Livros Adquiridos - Dezembro 2012


14 livros = -R$ 308,97

236. Leonardo da Vinci: Desenho e pintura completa - Frank Zollner - Taschen - R$ 75,90 - www.livrariadafolha.com.br 
237. Memórias da sauna finlandesa - Marcelo Mirisola - 34 - presente de amigo
238. Hagakure - Yamamoto Tsunotomo - Conrad - R$ 106,00 - www.mercadolivre.com.br 
239. O oitavo mago - Terry Pratchett - Conrad - R$ 54,37 - www.estantevirtual.com.br 
240. O guia de sobrevivência a zumbis - Max Brooks - Rocco - R$ 36,40 - www.estantevirtual.com.br 
241. Mais que um carpinteiro - Josh McDowell - Voxlitteris - presente de amigo 
242. A guerra dos botões - Louis Pergald - Atica - troca - www.skoob.com.br 
243. Don Giovanni ou O dissoluto absolvido - José Saramago - Companhia das Letras - troca - www.skoob.com.br 
244. Arte e letra: estórias S - Diversos autores - Arte e Letra - R$ 16,50 - Assinatura anual 
245. Deus, um delírio - Richard Dawkins - Companhia das Letras - R$ 9,90 - www.skoob.com.br 
246. O herói perdido - Rick Riordan - Intrínseca - troca - www.skoob.com.br 
247. O filho de Netuno - Rick Riordan - Intrínseca - troca - www.skoob.com.br 
248. O trono de fogo - Rick Riordan - Intrínseca - R$ 9,90 - www.skoob.com.br 
249. Sandman: A casa de bonecas: Livro 2 - Neil Gaiman - Conrad - troca - www.skoob.com.br

Minhas Leituras - Dezembro 2012


9 livros = 1967 páginas

120. Arte e letra: estórias M (2011) - Diversos autores - 92 pgs - muito bom 
121. Juventude (1902) - Joseph Conrad - 96 pgs - muito bom 
122. Nosso homem em Havana (1958) - Graham Greene - 288 pgs - excelente (nunca me diverti tto com 1 livro d espionagem) 
123. O relógio Belisário (1995) - José J. Veiga - 148 pgs - muito bom 
124. O eterno marido (1870) - Fiódor Dostoiévski - 216 pgs - excelente [emprestado][clube de leitura][releitura] 
125. Memórias de Adriano (1951) - Marguerite Yourcenar - 286 pgs - bom 
126. Memorial de Aires (1908) - Machado de Assis - 175 pgs - regular 
127. Meu hamster é um gênio (2012) - Dave Lowe - 108 pgs - bom [emprestado] 
128. O caminho de Swann (1913) - Marcel Proust - 558 pgs - regular

O Eterno Marido, de Fiódor Dostoiévski

Atenção: o texto abaixo contém revelações sobre o enredo (spoilers)

Alguns livros são inesgotáveis. A cada releitura revelam novos olhares, temas, teses e impressões da condição humana. Leia-os cem vezes e em cem vezes eles te surpreenderão. Entram facilmente nessa categoria as obras de Shakespeare, Cervantes, Homero e Dostoiévski  entre outras. E dentre os livros de Dostoiévski  O Eterno Marido certamente é uma rica fonte de reflexão e conhecimento. Escrito na Rússia de 1870, em apenas três meses, revela não só aspectos culturais e históricos como também psicológicos e humanistas. É considerado uma das poucas comédias escritas por Dostoiévski  embora carregada de dramaticidade. Ao lê-lo, o leitor vislumbra como que uma peça teatral sendo encenada à sua frente. Os protagonistas desfilam virtudes e defeitos que fazem ora odiá-los ora amá-los. Um paradoxo que só os seres humanos e os melhores personagens literários conseguem ter, tornando-os imperfeitos e íntimos aos leitores. Para os não iniciados em Dostoiévski  se quiserem antes de se aventurarem nos densos Crime e Castigo ou Os Irmãos Karamazov, O Eterno Marido é um ótimo antepasto que aguçará a vontade em se aprofundar mais na literatura russa.

Mas cuidado! Deve-se optar por edições recentes, traduzidas direto do russo, por preservarem o mais próximo possível o tom da língua original. As melhores edições de O Eterno Marido neste quesito são as da Editora 34 e da L&PM. As demais são traduções antigas do francês ou inglês que suavizam ou alteram o sentido de expressões e significados do texto. Contudo, a edição da 34, da famosa e cara Coleção Leste, apesar de trazer o nome de Boris Schnaiderman como tradutor, deixa a desejar pelo menos em três aspectos. Primeiro, por trazer palavras em total desuso aos brasileiros deste século, como cacete (adjetivo), incontinenti, imo, chusma, imiscuir, álacre e furibundo, para citar algumas. Não que se deva ser contra o uso de palavras da língua portuguesa para enriquecer o vocabulário do leitor, mas quando estas deixam uma impressão estranha e possuem alternativas torna-se uma falha de tradução e revisão, passando a impressão que ou a tradução é antiga (não neste caso) ou o tradutor é antigo (Schaneiderman nasceu em 1917). O segundo aspecto são as expressões estrangeiras traduzidas ao pé da letra – como “dar tiros de pólvora seca”, “sem mais aquela”, etc. - sem uma nota de rodapé que a situe no contexto brasileiro, quando muito só aparecendo entre aspas. O “dar tiros de pólvora seca” é encontrado em jornais lusitanos online, mas não se consegue captar o sentido. Por último, o tradutor indica no prefácio que a construção dos nomes em de Dostoievski dão importantes dicas sobre a personalidade das personagens, mas ele mesmo não traduz nenhum dos nomes do livro! É mostrar o doce à criança só para passar vontade. Na edição da L&PM tais detalhes aparecem, o que a torna uma opção interessante a se analisar. Além, é claro, da diferença no preço: enquanto a edição da 34 varia em torno de R$ 30,00 a de bolso da L&PM custa R$ 10,00.

Cabe aqui um pequeno adendo sobre os nomes russos que ajudará na leitura. O site Falando Russo explica que existem nome + patronímico (para revelar o pai) + o sobrenome (para o nome da família ou clã). O que se percebe na leitura de O Eterno Marido é o uso formal do sobrenome (por exemplo, Trussótzki), informal do nome composto (Páviel Pávlovitch) e íntimo dos diminutivos e apelidos (Pál Palitch). Assim, um mesmo personagem pode ser chamado de vários nomes diferentes, o que pode confundir inicialmente os leitores, além dos ‘itchs’ e ‘ovs’. Como já mencionado, Dostoievski usa palavras na composição dos nomes para indicar algumas características das personagens. Vieltchâninov deriva da palavra grandioso, opulento; Trussótzki de medroso. Como se já não fosse o suficiente esta salada de nomes, patronímicos, sobrenomes e apelidos, ainda existem as variações de sobrenomes femininos: marido e esposa possuem sobrenomes diferenciados: Trussótzki e Trussótzkaia, Pogoriéltzev e Pogoriéltzeva, Zakhlébinin e Zakhlébinina.

O enredo do livro é o bem conhecido triângulo amoroso, com marido, esposa e amante (Páviel, Natália e Aleksiéi). Apesar de o narrador estar em terceira pessoa, o ponto de vista (POV) adotado é o do amante. Diferente de Dom Casmurro, de Machado de Assis, em que o POV era o do marido supostamente traído (Bentinho, Capitu e Escobar). Aliás, um ponto em comum entre os dois livros envolve a paternidade duvidosa de uma criança. E também, que muitas impressões, desconfianças e julgamentos sobre os personagens provêm do POV, podendo ser parciais e até incorretas. Pelo menos 20 personagens transitam no livro, grande parte mulheres, apesar de a obra ser considerada uma novela curta. Contudo, os protagonistas são apenas quatro, que evocam algumas teorias interessantes:

  1. O amante, Aleksiéi Ivânovitch Vieltchâninov – POV, solteiro, de 38/39 anos, morador de São Petersburgo, robusto, de alta estatura, barba até o peito, olhos claros, experimentado sedutor. Já dilapidara duas fortunas e estava envolvido em um processo que lhe retornaria uma boa renda. Julga-se hipocondríaco e somente no final parece curar-se de seu mal imaginário, justamente quando se livra de Páviel. Seria a relação de dependência, amor e ódio entre amante e marido uma correlação entre o hipocondríaco e a doença?
  2. O marido, Páviel Pávlovitch Trussótzki – viúvo, 45 anos, morador em T..., aparece na vida de Vieltchâninov depois de 9 anos de ausência. Após o falecimento da esposa passa a maltratar a filha, se vingando na pequena os pecados da esposa. É muitas vezes descrito como um paspalhão que comete maldades por ignorância ou capaz de crimes hediondos por impulso, sem que os tenha planejado. Ao final do livro, reaparece casado com uma cópia simplória da primeira mulher: jovem e dominadora.
  3. A esposa, Natália Vassílievna Trussótzkaia – falecida há 3 meses, morre de tísica aos 37 anos, mãe de Lisa, amante de Vieltchâninov por um ano e de Bagaútov, na sequência, por cinco. Vieltchâninov é dispensado por ela, que arruma um novo amante de qualidade inferior logo em seguida, surge a dúvida: ela o dispensou porque ele se apaixonara e insistia para que fugisse com ele ou porque ela temia aceitar a proposta?
  4. A filha, chamada somente de Lisa (apelido de Elisabete ou Ielisavieta) – menina de 8 anos, órfã de Natália, que sofre nas mãos de Páviel e desperta a empatia de Vieltchâninov. Morre poucas semanas depois, aparentemente de tristeza. Poderia ter contraído a tísica da mãe já que a depressão é um dos sintomas. Ou definhou porque se viu maltratada e abandonada pelo pai. Mas outra teoria da conspiração seria a de que ela cometeu suicídio, sendo a menção sobre o seu dedinho negro um indício. 


