) - quem melhor para ensinar as técnicas de escrita mais bem sucedidas dq os escritores de sucesso? Koch reuniu e organizou dicas especiais para os escritores iniciantes e fez um livro ímpar, principalmente no mercado brasileiro.
Leia a resenha.
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E você, quais são os Top 5 da sua lista de leituras em 2008?

Compra, venda & troca de livros usados pela net

Saiu no portal O Pensador Selvagem o meu novo artigo em que faço uma lista dos principais sites brasileiros que prestam serviços utilississímos aos viciados em livros com poucos tostões no bolso. Veja a chamada para o texto:
Os internautas estão cada vez mais autoditatas: não há nada q não possa ser questionado em um fórum de discussão ou comunidade no Orkut e nada q um Google ou Wikipédia não respondam. Mas, apesar disso, há alguns sites incrivelmente úteis para os aficcionados pela velha e boa arte da leitura q insistem em ficar escondidos dos q virariam verdadeiros fanáticos religiosos por eles, pelo puro azar do desencontro. Aquela velha fábula do amor da sua vida morar na casa ao lado e vc nunca o ver. Para os amantes da literatura, vou indicar alguns sites onde se pode comprar, vender e trocar livros usados. E, como uma mão deve sempre lavar a outra, se alguém tiver alguma sugestão q não apareça na lista, peço q compartilhe o caminho das pedras.

O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)

Estamos destinados a perder as pessoas que amamos. Qual a outra forma para sabermos quão importantes são para nós?

As nossas vidas são definidas pelas oportunidades, mesmo aquelas que perdemos.

Às vezes estamos em rota de colisão e apenas não sabemos. Seja por acidente ou por destino, não há mais nada que possamos fazer.

Pelo que vale, nunca é tarde demais, seja aquilo que quiser ser. Não há limite de tempo, pode começar quando quiser. Pode mudar ou ficar na mesma. Não há regras para isso. Pode escolher o melhor, ou o pior da vida. Espero que escolha o melhor da vida. Espero que veja coisas que a surpreendam. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com diferentes pontos de vista e espero que viva uma vida da qual se orgulhe. E se pensar que é capaz, espero que tenha a força para começar de novo.


Pep Talk 2008: Kelley Armstrong

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

Caro Colega Escritor NaNo,

Então, está tudo acabado. Como você conseguiu? Se atingiu as 50.000 palavras, parabéns! Se não atingiu, mas deu o seu melhor tiro, parabéns! Quer a contagem de palavras tenha sido alcançada ou não, agora você tem uma nova história. O que acha dela?

Quando voltar a pensar sobre o que escreveu, você pode ficar emocionado. Pode ficar espantado com o que produziu. Ou talvez não... Você pode ficar desapontado. Pode sentir que acabou de desperdiçar um mês e uma idéia incrível. Mas não. Confie em mim. Eu já passei por isso.

O meu primeiro NaNo foi em 2005. Eu tinha ouvido sobre ele há anos. Até então, eu já tinha sido publicada, mas pensei que seria um grande exercício para os membros da comunidade de escrita on-line se eu mostrasse um quadro de conselhos. Porém, para apoiar e incentivar de verdade os membros, eu precisava aceitar o desafio ao seu lado. E eu sabia exatamente que queria escrever o primeiro esboço de uma idéia que tinha brincado há anos, a história de um jovem colocado em meu universo Otherworld.

Então, escrevi o romance, chamado The Summoning, e neste verão, The Summoning foi lançado entrando para a lista dos mais vendidos livros infantis do New York Times. Isto soa muito mais impressionante se disser que o romance que escrevi para o NaNoWriMo não é a mesma versão que foi publicada.

O que o NaNoWriMo me deu foi um primeiro projeto rápido e sujo, e até o final do mesmo, eu via que o meu livro tinha algumas coisas boas... e alguns problemas graves e oportunidades perdidas. Então o coloquei de lado por um período de repouso e pensei como consertá-lo enquanto trabalhava no meu próximo romance assinado. O manuscrito sofreu uma revisão significativa, reformulação e, sim, foi reescrito, antes que eu deixasse o meu agente levá-lo ao mercado.

