2009


Em 2009 aproveite para concretizar os seus sonhos. Sonhos capazes de grandes transformações. Como nos ensinou o poeta imortal Olavo Drummond.

SONHAR É PRECISO
Olavo Drummond

Se aos teus sonhos outros sonhos tu somares
Sob a espera da presença do irreal,
É porque estás além dos patamares
Dos arautos da frieza universal

Continua o teu sonho e não te ponhas
Na linhagem dos pétreos, sem sorriso,
Pois os Anjos te assistem enquanto sonhas
E na terra te preparam um Paraíso...

Benditos sejam os sempre sonhadores,
Fiéis aos passes de mágicos atores,
Que transformam o devaneio em realidade

Quem não sonha do seu chão não tem ciúmes,
É incapaz de lutar contra os costumes
Que corrompem os ideais de Liberdade...



Lute e realize seus sonhos. Inove em 2009. Atreva-se.

Pep Talk 2008: Piers Anthony

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

Caro Escritor,

Você é um tolo. E sabe disso, não é? Porque só um tolo tentaria uma proeza tão louca como esta. Querer escrever um romance de 50.000 palavras em um mês?! Você tem serragem na cabeça? Quando há tantas outras coisas mais úteis para fazer, como a limpeza da casa e do quintal, fazer um curso de chinês por correspondência, ou contribuir com seu tempo e esforço para uma causa beneficente? O que está te possuindo?

Considere a primeira carta do baralho do Tarô, chamada O Tolo. É um jovem vagando com um pequeno cachorro em seu calcanhar, carregando um saco de objetos materiais na ponta de uma vara de madeira, e uma flor na outra mão, olhando extasiado para o céu - e a um passo de cair num precipício, porque não presta atenção aonde pisa. Um tolo mesmo. Isso soa familiar? Deveria. Você está fazendo a mesma coisa. O que te fez pensar que poderia trabalhar descuidadosamente em um livro ruim assim, ou escrever algo legível?

Você vai desistir desta tolice e focar na realidade antes de cair no precipício? Não? Tem certeza? Mesmo sabendo que parentes, conhecidos, e amigos que você nunca fará nada mais do que a dar um monte de feijão estão prestes a confirmar as suas suspeitas? Você está com o maldito grunhido na cabeça para poder subir o degrau mais baixo do senso comum?

Suspiro. Você é uma alma perdida. Portanto, não há nenhuma ajuda a não ser aderir à humilde companhia do outro aspecto de O Tolo. Porque a verdade é que o Tolo é um Sonhador, e são os Sonhadores que, no final das contas, fazem a vida valer a pena para o resto dos sem imaginação. Os Sonhadores consideram o vasto universo. Os Sonhadores constroem catedrais, modelam belas esculturas, e sim, fazem literatura. Os Sonhadores são os artistas que fornecem para a nossa espécie predadora algumas fracas evidências de nobreza.

Talvez você não vire um romancista de sucesso, nem mesmo um bom romancista. Mas está tentando. E, se acreditar, estará no raro um por cento da nossa espécie. Talvez menos que isso. Você aspira por algo melhor que a corrida de ratos normais. Pode não alcançar muito, mas é a atitude que conta. Assim como acontece nas mutações: 99% delas são ruins e não sobrevivem, mas o 1% das melhores são responsáveis pela evolução da espécie a um estado mais apto. Você sabe que as probabilidades estão contra você, mas quem sabe? Se não tentar, nunca vai ter certeza que você poderia, talvez, possivelmente, ter feito isso. Então você tem que se esforçar, ou ser condenado para sempre na própria escuridão de seus olhos.

Atualmente, escrever 50.000 palavras não é difícil. Você pode escrever "Maldição!" 50.000 vezes. Ah sim, você quer uma história legível! Esse será mais um desafio. Mas você sabe, pode ser feito. No meu auge, antes de saúde da minha esposa decair e eu ter de assumir as refeições e tarefas, eu escrevia rotineiramente 3.000 palavras por dia, tendo dois dias uma semana de folga para atender emails dos fãs, e 60.000 palavras em média por mês. Agora eu tento escrever 1.500 com esperança de 2.000. É o que eu faço. Se você escrever um tanto a cada dia, no mínimo, e passar alguns dias, terá a sua quota mensal. No dia 10 do mês de agosto de 2008, eu comecei a escrever o meu romance Xanth, Knot Gneiss, sobre o desafio de uma rocha que se transforma não em uma pedra, mas em um enorme nó de madeira petrificada que amedronta quem se aproxima dela. Petrificado = aterrorizado, entendeu? E pelo trigésimo dia eu tinha 35.000 palavras. Esse é o mesmo ritmo. Se eu posso fazer isso na minha trêmula velhice – tenho 74 anos – você pode fazer na sua relativa juventude.

Claro que precisa idéias. E você pode coletá-las em qualquer lugar. Notei que o nosso jornal vem em um saco plástico amarrado. O nó é muito apertado para desfazer sem esforço, então eu apenas rasgo o pacote para ficar com o que há dentro. É um incômodo, gostaria de desamarrar. Então eu pensei, talvez houvesse essa linda entregadora que tem um fraco por mim, e ela amarra um amor – nós e laços para me avisar. Não que na minha idade eu saiba o que fazer com uma garota de verdade, mas continua sendo uma fantasia divertida. Ok, existe a idéia. Eu poderia usá-la na minha ficção. Talvez até mesmo em um Pep Talk. O mundo ao redor forneceu a saída. Ele fará o mesmo por você, se estiver alerta.

Aqui está um segredo: textos fictícios não fluem necessariamente de maneira fácil. Na maioria das vezes, é mais como cortar uma estrada através de uma montanha. Você só tem que continuar trabalhando com sua escolha, esculpindo através da rocha, fazendo progressos lentos. Pode não ser lindo no início. A lindeza não vai aparecer até mais tarde, na fase de polimento, fora do seu mês. Agora, você só tem que deixá-lo terminado, usando a força bruta se necessário. Talvez a sua história não seja muito original. Tudo bem, por hora. Basta terminar. A originalidade pode estar mais nos olhos do leitor que em qualquer avaliação objetiva.

Você pode fazer isso a partir de um começo fixo, até de um devaneio tolo quando deveria estar prestando atenção no Pep Talk. Você vai querer experimentar um pouco mais de qualidade, naturalmente, e talvez um pouco de realismo. Acrescente uma idéia, junte alguns personagens, encontre um local adequado para começar, e transforme-as livremente em sua imaginação. Agora vá para casa e ligue os seus motores!

Piers

Piers Anthony é o autor da série Xanth. Saiba mais sobre ele visitando o seu website.

Leia também o texto original em inglês.

Falência da Johnson & Johnson

Mais outra grande empresa anuncia que a crise mundial pode obrigá-la a pedir falência: a Johnson & Johnson! A multinacional abriu concordata quarta-feira passada alegando problemas com seus produtos no mercado. Os problemas alegados foram:
  • O produto OB estão no buraco;
  • As Fraldas estão sempre na merda;
  • O Sempre Livre não sai do vermelho;
  • Colocaram a Jontex no pau;
  • Os clientes do Viagra estão todos duros!
ASSIM NÃO HÁ EMPRESA QUE AGÜENTE!


