SPFC: Pentacampeão Brasileiro

São Paulo Futebol Clube
Único Pentacampeão do Campeonato Brasileiro de Futebol
1977 1986 1991 2006 2007



Parabéns São Paulo, o tricolor que sabe dar alegrias ao seu torcedor. E eu amo muito tudo isso. Olha a foto da taça criada exclusivamente para os clubes que chegassem ao Penta, e que foi conquistada pela primeira vez, indo para o time do Morumbi. A outra normalzinha o SPFC já tem desde o ano passado, hehe.

Geena (ou Quase Poema)

Os homens se julgam espertos:
Já não bastasse cravarem Deus lá no Big Bang
Matam, exterminam, destroem tudo
Que lembre a Ele
Até a si mesmos.

Parecem ainda em fuga
Do Paraíso perdido
Escondem-se
Tão longe quanto nos infernos.

Se bem que, com o calorzão destes dias,
Deve ter dado preguiça
De ir até lá
E resolveram fazê-lo aqui.

Memórias de um mentiroso

Quando eu nasci, chorei sem apanhar. Por racismo, a minha avó não quis me ver, mas somente até me ver. Já tive bochechas rosadas e cabelo angelical, rosto inocente e olhar amedrontador. Eu já derrubei a bisa da escada. Já comi terra e massinha de janela. Cresci rodeado de flores, que me impregnaram com o seu perfume até hoje. Algumas eu colhi, outras eu pisei, ainda outras só admirei, porquanto elas sempre estiveram junto a mim.

Já fui raio de luz e anticristo. Já machuquei meus pais sem tocar neles. Já desembainhei e estoquei alguns com a minha língua. Já fui anêmico, canhoto, hepático, esquizofrênico, tímido, depressivo, revoltado. Já me indignei com burrice, preguiça, preconceito e falta de empatia alheios, sem perceber as minhas próprias. Já troquei festas pela televisão, namoradas por amigos, beijos por conselhos e sentimentos pela razão, e vice-versa. Já levei pedradas na cabeça e sangrei. Diferente ou semelhante às mulheres, já sangrei pelo nariz e pelo pênis. Já me queimei ao sol e virei vampiro. Já me transformei com a lua.

Eu já tive um melhor amigo de toda a minha vida diferente todo ano. Fui professor que se formou aluno. Já li todos os romances de Oscar Wilde. Já fui o companheiro certo nas horas erradas e achei um saco. Já fugi de casa por ter feito algo que só eu julgava errado. E voltei me achando um bobo. Já corri atrás de livros e mulheres e fugi de cobras e viados. Já mudei por causa disso. Já amei uma vez, mas fui amado muitas. Oxalá amar novamente mesmo que uma pequenita fração que amei ou me amaram. Já dormi com duas e três ao mesmo tempo. Já dei nove presentes iguais no dia dos namorados. Já fiquei dois anos sem beijar. Eu já me casei e enviuvei. Já vivi noventa e dois anos e achei pouco.

Eu já fui católico, evangélico, judeu, agnóstico. Depois filósofo, esoterista, hermeneuta, pragmático. Já morei no Paraguai e viajei até Roma. Já fui desenhista, poeta, ladrão, cdf, assassino, escritor, alien, mercenário, conselheiro sentimental e ombro amigo. Me formei em administração, psicologia, letras, teologia, computação e direito. Já bebi até ser outra pessoa, e ela nunca me contou o que eu fazia. Já fui abstêmio e careta. Já passei vergonha pela coisa errada e fui humilhado pela coisa certa. Já fui julgado, sentenciado, condenado e banido, talvez não nessa ordem.

Acreditei em coisas e pessoas que não acredito mais. Já fiz acreditarem - até a mim mesmo - naquilo que dizia. Já traí e fui traído mais vezes que gostaria. Já deixei de dizer eu te amo à pessoa certa. Mas não às erradas. Eu já fui a pessoa errada de alguém. Já tive uma filha que chama a outro de pai. Todavia, são os filhos que não tive que me (per)seguem. Já brinquei de capotar de carro e de voar da moto. Já viajei de avião, de catamarã e de alucinações. Já morri afogado. Já fui sapo rei e príncipe verde. Fiz sacanagem, sacaneei e fui sacaneado. Já fodi e fui fodido. Já conheci mulheres dos 13 aos 70. Já aprendi a amar e a desamar.