Se um autor multi-publicado não consegue esperar para publicar o primeiro projeto durante o NaNoWriMo, então você também não vai conseguiu. Claro que você poderia – algumas pessoas fazem – mas o que o NaNoWriMo lhe deu é, pelo menos, duas coisas que você não tinha em 1 º de novembro.

O primeiro prêmio irá variar. Talvez você tenha o primeiro rascunho com que poderia trabalhar. Ou talvez perceba que a sua idéia não foi tão digna de um romance como pensava. Ou talvez, no curso da escrita deste livro, você terá uma idéia para outro.

Os dois últimos podem não parecer tão gratificantes como o primeiro, mas eles são igualmente importantes. Quando você for escritor por um tempo, provavelmente terá histórias em que trabalhou por meses, anos, antes de perceber que a idéia não era digna de um romance. Para alcançar a realização de ter um mês livre para começar algo novo sem depois lamentar que você gastou em uma história que não funcionou.

A segunda é uma recompensa que cada participante NaNoWriMo adquire: um mês inteiro de prática de escrita. É raro o escritor que publica o primeiro livro que escreveu – eu não publiquei – então a prática é inestimável. Independente se você sonha em conseguir publicá-lo ou não, você gastou apenas um mês descobrindo e explorando o prazer de contar histórias.

Ah, e no caso de você me perguntar, sim, eu alcancei as 50.000 palavras este ano. No entanto, acabei gritando vitória só no sábado. Posso culpar a minha quase derrota por causa do mês de viagens de divulgação e edições precoces inesperadas, mas como sou um escritor de tempo integral, então realmente não tenho desculpa para não alcançar as 50.000 palavras. Para os que alcançaram o objetivo, apesar da escola ou trabalho ou crianças, eu os reverencio.

Vou deixá-lo voltar para o seu descanso pós-NaNo, logo após desejar boa sorte com o seu manuscrito – este ou o próximo. Mesmo porque, se você não estiver planejando editar este, não haverá um próximo, certo? Eu espero que haja. O mundo sempre precisa de mais contadores de histórias.

Kelley

Kelley Armstrong é autora da série Otherworld. Para saber mais sobre ele e o seu trabalho, visite o seu website.

Leia também o texto original em inglês.

Minhas leituras de 2008

Minha cota de livros lidos aumentou 2 de 2007 para 2008. Ohhhh, que grandioso progresso, talvez vc pense. Bem, para quem não tem a vida ganha e precisa trabalhar e estudar, acrescentar 2 pratos no malabare literário que já tem 48 é uma façanha. Se bem q passei uns períodos meio vidrado em séries e filmes na internet - e q tomam um tempo danado - q depois percebi não serem tão bons assim e q eu poderia ter aproveitado melhor lendo um livro. Geralmente é nas férias de meio e fim de ano q a média cai, talvez por causa das viagens, festas e visitas de fora.

Uma amiga comentou q deve ser chato ler só para atingir uma cota. Concordo plenamente. Acontece q eu não leio SÓ para atingir cotas. No meu caso é o contrário, eu estabeleço cotas pq adoro ler, e se não tiver algum incentivo, um empurrãozinho, um puxão de orelha, o ano passa e vou me achar tendo lido apenas 5 livros. Aí sim, minha consciência vai pesar, e vou ficar pensando "pq vc não fixou um objetivo de ler ao menos um livro por mês, oq daria 12 ao ano, seu molenga?". Para evitar auto-flagelação em dezembro, fixei como objetivo ler 4 livros por mês, ou de 48 a 50 por ano. Meu gosto não mudou muito do ano passado, e continuo lendo muitos clássicos gregos, livros de filosofia ou q trazem técnicas de escrita, ficção fantástica e alguns best-sellers (a maioria para falar mal depois). Este ano acrescentei alguns para a monografia e acredito q em 2009 ainda apareçam mais. Também li alguns livros enviados por editoras, escritores ou sites q me pediram para resenhá-los, e também já tenho uma pilha destes para 2009.