FIM

Compre civilização! *algumas restrições se aplicam



Você está cansado de viver como um selvagem? Cansado de se perguntar de onde virá sua próxima refeição? Entediado com nada além de plantação e modo de vida pastoril?

Então porque não tentar

CIVILIZAÇÃO! *Algumas restrições se aplicam

É assim que funciona: Nossos engenheiros de civilização irão chegar e avaliar a situação, eles vão descobrir o valor da sua terra e decidir que recursos úteis sua terra tem para oferecer. Então, nossos experts em eficiência irão decidir como melhor liberar esses recursos para uso produtivo. Mas não se preocupe, nossa equipe não irá esquecer seu recurso mais valioso, isso mesmo, sua força de trabalho!

Nossos consultores irão rapidamente organizar seu pessoal para fazer o melhor uso de seu tempo e energia produtiva, logo, seu povo terá empregos e estará a caminho de um modo de vida civilizado seguido de um breve período de transição durante o qual nossos especialistas ajudará a educar o público e responder às objeções. Você terá todos os benefícios da sociedade civilizada, incluindo:

SALÁRIOS! *Algumas restrições se aplicam
Pagos por seu trabalho duro com estes salários você poderá comprar:

COMIDA! *Algumas restrições se aplicam

ROUPAS! *Algumas restrições se aplicam

MORADIA! *Algumas restrições se aplicam


De fato, tudo que você costumava a prover para si será agora provido por outra pessoa e, ao invés de fazer uma variedade de coisas você só vai ter que fazer uma coisa. Sua vida será simplificada!

Na sua nova sociedade civilizada você não vai se perguntar de onde virá sua próxima refeição, você sabe que virá do seu próximo pagamento. Enquanto você fizer o que nossos experts disserem garantiremos que você terá o bastante para seus fins. Mas espere, tem mais: como um bônus, garantiremos que seus filhos recebam educação, para prepará-los para a vida civilizada. Em algumas gerações, seu povo nem vai lembrar que já ouve outro modo de vida. E ainda melhor, suas contribuições tornarão possível para nossos planejadores de civilização espalhar a civilização pelo mundo.

Não está convencido ainda? Então aqui está a melhor razão para escolher a civilização: Simplesmente não há outra alternativa!

CIVILIZAÇÂO - É o seu futuro, hoje.

FIM

Pep Talk 2008: Nancy Etchemendy

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

O Banheiro e o Atum

Oi Escritores!

É um dia escuro e sombrio. Se os pássaros estão cantando, você não pode imaginar o porquê, e você deseja que eles parem. Você começou uma caminhada. E parou para uma soneca. Apontou todos os seus lápis, embora não escreva com um lápis desde o primário. Fez um copo de algo quente para beber, mas agora ele está frio. É desse jeito ao verificar o seu e-mail, a sua página no MySpace, e os sites da internet "que você não sabia que existiam mas que não pode mais viver sem eles". Você corta as unhas do pé. Escova o seu cachorro. E assim, você não consegue convencer a si mesmo a abrir o assustador arquivo que contém o seu romance e colocar os dedos no teclado.

PARE.

Você veio ao lugar certo. O pessoal do NaNoWriMo, em sua sabedoria, tem fornecido um apanhado de Pep Talks. Por que você acha que eles teriam tanto trabalho? A resposta é simples: porque você tem vários companheiros, inclusive eu. Escrever um romance é difícil. Em algum ponto do processo, a maioria dos romancistas fica atolada na lama, e é perfeitamente normal. Na verdade, era de se esperar.

Ok, agora você sabe que não está sozinho. Isso é um alívio. Mas a tarefa de escrever do seu jeito um livro completo agiganta-se diante de você como as montanhas da lua, escuras e misteriosas, e muito, muito altas. Tão altas, na verdade, que uma voz sussurra um novo medo. Talvez você morra antes de chegar lá, então por que não parar agora?

Simples. Porque você quer ser um romancista. A diferença entre um romancista e alguém que picha palavras ao redor é esta: os romancistas terminam os seus livros.

Tudo bem, você diz. Mas como? Como você pode terminar quando tem certeza de que tudo o que escreveu até agora é um lixo total, e você não tem idéia para onde está indo, e cada vez que você olha aquele troço, você desesperadamente quer ir fazer outra coisa?

Primeiro, vamos ver a questão se você está escrevendo algo que pertence à lata de lixo. O que está trabalhando agora é um primeiro projeto. Além disso, você deliberadamente está escrevendo mais rápido, o que o torna o primeiro esboço bruto. Ele não vai ser nem de perto publicável, e você não deveria esperar que ele fosse. Eu ouvi ou li em algum lugar a observação de um talentoso jovem romancista cujo nome me escapa agora, pelo qual peço desculpas. Ele disse que o primeiro projeto é como um pedaço de mármore. É um grande bloco sem forma. Depois, você corta os pedaços desnecessários, e transforma o que restou em algo lindo. A Pietá de Michelangelo era um bloco disforme, e a maior parte dele acabou como poeira no chão do seu estúdio. Como você escreve, dê a você mesmo permissão para criar esse bloco sem forma - o primeiro projeto necessário a partir do qual um livro maravilhoso pode aparecer.

Em segundo lugar, sobre você não saber onde está indo. Isto vai soar intuitivo e talvez totalmente louco: não se preocupe com isso. Pense em seu quotidiano como um cavaleiro perdido montado em um poderoso cavalo preto. O cavaleiro pode estar em pânico. Isso é compreensível. É assustador estar perdido. Mas o seu quotidiano não é quem cria a primeira versão. A primeira versão foi escrita pelo grande cavalo preto – sua mente subconsciente. Esse cavalo é inteligente, e sabe exatamente onde está indo. Somente confie nele. Ela vai te levar para casa. Basta escrever. Anote não importa como se sinta, mesmo que não faça sentido para você. Não pense muito sobre isso, não segure as rédeas muito apertadas, e em breve você verá o seu caminho de novo.

Em terceiro lugar, quanto ao desejo desesperado de ir fazer outra coisa. Todo escritor tem de lidar com isso. Quando o trabalho não vai bem, o mundo está repleto de convidativas distrações. A grande romancista e ensaísta Cynthia Ozick disse, "Um bom cidadão escritor vai abaixar a sua caneta por um pudim bobo." Não tenho certeza sobre a parte do bom cidadão, mas cada escritor que conheço é tentado a abaixar a sua caneta centenas de vezes durante um dia de escrita. Que tipo de pássaro é aquele, cantando na árvore lá fora? O tio Harvey ainda não respondeu o seu e-mail? Será que você não estaria contribuindo mais para o mundo se estivesse limpando o banheiro ou comendo um sanduíche de atum?

