Rapidinha do dia

PAPOS MODERNOS


- Cara, a mina que eu tô comendo agora só me chama de pedófilo!

- Por que?

- Acho que é porque ela tem 14 anos.

- Ué, e você não se acha um pedófilo?

- Claro que não.

- Por que?

- Porque ela é mais velha que eu, oras.

Vinho e vinagre

Hoje cedo recebi um email de uma amiga do trabalho, fazendo o convite: Vamos estudar filosofia? É óbvio que só o título já garantiu a minha atenção, pois sou vidrado em filosofia há alguns anos. Mas para quem esperava um bom texto, fui pego de surpresa lendo outra pessoa escrevendo exatamente o que penso. Deu até pra desconfiar, olhei por cima do ombro para ver se não era pegadinha e se ninguém ria às minhas costas, mas não era. Senti uma sincronicidade de pensamentos ali. Ou seria simplesmente bom senso?

O artigo enviado era o Autoajuda ou autoconhecimento, de Eloi Zanetti, que compara a insufocável procura pelos livros de autoajuda à abandonada busca pela sabedoria através da filosofia e do autoconhecimento. É claro que o estouro da boiada das massas muda de direção conforme novos livros que lhe massageiem os egos carentes. Preferem a mãozinha na cabeça ao dedo na cara mostrando que estão erradas. Vale a lei do menor esforço, até mesmo para serem humanos melhores. Mas, a autoajuda é moda passageira, ajudando efetivamente só os autores e editores a encherem os bolsos. Ou alguém aí se lembra de algum conselho que já não soubesse antes passado pelo Pai Rico, ou pelo Comedor de Queijos, ou pelo Segredo que todo mundo sabe?

Escrever autoajuda é fácil como enganar. Tem até uma receita enviada por email por outro amigo (ainda bem que tenho amigos inteligentes) que mostra como Escrever um Best-Seller em Seis Passos. Preste atenção nos passos 3 e 5 e vai lembrar o que o Eloi critica no artigo dele: agora, ao invés de usarem a filosofia para alcançar a sabedoria, estão diluindo-a misturada em grandes montes de nada (pra não dizer de outra coisa) simplesmente para vender e enriquecer. Entregam vinagre como se fosse vinho. Contribuem, assim, para que o homem dê alguns passos atrás na linha evolutiva intelectual e espiritual da humanidade.

Linques relacionados:
Quem é Eloi Zanetti?
Como escrever um livro de autoajuda
Uma escola de filosofia à maneira clássica

Trama Internacional (2009)

Essa é a diferença entre a verdade e a ficção: a ficção tem que fazer sentido.

Sacrificaria os seus ideais por um bem maior?

Às vezes o mais difícil da vida é saber se devemos cruzar a ponte ou fugir dela.

Sinopse: Louis Salinger (Clive Owen), agente da Interpol e Eleanor Whitman (Naomi Watts), Promotora de Justiça de Manhattan, estão decididos a levar um dos bancos mais poderosos do mundo à justiça. Revelando inúmeras atividades ilegais repreensíveis, Salinger e Whitman rastreiam o dinheiro de Berlim a Milão, de Nova York a Istambul. Ao correrem grandes riscos pelo mundo, sua tenacidade implacável põe suas próprias vidas em jogo, já que nada detém seus alvos - nem assassinatos - de continuar a financiar o terror e a guerra.
Trailer no Youtube - IMDB

Lição de Amor / Scusa Ma Ti Chiamo Amore (Itália, 2008)

“O amor é breve e o sofrimento é longo”, dizia Pablo Neruda.

“Aproveite o poder e a beleza de sua juventude”, disse o Grande Kahuna.

“Quem amou traz marcada uma cicatriz”, De Musset.

“O amor é como um raio, não se sabe onde cai até você ser atingido”, Henri Lacordaire.

“Se estamos juntos, todo o resto do mundo pode ser esquecido”, Walt Whitman.

“Nós somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos”, William Shakespeare.


“Uma noite de amor é um livro ainda não lido”, Honoré De Balzac.

“É melhor ter amado e perdido, do que nunca ter amado”, Tennyson.

“O verdadeiro amor é como fantasmas, todos falam sobre eles, mas poucos podem vê-los”, La Rouchefoucauld.
Sinopse: Niki (Michela Quattrociocche) tem quase 18 anos, está no último ano do ensino médio e gasta o seu tempo de lazer com grupo de amigos confiáveis entre clubes e festas. Alex (Raoul Bova) tem 37 é um publicitário de carreira que há pouco foi deixado pelo seu "eterno amor" e agora sua vida social se restringe aos seus velhos amigos. Em uma movimentada manhã romana Niki bate com sua moto no carro de Alessandro e marca o início de uma deliciosa virada na vida dos dois.

Site oficial com trailer legendado

Leitura escrita

"Escrevo porque penso.
Penso porque leio.
Leio porque amo pensar, escrever e ler."


