Lemniscata: o Enigma do Rio, de Pedro Drummond

Há um tesouro escondido no Rio de Janeiro: Lemniscata

Para os apreciadores dos best-sellers que trazem caçadas a tesouros escondidos através de mapas, pistas e enigmas, ou fugas de assassinos perigosos ou de várias reviravoltas na trama, a opção do momento é o livro Lemniscata: o enigma do Rio. O escritor estreante Pedro Drummond conseguiu juntar no mesmo caldeirão vários elementos - bem dosados por sinal - e produzir um excelente livro.

Pedro Drummond entra no universo literário com dois pés direitos. De sobrenome famoso, é filho do jornalista, político e escritor Olavo Drummond (falecido em 2006) e busca seu espaço próprio nas letras. Merecido. Não bastasse a herança genética, a experiência pessoal ajudou na empreitada, pois além de ser engenheiro eletrônico especialista em sistemas de segurança, Pedro ainda pilota, mergulha e pratica pára-quedismo. Os leitores de Lemniscata verão que ele usou bem tais conhecimentos na trama.

O autor seguiu o estilo que tornou famoso o escritor norte-americano Dan Brown (O Código da Vinci e Anjos e Demônios, entre outros) usando cortes rápidos entre as cenas que ocorrem em lugares diferentes, ambigüidades sutis e propositais que levam o leitor à conclusões equivocadas, enigmas matemáticos ou históricos e lugares famosos (no caso do Rio, o Pão de Açúcar, a praia e o hotel de Copacabana, etc.) como plano de fundo. Acrescente na receita o toque pessoal do jovem autor brasileiro que usa citações de famosos nos momentos oportunos e terá uma agradável surpresa de leitura em mãos. Outros escritores brasileiros já tentaram imitar Dan Brown, mas Pedro Drummond foi o único até agora a conseguir ir além. Seu livro mostra uma luz própria. Tanto que não seria de se espantar que nos próximos meses o livro aparecesse traduzido em inglês ou nos cinemas. É algo impressionante quando se fala do primeiro livro de um autor. Ainda mais de um autor brasileiro.

A história de Lemniscata gira em torno de Lorena Dorff, jovem repórter canadense que mora em Lisboa. Lá, ela descobre que sua vida corre perigo e junto com os amigos Luca Tomelli e Thomas Stanton embarca para o Rio de Janeiro em uma caçada atrás do pai e tio desaparecidos, para saberem porque Lorena está em perigo. Aqui no Brasil, os três seguem pistas e decifram enigmas descobrindo que a perseguição ocorre por causa de um tesouro escondido na cidade maravilhosa. Observados de perto pelo Hárpia, codinome do egípcio Omar Tarek, não sabem em quem confiar à medida que eventos estranhos vão acontecendo e pessoas morrendo. Apesar de Lorena ser a protagonista da história, dar a oportunidade ao leitor de acompanhar os pensamentos e ações do Hárpia enganando policiais, bandidos, porteiros, pilotos e a própria Lorena é gratificante e um achado para os fãs do gênero policial.

A palavra que dá o título para o livro, lemniscata, é o nome atribuído ao símbolo do infinito, aquele que parece um oito deitado, e possui um significado importante na trama. O humor brasileiro está presente nos diálogos, e mesmo sendo estrangeiros conversando, conclui-se que o ar do Rio afeta beneficamente até os turistas. Visitar o Rio é assumir o lado de brasileiro alegre que cada um tem. As citações são outra atração à parte. Lorena é fã de citações e sempre encaixa uma conveniente nas suas conversas. E no final do livro o autor lista as citações usadas na história, como estas:
"A criança é uma oração que perde a fé no altar do tempo." - Olavo Drummond

"Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos." - Anaïs Nin

"No capitalismo, o homem é explorado pelo homem. No socialismo, é o contrário." - Churchill
O livro tem poucos erros, nada que atrapalhe a diversão. E não se deve atribuir a culpa ao autor, e sim ao revisor. Afinal, alguém que escreve 360 páginas deixará passar um deslize ou outro. É o papel do revisor sanar estas brechas. Eis alguns dos poucos erros do livro:

- De lógica ou verossimilhança:
  • "O único problema que incomodava Omar... Como aquele era um problema que ainda não o havia incomodado realmente, ..." (pg. 80);
  • "...a letra Phi corresponde ao F em nosso alfabeto - completou Luca..." (pg. 144), nosso pode ser interpretado de várias maneiras além da correta, pois a frase foi dita por um italiano a uma canadense, ambos no Brasil;
  • É difícil de acreditar que não haveria conexão de internet em um hotel no centro do Rio de Janeiro (pg. 51) enquanto num apartamento ocupado esporadicamente sim (pg. 54);
  • Quem pode solicitar informações sigilosas aos provedores de internet é o juiz, e não a polícia (pg. 68);
  • Omar deveria saber que a polícia brasileira é proibida de entrar em residências à noite, mesmo que o bandido esteja lá (pg. 245);
- De ortografia ou gramática:
  • Uso indevido do pretérito-mais-que-perfeito em alguns lugares (pg. 108);
  • "...algo entra G. I. Joe e Falcon" (pg. 298) ao invés de entre;
  • "motor diesel" (pg. 352) ao invés de motor a diesel.
- De repetição:
  • Duas personagens são apresentadas em seqüência tendo idades em torno dos 60 anos (pgs. 93 e 100) e soa como se o número ou elas tivessem algo de comum ou especial, quando não o têm;
  • "Joel olhou os dois com desconfiança. 'Eles não estão dizendo a verdade', desconfiou." (pg. 218)
(Nota de 28/10/2008: o autor, muito simpático por sinal, já entrou em contato comigo e disse que irá analisar as sugestões para uma segunda edição do livro.)

Enfim, em meio a tantas opções de best-sellers apostando no ramo da auto-ajuda, um romance policial original e bem elaborado sempre se destaca dos demais. Vale a pena procurar por este tesouro, seja no Rio de Janeiro ou em uma livraria perto de você.

leitura: Junho de 2008
obra: Lemniscata: o enigma do Rio, de Pedro Drummond
edição: 1ª, Selo Suma de Letras, Editora Objetiva (2007), 365 pgs
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Bom

A Faca Sutil, de Philip Pullman

[ Editado em 04/11/2008 ]

A Faca Sutil é o segundo livro da trilogia Fronteiras do Universo, do britânico Philip Pullman. Depois do final de A Bússola de Ouro, que termina com Lyra atravessando o portal para um mundo desconhecido atrás de seu pai, seria de esperar que a história recomeçasse exatamente onde parou. Mas não.

Ela começa em outro mundo, o nosso, e traz como personagem principal o menino Will Parry. Apesar de ter apenas 12 anos, Will é procurado por assassinato. Assim como Lyra, no primeiro volume, as crianças continuam a serem apresentadas praticando atos adultos, inclusive criminosos. Fugindo, Will atravessa um portal e cai em um universo paralelo, a estranha cidade de Cittàgazze onde existem somente crianças. Ali Will conhece Lyra. Mesmo de mundos diferentes, os dois unem forças para: primeiro, levar Lyra para o universo de Will em busca de informações sobre o Pó; segundo, encontrar o pai de Will, desaparecido em uma misteriosa expedição ao Pólo Norte; e por último, descobrir onde está o pai de Lyra e o que está tramando.

O mundo em que Will e Lyra se encontram é uma espécie de universo intermediário entre todos os outros e similar ao da primeira história de As Crônicas de Nárnia, O Sobrinho do Mago, de C. S. Lewis. A diferença é que no universo intermediário das Crônicas não existem habitantes nem construções, apenas um bosque com vários lagos. É como se o universo intermediário de Lewis evoluísse para o de Pullman. E enquanto nas Crônicas passava-se de um mundo ao outro entrando em lagoas diferentes, no das Fronteiras uma faca é usada para abrir portas no ar, a tal da Faca Sutil, chamada assim por possuir dois gumes, um que corta qualquer material e outro que abre portais dimensionais no ar.

Enquanto Lyra possui a Bússola de Ouro, a Faca Sutil - depois de alguma luta - acaba nas mãos de Will. Não só o destino dos objetos mágicos parece entrelaçado, mas o das crianças e o de seus pais.

Alguns detalhes do filme A Bússola de Ouro que não aparecem no livro homônimo são encontrados em A Faca Sutil. Por exemplo, no filme há o personagem Fra Pavel (Frei Pavel no segundo livro, sutilmente modificado para evitar confrontos com a igreja), um membro do Magistério que também possui uma Bússola de Ouro, mas que, diferente de Lyra, só consegue manuseá-la depois de complicadas pesquisas em um manual antigo.

Como citado antes, as crianças não são seres tão inocentes na visão de Pullman. Em A Bússola de Ouro, Lyra faz brincadeiras perigosas - como afundar um navio que era a casa de alguns gípcios por maldade - fuma e mente descaradamente. Em A Faca Sutil, Will mata um homem acidentalmente no começo e uma mulher no final, mas por vingança. Talvez a forma de crescimento que Pullman vê nas crianças é não deixarem de fazer o que sempre fizeram, mas praticarem os mesmos atos, os mesmos erros com um verniz mais "adulto". Uma análise superficial na sociedade em que vivemos mostrará que a cada dia mais crianças têm praticado estas ações adultas sem o menor constrangimento ou culpa, sejam bons ou ruins.

O livro traz mais mortes que o primeiro. Os perseguidores são em maior número que os fugitivos. Aparecem novos personagens, como os perigosos Espectros e os Anjos, deixando o clima tenso e preparando o leitor para a grande guerra que ocorrerá no terceiro livro da série, A Luneta Âmbar. Novamente, como nas Crônicas de Nárnia, o final caminha para uma grande batalha final entre o bem e o mal (talvez esta fórmula seja de sucesso, vou consultar o Joseph Campbel), só que nas Fronteiras do Universo definir claramente quem é o bem e quem é o mal é uma tarefa um pouco mais complicada.

leitura: Fevereiro de 2008
obra: A Faca Sutil (The Subtle Knife), de Philip Pullman
edição: 1ª, Volume II da trilogia Fronteiras do Universo (His Dark Materials), Editora Objetiva (2007), 300 pgs
preço: Compare os preços no BuscaPé
Bom
Leia também:

Justiça Sem Limites "Boston Legal" (2006-2007) - 3ª temporada

3x16 The Good Lawyer
Eu quero muito acreditar em Deus. Não por causa das palavras na Bíblia ou pelas alegações do Evangelho, mas porque suponho que com nosso planeta sendo poluído até a extinção enquanto país após país desenvolvem bombas nucleares, coincidindo com um agravamento do ódio sem precedentes enquanto um continente inteiro está morrendo de AIDS e fome e o resto do mundo finge não perceber não é muito fácil ter fé no homem hoje em dia. Mas se não acreditarmos em Deus, a única alternativa é acreditar no homem. Bem, não tenho certeza se acredito em Deus. E mesmo se acreditasse não tenho certeza se será o mesmo Deus que fulano acredita... ou você acredita. Mas, na dúvida, eu ainda acredito no homem. Acredito no senso de humanidade nato do homem. Seu potencial de compaixão, razão, retidão em seu coração.

Se acreditar em Deus e não existir nenhum Deus não há nenhum dano, nenhuma falha. Mas se não acreditar em Deus e ele existir você está ferrado.

Boston Legal é uma dramédia do canal ABC que mostra os bastidores da firma de advocacia Crane, Pool & Schmidt. Enquanto narra as desventuras dos advogados nada convencionais Alan Shore (James Spader) e Denny Crane (William Shatner), foca os atuais problemas jurídicos e sociais dos Estados Unidos da América. Veja mais na Wikipédia, IMDB (nota 8.9) ou no Site Oficial.

Como matar um bicho-papão - Parte IV: O TRAUMA

Leia também: Parte III: A MÃE

Um sorriso irônico. Um suspiro apressado. Mãos suadas na calça. Andréa tentava disfarçar o nervosismo, apesar de estar sozinha em casa. Dissimulou ao pensar em voz alta que trauma era coisa de gente rica. Pobre não tem estas frescuras. Seria cômico alguém afirmar que ela, justo ela, uma mulher simples, tinha um trauma de infância por culpa de um desconhecido. Hilário. Ensaiou uma gargalhada, mas esta acabou não saindo tão natural como queria. Procurou racionalizar o que se lembrava da infância: sonhos, decepções, sofrimentos, brigas, enfim, coisas que existem em toda família normal e nem por isso são traumas. Traumatizada era o adjetivo que não combinava com o substantivo próprio Andréa.

A carta que ela tinha em mãos estava começando a soar totalmente infundada e sem cabimento. Mal sabia ela que o pior ainda estava por vir. Quando uma carta póstuma é enviada afirmando que o verdadeiro pai fora assassinado pelo homem até então considerado o progenitor, que outras afirmações inimagináveis também não poderia surgerir? As palavras não conhecem limites, a imaginação sim. Se a imaginação seguir a trilha deixada pelas palavras corre o risco de conhecer lugares de que não gostaria.

"Eu tentei me aproximar de você, mas Cairo não deixou. Então eu passei a te observar à distância na escola ou brincando na praça. A minha rotina era te amar em silêncio e sozinho. Mas havia um pedófilo ameaçando a cidade. Três crianças já haviam desaparecido. Um dia percebi que um estranho te seguia. Quando você se afastou das outras crianças, ele te atacou. E eu a ele. Defendi como uma fera a minha menininha daquele monstro. Rolamos pela rua. A briga foi feia e uma multidão nos rodeou assim que soube que era com o pedófilo. Mas quando nos separaram, eu o acusava e ele a mim. E Barrabás ganhou. A dúvida acabou quando um dentre a multidão apontou o dedo. Era Cairo e apontava o dedo para mim. Foi o gatilho para que o povo enlouquecido me linchasse ali mesmo."

A memória de Andréa começava a esboçar uma vaga lembrança daquela cena. Ela era pequena, contudo lembrou-se de assistir a multidão linchando ferozmente o homem caído na sua frente. Todavia, Andréa nunca encarou tal episódio como algo traumatizante. Ela não conheceu nem sentiu emoção alguma por aquele homem que apanhara até a morte, quem quer que ele fosse. Ao contrário, lembrou-se que depois daquele dia Cairo começou a tratá-la melhor que os seus irmãos. Deu-lhe atenção, carinho e proteção especiais que jamais tivera antes. Enfim, aquele ato de violência do passado tornou possível com que o sonho de uma menininha se concretizasse, ter a certeza do amor paterno.

"Mas não é esse o trauma a que me refiro, Andréa. Você sabe que é aquele que você esconde no íntimo, que sente vergonha ao lembrar, que te faz chorar quando está só. É o motivo de você ter brigado com a sua mãe e ela ter tentado te matar. O trauma a que me refiro é você dormir desde os 12 anos de idade com Cairo, o homem que acredita ser o seu pai. De ter dois filhos com o pai-marido enquanto a sua mãe definha em um hospício. Cairo não se contentou em me matar, ele descontou em você todo o ódio que tinha por mim e por Alessandra. E, desta vez, eu deixei a minha menininha no escuro com o bicho-papão."

[Continua: Parte V: Final]

Um por todos

Procurei palavras para:
  • Ação/movimento natural de entrada e saída de ar nos pulmões - respirar.
  • Para a entrada de ar - aspirar, respirar, inalar, inspirar e sorver.
  • Para a saída de ar - há somente expirar.
A língua portuguesa é interessante, há muitas palavras com o mesmo significado enquanto há somente uma para vários. No caso acima, expirar também significa morrer, terminar ou revelar. Nem espirar tem o mesmo sentido biológico. Poderia-se usar o verbo respirar genericamente, pois indica tanto a entrada quanto a saída de ar, mas específico à saída existe só um, expirar. Não devemos confundi-la com espirrar que, por sua função, seria uma espécie de expiração violenta, nem com soprar, que não é uma ação involuntária.

Use filtro solar (Sunscreen)

Intitulado de "Sunscreen", este filme foi produzido em 1999 pela agência DM9DDB, onde na época Erh Ray e José Henrique Borgui eram parceiros de criação. A idéia para o "comercial" veio de um texto lido por um orador em uma cerimônia de formatura nos EUA no ano de 1997. Em 1º de Junho daquele mesmo ano, a jornalista Mary Schmich publicou o belíssimo texto em sua coluna no jornal The Chicago Tribune. Foi a partir disso que a redação chamada "Wear Sunscreen" circulou o mundo através de e-mails e chegou nas mãos de Ray e Borgui. Eles transformaram o texto em um vídeo extremamente emocionante e bem produzido, com imagens do cotidiano editadas em formato video-clip. São 7:05 minutos de filme, uma produção maravilhosa que conta tanto com a narração do famoso texto como com uma trilha sonora fantástica. No final das contas temos um comercial institucional de arrepiar, que não fala de uma empresa, fala de todos nós, para todos nós. Pensamentos que, se seguidos, podem tornar a vida muito melhor e mais divertida. Sem tantas preocupações, sem tanto stress.


Ou assista a versão posterior de Pedro Bial.


Use filtro solar (Sunscreen)


Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, eu diria:"usem filtro solar". O uso em longo prazo do filtro solar, foi cientificamente provado. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência.
Eu lhes darei esse conselho:
Desfrute do poder e da beleza da sua juventude.

Oh, esqueça...
Você só vai compreender o poder e a beleza quando já tiverem desaparecido. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que você não pode compreender agora quantas possibilidades se abriram para você e o quão fabuloso você era... Você não é tão gordo(a) quanto você imagina.

Não se preocupe com o futuro.
Ou se preocupe, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida, são aqueles que nunca passaram pela sua mente, tipo aqueles que tomam conta da sua mente às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa.

Todos os dias faça alguma coisa que te assuste.

Cante.

Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.
Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.

Relaxe.

Não perca tempo com inveja. Às vezes você ganha, às vezes você perde. A corrida é longa, e no final, tem que contar só com você.

Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos.
(Se você conseguir fazer isso, me diga como...)

Guarde suas cartas de amor.
Jogue fora seus velhos extratos bancários.

Estique-se.

Não tenha sentimento de culpa por não saber o que você quer fazer da sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que eu conheço ainda não sabem.

Tome bastante cálcio.

Seja gentil com seus joelhos.
Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.

Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez você se divorcie aos 40.
Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.
O que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais.
Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.

Curta seu corpo da maneira que puder.
Use-o de todas as formas que puder.
Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele.
Ele é o maior instrumento que você possuirá.

Dance.
Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.

Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga.

Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.

Saiba entender seus pais.
Você não sabe a falta que você vai sentir deles quando eles forem embora pra valer.

Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.

Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho.

Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que te conheceram quando você era jovem.

More em New York City uma vez.
Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura.

More no Norte da California uma vez.
Mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.

Viaje.

Aceite algumas verdades eternas:
Os preços vão subir,
os políticos são mulherengos e
você também vai envelhecer.
E quando você envelhecer, você fantasiará que quando você era jovem:
os preços eram razoáveis,
os políticos eram nobres e
as crianças respeitavam os mais velhos.

Respeite as pessoas mais velhas.

Não espere apoio de ninguém.
Talvez você tenha um fundo de garantia.
Talvez você tenha um cônjuge rico.
Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.

Não mexa muito em seu cabelo.
Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.

Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos.
Mas seja paciente com elas.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço muito maior do que realmente vale.

Mas acredite em mim, quando eu falo do filtro solar.