Não, caro romancista, você não estaria. O pássaro vai esperar. Tio Harvey vai esperar. O banheiro e o atum vão esperar. Você tem algo importante a dizer, e você está dizendo. Essa é a sua contribuição, sem a qual o mundo seria um lugar mais pobre, e é algo que só você pode fazer.

Agora, escreva!

Nancy

Leia tudo sobre o Nancy em seu website.

Leia também o texto original em inglês.

Aprendendo a Viver, de Sêneca

O estoicismo surgiu no século III a. C., com Zenão de Cítio, e sofreu uma grande influência dos ensinamentos socráticos, epicuristas e cínicos. Dos filósofos que divulgaram a doutrina estóica, os principais foram Epíteto, Marco Aurélio e Sêneca. Basicamente, pregavam que “todo o mal provém não do que te acontece, mas de tua indignação e de tuas reclamações” (pg. 97) e “nem tudo o que nos golpeia nos causa danos, mas o hábito ao prazer induz à ira; aquilo que não é como desejamos provoca a nossa cólera” (pg. 43). E a chave para a felicidade seria não dar importância às coisas que não estão sob a nossa capacidade de mudar – como a doença, a velhice, a riqueza e a morte – mas melhorarmos as que dependem de nós, como as virtudes e o conhecimento.

Sêneca escreveu, entre 63 e 65 d. C., várias epístolas (cartas) ao seu amigo Lucílio, que alguns julgam ser um destinatário fictício criado pelo filósofo apenas para expor os ensinamentos, críticas e reflexões. Foram compiladas 29 das 124 epístolas escritas a Lucílio, no livro Aprendendo a Viver (L&PM Pocket, 2008) e giram em torno dos temas tempo, desejo, pobreza, luto e morte.

Viver é ser soldado

A vida deve ser como uma pedra preciosa, medida não pela sua duração, mas pelo seu peso, pela sua atividade real e não por seu tempo. Sob este ponto de vista, muitos ao invés de morrerem tarde, passam muito tempo morrendo em vida. A qualidade é mais importante que a quantidade e “um número reduzido de linhas pode formar um livro, apreciável e útil” (pg. 93). Além disso, não se deve ficar preso ao passado e ao futuro, mas viver “cada dia como se fosse uma vida inteira” (pg. 116). A atitude frente aos outros ditará se alguém será feliz ou não. Nos tratos com outros, a amplamente conhecida Regra de Ouro, vista sob uma ótica senhor-escravo, adquire hoje um novo significado patrão-empregado nas palavras “age com o teu inferior como gostarias que o teu superior agisse contigo” (pg. 40). Sêneca compara o escravo ao cidadão e o lar a um pequeno Estado.

Há os que reclamam de todos os lugares que conhecem, como se nenhum fosse bom o suficiente, mas Sêneca, citando Sócrates, satiriza: “Por que te admiras de que em nada as viagens te beneficiem quando te levas contigo? Vai atrás de ti a mesma causa que te faz fugir [você]” (pg. 29). Melhorar a si mesmo é melhorar o ambiente que o cerca. E vice-versa. “Teu mal jamais te abandonará se continuares freqüentando os ambientes nocivos, e a amizade com os adúlteros aumentará o fogo da licenciosidade que há em ti” (pg. 128).

Quem mais tem mais quer ter

Viver com qualidade e felicidade nem sempre significa ser rico, pois “o pobre ri com mais freqüência e de forma mais espontânea” (pg. 78) e “mais poderosa que a fortuna é a nossa alma [...] ela é a responsável pela nossa felicidade ou miséria” (pg. 99) e “aquele que possui o suficiente obteve o que o rico jamais poderá atingir, ou seja, o fim de seus desejos” (pg. 134). Encarar os bens como estando conosco, não como nossos, pois eles (os bens) são tão passageiros e mortais como nós, que ao morrer “até o que trouxeste para a vida ao nascer aqui deverá ser deixado” (pg. 120). Só a sabedoria e as virtudes são imortais.

A morte me segue, a vida foge

O tempo e a morte são como um soldado inimigo que nos persegue desde o nascimento, e que, inevitavelmente, nos alcançará um dia. A solução? “Cada dia deve ser organizado como se fosse o último e concluísse a nossa vida” (pg. 22) e “pensa na qualidade da vida e não na sua duração” (pg. 64). Ao contrário da crença moderna de prolongar a vida a qualquer custo, mesmo que seja uma vida desprezível e sofrível, o filósofo recomenda que “o sábio viverá o quanto for necessário e não o quanto puder” (pg. 64), por isso, o suicídio é aceito e recomendado como uma forma nobre de deixar a vida, uma liberdade pessoal, assim como escolher um transporte ou uma residência. É o caso dos escravos que preferiram suicidarem-se a viver cativos. Sêneca ensina que a morte é o nascimento para a eternidade e compara a vida a uma lanterna acesa, que depois de apagada voltará a ser como era antes de ser acesa. “A morte é a não-existência. O que quer que isso seja, depois de mim, será o mesmo que foi antes” (pg. 48). Os enlutados devem estar cientes de “que todas as coisas são mortais e, enquanto mortais, têm leis incertas” e “se há um lugar que nos recebe, aquele que pensamos que morreu simplesmente nos precedeu” (pg. 58). Devemos ficar felizes porque os tivemos como amigos, e não porque os perdemos. O tempo que passaram conosco nos pertence. Não se deve provocar lágrimas de luto por ostentação ou em excesso, mas procurar receber com temperança o inevitável.

***

Assim como nos livros Sobre a Brevidade da Vida, de Sêneca, Carta sobre a Felicidade, de Epicuro e A Arte de Viver, de Epícteto, Sêneca em Aprendendo a Viver fornece fórmulas para uma vida boa e feliz enfrentando os principais problemas comuns da humanidade: desejos, pobreza, doença, velhice e morte. Ele incentiva viver com moralidade um dia de cada vez, ser equilibrado, voluntário, evitar as más companhias e buscar a sabedoria. Talvez se hoje cada um aplicasse apenas um de seus conselhos, descobririam o caminho para aprender a viver.

Leia também:

Excelente
leitura: Dezembro de 2008
obra: Aprendendo a Viver (Epistolae morales ad Lucilium), de Sêneca
tradução: Lúcia Sá Rebello e Ellen Itanajara Neves Vrana
edição: 1ª, Coleção L&PM Pocket nº 662 - L&PM (2008), 137 pgs
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Pep Talk 2008: Gayle Brandeis

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

Caro escritor NaNoWriMo,

A metáfora da escrita-como-um-parto não é nova, talvez seja até usada demais - mas não posso deixar de pensar nela este mês. Não importa se você é mulher ou homem, você está grávido de um romance - parabéns!

Claro que, um mês é um período bastante curto para a gestação, mas ei, isso é o tempo suficiente que os coelhos precisam, e o NaNo certamente exige um ritmo "sem tempo para dizer olá, adeus", alucinado como o Coelho Branco [de Alice no País das Maravilhas].