Algo q percebi é q, infelizmente, não estou conseguindo resenhar todos os livros q leio. Claro q poderia fazer um resumo simples da história e dar uma nota pro bichinho, mas não me sinto bem fazendo isso. Gosto de entrar de cabeça em uma resenha, seja para o bem ou para o mal, meu ou do livro. Por isso, resolvi q este ano vou resenhar apenas um livro por mês, o melhor q eu tiver lido, ou o mais conhecido, dependendo de qual livro mexeu mais comigo. Então, serão 12 resenhas, talvez mais, mas com a certeza dq serão as minhas melhores indicações de leitura aos amigos e visitantes do blogue.

18 livros classificados como "Excelente"
20 livros classificados como "Bom"
5 livros classificados como "Regular"
7 livros classificados como "Ruim"
JANEIRO
1. Carta sobre a Felicidade, Epicuro. - Excelente
2. A Terra Pura, Alan Spence. - Bom
3. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino. - Excelente
4. A Bússola de Ouro, Philip Pullman. - Excelente
5. Morte em Veneza, Thomas Mann. - Excelente


FEVEREIRO
6. A Faca Sutil, Philip Pullman. - Bom
7. O Dom Supremo, Henry Drummond. - Regular
8. A Clemência, Sêneca. - Bom
9. Político, Platão. - Bom
10. O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Saramago. - Excelente

MARÇO
11. Direito Previdenciário, Ivan Kertzman. - Regular
12. A Verdade e as Formas Jurídicas, Michel Foucault. - Bom
13. Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley. - Excelente
14. O Profeta, Khalil Gibran. - Bom

ABRIL
15. Manual do Roteiro, Syd Field. - Excelente
16. Vem aí uma nova Idade Média?, Délia Guzmán e Maria Dolores Figares. - Regular
17. A Trilha Iniciática das Artes Marciais, Michel Echenique. - Regular
18. O Jovem Törless, Robert Musil. - Regular

MAIO
19. Rato, Luís Capucho. - Ruim
20. História Verdadeira, Montesquieu. - Bom
21. Para ler como um escritor, Francine Prose. - Bom

22. A Igreja do Diabo e Outros Contos, Machado de Assis. - Bom
23. Todos os Belos Cavalos, Cormac McCarthy. - Bom

JUNHO
24. Lemniscata: o Enigma do Rio, Pedro Drummond. - Bom


JULHO

25. A Metamorfose, Kafka (adaptação de Peter Kuper). - Bom
26. Vida e Doutrina - Os Analectos, Confúcio. - Bom
27. A Desobediência Civil e Outros Ensaios, Thoreau. - Excelente

28. Oficina de Escritores, Stephen Koch. - Excelente
29. A Voz do Silêncio, H. P. Blavatsky. - Bom

AGOSTO
30. Cartas a Delia e Fernando, Jorge Angel Livraga. - Bom
31. Coisas Frágeis, Neil Gaiman. - Excelente
32. O Bigode, Emmanuel Carrère. - Excelente
33. Kafka de Crumb, David Zane Mairowitz. - Excelente
34. o OrVaLhO e Os DiAs, Nilton Resende. - Ruim

35. As Fenícias, Eurípedes. - Excelente
36. Fábulas, Esopo. - Excelente
37. Como um Romance, Daniel Pennac. - Bom
38. As Diabólicas, Boileau-Narcejac. - Excelente

SETEMBRO
39. Do Contexto ao Texto, Pietrafesa-Borba. - Ruim
40. História & Documento e metodologia de pesquisa, Samara-Tupy. - Ruim

OUTUBRO
41. Dexter: a mão esquerda de Deus, Jeff Lindsay. - Excelente
42. A Luneta Âmbar, Philip Pullman. - Ruim
43. Dhammapada / Atthaka, Buda. - Bom
44. The Gotham Writer's Workshop. - Bom


NOVEMBRO
45. Superdicas para escrever bem, Edna M. Barian Perrotti. - Bom
46. O filho eterno, Cristovão Tezza. - Ruim
47. Os girassóis cegos, Alberto Méndez. - Excelente


DEZEMBRO
48. Aprendendo a viver, Sêneca. - Excelente
49. Íon / Hípias Menor, Platão. - Ruim
50. Saber envelhecer / A amizade, Cícero. - Bom
Veja também: