Sobre mim, versão 2012

É uma constatação universal a dificuldade de escrevermos sobre nós mesmos quando confrontados com aqueles campos em branco nos perfis espalhados pela internet. Mas por quê seria tão difícil, já que em tese, somos quem melhor conhecemos sobre nós? Cheguei à conclusão que é porque nós mudamos sempre. Assim, o que penso sobre mim hoje pode e vai mudar amanhã, como já dizia Raul Seixas na sua metamorfose ambulante. Mas encarei esta dificuldade como desafio e, a partir de agora, vou atualizar o meu perfil, ou o 'sobre mim' todos os anos. Afinal, como já disse um fulano aí pela internet, "hoje sou o dobro do que era no passado e metade do que serei no futuro". Segue o meu texto narcisista versão 2012 e logo abaixo o anterior.

PERFIL v2012
A literatura começou a apreciar a leitura de Jefferson Luiz Maleski pra valer a exatos cinco anos atrás. De lá pra cá ela me fez abrir um blogue sobre ela, o Libru Lumen, me obrigou a aumentar em quantidade e qualidade as leituras, me envolveu virtualmente com outros seres e lugares que ela preza e o pior de tudo, me convenceu a escrever. Não ganhei concursos, não publiquei livros, não fiz fama e vivo bem com isso. Leio e escrevo por prazer egoísta, para testar os meus limites e extrapolá-los, embora alguns loucos afirmem gostar de meus textos. E, apesar da literatura não ocupar o lugar que eu gostaria que ocupasse na minha rotina - não trabalho ou sou graduado nela - é uma constante em minha mente, sentimentos e decisões. Junto ao estudo da filosofia e do direito, do raciocínio lógico e metódico, além de uma boa dose de experiências, moldaram meu caráter no que sou hoje. Para o bem ou para o mal daqueles que me conhecem. Enfim, se alguém procura um bom papo sobre livros, técnicas de escrita, filmes e séries estarei à disposição. Mas nada de autoajuda mútua, apenas uma conversa diferente das corriqueiras.
PERFIL v2011

JLM, ou Jefferson Luiz Maleski, é paranaense de Cascavel e radicado em Anápolis/GO há anos. Formado em Direito, trabalha como administrador de ONG, professor, webhoster e concurseiro. Apaixonado pela Filosofia, dependente da Literatura e escravo da Escrita, é encontrado na internet 24 horas por dia. Prefere um livro que seja bem escrito à um que traga uma boa história e sonha um dia encontrar uma mulher que não imponha “ou esse livro ou eu!”. É o centro de referência para os amigos quando o assunto é filme, seriado ou livro, lançamento ou clássico, mais-vendido ou mal falado. Os amigos costumam defini-lo como chato, inteligente e sarcástico. Os inimigos também. Desde janeiro de 2007, escreve no blog Libru Lumen (www.jefferson.blog.br), publicando contos, resenhas e pensamentos cada vez mais disseminados (sabe-se lá porquê) pela internet.

Filme português sobre Florbela Espanca



Trailer de "Florbela", de Vicente Alves do Ó
Dalila Carmo, Ivo Canelas e Albano Jerónimo são os protagonistas, num filme com estreia a 8 de Março 2012.
www.florbela.pt

O lobo e a flor


Havia um lobo solitário que viajava pelo mundo. Percorria desertos, cidades, campos e mares. Procurava um motivo para a sua existência, algo que justificasse a sua rudeza de lobo. Uma noite, ao pernoitar em um descampado, acordou com uma imensa luz que brilhava na colina. Correu para lá e deparou-se com a mais bela flor que jamais vira. Ela irradiava luz por todos os lados e podia ser vista de muito longe. O lobo soube naquele instante que estava apaixonado pela flor e que ela a partir de então seria a razão de sua existência. Passou a dormir todas as noites ao seu lado, admirando aquela beleza divinal. Vieram tempestades e ele a protegeu com o seu corpo. Vieram pássaros e insetos e ele os espantou. Considerava-a uma preciosidade única e seria o seu eterno guardião. Até o dia em que a encontrou chorando.

“O que a afliges,ó minha linda flor? Farei qualquer coisa ao meu alcance para alegrar aquela que, com a sua infinita beleza, tocou o coração deste lobo.”

“Você, lobo, é a razão da minha aflição. Com todos os seus cuidados excessivos, sufoca o meu crescimento. Como poderei evoluir se em momento algum enfrentar as adversidades da vida? Se realmente gostares de mim, por favor, me abandones antes que me mates.”

O lobo olhou-a consternado. Depois sorriu.

“Farei como dizes, minha bela. Eu pensava somente em meu prazer ao teu lado e não percebi que lhe causava sofrimento. Mas para que tu e todos se lembrem do tamanho do meu amor por ti, lhe darei um último presente. Irei engrandecer-te eternamente.”

Então o lobo arrancou a flor luminosa do chão e com o seu potente fôlego a soprou para bem alto no céu. Lá ela ficou, plantada em um canteiro de estrelas, iluminando a todos os que a olhavam. Vez por outra, ainda escutamos o lobo uivando para a sua musa, lembrando que sempre a protegerá e adorará.


Moral da história: 
Todo humano um dia será lobo.
Todo humano um dia será flor.


Escrito por Jefferson Luiz Maleski, 
no outono de 2012, 
para uma flor.