Lembro-me de forma surpreendente quando eu estava grávida dos meus filhos - cada dia, o meu corpo se transformava em algo novo. Neste mês, você está se transformando também, passando de um aspirante a escritor a romancista, de alguém que queria escrever a alguém que está fazendo o duro e interessante trabalho de procriar palavras em uma página. Você já aprendeu coisas novas sobre o processo criativo, sobre a profundidade da sua imaginação, sobre os temas e imagens centrais para a sua vida subconsciente. E mesmo que você esteja muito atrasado na contagem de palavras, mesmo que você só tenha escrito a primeira cena do romance, mesmo assim deu um grande salto. Você é um escritor agora. Quão assustador é isso?!

Se a sua experiência é um pouco como foram as minhas experiências NaNo, este tem sido um tempo de alegria e frustração, inspiração e desespero (e, espero, de grandes fatias de torta de abóbora!) Uma viagem a partir da primeira emoção da concepção, através de momentos em que a história parece incômoda e pesada, às vezes ela chuta dentro de você e te enche de medo. E agora o fim, a sua data-limite está na mira - pelo menos no calendário. Você agora não está só grávido, está em trabalho de parto.

Na verdade, você provavelmente está no que as parteiras chamam de fase de transição - o ponto em que as contrações chegam mais rápidas e furiosas, e você está quase pronto para começar a empurrar o seu livro bebê, inteiro, para o mundo exterior. Algumas pessoas ficam com um ímpeto de energia nesta fase, um super-homem surge neles para impulsionar o nascimento - uma onda maluca de palavras, uma baderna de cenas que parecem escrever os seus próprios clímaces. Outras pessoas, quando chegaram nesta fase, de repente sentem como se estivessem indo para a morte. Como se não pudessem continuar. Como se eles não soubessem porque quiseram ter um bebê ou inscrever-se no NaNoWriMo, em primeiro lugar. Se você puder respirar através deste período de transição, caso você encontre uma maneira de silenciar as vozes críticas e irritantes e seguir em frente, a sua história vai finalmente encontrar o caminho para o ar claro e oxigenado (mesmo que depois de 30 de novembro).

Veja se pode usar este último intervalo de tempo como um intervalo para a sua criatividade, para tentar algo novo e divertido com a linguagem, para permitir que os seus personagens te surpreendam, para deixar você surpreso com você mesmo. Nunca se esqueça da criação audaciosa que você está fazendo. Como Margaret Atwood disse, "Uma palavra depois de outra / depois de uma palavra é poder." Você tem a força criativa dentro de você. Você está preparado para dar à luz um mundo novo completo.

Parabéns novamente!

Gayle Brandeis

Gayle Brandeis é autora do livro Self Storage e House of Dead Birds. Você pode ler mais sobre ela e sua obra visitando o seu website (em inglês).

Leia também o texto original em inglês.

Comunicação

O filósofo francês Jacques Derrida, em um debate com o filósofo alemão Karl-Otto Apel, afirmou:

- A comunicação é impossível.

Apel respondeu: - Concordo.

Derrida não deixou por menos: - Então eu me expressei mal.

FIM

Pep Talk 2008: Janet Fitch

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

Caro Autor,

Está acontecendo. Você está escrevendo em um período azul. Acumulando páginas. Ecoando como um incêndio florestal por causa deste romance. Então, de repente, bate em um obstáculo imóvel. POU. Oh. Você se achata como uma folha de papel, a mente completamente vazia. Pânico!

Se você está travado em um mês ou um ano, a pergunta sempre será “O que acontece em seguida?”

A ficção é, acima de tudo, tomar decisões. Deixe-me dar um exemplo pessoal. Trabalhando no Flores Brancas de Oleandro, eu continuava batendo em uma parede, perto do capítulo 8. Tudo ia muito bem, todas as engrenagens em movimento e então, POU. Eu não conseguia me decidir o que faria em seguida. Tentei isso, tentei aquilo, mas travava cada vez mais. O personagem arrancaria o dedo e o colocaria novamente? Não, isso não. Eu deveria aposentar ele? Escrever um livro diferente? Ir para a faculdade de direito? Assistir reprises de Hogan's Heroes? Eu estava totalmente trancada em um cruzamento.

Felizmente, eu estava freqüentando uma terapeuta incrível na época. Expliquei a ela que estava com medo de escolher a estrada 6, o que eliminaria todas as outras estradas. E se a estrada 15 fosse melhor? Ou a 31 e meia? Então eu me restringia. Não conseguia escolher. Fiquei travada. E ela me deu o conselho que vem salvando a minha vida de escritora vez após vez, e que vou dar a você totalmente de graça. Ela disse: "Sei o que é sentir ter todas as opções disponíveis, e ao fazer a escolha, perder um mundo de possibilidades. Mas a realidade é que, até que você faça a escolha, você não tem absolutamente nada."

Então você tem as opções, mas onde cada uma leva? Quando estiver em dúvida, crie problemas para a sua personagem. Não deixe ela descansar na beira da piscina, molhando os pés. Venha por trás dela e lhe dê um bom empurrão. Esse é o meu conselho para você agora. Crie dificuldades para a personagem. Na vida, tentamos evitar os problemas. Nós mastigamos interminavelmente as nossas escolhas. Nós vamos a terapeutas, conversamos com os amigos. Na ficção, isto é mortal. Os protagonistas precisam fracassar, agir impulsivamente, ter inimigos, ficar em APUROS.

A dificuldade é que nós amamos os protagonistas que criamos. Amamos eles como se fossem filhos. Queremos protegê-los contra os perigos, mantê-los seguros, certificarmos que não vão se machucar, ou que nada de ruim aconteça. Talvez um joelho esfolado. Certamente não um acidente de carro. Mas a essência da escrita de ficção está em criar um personagem que você adora, e, sinceramente, torturá-lo. Você será o torturador e o salvador dele. Encontre a coisa que ele mais ama e leve-a para longe dele. Encontre a coisa que ele teme e coloque-a na frente dos seus olhos. Localize a pessoa que será totalmente a pior e deixe-o entregue nas mãos daquela personagem. Atice-o a fazer uma escolha que seja totalmente errada.

Você verá que a história vai assumir uma energia própria, com uma força interna, e então você terá apenas de segui-la, como uma raposa caçando, pelos morros e pelos vales.

BOA ESCRITA!

Janet

Janet Fitch é autora selecionada para o Clube de Leitura da Oprah, com o Flores Brancas de Oleandro, e recentemente com Paint it Black. Ela bloga regularmente sobre escrita no My Space.

Leia também o texto original em inglês.

A Lista, de Oswaldo Montenegro



A Lista
Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você

O meu amor, os meus amores

O tema da rodada do Duelo de Escritores é Jesus Cristo. Para não passar batido, e lembrando um comentário que deixei no blogue do Rodrigo Oliveira sobre as enchentes em Santa Catarina, resolvi dar a minha contribuição.


O MEU AMOR, OS MEUS AMORES


As palavras nos levam.
As águas nos levam.
Só nós é que não levamos nada.


Lá fora, cai a chuva. E com ela, as esperanças de reencontrar o meu amor. Os meus amores. As águas, outrora renovadoras da vida, são foice impiedosa colhendo grãos imaturos. Um destes grãos, o meu amor. Os meus amores.