Eu já assisti o São Paulo jogar no Morumbi. Noivei em Foz do Iguaçú e em Florianópolis. Já me arrepiei com o barulho do Schumacher em Interlagos. Vi show de rock, samba, sertanejo, funk, pop, tudo de graça e odiei. Já abracei a Marjorie Estiano, não este ano. Já chorei com filme, livro, mulher e pecado. Já sorri com filme, livro, mulher e pecado. Já fiz chorarem por sadismo. De prazer. De alegria. Já gozaram com meu beijo, olhar, voz e palavras, separadamente. Já beberam veneno por minha causa e não deixaram nem um pouco pra mim. Já beijei mais de mil bocas, mas nunca a mesma boca mil vezes. Conheci a anatomia e a alma feminina melhor que as minhas. Já fui um cara mau, hoje sou apenas um cara mau que não faz maldades.

Apesar do que fiz ou penso que fiz, tudo não chega nem à metade da minha realidade e criatividade. Não é o fim nem o começo. É só aquilo que sempre vai estar na minha mente influenciando atitudes, amores, paixões. Tudo pode ser mentira para outros, mas não naquele Universo visto atrás dos meus olhos verdes.

A Arte de Escrever com Arte, de Ronald Claver

Não sei se muitos notaram esta coincidência interessante dentre os livros lançados no ano passado, mas é um fato no mínimo curioso dois livros serem publicados simultaneamente com o mesmo título. E esta curiosidade aumenta depois que se lê um deles e as perguntas começam a pipocar: Qual dos dois é o melhor? É um caso de plágio? O que eu faria caso fosse um dos dois autores? Apesar de ser um assunto pra lá de instigante, não pretendo fazer uma comparação entre os dois livros, até porque já disse tudo o que queria sobre o livro A Arte de Escrever com Arte de José Carlos Leal em uma resenha feita no mês passado. Porém, quem quiser poderá comparar as duas resenhas e tirar as suas próprias conclusões sobre as minhas conclusões.

A Arte de Escrever com Arte de Ronald Claver é um livro de exercícios de escrita. Simples assim. E apesar de não mencionar nada nas sinopses da editora e das livrarias online, o público-alvo focalizado pela obra é o infanto-juvenil. Transparece a cada página que ele foi elaborado (conscientemente?) para ser usado em salas de aula por professores de português ou literatura. Eu, que já passei há tempos da puberdade e me aventurei a lê-lo sozinho em casa, me senti um pouco deslocado em certas partes. Como onde aparece um exercício que pede ao leitor para começar a escrever uma estória e após algum tempo trocá-la com o colega ao lado, continuando a dele e vice-versa. Impossível de ser feito sozinho. Mas, longe de ser um defeito, este detalhe demonstra que o livro não foi escrito para toda e qualquer situação e pessoa. É um livro para ser utilizado especificamente por um grupo de estudantes, e neste objetivo deverá cumprir muito bem o seu propósito.

O livro traz exercícios de escrita e criatividade elaborados em cima de textos, resenhas, poesias e artigos de escritores ora conhecidos ora nem tanto. São pouquíssimas as falhas que aparecem, a maioria irrelevantes como pontuação incorreta (erros de impressão?) e algumas referências a outros livros do autor que aparecem mais ou menos assim (erros de digitação?): "(Do livro Hoje tem Poesia, de ronaldclaver, Ed. Dimensão)".

E um único parágrafo que pode ter algo errado na concordância:

Você acha que boteco é essa maravilha multicultural, mística, transcendental, iluminada, cáustico, poético, humano que o texto acima apregoa? Ou não passa de um estabelecimento comercial como outro qualquer?

Contudo, isso é apenas uma minúscula mancha vista de longe, somente notada pelos leitores mais perfeccionistas como eu. A citação acima reforça um traço importante do livro: o autor quer passar sua experiência de escrita, as suas ferramentas, para os seus leitores-alunos. Ele ensina, por exemplo, que até um boteco pode ser fonte de inspiração para a arte. Não que ele esteja fornecendo mais uma desculpa para os adolescentes irem aos botecos. Nem precisaria, pois os adolescentes atualmente inventam desculpas de sobra para isso. Pelo contrário, Claver mostra que em qualquer lugar pode acontecer aquele clique que falta para começarmos a escrever, até em um boteco.