Os capítulos são curtos – o mais longo tem vinte páginas – apesar de trazerem descrições, informações e reviravoltas. Entra aqui a capacidade genial do escritor de sintetizar muito em poucas palavras. O tom de suspense permeia todo o livro, começando em Vieltchâninov tentar lembrar-se quem é o homem que o persegue inclusive em sonhos. Depois, ele procura até o final do livro descobrir o quanto Páviel sabe sobre suas intimidades com a viúva e sobre a paternidade de Lisa. Os diálogos entre Páviel e Vieltchâninov são geniais e cheios de ambiguidades, como um jogo de xadrez em que o amante tenta forçar o marido a revelar o que sabe e o marido procura torturar os nervos e a consciência do amante. Como na passagem em que Páviel apresenta Lisa como “esta é nossa filha!”, podendo referir-se tanto a ele e Natália ou ele e Vieltchâninov; ou quando Páviel se confessa corno fazendo um par de chifres sobre a testa, mas que desejava tomar champanhe com Bagaútov, ex-amante da esposa, enquanto o fazia com Vieltchâninov.

O livro apresenta um desfile dos costumes russos do século XIX. Se por um lado traz duas famílias grandes (os Pogoriéltzev e Zakhlébinin) com várias filhas além de agregados, morando em zonas rurais e com chefes de família funcionários públicos, por outro lado apresenta a vida boêmia dos solteiros e viúvos na cidade, arrumando facilmente amantes, noivas ou esposas. Também aparecem secundariamente preconceitos de idades, classes sociais e gêneros. Aparecem as tradições do beijo na boca entre homens em sinal de amizade, do crepe no chapéu como luto, das cuspidas de desprezo. A influência francesa é evidenciada no beber champanhe ao invés de vodca e no uso de expressões e palavras. Dostoievski cita peças teatrais e músicas conhecidas pelos leitores da época que se encaixam perfeitamente no enredo.


Outra característica importante de Dostoievski é que “o escritor é exaltado por especialistas justamente por ter adiantado em sua obra muitas das questões que seriam desenvolvidas pela psicanálise nos anos seguintes” (fonte). Além dos sonhos de Vieltchâninov repletos de significados com a trama, a obra analisa a psique dos protagonistas, levantando algumas teses únicas:

  • Existem mulheres predispostas inconscientemente a serem esposas infiéis. Antes de se casarem são modelos de virtude, mas depois se tornam dominadoras e veem a infidelidade apenas como um mero aspecto do casamento.
  • Toda esposa infiel tem um parceiro que a aceita assim. São os “eternos maridos”, que lembram os cornos-mansos definidos nas peças de Nelson Rodrigues.
  • Pode-se amar alguém pelo ódio que se sente por ele. Páviel admirava Vieltchâninov por sua cultura antes de descobrir que era amante da esposa. Por ser de personalidade inocente, facilmente enganável, quando confrontado com a verdade, perdeu-se entre sentimentos e pensamentos. Como poderia odiar quem sempre admirou por uma falta cometida há tantos anos?
  • Existem homicidas não premeditados, irracionais, impulsivos. Estes estariam na teoria do crime andando sobre a linha tênue que separa os criminosos culposos dos dolosos, podendo desiquilibrar-se e cair tanto para um lado quanto para outro. 

Tais considerações iniciais servem apenas como provocações para quem leu ou pretende ler O Eterno Marido. Embora em uma nova leitura, possam aparecer novos aspectos a serem considerados. A filmografia existente sobre a obra indica dois filmes: um francês de 1946 e um canadense de 1999, ambos inacessíveis. Porém, mais inacessível é a peça encenada em 1964, no sétimo episódio da 14ª temporada do programa Grande Teatro Tupi, da brasileira TV Tupi.

Compre o livro no Submarino

O Relógio Belisário, de José J. Veiga


Trecho selecionado:
Choveu vários dias sem trégua, obrigando as pessoas a ficarem mais tempo recolhidas em casa, o que foi bom para a arrumação da cabeça de cada um por dentro, e bom também para o chuchu, o jiló, a abobrinha, o mangarito e o alho; e ainda para o rego, que vinha jorrando pouco ultimamente.

Resoluções Literárias para 2013 #2

Dias atrás elaborei mais uma vez meu plano santo sem ser crucificado a minha lista das metas literárias fui começar. Quem não lembra, não viu e não sabe do que raios estou falando, clica aqui e pare de ser um perdido. Como meta nº 2 escrevi:
Ler 1 calhamaço de pelo menos 500 páginas por mês - os danados estão se procriando aqui em casa! Sei que a minha média de livros lidos por mês/ano vai cair drasticamente, mas não me preocupo com isso: se seguir a meta 1, gastarei entre 10 e 20 dias em cada tijolão;
Pois então. Já adiantando as opções de leitura de livros com mais de 500 páginas que tenho à disposição em minha biblioteca particular, achei SÓ 40 esperando por mim. Daria pra estender a meta por 3 anos! Uau! Uau! Uau! (agora chega que isso aqui já tá parecendo ambulância). Enfim. Vou listar abaixo as 40 opções, sendo duas delas releituras da série Guerra dos Tronos, pois não quero me esquecer da história quando o 6º volume da série sair lá em 201...

Alguém se habilita a indicar algum dos abaixo para eu ler sem falta em 2013? Os em vermelho são os que já sei que vou ler. Coloquei em ordem crescente de número de páginas.
  1. Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas - 510 páginas - Nova Cultural (LIDO EM MAIO) (TROCADO)
  2. Contos Fantásticos do Século XIX - Diversos escolhidos por Italo Calvino - 520 páginas - Companhia das Letras 
  3. Cidadela - Antoine de Saint Exupéry - 522 páginas - Nova Fronteira 
  4. Os Homens Que Não Amavam as Mulheres - Stieg Larsson - 522 páginas - Companhia das Letras 
  5. A Vida dos Doze Césares - Suetônio - 527 páginas - Ediouro 
  6. Eu Mato - Giorgio Faletti - 536 páginas - Intrínseca 
  7. Os Melhores Contos que a História Já Escreveu - Flavio Moreira da Costa - 560 páginas - Nova Fronteira 
  8. Obras completas de Jorge Luis Borges, volume II - Jorge Luis Borges - 566 páginas - Globo 
  9. O Xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase - Mircea Eliade - 566 páginas - Martins Fontes (VENDIDO)
  10. Mulheres Apaixonadas - D.H. Lawrence - 574 páginas - Nova Cultural 
  11. Obras completas de Jorge Luis Borges, volume III - Jorge Luis Borges - 576 páginas - Globo 
  12. Na Ponta dos Dedos - Sarah Waters - 587 páginas - Record
  13. As Vinhas da Ira - John Steinbeck - 588 páginas - Bestbolso 
  14. A Guerra dos Tronos - George R. R. Martin - 592 páginas - LeYa [releitura] 
  15. O Físico - Noah Gordon - 592 páginas - Rocco 
  16. A Menina que Brincava com Fogo - Stieg Larsson - 608 páginas - Companhia das Letras 
  17. Os 100 melhores contos brasileiros do século - Italo Moricone (org) - 618 páginas - Objetiva 
  18. Teatro Completo: Comédias - William Shakespeare - 624 páginas - Agir 
  19. O Vermelho e o Negro - Marie-Henri Beyle Stendhal - 630 páginas - Abril Coleções 
  20. A Fúria dos Reis - George R. R. Martin - 656 páginas - LeYa [releitura] 
  21. Moby Dick - Herman Melville - 656 páginas - Cosac Naify 
  22. O Nome do Vento - Patrick Rothfuss - 656 páginas - Sextante (LIDO EM JANEIRO) (VENDIDO)
  23. Grandes Esperanças - Charles Dickens - 672 páginas - Abril 
  24. Obras completas de Jorge Luis Borges, volume IV - Jorge Luis Borges - 680 páginas - Globo 
  25. A Rainha do Castelo de Ar - Stieg Larsson - 688 páginas - Companhia das Letras 
  26. A Divina Comédia - Dante Alighieri - 696 páginas - Editora 34 (LIDO EM JUNHO) (VENDIDO)
  27. Viva o Povo Brasileiro - João Ubaldo Ribeiro - 700 páginas - Nova Fronteira 
  28. Obras completas de Jorge Luis Borges, volume I - Jorge Luis Borges - 707 páginas - Globo 
  29. Teatro Completo: Dramas Históricos - William Shakespeare - 720 páginas - Agir 
  30. O Tambor - Gunter Grass - 738 páginas - Nova Fronteira
  31. Anna Kariênina - Liev Tolstói - 814 páginas - Cosac Naify (LIDO EM MARÇO) (VENDIDO)
  32. Tom Jones - Henry Fielding - 846 páginas - Nova Cultural 
  33. 2666 - Roberto Bolaño - 856 páginas - Companhia das Letras 
  34. O Engenhoso Cavaleiro D. Quixote de La Mancha (livro II) - Miguel de Cervantes - 856 páginas - Editora 34 
  35. Musashi vol 2 - Eiji Yoshikawa - 887 páginas - Estação Liberdade 
  36. Musashi vol 1 - Eiji Yoshikawa - 922 páginas - Estação Liberdade 
  37. Os Pilares da Terra - Ken Follett - 944 páginas - Rocco 
  38. Poesia Completa - Mario Quintana - 1019 páginas - Nova Aguilar 
  39. Os Irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévski - 1040 páginas - Editora 34 
  40. Ulysses - James Joyce - 1112 páginas - Penguin-Companhia 
  41. Oscar Wilde - Obra Completa - Oscar Wilde - 1470 páginas - Nova Aguilar 
EDIT 03.07.2013: CALHAMAÇOS ADQUIRIDOS EM 2013
  1. O Temor do Sábio - Patrick Rothfuss - 960 páginas - Sextante (LIDO EM FEVEREIRO) (VENDIDO)
  2. Liberdade - Jonathan Franzen - 618 páginas - Companhia das Letras (LIDO EM ABRIL) (TROCADO)
  3. A Menina Sem Qualidades - Juli Zeh - 546 páginas - Record (LIDO EM JULHO)

Ler é como Beijar

Aforismos - Novembro 2012

Escolha qual você gostou mais. Todos escritos por Jefferson Luiz Maleski. Se quiser replicar algum deles, só peço para que mencione a autoria, ok?