Eu amei a mulher certa. Fui fecundo e multipliquei-me. Erigi o meu castelo. Tolo. Sem saber, apenas preparei por anos uma refeição que a terra engoliu em minutos.

Castelo? De cartas. Multipliquei-me? Por zero. A mulher certa? Uma náiade saudosa.

É a esperança a bonança após a tempestade? Restou-me o quê, meu Deus? Restou-me quem? Tu? A esperança as águas levaram. Deus as águas levaram. O meu amor, os meus amores, as águas levaram. Fiquei só, esperando as águas levarem.

Mas elas não levaram, preferiram me lavar, purificar com lama e leptospiras. E porque fiquei, me recuso a chorar. Não vou aumentar uma gota o exército dos que pilharam tudo o que tive.

E meu inimigo há de secar. Eu vencerei mãe natureza e papai do céu. Carne e sangue derrotam água e terra, pois (des)carregam ódio e amor. O meu amor, os meus amores, a água não leva mais. Agora estão em mim, em meu sangue, em minha carne. Vencerei... só... por eles.

O julgamento de Capitu

Como está na moda falar de Capitu[bb], eu não poderia ficar de fora. Então, vou unir o útil ao agradável, divulgando uma brincadeira já bastante conhecida dos estudantes do ensino médio: a encenação teatral do julgamento de Capitu, onde os advogados de acusação e defesa desfilam algumas das evidências sobre o seu suposto adultério. O jornal Extra Online, por meio do texto de João Arruda e arte de Vinícius Mitchell, criou a história em quadrinhos[bb] instigando os leitores a pensar se a personagem realmente traiu Bentinho ou não.

Acompanhe a história em 6 partes (clique nas imagens para vê-las em tamanho grande):

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5
O final da história ficou a cargo de um Concurso Cultural em que foi escolhido o escrito pelo leitor Bruno Vianna.

Parte 6 - Final

Pep Talk 2008: Meg Cabot

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

Caro autor NaNoWriMo,

Eu sei o que você está fazendo. Você está pensando em trair, certo?

Rá! Peguei você!

Qual é? Um traidor conhece o outro. Você acha que eu nunca fiz isso?

Talvez, para alguns de vocês, não seja tarde demais: vocês ainda não cruzaram a linha... talvez você apenas aprecie a idéia de abandonar a história que está trabalhando atualmente.

Talvez você esteja pensando em só dar uma pausa e fazer algumas anotações sobre a história que acabou de imaginar, aquela super-fresca, totalmente legal, certeza-de-virar-bestseller que sonhou outro dia, enquanto presume saber em qual curva errada virou em seu trabalho atual.

Mas eu estou aqui para que você saiba: é assim que começa. A próxima coisa que vai fazer é o esboço de um personagem. Depois, um pequeno diálogo. E então, todas as cenas.

E então você estará acabado. Terá desistido inteiramente do trabalho em curso, e a próxima coisa que descobre é ter começado a trabalhar em tempo integral na nova história que imaginou.

Sei muito bem o que vem depois. As desculpas. A racionalização: "E daí? Eu troquei de histórias. Mas eu ainda tenho um trabalho em andamento. Ele só não é o meu trabalho original. E estou só um pouco atrasado na minha contagem de palavras. Mas continuo escrevendo, certo?"

Sem dúvida, parece inocente o suficiente. Mas o problema para quem faz isso é que, obviamente, a nova história sempre vai parecer melhor que a anterior, interrompida e descontrolada, que você trabalhava a tanto tempo. A nova história tem a aura de frescor orvalhado. Ela clama por você! É toda "Iuhuu... olhe para mim! Eu não tenho problemas de enredo e os meus personagens são intrigantes, e alguns deles usam casacos de couro e oh, sim, sabe aquela transição esquisita que você tentou imaginar perto do capítulo quatro e não conseguiu? Eu não tenho disso!"

Eu sei. Parece bom.

Mas quanto tempo até que outra idéia apareça, deixando os seus personagens atuais pouco atraentes, e você decida abandonar a nova por ela? Quantas palavras você vai conseguir então?

Não o suficiente para um livro inteiro, quantas palavras forem. O negócio funciona assim: se você continuar deste jeito, nunca terminará nenhum livro.

Você acha que eu não passei por isso? Trair o seu trabalho atual por um novo é o truque mais velho no livro! Eu tenho um engradado plástico de leite abarrotado de histórias que comecei e nunca terminei porque os traí, fiquei tão apaixonada pela nova história que nunca mais voltei à antiga. Fiz uma vez, e outra, e outras mais.

E isso, meus amigos, é a maneira de você nunca terminar um livro. Aprenda com alguém que tem centenas (talvez até milhares) de histórias inacabadas por causa desse fenômeno.

Então, pare agora! Pare de usar uma idéia de nova história (ou qualquer outra desculpa que use) para evitar o esforço que você ainda precisa fazer em seu trabalho atual!

Coloque a "Nova História Brilhante" longe, para mais tarde, quando você terminar o seu trabalho atual! Se a sua "Nova História Brilhante" é tão boa, ela ainda estará lá esperando por você.

E por favor... não acabem como eu, com um engradado plástico de leite integral cheio de histórias semi-acabadas. Pense no que fez você se apaixonar pelo seu trabalho atual em primeiro lugar. Regue-o com a atenção que merece.

E seja lá o que você faça, não deixe que ele acabe nas caixas de "Leite da Vergonha". Pense onde estaríamos se todas as grandes histórias que amamos hoje terminassem ali, abandonadas e esquecidas pelos seus autores, porque eles se distraíram por uma "Nova Idéia Brilhante" enquanto estavam trabalhando.

Respire fundo. Assim. Sente-se melhor?

Sim. Eu também.

Agora vamos voltar ao trabalho.

E sobre a traição... eu não conto nada se você não contar.

Meg

Meg Cabot é escritora da série Diário da Princesa e do próximo lançamento Abandon. Saiba mais sobre ela e suas obras visitando o seu website.

Leia também o texto original em inglês.

Os girassóis cegos, de Alberto Méndez

Este livro foi gentilmente cedido e enviado pelo autor/editora para ser resenhado. Fica, assim, automaticamente sujeito à Política sobre Resenhas Solicitadas deste blog. O texto abaixo pode conter revelações sobre o enredo (spoilers).

A memória da maioria dos brasileiros relacionada às guerras históricas não é lá grande coisa. Lembra-se das duas Grandes Mundiais, das recentes e divulgadas na mídia, como a do Golfo e a do Vietnã, as estudadas na escola, como a Civil Americana, a do Paraguai e a de Canudos e, fora algumas a mais, não saberá muito sobre as que não só influenciaram e transformaram pessoas, épocas e locais, mas também deixaram uma marca indelével em culturas e modos de pensar. Uma destas foi a Guerra Civil Espanhola, ocorrida entre 1936 e 1939.