Ronald Claver é mineiro de Belo Horizonte. Classifica a si mesmo como poeta crítico, já publicou mais de 20 livros e ministra oficinas de texto. O seu site está no endereço eletrônico http://ronaldclaver.110mb.com/. Talvez por ser poeta, as aulas entre um exercício e outro possuam um tom provocador e inspirador. Ou esquizofrênico, conforme justifica o autor:

Para o Dicionário Houaiss, os significado de "palavra" é, entre outros: capacidade de exprimir idéias por meio de sons articulados e conjunto coerente de idéias fundamentais a serem transmitidas, ensinadas. Ao ler A arte de escrever com arte, o leitor vai poder enxergar as infinitas possibilidades que as letras, as palavras e as frases podem abrigar e ver que a definição de "palavra" vai muito além do que possamos imaginar. Essa publicação se constitui como um hipertexto. Uma "coisa" leva a outra "coisa" e a leitura parece não ter hora para acabar. E se ao leitor parecer que o livro é "meio maluco" é um bom sinal. Pois, a proposta é inventar, brincar com as palavras. E para isso não tem limite de idade.

Pretendo resolver alguns dos exercícios do livro no blog, só para ver se tiro proveito da experiência. Escolhi o blog porque atualmente uso mais o teclado do que a caneta. Aquele que achar a idéia interessante, também pode participar e fazer o exercício, ou colaborar se o mesmo exigir um colega, como aquele citado mais acima. Todo os visitantes estão desde já convidados a participar.

leitura em: Setembro / Outubro 2007
obra: A arte de escrever com arte, de Ronald Claver
edição: 1ª, Autêntica Editora (2006), 119 pgs
preço: Compare os preços de A arte de escrever com arte no BuscaPé
Bom
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Post número 100!!!

Luz da minha vida

Teu sorriso
Se apenas um único de teus sorrisos ilumina toda a minha existência, porque tu insistes em exauri-los com aqueles cegos que preferem morar em eterna escuridão?

Jefferson Luiz Maleski

"Condenados" - Comercial Futura 10 anos


Galileu pensou que a terra girava em torno do Sol
Acabou condenado.

Joana D'arc queria unificar a França
Terminou na fogueira.

Robespierre pensou que podia ser igual e livre
Foi parar na guilhotina.

Tiradentes queria um Brasil independente
Foi condenado a forca.

Sorte sua viver numa época que você é livre pra pensar.

"Pensamentos" - Comercial Futura 10 anos


Você pode pensar muitas coisas:
Pode achar que nada supera o capitalismo
Ou ter certeza que o comunismo é a única saída.

Você pode pensar que existem vários deuses,
Um,
Nenhum,
Ou que eles eram astronautas.

Você pode ter várias teorias da conspiração:
Pode saber quem matou Kennedy
Acreditar que a viagem à lua foi uma grande farsa
Ou que Elvis está vivo.

Você pode pensar que a televisão é mais um eletrodoméstico na sua vida
Ou que é uma das maiores invenções da humanidade.

Você pode pensar muitas coisas
A única coisa que você não pode fazer
É não pensar.

"Verdades" - Comercial Futura 10 anos


Já foi dito que a Terra era o centro do Universo
E que era o Sol que girava ao seu redor.

Já disseram que virgens deveriam ser sacrificadas
Que livros não poderiam ser lidos
E bruxas mereciam ser caçadas.

Já foi dito que o homem era incapaz de voar
Ou de chegar ao fundo do oceano.

Já foi dito que negros não poderiam entrar
E que judeus não poderiam sair
E que só os brancos teriam direito de ir e vir.

Já disseram que gênios eram loucos
E que loucos eram brilhantes.

Já foi dito que mulheres não deveriam votar
Que microorganismos eram lendas
E curas eram impossíveis.

Já disseram que a televisão seria apenas mais um eletrodoméstico na sua vida.

Hermann Hesse


Para que resulte o possível deve ser tentado o impossível.

Hermann Hesse (1877-1962) nasceu alemão, mas naturalizou-se suíço. Foi ativista pela paz na era pós nazista, e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1946 pelo livro O Jogo das Contas de Vidro. Outros de seus livros famosos são Sidarta, O Lobo da Estepe e Demian.