Existem pessoas simpáticas à minha antipatia.

A sinceridade ou a falsidade de alguém revela da mesma maneira o caráter, as motivações, os medos e os objetivos dela. É só prestar atenção.

"Você nunca mais vai me ver", disse o rapaz para a namorada cega.

Stephen Hawking vai participar de uma peça de teatro. Você o encontra minutos antes da estreia. Como você lhe deseja boa sorte?

No dia internacional das mulheres elas ganham flores. No dia internacional dos homens eles ganham mulheres. Tem presente melhor?

Abraçou-se ao travesseiro de ganso. Morreu com pena no coração.

Clodoaldo sempre se gabava de vestir a camisa da empresa. A última vez foi quando começou a trabalhar na Funerária Sorriso Amarelo.

Durante o dia era o inferno. À noite, o paraíso. Contudo, decidiu inverter a situação radicalmente: pediu demissão do emprego e se casou.

A Sorte de Um é o Azar de Muitos

- Pai, o que é equação de segundo grau?

- Shhh, menino! Não vê que tô vendo tevê? O comercial já tá acabando.

- E o que tá passando?

- Eu não vou ficar sabendo se você ficar com essa matraca aberta, né. Agora, fica caladinho ou vai fazer perguntas lá pra sua mãe. E Neusaaaaaaaaaaaa! O programa vai começar, cadê a droga da minha longueneque?

"Querido telespectador amigo, querida telespectadora amiga, estamos agora, neste exato momento, em frente à casa do mais novo ganhador da Loteria dos Milionários. E o ganhador não sabe ainda que é o felizardo. Faremos a revelação ao vivo, mostrando a reação dele e da família em primeira mão a todos vocês. Como podem ver, é uma casa de dois andares, com garagem para cinco carros, cerca elétrica e segurança particular. Já conversamos com o vigia e ele nos deixou entrar. [Vem comigo, Gilberto, filma ali.] Olha só pessoal, a casa tem piscina olímpica, sauna e quadra de tênis. Parece que a família vive realmente muito bem. Vamos tocar a campainha. [Ding-dong] Olha essa porta de madeira de lei, Gilberto, filma os trincos dourados. Será que são de ouro? Estou ouvindo alguém. Vão abrir a porta."

"Bom dia, o senhor é Walter Munhoz Filho? Sim? Meus parabéns! O senhor acaba de ganhar a Loteria dos Milionários! Não sabia? Claro que não sabia, nossa equipe é quem ficou incumbida de lhe contar a notícia ao vivo em rede nacional. O que o senhor acha disso? Está emocionado? O quê, não lembra de ter comprado nenhum bilhete? Mas não precisava, seu Walter. A Loteria dos Milionários é patrocinada pelo Governo Federal, e pelas Receitas Federal, Estadual e Municipal. O senhor foi sorteado e escolhido por meio da sua declaração de Imposto de Renda. E o que o senhor ganhou? Há-há, percebo que o senhor está mesmo por fora de como a Loteria dos Milionários funciona. Vamos explicar as regras mais uma vez ao senhor e a todos os nossos telespectadores: toda semana um rico é sorteado e perde todos os bens que possui: imóveis, veículos, contas bancárias, empresas, jatinho, iate e até aquelas contas nas Ilhas Cayman que o senhor tentou esconder mas que a Polícia Federal foi eficiente em localizar e bloquear. Todos os bens levantados serão leiloados e o dinheiro arrecadado será distribuído igualmente entre os beneficiários do Bolsa Família. Não é o máximo? Pense nas milhares de famílias que vão poder comer esta semana graças à sua generosa doação!"

"O quê, como assim nós não podemos fazer isso? Seu Walter, seu Walter, o senhor é um brincalhão. Já disse que a loteria é um programa do Governo. O senhor não pode fazer nada a não ser se sentir bem por ser a alma caridosa do Brasil. Esta semana. Inclusive os policiais e promotores federais que me acompanham escoltarão o senhor e sua família para fora da sua ex-mansão neste exato momento. E os agentes da Receita farão um levantamento de todos os bens para o leilão online que terá início logo após o nosso programa. Mas o quê, dá um close, Gilberto, a família toda do seu Walter está chorando! É emoção demais! Mas não pensem que o governo lhes deixará desamparados. O senhor e a sua família já estão automaticamente cadastrados no Bolsa Família e com um mês de aluguel pago em uma modesta meia-água no Bairro Matadouro 2ª Etapa. E ainda não contei o melhor: amanhã mesmo o seu Walter já começa no novo emprego, ganhando um salário mínimo registrado na carteira. E com direito a férias, FGTS e décimo terceiro! Tá certo que por o senhor nunca ter precisado trabalhar antes de carteira assinada vai demorar um pouco a se aposentar. Mas tenha fé, muitos brasileiros estarão torcendo pelo senhor e pela sua família. Hã, que emprego? Bem, o senhor não adivinhou pelo bairro, não é? Claro que não! O senhor vai ser auxiliar de desossa no Frigorífico Carne Fresca. Se trabalhar bem em poucos anos poderá ser desossador oficial e talvez chefe de setor. Enquanto isso a sua esposa irá trabalhar na escolinha do município com crianças da rede fundamental de ensino. E ela nem precisa de qualificação, a escola está precisando de professoras urgentemente desde que a última foi esfaqueada. E para os seus filhos, temos algumas opções, mas antes o Michel terá que mudar o nome para Maicosuel e a Tereza Christina para Tetê, pois ambos já têm entrevista marcada com o chefe do tráfego local. Tenho certeza de que o senhor não vai querer desagradar o senhor Pedra Noventa."

[A câmera acompanha o homem e a família entrando cabisbaixos no carro da polícia que sai com as sirenes ligadas à toda velocidade]

"Bem, meus amigos e minhas amigas que nos acompanham aí, no conforto de seu lar, este foi mais um episódio da Loteria dos Milionários. Com o patrocínio das pilhas Z: porque Z é muito mais você! Voltamos semana que vem, com outro rico sorteado, neste mesmo canal, no mesmo horário. Tenham uma boa noite. [Bora, Gilberto, que esse vento tá acabando com a minha chapinha]."

- Pai, por que nós não ganhamos na loteria?

O pai solta um sonoro arroto, mira o filho com um olho aberto e outro fechado e pensa consigo mesmo que o garoto não é lá muito esperto. Certeza que puxou a família da mãe.

- Nós já ganhamos, meu filho, nós já ganhamos faz tempo e continuamos a ganhar na maldita loteria todos os dias.

Ganhou um livro que não quer ler: o que fazer?

É uma pergunta que levanta pontos de vista bastante individuais, não só dos que ganharam livros mas também  dos que deram. Sem chorumelas, revelo em primeiríssima mão que eu, JLM, passo o livro adiante, sem pensar duas vezes, sem remorso, sem dó. Os amigos podem até ficar tristes, mas recomendo que prestem atenção nos meus motivos abaixo, racionais ao extremo, que até mesmo poderão lhes serem úteis.

Antes, algumas perguntas retóricas para os seus botões:

1. Se você ganhou um presente (qualquer coisa, não só livro), ele é seu, não é? Teoricamente você poderia fazer o que quisesse com ele: vender, doar, jogar fora, usar como carvão ou enterrar no quintal, certo?

2. Se você ganhar algo que não tem nada a ver com o seu jeitão, algo que te deixou com cara de bocó tentando descobrir qual a intenção de quem deu o presente (foi brincadeira ou foi a sério? neste último caso, quem deu tem problemas psicológicos?), você tenta usar o presente por uns dias só por desencargo de consciência ou o esconde de tudo ou de todos morrendo de vergonha de ter aquilo em casa?

3. Se você é conhecido entre parentes e amigos como leitor assíduo e só ganha livros por causa disso, já percebeu que alguns presentes são simplesmente de gente querendo desencalhar livros que não leram, não vão ler e só tomam espaço na casa deles?

4. Você lê muito ou pouco? Qual a sua filosofia de vida em relação à leitura?

As perguntas são propositais para melhor introduzir ao assunto. Eu disse que eram apenas retóricas, mas menti. Vou usá-las para explanar os meus motivos pessoais. Começo respondendo da última para a primeira.

4. Eu sou um leitor estatisticamente acima da média (cerca de 10 livros ao mês) e não tenho tempo a perder com o que não me interessa. Minha vida é curta frente à quantidade de livros que quero ler. Então, assim como tenho uma lista do que desejo ler também tenho uma do que não vou ler. Por exemplo: nunca lerei Stephenie Meyer, E. L. James, Fabrício Carpenejar, Chistopher Paolini, Eduardo Spohr, entre outros. Não é pré-conceito, é saber ouvir comentários e críticas sobre determinados autores e identificar que o que eles escrevem não é o que você lê. Agora, em uma hipótese mental de que eu lesse somente um livro por ano, e ganhasse um ou dois livros, também acredito que não me focaria neles e sim nos que eu me interessasse.

3. e 2. Poucos são os que conhecem intimamente os meus gostos literários. Até porque sou um tanto quanto eclético com leituras que nem eu consigo descrever os meus gostos literários. Assim, para ganhar um livro que combine comigo, ou a pessoa vai olhar na minha lista de desejados no Skoob ou vai me perguntar qual eu quero. Fora isso é um tiro no escuro. Eu mesmo me considero muito sensitivo para indicar leituras a quem conheço, com pensamentos do tipo “aquele livro combina com tal pessoa” e costumo acertar mais que errar nos presentes. Mas já cometi gafes estranhas. Certa vez dei de presente para uma amiga casada o livro “101 maneiras de enlouquecer uma mulher na cama”, pensando que ela o passaria para o marido e seria feliz com isso. Mas até hoje o casal pega no meu pé dizendo que ela não é lésbica não. My fault. Então, a probabilidade de eu ganhar um livro que não goste é grande, quando não conhecem ou perguntam do que gosto. E ganho muitos livros (geralmente SÓ ganho livros) e como não tenho apego nem mesmo aos livros que gostei e não vou reler, passando-os adiante tão logo seja possível, quanto menos com os que não me identifiquei com o tema, estilo, autor, título ou cor da capa. Hoje qualquer desculpa me serve para não ler um livro. São eles, os livros, que têm que me convencer que valem a pena eu gastar algumas horas em suas companhias. Sou um cara difícil de ser conquistado.

1. Aqui entra muito das regras de etiqueta social. Passar um presente adiante ainda é visto como ofensa. Mas vejo esse pensamento é arcaico. Com algumas pessoas mais íntimas eu poderia ser sincero e tentar devolver o presente dizendo que ela errou totalmente e que eu não vou usar aquilo, não vou ler aquilo ou não vou botar aquilo na boca de jeito nenhum. Ou, com pessoas que não sou tão desembaraçado assim, ao invés de esquecer o presente em um baú velho e acumular mais tralhas inúteis como aquele tio estranho, passo o item para frente. Doo. Troco. Vendo. Mas se for doá-lo, simplesmente não passo a maldição para frente: dou o presente para alguém que vai usá-lo de verdade. Se for trocá-lo (o escambo é uma prática muito comum em algumas cidades ou feiras de bairros, além da internet, é claro) pode até ser por um objeto que valha menos, mas que será mais útil para mim. Se for vendê-lo, terei a certeza de que quem comprar quer aquilo de verdade (sabe-se lá porquê) e saberei aproveitar bem o dinheiro que entrar.

Juventude, de Joseph Conrad


Trechos selecionados:
"Era um homem triste, com uma lágrima eterna a brilhar na ponta do nariz, um homem que tivera, tinha ou esperava vir a ter problemas - que só podia ser feliz se alguma coisa de ruim lhe acontecesse."
"Lembro dos rostos cansados, as figuras abatidas dos meus dois homens, lembro da minha juventude e de um sentimento que nunca mais haverá de voltar - o sentimento de que eu podia durar para sempre, mais do que o mar, do que a terra, do que todos os homens; o ilusório sentimento que nos atrai para alegrias, para perigos, para o amor, para o vão esforço - para a morte; a triunfante convicção de força, o calor da vida numa mão cheia de pó, a chama do coração que todo ano diminui, esfria, arrefece e expira - expira muito depressa, depressa demais, antes da própria vida."

Tá?, de Mariana Aydar



Música: Tá?
Cantora: Mariana Aydar
Letra: Carlos Reno / Roberta Sá / Pedro Luís

Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Eu vou denunciar a sua ação nefas-
Você amarga o mar, desflora a flores-
Por onde você passa, o ar você empes-

Não tem medida a sua ação imediatis-
Não tem limite o seu sonho consumis-
Você deixou na mata uma ferida expos-
Você descora as cores dos corais na cos-
Você aquece a Terra e enriquece à cus-
Do roubo, do futuro e da beleza augus-

Mas do que vale tal riqueza? Grande bos-
Parece que de neto seu você não gos-
Você decreta a morte à vida ainda em vis-
Você declara guerra à paz por mais bem quis-
Não há em toda fauna um animal tão bes-
Mas já tem gente vendo que você não pres-

Refrão
Não vou dizer seu nome porque me desgas-
Pra bom entendedor, meia palavra bas-
[...]
Bom entendedor, meia palavra bas-
[...]
Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Tá?

Filmes & Séries Vistos - Novembro 2012

28 filmes

231. o espetacular homem-aranha (the amazing spider-man) - eua, 2012 - bom
232. na estrada (on the road) - eua, 2012 - ruim
233. o agente da estação (the station agent) - eua, 2003 - regular
234. quem quer ser um milionário? (slumdog millionaire) - inglaterra/irlanda, 2008 - bom [re-visto]
235. o gato do rabino (le chat du rabbin) - frança, 2011 - excelente
236. magic mike - eua, 2012 - regular
237. monsterbox - frança, 2012 - bom
238. la luna - eua, 2011 - muito bom
239. o testamento de nobel (nobels testamente) - suécia, 2012 - bom
240. vizinhos imediatos de 3º grau (the watch) - eua, 2012 - regular
241. o poderoso chefão: parte 3 (the godfather: part 3) - eua, 1990 - muito bom
242. terror em silent hill (silent hill) - eua, 2006 - bom [re-visto]
243. aos olhos do inimigo (lost in the dark - enemy within) - eua, 2012 - regular
244. paranorman - eua, 2012 - bom
245. big buck bunny - holanda, 2008 - bom
246. 007 operação skyfall (skyfall) - eua/inglaterra/irlanda, 2012 - bom
247. the inbetweeners us: 1ª temporada - eua, 2012 - muito bom [série]
248. um lugar ao sol (en plats in solen) - suécia, 2012 - bom
249. a guerra dos botões (la guerre des boutons) - frança, 2011 - excelente
250. os infratores (lawless) - eua, 2012 - bom
251. um cão andaluz (un chien andalou) - frança, 1929 - regular
252. eu não quero voltar sozinho - brasil, 2010 - muito bom
253. a entidade (sinister) - eua, 2012 - bom
254. a aparição (the apparition) - eua, 2012 - regular
255. one more beer - brasil, 2012 - bom
256. sexo à parte - brasil, 2012 - bom
257. thanks, smokey - eua, 2011 - excelente
258. totalmente inocentes - brasil, 2012 - ruim

Livros Adquiridos - Novembro 2012


18 livros = -R$ 402,71

218. Oréstia: Agamemnom / Coéforas / Eumênides - Ésquilo - Jorge Zahar - pontos cartão VISA - www.fnac.com.br (lido 2013)
219. Bastar a si mesmo - Arthur Schopenhauer - WMF Martins Fontes - pontos cartão VISA - www.fnac.com.br (lido)
220. Duplo Dexter - Jeff Lindsay - Planeta - pontos cartão VISA - www.fnac.com.br (lido e vendido 2013)
221. A guerra dos tronos: HQ 1 - George R. R. Martin - Barba Negra - R$ 9,90 - www.skoob.com.br (lido)
222. Deixa ela entrar - John Ajvide Lindqvist - Globo - R$ 9,90 - www.skoob.com.br
223. Breve manual de estilo e romance - Autran Dourado - UFMG - R$ 9,90 - www.skoob.com.br (lido)
224. Portões de fogo - Steven Pressfield - Objetiva - R$ 26,80 - www.estantevirtual.com.br
225. A borboleta tatuada - Phillip Pullman - Objetiva - troca - www.trocandolivros.com.br
226. Corra com os cavalos - Eugene Peterson - Ultimato - presente de amigo (vendido 2013)
227. Os melhores contos de medo, horror e morte - Org. Flávio Moreira da Costa - Nova Fronteira - troca - www.trocandolivros.com.br
228. Os irmãos Karamázov (2 vols) - Fiódor Dostoiévski - 34 - R$ 39,90 - www.submarino.com.br
229. Os 25 melhores poemas de Charles Bukowski - Charles Bukowski - Bertrand Brasil - R$ 19,90 - www.submarino.com.br (lido e vendido 2013)
230. A última guerreira - Steven Pressfield - Ediouro - R$ 11,07 - www.estantevirtual.com.br
231. Col. A torre negra (7 vols) - Stephen King - Suma das Letras - R$ 99,90 - www.submarino.com.br (vendido 2013)
232. Col. A torre negra (7 vols) - Stephen King - Suma das Letras - R$ 99,90 - www.submarino.com.br
233. Box Trilogia do Graal (3 vols) - Bernard Cornwell - Record - R$ 47,40 - www.submarino.com.br
234. O leilão do lote 49 - Thomas Pynchon - Companhia das Letras - R$ 28,13 - www.estantevirtual.com.br (vendido 2013)
235. Como pensar mais sobre sexo - Allain de Botton - Objetiva - troca - www.trocandolivros.com.br (lido e vendido 2013)

E o Black Friday acabando com o meu auto-controle.