Historiadores acreditam, inclusive, que ela foi o estopim para a Segunda Guerra Mundial, pois não só os espanhóis - republicanos e franquistas (nacionalistas) - combatiam entre si, mas havia o apoio com armas, soldados e estratégias militares para um lado ou outro dos combatentes vindo da Alemanha, Itália, Portugal, Irlanda, Vaticano e URSS. Intelectuais se engajaram na luta ao lado dos republicanos, como Ernest Hemingway, George Orwell e Saint-Exupéry. Apesar disso, venceu o Movimento Nacional do general Francisco Franco, mas perderam todos os espanhóis: 400 mil mortos (ou 2 milhões pelos cálculos mais pessimistas), mais da metade das residências, lavouras e criações destruídas, queda na economia que durou décadas para reestabilizar-se. Mas, um lado da guerra que não é muito mostrado, apesar de estar presente, é o dos que não estão nos campos de batalha: a dona de casa, o poeta, o intelectual, o padre, a criança, que tentavam viver suas rotinas em meio à barbárie. E os reflexos que a guerra deixa na personalidade humana, mesmo depois que acaba. Foi isso que o escritor Alberto Méndez (1941-2004) procurou resgatar no livro Os Girassóis Cegos.

Talvez você, como um leitor seletivo, não goste de ler sobre guerras, talvez prefira algo mais próximo ao seu tempo e espaço, algo que fale sobe o Brasil neste final de 2008, algo que fale sobre a sua vida. Pois esta é a principal vantagem da boa literatura: ela é universal e atemporal. E Os Girassóis Cegos é exatamente esse tipo de literatura. O livro traz 4 contos, com personagens diferentes, mas que se entrelaçam no mesmo ideal: passar a sensação ao leitor do desespero frente à algo brutal, a impossibilidade de reação diante da violência que nos é imposta. As histórias conseguem desenterrar o desespero, a melancolia, a desesperança que marcaram gerações. O próprio autor comentou que o personagem principal é a derrota. Quem ler o livro verá que Méndez foi modesto na sua classificação. São vários os protagonistas: a solidão, a paixão, a amizade e a cumplicidade. Todos conhecidos não só dos leitores brasileiros, mas dos de qualquer país.

Os contos possuem dois títulos. O primeiro conto se chama “A primeira derrota: 1939 ou Se o coração pensasse, deixaria de bater” e narra a história do capitão Carlos Alegria, que, integrando as tropas prestes a vencer a guerra, ao saber disso, rende-se aos inimigos. Torna-se um vencido entre os vencidos. Mas quem em sã consciência faria uma idiotice dessas? Talvez as pistas sutis no conto revelem: ele passou alguns dias enterrado em uma cova pública e saiu com vida, foi maltratado pelos que recusavam dar-lhe água e pão e tratar das suas feridas porque aparecia maltrapilho em suas portas, e saiu gratuita e deliberadamente de uma posição superior, vitoriosa, para sofrer entre os desgraçados, sendo maltratado por e com estes. Não é difícil ver a semelhança do capitão Alegria com outro personagem histórico mais famoso.

Em “A segunda derrota: 1940 ou Manuscrito encontrado no esquecimento”, é encontrado um diário em uma cabana abandonada, ao lado de dois esqueletos, um adulto e um bebê. Este diário narra a tragédia que houve ali. A história começa tensa e o desespero aflora em conta-gotas até transbordar toda a alma do leitor. Nunca a morte foi aguardada de uma maneira tão dolorosa e esperançosa. As páginas datadas, as descrições do que havia em cada folha - desenhos, frases e palavras - além do texto tornam a narrativa dramática muito mais vívida.

A terceira derrota: 1941 ou O idioma dos mortos” traz a história de um condenado que tem a pena de morte adiada por contar uma mentira ao seu executor, o coronel Eymar. Por que uma mentira que cura uma ferida é aceita tão facilmente? Se o coronel sabe que é mentira, então, quem estaria enganando a quem? “Quando alguma coisa é inexplicável, aventurar uma razão plausível é o mesmo que mentir, porque os que precisam administrar verdades costumam chamar a confusão de mentira” (pg. 67). A rotina dos presos aguardando a morte enquanto ela insiste em transformar a espera em tortura é alongada até que não reste mais nenhuma esperança. Ou, a esperança passa a ser fatiada em dias, em horas, em gestos, para ser usada temporariamente como uma manta contra a gélida e sombria desilusão.

O último conto, “A quarta derrota: 1942 ou Os girassóis cegos”, ganhou o prêmio Setenil de contos e, postumamente, o Prêmio Nacional de Narrativa e o da Crítica, e dá nome ao livro. Consiste em 3 narrações simultâneas: uma carta (escrita em itálico), uma lembrança (em negrito) e uma história, que une as duas anteriores. A trama gira em torno das relações complicadas entre um padre, um menino e os seus pais. Os sentimentos, desejos e medos dissimulados e/ou mal interpretados em uma narrativa fica evidente em outra, dando o efeito literário de o leitor conseguir captar enganos e intenções sutis e ocultas. Um destaque especial fica para a virtuosa cena de sexo entre o casal, altamente poética e nem um pouco vulgar. O conto virou filme com direção de José Luiz Cuerda e será o representante espanhol ao Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro, sendo um grande candidato a vencedor, se transmitir na tela as mesmas sensações que conseguiu nas páginas. Veja o trailer (em espanhol).

Esqueça que a capa do livro foi produzida por um webdesigner com cores berrantes para chamar a atenção, que não condizem muito com o conteúdo belo e sério. Esqueça que o livro no Brasil foi publicado por uma editora desconhecida, sem ter divulgação na mídia, e nos círculos de leitura ninguém o conhece. Esqueça que há alguns “equívocos de tradução” e “erros de revisão”. Esqueça que o autor imitou o estilo de outros escritores. Esqueça que o assunto é sobre outro país e outra época, e que o livro já vendeu mais de 160.000 exemplares no mundo todo. Esqueça tudo isso. São detalhes irrelevantes. Você só precisa lembrar que é um livro que vai mexer contigo, e entregar você em casa diferente de quando partiu. E tem mais, além de ser recomendado para os leitores exigentes, é também uma ótima fonte de idéias para os escritores, e praticamente uma aula literária e lingüística.

Alberto Méndez mesclou personagens reais e a ficção literária. E admitiu que são histórias que ele ouvia desde criança (ele nasceu em 1941) dos pais, tios e amigos da família, e as adquiriu como uma espécie de memória por osmose. O autor trabalhou como editor durante muitos anos e, infelizmente, escreveu só este livro, pois veio a falecer em 2004 de câncer. Ao morrer, deixou um romance incompleto, que se passava na Espanha socialista. Mas deixou a sua obra-prima pela qual será lembrado por décadas. Ele é descrito como “Lector tenaz y exigente, escritor inteligente y sensible, con un respeto inusual hacia las palabras y los rigores del lenguaje”, pois conseguiu juntar história, estilo literário, dramaticidade e originalidade em doses certas, aquelas que viciam o leitor já no primeiro parágrafo e o deixam com vontade de reler tudo quando chegam ao último. Melhor para ele, que será lembrado como um grande escritor, pior para nós, os que tiveram a sorte de se apaixonar pelas suas palavras e ficar querendo mais.