Ter + fazer = ser

Há dois verbos indissociáveis do ser humano: o ter e o fazer. Funcionam como as parcelas da equação onde a soma é o próprio ser. Mesmo aquele que não tem nada, ainda possui corpo, alma, vida, desejos, defeitos etc. Da mesma forma, até mesmo os que optam por um estado de total paralisia ainda continuam a fazer coisas simples (ou nem tão simples assim) como comer, beber, dormir, respirar, pensar etc. Se o ter e o fazer são capazes de se identificarem tão bem com o próprio ser a ponto de se confundirem como parte da personalidade, estes dois verbos quando executados conscientemente (e até inconscientemente, por que não?) revelam um pouco sobre aquele hóspede que habita o quarto escuro de nosso íntimo.

Mas como reagir diante de alguém que ataca algo que você tem ou que você fez? Esta ofensa deve ser levada para o lado pessoal? Melhor: seria uma ofensa pessoal? Analisando objetiva e friamente a questão, poderíamos argumentar que tudo o que possuímos ou fazemos reflete, mesmo que de modo parcial ou inconsciente, a nossa personalidade.

Se alguém compra um livro ou um DVD, por exemplo, está indiretamente revelando aos mais atentos um gosto ou uma opinião pessoal e até uma certa influência exercida sobre ele. Aquele objeto ou ato pode até demonstrar sutilmente uma fraqueza ou virtude.

Se a escolha for por um romance, além do óbvio que esta pessoa aprecia muito o romantismo, pode também indicar algo sobre quem a rodeia e o que (faz) falta em sua vida. Se alguém é desorganizado, seja no quarto, no guarda-roupas, seja no trabalho, na escrivaninha, está mostrando como é por dentro: uma pessoa fragmentada, com pensamentos, sentimentos ou objetivos conflitantes e sem prioridades definidas claramente.

Mas ser uma pessoa romântica ou desorganizada não a faz pior que as outras. Somente humanos tem a capacidade de serem românticos e desorganizados. E todos somos humanos. Tais características tornam a pessoa pior para aqueles que são diferentes dela. Mas não chegam a ser tão diferentes assim, pois todos temos graus de romantismo, desordem ou outro “defeito” ou “pecado” qualquer.

O homem exterioriza de forma natural o que tem em abundância por dentro. Faz isso por meio do ter e fazer. Quando o que temos ou fazemos é atacado por outra pessoa, na verdade ela está atacando algo que há em você e não nela. O diferente incomoda. Não que a pessoa esteja totalmente errada e você certa – é regra geral defendermos cegamente o que cremos antes que os argumentos contrários penetrem em nosso cérebro. Ou vice-versa, você também pode não estar totalmente certo e ela não totalmente errada. É apenas a boa e velha diferença de personalidades, que por incrível que pareça é algo bastante comum entre os seres humanos, graças a Deus.

Porém, quando há um posicionamento tão radical contra aquilo que você tem ou faz, a melhor solução é afastar-se. Isso para benefício mútuo. Para o seu benefício individual, acrescente ainda a reflexão sobre a situação: qual é o percentual em que está certo? E qual é o percentual em que o outro está?

Segundo Epíteto, preocupar-se com aquilo que está além da nossa capacidade de modificar, e aí incluem-se as vontades alheias, trará frustração. Deveríamos tentar mudar o que está dentro da nossa capacidade, o que está dentro de nós, e aqui inclui-se como encaramos as atitudes dos outros. Mesmo aquelas atitudes contra o que temos, o que fazemos, ou ainda, contra quem somos. Portanto, da próxima vez em que alguém atacar algo que você tem ou fez, pergunte-se: o que estou refletindo aos ao meu redor? Tenho de melhorar em algum aspecto negativo mais prejudicial a mim que aos outros? Consigo ver aquilo que está sendo atacado dentro de mim que é tão diferente do outro? Refletir sobre tais perguntas ajudará a resolver várias dessas situações tranquilamente.


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Creative CommonsEsta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Fábula de nós dois

Relendo algumas coisas escritas ainda não apagadas em Meus Documentos encontrei um texto de 10/09/2005 que escrevi sobre o início do namoro com a Vanessa. Foi um presente para ela, exclusivo, tanto é que há alguns significados ocultos que somente nós dois sabemos. O tempo passou, o namoro acabou (o texto parecia prever isso), mas o texto ficou. Acredito que seja algo interessante de ler, até porque na época despertou muito a curiosidade das crianças que ouviam a estorinha. Segue o texto sem modificações.

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FÁBULA DE NÓS DOIS

Era uma vez uma linda princesa que morava num lindo vale encantado. Ela sempre sonhava em conhecer algum dia o seu lindo príncipe. Só não entendia muito bem porque os príncipes ultimamente preferiam ficar enfrentando dragões por aí e a deixavam sempre de lado.