Minhas Leituras - Novembro 2012


10 livros = 2249 páginas

110. Arte e letra: estórias R (2012) - Diversos autores - 88 pgs - muito bom
111. O coronel Chabert / A mulher abandonada (1832) - Honoré de Balzac - 126 pgs - bom
112. A consciência de Zeno (1932) - Ítalo Svevo - 384 pgs - muito bom
113. A invenção de Hugo Cabret (2007) - Brian Selznick - 533 pgs - bom
114. Bastar a si mesmo (2012) - Arthur Schopenhauer - 80 pgs - excelente
115. A mulher desiludida (1967) - Simone de Beauvoir - 190 pgs - regular
116. A guerra dos tronos: HQ vol. 1 (2012) - Martin / Abraham / Patterson - 240 pgs - muito bom [hq]
117. O eterno marido (1870) - Fiódor Dostoiévski - 216 pgs - excelente [emprestado][clube de leitura]
118. Breve manual de estilo e romance (2003) - Autran Dourado - 75 pgs - regular
119. O fio da navalha (1944) - W. Somerset Maugham - 317 pgs - bom

Resoluções Literárias para 2013


Mas já? Pois é, se o mundo não acabar, já pensou no que você vai ler em 2013? Mais literatura brasileira, todas as obras de algum autor preferido, algum calhamaço ou coleção completa? Faça como eu, divulgue a sua lista na internet, quem sabe além de te animar a ler mais ano que vem não anima outros? Para os que, assim como eu, ainda estão dançando (ou já dançaram) com as resoluções literárias de 2012, já dá pra fazer o balanço do que conseguiram cumprir e o que foi meio que viagem e tirar uma base para o ano que vem. Em 2012 coloquei como resolução literária uma meta (terminar de ler esta coleção) e ainda mudei ela na metade do ano (terminar de ler outra coleção). Como só faltam 3 livros, devo alcançar em dezembro, aos 45 do segundo tempo. Em janeiro publicarei outro post falando sobre o cumprimento (ou não) das resoluções literárias para 2012.

Bem, para 2013, vou expandir para 5 metas:

  1. Continuar a ler 50 páginas por dia - já vem dando certo comigo pelo 2º ano consecutivo então, em time que está ganhando não se mexe; 
  2. Ler 1 calhamaço de pelo menos 500 páginas por mês - os danados estão se procriando aqui em casa! Sei que a minha média de livros lidos por mês/ano vai cair drasticamente, mas não me preocupo com isso: se seguir a meta 1, gastarei entre 10 e 20 dias em cada tijolão; 
  3. Ler todos os livros que ganhei de presente nos 2 últimos anos - incluindo os de amigo secreto do finado fórum literário www.meiapalavra.com.br e outros não são muitos, em torno de 10 livros;
  4. Comprar só 6 livros por mês - isso já diminui pela metade o meu vício consumista, pois minha média de compras em 2012 está em 12 livros/mês. Esta é uma das metas mais difíceis para mim (o Submarino ri na minha cara!);
  5. Ler pelo menos 12 livros de literatura brasileira - especialmente os que constem nesta lista.
Se você prestar atenção não são metas inimagináveis. E sim, eu preciso de resoluções literárias de fim de ano, elas não só me empurram mas também me animam. Por que você também não experimenta? 

Qual a cor que persegue e mata escritores?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Você já passou pela resposta)

A Mulher Desiludida, de Simone de Beauvoir


Trechos selecionados:

Não se compreende nunca o amor dos outros.

Fui feita para outro planeta me enganei de direção.

Verdade é que a história da humanidade é bela e é pena que a dos homens seja tão triste.

[Mamãe] lê muito, escuta o rádio. Eu lhe propus comprar uma televisão mas ela recusou. Disse: 'Eu não deixo entrar qualquer um em minha casa'.

Os grandes sábios são úteis à ciência na primeira metade de suas vidas, nocivos na segunda. (Bachelard)

O mundo se constrói sob meus olhos num eterno presente. Habituo-me tão depressa às suas faces que ele não parece mudar.

Carta de Amor, de Maria Bethânia

A partir de hoje já tenho a minha prece para todos os invejosos, ciumentos, olhos-gordos e mau amados (e mau amadas também) que cruzarem o meu caminho. Não mexe comigo...


Letra

Não mexe comigo que eu não ando só
Que eu não ando só que eu não ando só
Não mexe não (2x)


Tenho Zumbi, Besouro, chefe dos tupis. Sou tupinambá.
Tenho os Erês, caboclo boiadeiro, mãos de cura, morubixabas, cocares, arco-íris, zarabatanas, curare, flechas e altares.
A velocidade da luz no escuro da mata escura, o breu, silêncio, a espera.
Eu tenho Jesus, Maria e José. Todos os pajés em minha companhia.
O menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos, o poeta me contou.

Não mexe comigo que eu não ando só
Que eu não ando só que eu não ando só
Não mexe não (2x)


Não misturo, não me dobro.
A rainha do mar anda de mãos dadas comigo.
Ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim.
É do ouro de Oxum que é feita a armadura que guarda meu corpo, garante meu sangue e minha garganta.
O veneno do mal não acha passagem.
Em meu coração Maria acende sua luz e me aponta o caminho.

Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã.
Giro o mundo, viro, reviro.
Tô no recôncavo, tô em face.
Voo entre as estrelas, brinco de ser uma.
Traço o Cruzeiro do Sul com a tocha da fogueira de João Menino.
Rezo com as Três Marias. Vou além.
Me recolho no esplendor das nebulosas, descanso nos vales, montanhas.
Durmo na forja de Ogum.
Mergulho no calor da lava dos vulcões, corpo vivo de Xangô.

Não ando no breu nem ando na treva
É por onde eu vou que o santo me leva (2x)


Medo não me alcança, no deserto me acho.
Faço cobra morder o rabo, escorpião virar pirilampo.
Meus pés recebem bálsamos. Unguentos suaves das mãos de Maria, irmã de Marta e Lázaro, no oásis de Bethânia.
Pensou que ando só? Atente ao tempo.
Não começa nem termina, é nunca é sempre.
É tempo de reparar na balança de nobre cobre que o rei equilibra.
Fulmina-me justo. Deixa nua a justiça.

Eu não provo do teu fel eu não piso no teu chão
E pra onde você for não leva meu nome não (2x)


Onde vai valente?
Você secou. Seus olhos insones secaram.
Não vêem brotar a relva que cresce livre e verde, longe da tua cegueira.
Seus ouvidos se fecharam a qualquer música, a qualquer som.
Nem o bem nem o mal pensam em ti. Ninguém te escolhe.
Você pisa na terra e não a sente, apenas pisa.
Apenas vaga sobre o planeta. E já nem ouve as teclas do teu piano.
Você está tão mirrado que nem o diabo te ambiciona. Não tem alma.
Você é o oco do oco do oco do sem-fim do mundo.

O que é teu já tá guardado não sou eu que vou lhe dar,
não sou eu que vou lhe dar, não sou eu que vou lhe dar. (2x)


Eu posso engolir você, só pra cuspir depois.
Minha fome é matéria que você não alcança.
Desde o leite do peito de minha mãe até o sem-fim dos versos, versos, versos, que brotam no poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi.
Se choro, quando choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que alimenta a vida.
Chorando eu refaço as nascentes que você secou.
Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio.
Vivo de cara pro vento, na chuva. E quero me molhar.
O terço de Fátima e o cordão de Gandhi cruzam meu peito.
Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta.

Não mexe comigo que eu não ando só
Que eu não ando só que eu não ando só
Não mexe não (2x)

Chame o Lobo

Sábado à tarde shopping lotado. Na praça de alimentação animais domesticados falam andam comem riem compram bebem pegam fila conversam e desconversam usando a última moda tecnológica como que programados a repetirem eternamente em si as condutas condicionadas a sua geração. Sentada em uma das cadeiras afixadas ao chão para demarcar a cocheira destinada a cada cliente a jovem Vitoriane – quase imperceptível aos demais – não come não bebe não fala. Na mesa à sua frente repousa um objeto tão incomum àquele habitat quanto ela. Um livro. Na capa um nome russo. No olhar uma procura.

À garota só restava torcer para que ele ela não faltasse ao encontro. E que quem quer que aparecesse não fosse apenas outro maluco como da última vez: um religioso pretendendo convertê-la à sua fé mas que depois de um pouco de conversa a convidara à um motel. Ela estava cansada disso. Muito. Esta seria a sua última tentativa antes de partir para a solução extrema. Foi quando seu olhar reparou alguém a encarando do outro lado da praça. Não percebera como o velho chegara até lá assim como as demais pessoas que passavam pareciam tampouco notá-lo apesar de não esbarrarem nele como que afastadas por algum campo de força. Quando ele viu que se fizera perceber por ela ensaiou um sorriso que mesmo àquela distância gelou a espinha de Vitoriane. O coração dela acusava: desta vez obtivera sucesso.

O homem caminhou lentamente. Parecia impecável em seu terno preto feito sob medida. Usava bengala para magneticamente abrir caminho entre a multidão. Os poucos cabelos eram bem tratados e o rosto de um vermelho escandinavo. O percurso pareceu durar horas intensificando a impressão que o homem causava a cada passo. Ao se aproximar da mesa inclinou a cabeça por um momento para ler o título do livro. Sorriu mais uma vez e ela arrepiou-se mais uma vez. Ele apontou para a cadeira vazia à frente dela ao que recebeu um leve aceno afirmativo. Sentou-se sorriu encarou observou-a. Quem prestasse atenção àquele encontro julgaria tratar-se de um homem lanchando com a filha ou neta.

O velho olhou para a mesa ao lado. “Oi, querida, foi você quem me ligou mais cedo?” – disse um rapaz ao celular. Os olhos da moça adquiriram um brilho especial na presença do acompanhante ao entender a deixa. Apontou para o livro e soltou um profundo suspiro preso a uma eternidade. “Há tempos eu venho te procurando nos livros” – iniciou com voz falha tossiu ajeitou-se na cadeira e continuou – “comecei pelos religiosos, depois espíritas, esotéricos, místicos e discipulares. Mas as melhores pistas consegui encontrar na literatura.” O homem a ouvia com os olhos. O silêncio do interlocutor deu segurança ao seu tom de voz. “Autores como Dee, Goethe, Borges, Crowley, Lavey, Blavatsky, Lovecraft, Dostoiévski, Coelho e outros me foram úteis em fazer-me conhecê-lo melhor, mas a ideia de como te encontrar só me apareceu depois de ler Skazka, do Nabokov.”