Excelente
leitura: Novembro de 2008
obra: Os girassóis cegos (Los girasoles ciegos), de Alberto Méndez
tradução: José Feres Sabino
edição: 1ª, Mundo Editorial (2007), 154 pgs
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- Buscapé
- Livraria Cultura
- Submarino

Pep Talk 2008: Katherine Paterson

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

Caros Amigos:

Nesse ponto, sinto que só posso dizer: "O tempo está acabando! Parem de ler esse texto e voltem ao trabalho." Mas como prometi tentar animar vocês, então farei a minha parte se vocês prometerem voltar direto para o seu romance depois de ler isto.

Sim, sim, a parte mais difícil de escrever um romance é continuar nele. Alguns anos atrás, quando estava totalmente presa no primeiro esboço de um romance, eu estava almoçando com uma amiga querida, a escritora Mary Lee Settle. "Oh, Mary Lee," eu lamentei, "este é o meu sétimo romance e ainda não consegui aprender coisa alguma."

"Sim, você aprendeu", ela disse, fixando o seu olhar de águia em minha cara chorosa, "você já aprendeu que um romance pode ser concluído."

Então fui para casa terminar o meu primeiro rascunho. E agora você está decidido a escrever 50.000 palavras em um mês. Eu disse para mim que só tinha de escrever duas páginas por dia, antes de fazer qualquer outra coisa no dia. As margens poderiam ser grandes e não haveria exigência por qualidade. Só tinha que terminar as duas páginas. Eventualmente, o dique rompeu e me encontrei avançando sem a regra de ferro.

Sempre procuro chegar no fim do primeiro rascunho, embora fique me dizendo o tempo todo que estou escrevendo nada mais que lixo, algo que ninguém na terra iria querer ler, principalmente eu. Então digo para mim que esta pobre pequena tentativa, este lixo, merece uma chance. Assim como a minha linda cadela Annie que, sendo a menor da ninhada, cresceu na mais bela e amorosa cadela que todos desejavam, por isso, há esperança, até para a lamentável confusão de palavras que estou amontoando. E digo para mim: não volte muito para reler o texto, não tente nem começar a reescrever, só vá até o fim.

Eu moro em Barre, Vermont, conhecida como a "Capital Mundial do Granito". Fora da cidade existem pedreiras enormes, por isso, quando falo nas escolas locais cada criança tem uma imagem mental de uma pedreira de granito. "Você sabe como é difícil tirar o granito da pedreira", eu indago. "Você precisa marcar cuidadosamente a rocha e colocar o explosivo para fazer o grande bloco de granito desprender-se da pedra. Depois, você precisa amarrar o bloco nas correntes para os guindastes conseguirem retirá-lo lentamente do buraco e colocá-lo no caminhão. Esse é o primeiro rascunho. É difícil, um trabalho perigoso, e quando você tiver terminado, tudo que você realmente terá é um bloco de pedra. Mas agora você tem algo que pode trabalhar. Agora você pode levar o seu bloco até o galpão para esculpir e polir e transformar em algo belo. Esta é a revisão."

Primeiro vocês precisam retirar esse bloco de granito para fora da terra, amigos. Até fazerem isso, vocês não terão nada para tornar belo. Agora voltem ao trabalho. E isso é pra você também, Katherine.

Meus votos de felicidade,

Katherine Paterson

Katherine é a autora de Ponte para Terabithia, Jacob Have I Loved, e The Great Gilly Hopkins. Saiba mais sobre ela e seu trabalho visitando http://www.terabithia.com

Leia também o texto original em inglês.

Entrevista: EDUARDO GALEANO

Em seu último livro, "Espelhos, uma história quase universal", Eduardo Galeano recupera a memória perdida da humanidade através de 600 pequenas histórias, sem fronteiras no tempo e no mapa.

Entrevista concedida ao Programa Milênio em 01/12/2008. O programa de entrevistas com personalidades internacionais e nacionais que possuem um pensamento inovador e revolucionário sobre temas ligados ao presente e ao futuro da humanidade.

Sonho Impossível

Sabe aquelas músicas que te animam nos momentos difíceis? Mas não, não estou em um momento difícil. É que hoje recebi um email de uma desconhecida - o Gmail não o classificou como spam - e achei a letra interessante. Assim como a história de Dom Quixote, ela inspira a luta pelos seus sonhos, o que é animador a qualquer pessoa.

A música se chama Impossible Dream, com melodia de Mitch Leigh e letra de Joe Darion, e foi baseada no romance Dom Quixote, de Miguel Cervantes, para o musical Man of La Mancha. A música já foi interpretada por Andy Williams, Elvis Presley, Donna Summer, Luther Vandros, entre outros. Já virou comercial da Honda, muito bonito, por sinal.

A versão brasileira da música foi feita por Chico Buarque e Ruy Guerra, e tem o final diferente da original (é mais curta), talvez por ter sido feita ainda no regime militar, mas mesmo assim não deixa de fazer a gente refletir. No Brasil, ela já foi interpretada por Maria Bethânia e Simone. A seguir, veja um clipe da música no Youtube com ilustrações do livro.




Sonho Impossível

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber, se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz

E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão


Impossible Dream

To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear with unbearable sorrow
To run where the brave dare not go

To right the unrightable wrong
To love pure and chaste from afar
To try when your arms are too weary
To reach the unreachable star

This is my quest
To follow that star
No matter how hopeless
No matter how far

To fight for the right
Without question or pause
To be willing to march into Hell
For a heavenly cause

And I know if I'll only be true
To this glorious quest
That my heart will lie peaceful and calm
When I'm laid to my rest

And the world will be better for this
That one man, scorned and covered with scars
Still strove with his last ounce of courage
To reach the unreachable star

Pep Talk 2008: Philip Pullman

Introdução

O QG do NaNoWrimo presenteou os participantes em 2008 com 9 mensagens de escritores consagrados, os famosos Pep Talks ("conversas estimulantes" ou orientações da equipe de apoio para que um concorrente se saia bem na disputa), com dicas para vencer obstáculos na escrita, abusando da criatividade e profissionalismo para levantar o astral dos aspirantes a escritor. O ebook com os Pep Talks de seis anos anteriores - 80 páginas em PDF - é vendido no site do NaNoWrimo mas, como participei (e venci) este ano, vou traduzir e postar todas que recebi. Os posts serão em dezembro, nos mesmos dias em que foram enviadas por email, originalmente, em novembro. Como não sou tradutor profissional, apesar da boa intenção e esmero, podem aparecer erros e agradeço a quem sugerir correções. A ordem dos Pep Talks será:
  1. Jonathan Stroud (dia 5)
  2. Philip Pullman (dia 7)
  3. Katherine Paterson (dia 12)
  4. Meg Cabot (dia 14)
  5. Janet Fitch (dia 20)
  6. Gayle Brandeis (dia 22)
  7. Nancy Etchemendy (dia 25)
  8. Piers Anthony (dia 30)
  9. Kelley Armstrong (dia 3 - post-event)

Tradução (por Jefferson Luiz Maleski)

Caro autor NaNoWriMo,

Você começou uma longa jornada. Parabéns pela sua decisão e ambição! A primeira coisa que você precisa lembrar é que uma longa viagem não é igual a uma corrida curta. Ela levará tempo.