Certo dia, enquanto caminhava e jogava pedrinhas em um lago, quase pisou em um sapo.

- Ei – disse ele – Preste atenção em quem você pisa!

- Desculpe, eu estava tão distraída que não vi você aí embaixo - respondeu a princesa - Mas espere um pouco, acho que devo ter ficado muito tempo ao sol, pois pelo que eu sei sapos não falam.

O sapo respondeu: - E quantos sapos você conhece pessoalmente, hein? Nós, os sapos, somos muito tímidos quando vemos lindas princesas. Fora isso somos bastante sociáveis. Eu mesmo costumo sair quase toda noite pra balada. Até curto um forrozinho de vez em quando.

- É mesmo? Eu nunca conheci alguém como você – E admirada começou a conversar com seu novo amigo.

E como eles conversavam. O sapo era muito curioso. Perguntava sobre tudo à princesa, que respondia a nem todas as perguntas. Ela lhe contou sobre os príncipes que já haviam passado pela sua vida – uns quatro ou cinco, talvez mais – mas que se pareciam mais com Ogros. Contou também como os príncipes só viviam atrás de Ktilãgas, uma espécie de dragão que só aparecia depois do entardecer ou de umas três cervejas.

A princesa apelidou o sapo de BB, pois já estavam se encontrando a muito, muito tempo. Acho que durante umas duas semanas. De tanto conversarem, passaram a sair para passear sob a luz do luar algumas vezes. E como uma coisa leva a outra, logo já estavam trocando beijos apaixonados. Pareciam que foram feitos um para o outro, exceto pelo fato que ele continuava sendo um sapo e ela uma princesa. Mas isso seria um problema somente quando pensassem em ter filhos.

Um dia a princesa decidiu que queria apresentar BB aos seus pais como seu namorado. Para ela, o seu BB já não era mais um sapo, mas havia se transformado em um lindo príncipe, com o rosto de um anjo. Sua mãe até engoliu o sapo (não literalmente), mas o seu pai, o rei, nem mesmo quis pensar na idéia. Imagine – disse ele – eu criei minha filha como uma princesa, paguei todos os cursos que as princesas costumam fazer e até alguns a mais, e agora aparece um sapo qualquer e pensa que é o dono do pedaço? Quem ele pensa que é? Que vá caçar uma perereca pra ele!

Mas a princesa nem ligava. Dizia que mesmo que não ficassem juntos, já havia valido a pena, pois nunca esqueceria do seu BB. E isso foi que aconteceu, pois um dia ela resolveu ser aeromoça em uma terra distante e deixou o vale encantado.

Assim eles viveram felizes para sempre. A linda princesa sabendo que não precisava de um príncipe para ser feliz e o sapo coaxando vantagens para os amigos, de como um dia havia sido beijado por uma linda princesa.

Gostou, princesa? De qualquer jeito deixo aqui meu beijo para você, Vanessa.

Obs: Qualquer semelhança com certa história que você conhece não é mera coincidência.

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O sucesso é construído à noite, de Roberto Shinyashiki

Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.

Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.

Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo, pois ao contrário, acabará perdendo seu grande amor.

O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados. Não se compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso.

Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.

Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.

Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.

A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica. Mas toda mágica é ilusão. A ilusão não tira ninguém de onde está. Ilusão é combustível de perdedores.

Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.

Fonte: O Sucesso é ser Feliz, de Roberto Shinyashiki
Site Oficial: Shinyashiki

Mais uma sobre o AMOR

O amor é atemporal aos homens, pois mesmo que estes não existissem, ele existiria.

Jefferson Luiz Maleski

Sobre princesas e sapos


Todas as mulheres são princesas, só esqueceram de contar a algumas delas. Todos os homens são sapos e cônscios disso. Alguns sapos beijados por princesas viram príncipes, outros viram para o lado e dormem. Da mesma forma, alguns príncipes beijados por princesas viram reis, outros, sapos. Mas, no fundo (da lagoa) todo sapo sonha com o beijo da princesa.

Jefferson Luiz Maleski

Matrix Revelations, de Goulart Gomes

É algo extremamente normal que muitos ao assistirem a trilogia de filmes Matrix percebam certas pitadas de filosofia - algumas até bem generosas. A dificuldade aparece quando se tenta buscar a origem de tantas referências: será Jesus, Platão, Buda ou Krishna? Para resolver (ou pelo menos minimizar) este problema, o escritor baiano Goulart Gomes resolveu juntar todas as referências filosóficas, religiosas, esotéricas, literárias, científicas e psicológicas que encontrou e listá-las em forma de e-livro (ou e-book).