O velho fez um sinal e a garçonete quase que imediatamente trouxe-lhe uma tulipa de chope. Ele pagou com uma cédula deixando uma generosa gorjeta. Depois pegou o porta copos e o atirou suavemente sobre a mesa rumo a Vitoriane. Continha uma inscrição em forma arredondada. “Chope Belga: desde 1926 satisfazendo os seus melhores desejos.” Ela fez um sinal um sorriso um olhar de que entendera.

“Edwin, o protagonista do conto, tinha um problema com flertes. Eu também tenho, só que sou o oposto dele. Você quer ouvir a minha história?”. Uma senhora passa ao lado da mesa com o celular tocando “Oh yes, yes, Can’t you feel the passion when I look in your eyes?”. Vitoriane sorriu encabulada. “Tenho apenas dezesseis anos e provavelmente sou a mulher mais bonita neste shopping, talvez em toda a cidade. E você sabe que isso não é mentira”. “Oh yes, yes, Can’t you feel the passion when I look in your eyes?” volta ma mesma senhora a mesma música no celular carregando uma bandeja com comida a ser devorada. “Mas ninguém ao nosso redor percebe porque aprendi a me fazer não atraente, a me tornar pouco notada. Uso roupas largas e fora de moda que não realçam o corpo. Procuro passar um aspecto desleixado quando saio de casa: não me maqueio, não cuido dos cabelos e unhas e sempre uso um par de óculos de armação ridícula como disfarce. Todo este trabalho para que os homens – e ultimamente as mulheres – me deixem em paz. Os outros parecem não entender quando falo que não quero me relacionar com ninguém. Estou feliz sozinha com os meus livros e filmes. A misoginia torna o meu mundo melhor. Mas carrego comigo a maldição da beleza: não consigo deixar de atiçar a libido alheia quando sou natural. Não suporto os flertes de idiotas me comendo com os olhos e me provocando nojo. Até os olhares de meu padrasto me fizeram enclausurar-me em meu quarto. O que não reclamo. A única coisa que quero é ficar quieta em meu canto. Feliz. Sozinha. Por isso eu te procurei. Faço qualquer acordo, pacto, promessa ou sacrifício para que você me transforme em um ser invisível. Sei que você pode fazer isso. Eu estou cansada de fingir ser quem não sou e ter de fugir quando não estou fingindo. Quero viver tranquila sem ninguém me atrapalhando e sem atrapalhar ninguém. Por isso me coloco em suas mãos.”

O homem terminou em um único gole o que restava do chope e apontou o dedo para um cartaz de cinema. “Mostra de Filmes Estrangeiros. Hoje: Vem Dançar Comigo”. Levantou-se e estendeu a mão esquerda à Vitoriane. Ela olhou para os lados como que esperando que alguém tentasse convencê-la a mudar de ideia no último instante. Mas ninguém prestava atenção nela além do velho.

De mãos dadas jovem e velho atravessaram a praça de alimentação calmamente. Vitoriane nunca mais foi vista.

Aforismos - Outubro 2012

Escolha qual você gostou mais. Todos escritos por Jefferson Luiz Maleski. Se quiser replicar algum deles, só peço para que mencione a autoria, ok?

E o anencéfalo que pôs a mão na consciência e ela estava totalmente limpa.

No meu celular, nenhuma chamada. No dela, apenas não há a minha.

Queimem, pecadores, ardam, incendeiem-se! Ou aproveitem as nossas ofertas de ar-condicionado em doze vezes sem juros!

Paranoia é alguém fantasiar expectativas sobre outra pessoa e quando elas se frustrarem jogar toda a culpa nesta outra pessoa.

Não leve a opinião de ninguém tão a sério. Incluindo a sua.

"Trouxe essa maçã pra senhora, fêssora!", disse a Rainha Má quando era pequena.

Eu sou sério, os outros é que não levam isso a sério.

Filmes & Séries Vistos - Outubro 2012


11 FILMES

220. Ruby Sparks: a namorada perfeita (Ruby Sparks) - EUA, 2012 -Muito bom
221. Safety not guaranteedEUA, 2012 - Bom
222. Looper: assassinos do futuro (Looper)EUA, 2012 - Bom
223. Rock of ages: o filme (Rock of ages)EUA, 2012 - Bom
224. Valente (Brave)EUA, 2012 - Bom [animação]
225. A era do gelo 4 (Ice age: continental drift)EUA, 2012 - Regular
226. Moonrise kingdomEUA, 2012 - Muito bom
227. CosmopolisEUA, 2012 - Ruim
228. Procura-se um amigo para o fim do mundo (Seeking a friend for the end of the world) - EUA, 2012 - Bom
229. Para Roma com amor (To Rome with love) - EUA, 2012 - Muito bom
230. Copper: 1ª temporada - EUA, 2012 - Regular [série]

Minhas Leituras - Outubro 2012


10 LIVROS = 1492 PÁGINAS

100. O crocodilo & Notas de inverno sobre impressões de verão (1864) - Fiódor Dostoiévski - 168 pgs - regular [emprestado]
101. Arte e letra: estórias L (2011) - Diversos autores - 88 pgs - muito bom
102. Quase memória (1995) - Carlos Heitor Cony - 223 pgs - bom
103. Pantaleón e as visitadoras (1973) - Mario Vargas Llosa - 255 pgs - excelente
104. Cartas a um jovem poeta (1926) - Rainer Maria Rilke - 80 pgs - bom
105. Canção de amor e morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke (1899) - Rainer Maria Rilke - 32 pgs - regular
106. Uma estranha família (2001) - Ray Bradbury - 208 pgs - regular
107. O cavaleiro inexistente (1959) - Italo Calvino - 120 pgs - muito bom
108. O velho e o mar (1952) - Ernest Hemingway - 96 pgs - bom [releitura][clube de leitura]
109. Angústia (1936) - Graciliano Ramos - 222 pgs - regular

Livros Adquiridos - Outubro 2012


17 LIVROS = -R$ 389,84 +R$ 149,90 = -R$ 239,94

201. Como partir o coração de um dragão - Cressida Cowell - Intrínseca - R$ 19,80 - www.skoob.com.br
202. A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói - 34 - R$ 9,90 - www.skoob.com.br
203. A história de O - Pauline Reàge - Ediouro - R$ 19,80 - www.skoob.com.br
204. Arte e letra: estórias R - Diversos autores - Arte e Letra - R$ 16,50 - Assinatura anual (lido)
205. Hagakure - Yamamoto Tsunotomo - Conrad - R$ 43,26 - www.estantevirtual.com.br (vendido)
206. Objetos turbulentos - José J. Veiga - Bertrand Brasil - troca - www.trocandolivros.com.br
207. Na ponta dos dedos - Sarah Waters - Record - troca - www.skoob.com.br
208. A Torre Negra vol. 2: A escolha dos três - Stephen King - Objetiva - R$ 9,90 - www.skoob.com.br
209. A invenção de Hugo Cabret - Brian Selznick - SM - troca - www.skoob.com.br (lido)
210. Col. Eternamente Clássicos: O mágico de Oz - L. Frank Baum - Leya - R$ 1,12 - www.casasbahia.com.br
211. Col. A torre negra (7 vols) - Stephen King - Suma das Letras - presente - www.submarino.com.br
212. O relógio Belisário - José J. Veiga - Bertrand Brasil - troca - www.trocandolivros.com.br
213. Hagakure - Yamamoto Tsunotomo - Conrad - R$ 94,70 - www.estantevirtual.com.br
214. O xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase - Mircea Eliade - Martins Fontes - R$ 122,12 - www.estantevirtual.com.br
215. Box A divina comédia - Dante Alighieri - 34 - R$ 43,11 - www.casasbahia.com.br
216. Juventude - Joseph Conrad - L&PM Pocket Plus - R$ 5,31 - www.casasbahia.com.br
217. O coronel Chabert / A mulher abandonada - L&PM Pocket Plus - R$ 4,41 - www.casasbahia.com.br (lido)

O Plano

Reunidos sob a sobra da mangueira, no quintal do seu Astolfo, alguns garotos deliberavam sobre um assunto delicado, um caso de vida ou morte.

- Chamei todos para esta reunião de emergência porque um membro do Clube Xis precisa de ajuda – começou Renato, presidente do clube – O Nhonho está apaixonado por uma garota e a gente precisa bolar um plano para que ela goste dele também.

- O Nhonho tá amando! O Nhonho tá amando! – brincou Jaiminho – E eu até acho que sei quem é a menina…

- Selminha! – responderam todos em uníssono.

O menino enrubesceu em meio às risadas dos amigos. Era extremamente tímido quando o assunto era a Selminha. O ar lhe faltava quando chegava perto dela na hora do recreio tentando oferecer um pouco do seu lanche. Sabia que o que sentia por ela só poderia ser amor, pois nunca antes pensara em dividir o lanche com alguém. Com o seu coraçãozinho apertado, resolveu apelar aos amigos.

- Pois bem, amanhã todos nos reunimos novamente aqui, no mesmo horário, e cada um vai trazer uma ideia para o Nhonho conquistar a Selminha. E começamos o Plano Todos por Nhonho.

Os meninos estavam empolgados com a missão. Foram para casa, pois já era aquela hora em que as mães costumam aparecer nas janelas fazendo ameaças caso eles não voassem direto para o chuveiro. No dia seguinte, a turma apresentou suas ideias.