A segunda coisa que você precisa se lembrar é que se quiser terminar a viagem que começou, você precisará persistir. Uma das coisas mais difíceis de fazer em um romance é quando você pára de escrever por um tempo, e vai fazer outra coisa, finalizar este trabalho ou aquele compromisso ou qualquer outra coisa, e acaba deixando-o exatamente onde você estava para continuar como se nada tivesse acontecido. Você terá mudado, a história terá caminhado fora do curso, como um navio em que o motor pára sem a necessidade de ancorá-lo, e quando você volta a bordo, terá de funcionar os motores, deslocar a grande massa do navio para mover-se pelas águas novamente, calcular a sua posição, verificar a orientação da bússola, conduzir cuidadosamente para levar o navio novamente ao rumo... tanta energia desperdiçada em fazer algo que não seria preciso se você apenas tivesse seguido em frente!

Mas, uma vez que você estabeleça um ritmo diário de trabalho, você vai encontrá-lo energizando e sustentando a si mesmo. Mesmo quando não está indo bem. É uma coisa estranha, mas que noto muitas vezes: um dia de trabalho ruim é melhor do que nenhum dia de trabalho. Pelo menos, se você escrever 500 palavras, ou 1000, ou seja lá qual a taxa diária de produção que descobrir ser a mais confortável para você, as palavras estarão lá para trabalhar até tarde. E quando você visitá-las daqui a um mês, ou quando necessário, você vai achar que elas não são tão ruins assim.

A pergunta que os escritores mais ouvem é "Onde as suas idéias começam?". E encontramos uma maneira de responder, espero que não arrogante ou desencorajadora. O que costumo dizer é "Não sei de onde vêm, mas eu sei para onde elas vêm: elas vêm para a minha escrivaninha, e se eu não estou lá, elas vão embora." Esta é apenas outra maneira para enfatizar a importância do trabalho regular.

Você sabe qual página de um romance é a mais difícil de escrever? É a página 70. A primeira página é fácil: apaixonante, nova, é um mundo inteiro à sua frente. A última página é fácil: você já tem o final, você sabe o que vai acontecer, e tudo o que você precisa fazer é encontrar a sentença final para impressionar. Mas, a página 70 é onde a angústia desaba. Toda a empolgação inicial seca; começa a ver todos os problemas hediondos montados em você; você fica terrivelmente ciente do tamanho do minuto do seu talento em comparação com a proporção colossal da tarefa empreendida; é quando realmente quer desistir. Quando me deparei com a página 70 do meu primeiro romance, pensei: eu nunca vou terminar isso. E eu nunca terminaria. Mas, em seguida, a teimosia baixou em mim, e pensei: bom, se eu chegar na página 100 pode virar alguma coisa. Se eu chegar lá, concluo que posso ir até o fim, quando isso acontecer. E 100 são apenas 30 páginas a mais, se eu escrever 3 páginas cada dia, posso chegar lá em dez dias... Por que eu apenas não tento fazer? Então eu fiz. Foi um romance terrível, mas eu terminei ele.

A última coisa que eu diria para quem deseja escrever um romance não é um monte de conselhos, mas uma pergunta. É esta: você é um leitor? Cada romancista que conheço - cada um que eu já ouvi falar - é, ou foi, um leitor apaixonado. Não duvido que alguém com determinação e energia, que não lê por prazer, mas só por informação, pode de fato escrever um romance inteiro se colocar isso em sua mente e seguir algumas regras e orientações, mas valeria a pena ler o resultado? Iria lhe dar algum prazer além de um tipo mecanicamente calculado? Duvido. Romances que duram e agradam leitores são escritos porque o romancista está embriagado pelo prazer e pela alegria infinitamente renovável que vem de se envolver com personagens imaginários - com história, e esse engajamento sempre começa na leitura, e se ela te pegar, nunca te deixará ir. Escreva um romance se quiser vencer uma competição, ou impressionar os amigos, ou talvez ganhar algum dinheiro – faça por qualquer motivo. Mas se você não for um amante das histórias, um leitor apaixonado e dedicado, não espere que o seu romance agrade a muitos leitores.

Por outro lado, se você faz amor lendo, se você não consegue imaginar saindo para viajar sem um livro em seu bolso ou na sua mala, se você se atormenta, incomoda e fica desconfortável quando mantido longe de sua leitura por muito tempo, se o seu pior pesadelo é acampar em uma ilha deserta sem um livro – então coragem: existem muitos como você. E se você contar uma história que realmente te interesse, todos nós somos potenciais leitores.

Boa sorte!

Philip Pullman

Philip Pullman é o premiado autor trilogia Fronteiras do Universo. Saiba mais sobre ele e sua obra em http://www.philip-pullman.com/

Leia também o texto original em inglês.

São Paulo F. C. = Hexacampeão


O coração são-paulino não é um coração sofredor. Fazemos um apelo à doação de órgãos, pois todo são-paulino deveria doar seus corações aos outros sofredores. Aí, o humor nacional melhoraria. Digo aos outros torcedores que não desgostem do São Paulo pelos acertos. - Juvenal Juvêncio, Presidente do SPFC

São Paulo é HEXAgerado!!!

O São Paulo é melhor que a Seleção Brasileira, um é hexa, outro é penta.

O Flamengo agora pode dizer que é o único time pentacampeão (e os saopaulinos confirmam!).

O torcedor saopaulino é o que mais gasta dinheiro. Todo ano tem que trocar de camisa! Deveriam começar a vender só as estrelinhas para colar no uniforme novo.

O melhor da Sulamericana é brasileiro. O melhor (do) brasileiro é o São Paulo.

Ano que vem o São Paulo vai disputar a Champions League, na Europa, porque aqui a coisa já tá ficando chata, só dá um vencedor!

Corintianos elegem o São Paulo como rival favorito. Olha só, nem bem entram pela portas dos fundos, lá embaixo da tabela, na série A e já estão querendo voltar pra lá apanhando de quem tá no topo.

Agosto de 2008: pesquisa da Rede Globo diz que São Paulo F.C. tem 7% de chances de ser campeão.

Novembro de 2008: a taróloga Adriana Kastrup e o numerólogo Bosco Viegas previram que o Grêmio venceria o Campeonato Brasileiro de 2008. Nem macumba braba tirou o título do São Paulo.

Vai lá, vail lá, vai lá / Vai lá de coração
Vamos São Paulo, vamos São Paulo / Vamos ser campeão!

Como eu te amo tricolor / Como eu te amo de mais
O dia em que tu não existir / Não quero sorrir nunca mais.
Oh Tricolor tu es minha paixão / Oh Tricolor tu es minha alegria
Oh Tricolor tu es meu viver / Oh Tricolor eu amo você!