O e-livro possui apenas 58 páginas, mas muito conteúdo. São 10 capítulos em que o autor transita livremente entre a doutrina hindu (o Bhagavad Gîtâ), o kardecismo, a doutrina cristã até chegar no mito da caverna de Platão. Lembra várias referências literárias, como o livro infantil de Lewis Caroll, Alice no País das Maravilhas. Mostra os significados ocultos e anagramas de nomes e números que aparecem nos três filmes.

Cada um dos três filmes é abordado em conjunto, conforme a aplicação que está sendo explanada. Além dos filmes o autor também analisa os nove desenhos que compõe o DVD Animatrix. Eu só senti falta de duas coisas: Primeiro, o autor não tece um comentário sequer sobre os jogos para video games e pc lançados simultaneamente aos filmes, que contam uma parte da trama que não aparece na telinha. Também faz falta uma lista bibliográfica indicando as leituras obrigatórias àqueles que assim como o autor querem aprofundar-se mais nos mistérios de Matrix. Quem sabe nas próximas edições Goulart não as inclua?

Anteriormente o livro estava disponível tanto como e-livro quanto como edição impressa. Agora, pode ser encontrado apenas como e-livro em http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/409786. Aproveitem, pois o download é gratuito.

leitura em: Outubro 2007
obra: Matrix Revelations, de Goulart Gomes
edição: 1ª, Recanto das Letras (2007), 58 pgs
Bom

Os Espíritos Elementais da Natureza, de Jorge Angel Livraga

Os espíritos elementais da naturezaInfelizmente é um livro para poucos lerem. E muito poucos o lerão. Um primeiro motivo é por o livro tratar de um assunto que a maioria dos leitores hoje, acostumados aos best-sellers que figuram nas listas dos mais vendidos, não terão interesse: o esoterismo de fadas, gnomos, ninfas, elfos etc. Aqueles que se arriscarem a pesquisar sobre esse assunto encontrarão poucas (boas) referências. Os que tiverem coragem de entabular alguma conversa serão vistos como malucos zens sem noção de realidade.

O segundo e principal motivo é porque o livro já encontra-se esgotado faz algum tempo. Somente será encontrado em poucos sebos ou raras bibliotecas. Contudo, tais motivos, antes de diminuírem a importância das informações fornecidas por Livraga, fazem do livro uma pérola muito procurada, mas difícil de ser encontrada.

Narrações sobre Gênios, Gnomos, Ondinas, Elfos e toda a extensa gama de elementrais, preenchem a História da Humanidade de tal modo que, sem eles o seu desenvolvimento e narração não seriam iguais, como podemos comprovar, desde o Mito de Enkidu e Gilgamesh, passando pela Odisséia homérica, as sagas de Artur e Merlin, até aos que ensinaram a dançar a Isadora Duncan e inspiraram os vidros de Gallé.

O livro mostra como a cultura humana é permeada pelos chamados Elementais desde a antiguidade. Estátuas, escritos e obras de arte encontrados em escavações antigas mostram que em vários lugares do mundo, em culturas e épocas distintas, apelou-se para os elementais para compreender-se melhor a natureza e o próprio sentido de existência do homem. Em nossos dias, muitas celebrações, simpatias e costumes baseiam-se em tradições antigas que visavam honrar aos elementais.

Os espíritos elementais são as formas de vida dentro dos elementos e se classificam em quatro: terra, água, ar e fogo. Os elementais da terra são os gnomos, as fadas e os anões. Os da água são as sereias, as nereidas, as ondinas e as ninfas. Os do ar são os silfos e elfos. E os do fogo são as salamandras. Além desses, há ainda elementais que se classificam em mais de uma destas quatro classes, como os gênios, os dragões, os anjos e os demônios.