Renato foi o primeiro. Ele havia pesquisado na internet e lera alguns artigos que revelavam que uma boa forma física costuma atrair garotas. Por isso, elaborou um programa de exercícios físicos para Nhonho perder uns quilinhos e deixar de ter aquela cara de amigão que ele tinha. Fizeram-no correr ao redor da quadra enquanto a turma gritava palavras de incentivo como “Força!”, “Você consegue!” e “Corre que o Matador está atrás de você!”. Matador era o pitbull do Cauê, totalmente inofensivo com os garotos, mas que Nhonho morria de medo. Depois o colocaram para fazer flexões (Nhonho, não o Matador), abdominais, levantamento de latas de tinta, entre outras coisas.

- Parece que o Nhonho não aguenta mais nada, gente. Tá todo molhado de suor e vermelho como um pimentão. Aliás, acho que a Selmiha pode gostar dele assim. Alguém aí sabe se a cor favorita dela é o vermelho?

- Há quanto tempo estamos treinando?

- Vinte minutos.

- Uau, o Nhonho é forte mesmo!

- Eu acho que está bom, já estou percebendo ele diferente, e vocês?

- Eu também.

- Puxa, ele até parece que ficou mais alto.

A próxima ideia veio do Jaiminho. Ele pediu ajuda do seu avô, o seu Astolfo, que sempre apresentava boas ideias para a turma. O seu Astolfo sugeriu que Nhonho usasse um amuleto da sorte quando fosse conversar com a Selminha. E por sorte, o avô do Jaiminho, havia viajado para muitos lugares e ajuntado muitas coisas legais que guardava em sua antiga oficina. Depois de revirar algumas caixas encontrou um chaveiro de pé de coelho meio encardido que disse ter pertencido ao próprio Pedro Malasartes. Todo garoto sabe que mais sortudo que Malasartes não existe. Assim, depois que o avô lavou o pé de coelho (e explicou que isso não tiraria a sorte dele), entregou para que Jaiminho emprestasse ao amigo. Os demais garotos ficaram impressionados com o talismã e Renato teve que fazer uma lista de espera para que todos pudessem usá-lo após o Nhonho.

Um dos garotos trouxe um livro de piadas para o Nhonho contar e fazer a Selminha sorrir, só porque vivia ouvindo o irmão mais velho dizer que fazer uma garota sorrir era meio caminho andado. Outro menino revelou que convencera o Matsuda a trocar de lugar com o Nhonho para que ele ficasse sentando ao lado da Selminha, tendo que se desfazer de algumas figurinhas de super-herói para isso. Mas o amigo valia o esforço. Ainda outro garoto fez um desenho muito bonito e escreveu um poema que conquistaria o coração da Selminha, como costuma dar certo nos filmes. Era assim:

Selminha linda do meu coração
Quando você aparece eu gosto muitão
Mas quando não aparece eu caio no chão
E machuco o dedão.

A turma toda considerou que era uma poesia bem bacana e que a Selminha só poderia amar. A última sugestão apresentada para o Plano Todos por Nhonho foi ele dar uma flor de presente para a amada. Como quem dera a ideia foi o Borges, cuja mãe tinha um quintal cheio de flores, ele pegou uma bastante colorida, mas como não teve coragem de arrancá-la, trouxe-a com o vasinho e tudo.

O treinamento finalmente havia chegado ao fim. Era chegada a hora de colocar em prática. Não tinha como o plano não funcionar: Nhonho estava confiante.

O Menino Milagreiro


Quando não querem que menino abelhudo escute a conversa de gente grande os pais sempre o mandam pra cama mais cedo. Mesmo sem um pingo de sono em sua cara curiosa. E nada parece funcionar nessa hora para chamar o sono: fechar os olhos, contar carneirinhos, rezar, tentar não pensar. Porque o sono é um visitante tinhoso. Deixa os ansiosos pela sua vinda se debatendo em vão pela cama que encolhe. Ainda mais se é criança que cola o ouvido no travesseiro e ouve passos se aproximando, mas ao abrir os olhos para ver quem é o som para, só pra recomeçar assim que encosta no travesseiro. Vai ver é porque existe algum gênio ou anjo ou sei-lá-o-quê dentro do travesseiro ou na cama ou embaixo dela. Ou seria o sono que vem pé ante pé para atacar os desprevenidos?

O que os pais não sabem é que o silêncio da noite eleva sussurros a ponto de serem ouvidos através das finas paredes de madeira. Vozes preocupadas. Tom sério. A mãe briga com o pai. Diz que não há nada a perder. É preciso tentar, homem, pense no futuro do teu filho. Oportunidade melhor pode não aparecer. O pai é desconfiado, indeciso, cauteloso. Confessa que desde que o menino milagreiro chegara à vila a vontade de visita-lo só fez aumentar. Ainda mais depois que tanta gente passou a anunciar aos quatro ventos as curas que fizera. O seu Lázaro encamado a não se sabe quanto tempo e agora anda para cima e para baixo distribuindo bons-dias. A erisipela da filha da dona Matilde, da quitanda. A espinhela caída do nhô Nelso. O cancro mole do capataz do doutor Fagundes. Tudo gente de bem, que não ia inventar lorota. E tantos e tantos outros causos que atraíram uma romaria até a casa do seu Salvador, onde o menino milagreiro pediu pouso. A mãe fala com voz chorosa que o menino milagreiro vai embora a qualquer momento. O pai diz que sabe disso, mas está preocupado com o preço a ser pago. O menino milagreiro, antes de curar, faz uma pergunta ao doente ou ao pai ou à mãe que o acompanha. É sempre a mesma pergunta. Se o Altíssimo me conceder o dom da cura com o seu filho/pai/mãe/irmão/marido/esposa/vizinho/capataz/etc, você jura por Nossinhora que depois vai atender a um pedido meu sem contestar, sem desistir, sem se arrepender, fazendo qualquer coisa que eu pedir, independente ser for coisa boa ou se for coisa ruim e independente de quanto venha a sofrer por isso?
O pai já ouviu o povo comentar que os pedidos variam de pessoa pra pessoa e ninguém é autorizado a contar o que é, mas pela cara de tristeza quando saem da casa do seu Salvador até parece que o pedido é pior que a doença curada. E mesmo que não cotem o povo comenta. A mulher do seu Lázaro desapareceu, sumiu do mapa, ele diz que foi viajar para ver parentes, mas aquela nunca saía da cidade e de repente dá a doida fazendo mala e cuia é pra comentar mesmo. A quitanda da dona Matilde foi posta à venda, ainda que herança de família há anos. O finado Ezequias deve estar se revirando no túmulo. O nhô Nelso agora usa umas roupas estranhas, coloridas, parecendo mais mulher que homem. O capataz do doutor Fagundes deu uma coça pesada no patrão e agora tá lá, preso no xilindró. O pai afirma que é homem de palavra. Mas tem medo do que o menino milagreiro pode pedir. É só a porcaria de um menino! E se pedir pra matar? E se pedir pra abandonar mulher e filho? Até que ponto ele estaria disposto a sacrificar pela saúde do filho, era a sua dúvida.

O filho imaginava como seria a vida de um menino milagreiro. Passar o dia recebendo doentes tristes, chorosos, suplicantes para depois saírem saudáveis, pulando, enxergando, falando, sorrindo. Devia ser um trabalho bom. Mas melhor mesmo era mandar e os outros obedecerem. Sempre era o menino quem obedecia, nunca pensou que existisse outro menino que fosse diferente. Ele bem que gostaria de dar uma lição em alguns, tirar uma casquinha de outras, mas se aproveitar só um pouquinho, e ainda dar conselho a outros para deixarem de ser bobos.

Mas não faria nunca maldades com alguém. Isso não.


***


O sol já estava alto quando o homem e o menino entraram na sala. Pediram licença e se aproximaram. Mesmo com o ambiente lotado, o homem conseguiu uma cadeira e o garoto sentou-se na minha frente. Depois, cuidadosamente pegou as muletas e as encostou na parede. De todos os olhos fixos em mim os do menino eram os maiores e mais curiosos. Perguntei para o homem ao seu lado:

- Se o Altíssimo me conceder o dom de curar o seu filho, o senhor jura por Nossinhora que atenderá um pedido meu sem contestar, sem desistir, sem se arrepender fazendo qualquer coisa, independente ser for coisa boa ou coisa ruim e de quanto venha a sofrer por isso?

- Eu juro – respondeu o homem com a voz firme – por Deus e por Nossinhora.

Sorri e olhei o menino. Peguei suas mãos nas minhas, fechei os olhos, fiz uma prece silenciosa e mandei que ele andasse. Ele sorriu nervoso. Levantou-se esperançoso. Andou cauteloso. Até que correu e abraçou um pai choroso. Passaram alguns minutos abraçados, até o pai recobrar a postura e vir até mim.

- Pode me falar o que eu preciso fazer – disse, com a voz falha e rouca.

- Então falarei na presença de todos para que confiram se o senhor vai me obedecer.

- Eu vou obedecer.

- O senhor nunca mais, a partir de hoje, mas nunca mais mesmo, vai mandar o seu filho dormir mais cedo. Mesmo que haja conversas de adulto ou que passe da hora dele dormir. Entendeu?

- Só isso?

- Sim.

- Eu prometo.

- Então, já que diante dos presentes o senhor cumpre a promessa que me fez, também vai ganhar a fazenda do doutor Fagundes para seu filho subir nos pés de jabuticaba e nadar no rio!

Nisso entra o doutor Fagundes na sala e com um sorriso aperta a mão do homem e lhe passa a escritura da fazenda. Em seguida, sai rapidamente, tal qual entrara.