Fonte: Brainstorm #9

Eu e o Orkut: nada a ver

Hoje estou cancelando a minha conta no Orkut. Como todos os que me conhecem bem sabem que sou anti-Orkut desde sempre, surpreenderam-se quando anunciei meses atrás que havia criado um perfil. Mas era apenas um teste, uma fase.

Entrei basicamente por três motivos. O primeiro foi pesquisar quem andava divulgando algumas citações minhas. Há um certo orgulho bobo em ver os nossos pensamentos espalhados pelo mundo. Além de vários perfis, encontrei minhas frases em comunidades anti-rascismo, anti-homofobia, de auto-ajuda, sobre autores famosos (logo eu?, kkk) e até de dietas e regimes. Depois de algumas semanas esse motivo me pareceu cada vez mais rídiculo até desaparecer por completo a sua importância. O segundo foi encontrar comunidades e informações sobre assuntos que gosto como filosofia, técnicas de escrita e direito, bem como pessoas que partilhassem desses interesses. Mas percebi que as comunidades em que me inscrevi indicavam sites disponíveis fora do Orkut. Como já uso a internet há anos, não preciso de intermediários, sou grandinho para ir direto à fonte. E por último, mas não mais importante que os demais, ingressei no Orkut para ver se minha rede de contato com amigos, colegas ou parentes melhoraria. Entretanto, o Orkut não faz isso, pois a troca de mensagens informais, cotidianas ou banais, não em tempo real como ocorre em comunicadores instantâneos (MSN, ICQ e Skype) é uma cópia do email, apenas com mais pessoas participando passivamente nas conversas. A privacidade até existe no Orkut, mas é incompatível com a sua essência. Quem está no Orkut é para ver e para ser visto.

Aliás, a privacidade foi um dos pontos cruciais para o rompimento. Prezo muito a minha e sei o que alguém mau intencionado pode fazer com os dados online de outrem. A regra básica de segurança na internet nunca mudou: quanto menos souberem sobre você, mais protegido você estará contra golpes virtuais. O Orkut é uma fonte de informações disponibilizadas por você e por aqueles que te conhecem, mesmo se divulgadas inocentemente.

Posso agora, com experiência, dizer que o Orkut não é para mim. Eu não tenho o tempo disponível para perder horas e horas nele assim como outros têm. O meu tempo é escasso e muito bem distribuído. Não posso, por exemplo, perder tempo olhando o que meus conhecidos fizeram durante o último fim de semana. Nem deveria, pois é algo pessoal e se estes quisessem que eu soubesse com certeza me contariam ao vivo e à cores. Também não posso ficar mandando scraps com mensagens poéticas, filosóficas, rimadas, copiadas e coladas, ou simplesmente repassadas como correntes. Nem posso responder a todos aqueles que deixaram mensagens divulgando shows, cursos, sites pornôs, produtos, curas medicinais, polêmicas ou algum vírus novo que pegaram. Tem muita gente que possui tempo para fazer tais coisas e eu as invejo por terem sobrando algo que para mim falta.

Agradeço desde já aos que me aceitaram como amigo ou como membro em suas comunidades, que suportaram algum scrap, comentário em foto, depoimento ou algo parecido de minha parte que tirou o seu precioso tempo. Não fiz por maldade. Quero que saibam que não os julgo por continuarem no Orkut. Cada um com o seu cada um, como diz um colega. Eu agora sou mais anti-Orkut do que nunca, mas digo isso somente aplicado a mim. Cabe a cada um decidir como gastar o seu próprio tempo, pois onde gastarem o tempo é onde gastarão as suas vidas. A minha vida, com certeza, não será gasta assim.

Se quiserem conversar comigo me contatem no MSN ou email ou através do blog www.jefferson.blog.br ou me telefonem ou me convidem para um bate papo descontraído em algum barzinho. Todas são ótimas opções e estarei totalmente disponível para os amigos e as amigas. Só não me chamem para o Orkut, porque esta não é (mais) a minha praia.

Um grande abraço a todos.


Leia também:
Manifesto Desorkute-se!
Dicas de Segurança para o Orkut (página oficial)