Livraga mostra a correlação entre os considerados anjos pelos cristãos, os devas pelos hindus, os espíritos pelos espíritas, todos atuando como elementais da Natureza. Por serem seres poderosos, porém frágeis, são geralmente vistos por crianças e pessoas de maior sensibilidade. Mas, segundo o autor, nada impede de uma pessoa comum queira passar pela experiência de encontrar um elemental, com o aviso de que se esta os procurar com a intenção errada sofrerá consequências graves. Outros fenômenos não menos atuais como aparições de fantasmas, amuletos mágicos e estátuas que fazem milagres também são explicados e justificados sob um olhar esotérico e ímpar. Os avisos dados no livro sobre a falta de harmonia entre o homem e a natureza, com a conseqüênte degradação de ambos, apesar de já terem mais de 20 anos, são atuais como se tivessem sido escritos ontem. Algumas frases do livro:

Percebemos Deus se Nele cremos; a fé é o coração de toda a inteligência.

Quando se está sedento no deserto, vale mais um copo de água do que uma tonelada de diamantes ou uma pintura pompeiana.

Os temores e as crenças cegas dão-nos, geralmente, uma imagem deformada da realidade.

O que a Humanidade atual mais precisa é um pouco de sã espiritualidade, de paz na Alma, dando menos importânica ao corpo e suas paixões.

NÃO HÁ NADA SUPERIOR À VERDADE.

Jorge Angel Livraga nasceu na argentina e adquiriu nacionalidade italiana. Foi filósofo e escritor, e fundador da OINA - Organização Internacional Nova Acrópole, uma escola de filosofia que existe há 50 anos e divulga a filosofia como modo de entender a si mesmo e ao mundo que nos rodeia.

leitura em: Outubro 2007
obra: Os Espíritos Elementais da Natureza, de Jorge Angel Livraga
edição: 1ª, Printpack Embalagens e Editora Ltda (1984), 117 pgs
Bom

Vovó comunista ganha Nobel de Literatura 2007

Doris Lessing
Saiu agora há pouco o anúncio do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2007, neste caso ganhadora: a escritora britânica Doris Lessing. Doris Lessing (ou Doris May Tayler) é a 11ª mulher na história do Nobel (desde 1901) a receber o prêmio. É também a ganhadora mais idosa: completará 88 anos no próximo dia 22. A Academia Sueca descreve a autora como:

that epicist of the female experience, who with scepticism, fire and visionary power has subjected a divided civilisation to scrutiny*

Dentre as suas obras destacam-se Shakista, As Experiências de Sirius, O Planeta 8: Operação Salvamento, O Caderno Dourado e A Erva Canta. Os temas abordados pela autora são muito variados e vão desde a ficção espacial, as tensões e políticas raciais, a violência contra as crianças e os movimentos feministas, entre outros. Seu último livro lançado aqui é O Sonho Mais Doce (2005), pela editora Cia das Letras. O livro traz a estória de alguns jovens comunistas que na década de 60 têm o sonho de mudar o mundo, e mostra o que mudaram após 20 anos. Certamente depois do prêmio mais títulos inéditos no Brasil da vovó comunista serão publicados, bem como reimpressos, como já ocorreu anteriormente com outros ganhadores.

Lessing já havia sido indicada outras vezes no passado para o prêmio e neste ano não constava entre os favoritos. Ela receberá o prêmio de 10 mil coroas suecas (cerca de 1,5 milhão de dólares).
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* autora de épicos sobre a experiência feminina, que, com ceticismo, fervor e poder visionário, expôs uma civilização dividida ao escrutínio

Encantador de Serpentes, de Jorge Mautner

[REFRÃO]
Sobe cobra, a cobra tem que subir
Sobe cobra, mas ela não quer subir

Lá na Índia todo mundo sabe é mandinga do faquir
Saber tocar a flauta e fazer a cobra subir

Por isso eu toco esta guitarra e tento conseguir
Um jeito, uma manobra de ver subir a cobra

[REFRÃO 2x]

Lá na Índia todo mundo sabe é mandinga do faquir
Saber tocar a flauta e fazer a cobra subir

Por isso eu toco esta guitarra e tento conseguir
Um jeito, uma manobra de ver subir a cobra

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Música do álbum Bomba de Estrelas, de 1981 (WEA).

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa
Todos os meus escritos ficaram inacabados; sempre novos pensamentos se interpunham, associações de idéias extraordinárias e inexcluíveis, de término infinito
........................
O Caráter da minha mente é tal que odeio os começos e os fins das coisas, porque são pontos definidos.

Nas faldas do Himalaia, o Himalaia é só as faldas do Himalaia. É na distância ou na memória ou na imaginação que o Himalaia é da sua altura, ou talvez um pouco mais alto.

Fernando Pessoa (1888-1935) foi poeta e escritor português. Assinou várias de suas obras com os heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caieiro.