- E também ganhará a quitanda da dona Matilde para que sua esposa tenha um trabalho só para ela!
Entram a dona Matilde e a esposa do homem, a mãe do garoto, todos se abraçam e dona Matilde repassa as chaves da quitanda para eles.

- Também a filha mais bonita do professor, a Julinha, vai ser namorada do menino de hoje em diante. Mas ele também poderá namorar a Maria Rita, que mora do outro lado do rio, se quiser.

Entram as duas meninas de mãos dadas, se abraçam ao menino cada uma de um lado, com sorrisos tímidos e rostos corados.

- Por fim, tudo o que o menino falar deverá ser obedecido por todos, porque eu estou passando para ele os poderes que me foram dados. Ele vai curar doentes, trazer chuva, amansar boi bravo, dançar valsa, ser bonito e forte e alto, correr mais rápido que redemoinho, comer doces sem ter dor de barriga e dor de dente, andar sobre as águas, visitar o avô quando der saudade e sonhar só com as coisas que quiser, desde hoje até o dia em que cansar e resolver brincar de outra coisa.

Minhas Leituras - Setembro 2012

7 livros = 1807 páginas

93. Os sofrimentos do jovem Werther (1774) - J. W. Goethe - 223 pgs - bom
94. A estrutura do romance (1928) - Edwin Muir - 105 pgs - regular
95. Arte e Letra: estórias K (2010) - Diversos autores - 80 pgs - muito bom
96. A dança dos dragões (2011) - George R. R. Martin - 872 pgs - excelente (matou um dos meus personagens favoritos!)
97. The walking dead 17 (#97-102): Algo a temer (2012) - Kirkman & Adlard & Rathburn - 150 pgs - excelente [hq] [ebook] (idem ao acima)
98. Rumo ao farol (1927) - Virginia Woolf - 224 pgs - bom
99. Os cavalinhos de Platiplanto (1959) - José J. Veiga - 153 pgs - bom [emprestado]

Legenda: RUIM - EXCELENTE

El sueño de la razón produce monstros


Gravura do pintor espanhol Francisco de Goya, Museo del Prado.

Os retos e o torto

Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

O que gasta mais calorias: ler ou assistir à TV?

Leia em vez de assistir à TV. Há diferenças em termos de queima calórica entre as duas atividades. Ler mantém o cérebro mais ativo e queima mais calorias. Já ficar horas olhando a TV é uma das atividades que menos consome calorias.

Fonte: Terra Saúde

Aforismos - Setembro 2012

Escolha qual você gostou mais. Todos escritos por Jefferson Luiz Maleski. Se quiser replicar algum deles, só peço para que mencione a autoria, ok?

Desespero é ouvir o piloto avisar que o avião está caindo e ainda faltarem 50 páginas para terminar o livro que você está adorando.

Vencer a si mesmo não seria a mesma coisa de deixar-se ser derrotado por você?

Os eleitores não se importam que os candidatos sejam ignorantes e corruptos. Os candidatos fazem questão que os eleitores sejam assim.

Eu sou muito novo para ficar velho.

Se os candidatos políticos da minha cidade distribuíssem ao invés de santinhos, diabinhas, garanto que a campanha seria mais memorável.

Era um homem tão excitante que até os tomates secos ficavam animados perto dele.

O Ministério da Escrita adverte: Apaixonar-se pela musa inspiradora pode causar confusões entre a realidade e a ficção.

Evolui de tal forma a minha arte de procrastinar que consigo até deixar para terminar depois a

Se você for contar a sua vida para mim tenha certeza de ser mais interessante que a minha se não quiser que eu durma.

A minha vida não me basta.

Brincadeira com o novo acordo ortográfico: Eu pelo pelo pelo lado de fora. Entendeu o sentido? Dica: verbo, substantivo e preposição.

O que você não sabe fazer, não quer saber e tem raiva de quem sabe: Racionalizar sentimentos ou sentimentalizar raciocínios?

Não trate como sexta-feira quem te trata como segunda.

Incomodar os outros é uma maneira de você descobrir que está vivo. A não ser que os "outros" estejam nos 35% que acreditam em fantasmas.

Se a vida fosse uma eleição você seria um candidato e todas as outras pessoas o outro. O nosso destino é descobrir a melhor escolha.

O homem que responde que vai "descer o cacete" e "meter o pau" em resposta a uma cantada gay pode ser chamado de homofóbico?

Escrever é perigoso

Eu escrevo a minha própria vida. E não tenho receio de reescrevê-la sempre que o enredo começa a me entediar. Às vezes, cai bem variar e viver um romance, um drama, uma comédia, um suspense policial. Observo, ao longe, a rebentação fazer a festa de alguns turistas na água enquanto à minha frente o restante de uma caipirinha esquenta. Uma leve brisa marítima bagunça os meus cabelos e as folhas dos classificados. Ajeito as páginas de O Globo e releio o pequeno anúncio centralizado na página.


Não sei que tipo de louco seria pior: o que publica um anúncio oferecendo-se como matador de aluguel ou o que se interessa por ele. Bem, na verdade eu sei exatamente o tipo de louco que faz isso, alguém exatamente como eu. Aqui, sentado à beira da piscina, em plena Avenida Atlântica, no mais conhecido hotel do Rio de Janeiro, aguardo o meu contato aparecer. Depois de duas semanas de troca de e-mails, combinar o valor razoável para as duas partes e marcar o encontro em um local público para a entrega da primeira parcela em dinheiro vivo e as informações da futura vítima.

Vocês podem estar pensando que eu, como escritor, sou apenas um tímido e inofensivo senhor esquálido, com alguns graus de miopia e andar engraçado. Ledo engano. Os melhores escritores são os mais sádicos com as personagens. E as personagens da minha história são os que estão ao meu redor. Resolvi fazer da minha vida a minha própria obra-prima. Por isso, ninguém está cem por cento seguro de continuar vivendo nos próximos capítulos. Cabe a mim decidir quando é hora de um plot point, um ponto de reviravolta na trama. E não falo de personagens secundários, facilmente descartáveis. Me interesso em especial pelas protagonistas, que precisam de problemas complexos, situações extremas, verdadeiras catástrofes para se e quando sobreviverem, chegarem ao final da jornada modificadas, aprimoradas. Ao menos até o próximo plot point.

Vejo o homem entrar na área da piscina, discretamente procurando alguém. À esta hora da manhã não há muitas pessoas banhando-se e é inevitável me encontrar em segundos. Seu rosto sério e sisudo ensaia um leve sorriso quando fixa o olhar em mim. Ele sabe que sou eu quem o espera. Carrega uma mochila preta. Tento me mostrar calmo externamente, mas por dentro meu coração dispara. Sempre fico assim quando me coloco em situações novas. Se eu pensava em desistir em algum momento, tal hora já passou.

- Bom dia, posso me sentar com o senhor?

- Sim, por favor.

- O que o senhor está bebendo?

- Uma caipirinha, me acompanha?

- Não, muito obrigado. Gostaria de ir logo ao assunto - ele reponde enquanto senta com a mochila no colo.

- Pois não. Suponho que na mochila está o dinheiro combinado e os todas as informações sobre o nosso amigo.

- Eu não tenho amigos.

- Foi apenas uma expressão, não se preocupe com isso. Não vou contar as cédulas aqui, confio que o senhor não vai querer me enganar, estou certo?

- Sim, claro. Mas posso fazer apenas uma pergunta?

- Pode - digo, lembrando que já havia me preparado para isso.

- O senhor não tem medo que eu seja da polícia e tenha armado tudo para prendê-lo?

- Nem um pouco.

- Por quê?

- Porque até agora somos apenas dois homens que trocaram e-mails, planejaram algo criminoso e se encontraram em um hotel. O senhor está me passando dinheiro e informações de um terceiro. - Todo bom escritor sabe pesquisar o material com que trabalha e, para esta nova história conhecer as leis penais foi essencial - Nada disso é crime no código penal. Se apenas pensar coisas erradas fosse crime não sobraria ninguém livre.

- Mas e o seu anúncio?

- Tampouco há algo errado. Ninguém pode provar que o anúncio é verdadeiro. Posso ser apenas um escritor de imaginação fértil e entediado ou uma pessoa com muito humor negro. E, supondo que o anúncio seja falso, nem mesmo posso ser acusado de estelionato ou fraude por prometer algo criminoso e não cumprir, já que a legislação penal isenta de pena quem se nega ou se arrepende de praticar crime antes de sua execução. E ainda há uma terceira hipótese.

- Qual?

- Eu posso ser um policial disfarçado. -  essa era a deixa que eu havia preparado para intimidar qualquer curioso.

- E você é?

- Hehehe, claro que não. Pode ficar tranquilo.

- Muito bom, seria complicado para mim se eu matasse um policial.

- ?

Ouço dois estampidos abafados por baixo da mesa e sinto o meu peito arder. Ele coloca a arma com silenciador calmamente sobre a mesa. O meu olhar é pura interrogação enquanto o ar começa a faltar. Os tiros me surpreenderam tanto que não tive tempo de esboçar reação alguma, nem mesmo um grito de dor. O outro se levanta, guardando a arma na mochila.

- Também sou um matador profissional e não poderia admitir concorrentes com ideias inteligentes como a sua. Anunciar nos classificados? Genial, eu nunca havia pensado nisso antes. Poderia ser ruim para os meus negócios um matador mais criativo que eu na área. Enfim, foi um prazer conhece-lo. Espero que me perdoe a grosseria, mas negócios são negócios. Adeus.

Penso em dizer que não sou seu concorrente, que ele acaba de matar um idiota inocente, mas a única coisa que sai da minha boca é um bocado de sangue. Ele se afasta enquanto minha vista escurece. Droga, morto em meu próprio plot point! Às vezes, é a própria obra que decide o destino do escritor.