(Jefferson Luiz Maleski)

TEMA: Mancha

CURRICULUM

Ele era um cara perfeito. Ou melhor, sem defeitos. Tanto faz. Ao menos, era essa a impressão que todos os que o conheciam tinham dele. Era tido como o exemplo a ser seguido e na vizinhança era tratado respeitosamente sempre com um senhor antes do nome. Do tipo caladão, mas bem alinhado, buscava mostrar o lado bom da vida e, se algo dava errado, dizia, dando de ombros, que aquilo aconteceu “porque ele quis”. Não acreditava no acaso e defendia a filosofia de que era melhor aceitar silenciosamente a culpa no lugar dos outros, até a dos subalternos, que assumir o papel de cobrador chato. Talvez, por ser assim, era o primeiro a ser procurado quando alguém estava em apuros. Praticamente fazia milagres para solucionar os problemas alheios. Considerava-se uma pessoa feliz e trabalhava quase todos os dias da semana. Mas escondia um segredo que o envergonhava, uma mancha em seu currículo, que carregava quieto, na esperança de que ninguém notasse. No trabalho, apenas um software criado por ele insistia em não fazer o que fora programado. Frustrado, olhou para a tela e resolveu chamar o software de “Satã”.

Esse texto ambíguo foi escrito por Jefferson Luiz Maleski na solidão (diurna) do dia dos namorados de 2009.

TEMA: Fumaça


ANJO MAU E DIABO BOM


- Me diga, garoto, você já tem um título para o artigo?

- Tenho um provisório, até escrevi ele aqui, mas ainda não sei se...

- Deixa eu ver. Hum. Anjo Mau e Diabo Bom? É criativo, mas não achei legal. Anote esse outro aí: Tudo na Vida é Fumaça, Incluindo Nós.

- Não entendi.

- Não entendeu? Então o que você fez aqui nas últimas horas, dormiu de olhos abertos? Não ouviu nada do que contei? Se estivesse atento perceberia que tudo o que vivi, pensei ou fiz é mera fumaça. São restos de algo que existia e foi consumido. Eu sou a fumaça da mulher que fui um dia. Não o perfume. Nem o aroma. Fumaça. Fedorenta. Tóxica. Inútil a não ser para tornar a vida dos outros cinza e curta. Portanto, preste mais atenção no que eu digo e não confie neste seu gravadorzinho aí, pois nada no mundo é confiável. Se ele falhar, você já era.

- Sim, senhora. Desculpe-me. Deseja continuar o relato?

- Claro, onde paramos? Hum, deixe-me ver... falei da Gabriela... depois da festa de solteiros... Ah, sei, parei quando me perguntou se eu me considerava uma versão feminina de Casanova ou Don Juan.

- Isso mesmo.

- Bem, digo que tanto Casanova quanto Don Juan, se existiram de fato, eram principiantes. Amadores. Dois frutinhas que só sabiam se gabar pelo número de mulheres conquistadas e por conhecerem os efeitos afrodisíacos dos alimentos. Só. Porém, um verdadeiro conquistador não consegue contar as suas presas. Nem por estimativa. Em quantidade, devo ganhar dos dois juntos, mas não é isso o que importa para mim. O meu foco sempre foi o aprendizado. O conhecimento que cada conquista poderia trazer. Não o conhecimento sexual, pois este é algo natural e instintivo. Mas o conhecimento do controle da alma masculina. Aprendi a conhecê-la, para depois vencê-la e dominá-la. Assim, suguei e adquiri toda a experiência que hoje eu tenho. Perceba isso no quanto eu já falei até agora...

- Sim, senhora, já foram cinco gigas de espaço no gravador digital.

- Tudo isso? Eu nem prestei atenção. Parece que falei tão pouco. Mas vou continuar. Casanova e Don Juan não foram conquistadores, mas somadores. Não descobriram continentes obscuros. Talvez, quem tenha conseguido chegar mais perto disso foi Sade. Não que ele tenha a fórmula perfeita, mas ao menos ele ousou extrapolar. Sade escreveu um manual de viagem, sem revelar o destino final. Pode ser que eu ainda não tenha chegado a este destino, mas já passei da fase que precise de mapas. Estou no nível avançado. Vou te contar apenas um exemplo.

Parando por um instante, ajeitou-se na poltrona como se buscasse na memória algo guardado de todos, e prosseguiu.

- Certa vez, namorei um rapaz extremamente ciumento. Do tipo que o sangue fervia só por outro me olhar. Ele ligava para meus amigos, parentes e colegas de trabalho para saber meu itinerário e agenda. Me seguia pelas ruas para saber se eu o trairia. Enfim, era o tipo que costumo chamar de ciumento-possessivo-inseguro. Existem muitos igual a ele, só que ele manifestava o seu ciúme ao extremo. Se fosse outra mulher, eu me sentiria sufocada e terminaria logo com ele. Mas resolvi fazer os meus experimentos. Primeiro tirei a prova de que estava completamente apaixonado por mim – como já te contei agora há pouco – para depois terminar abruptamente com ele. Mas não poderia ser só um término comum, ele precisava sentir-se culpado por isso. Assim, armei a cilada: convidei o meu irmão, que morava em outra cidade e lhe era desconhecido, para me visitar. O meu irmão chegou e à noite dei a desculpa ao meu namorado de que não poderíamos nos ver alegando ter algo importantíssimo a fazer. Fomos eu e meu irmão ao cinema do shopping. Shoppings sempre tem amigos de namorado dando bobeira. No caso dele, tinha vários. Imagine o efeito de fotos e torpedos chegando em massa no celular dele dizendo “a sua namorada tá com outro, corre pra cá!”. Não deu outra, ele veio voando, entrou no cinema gritando e furioso, armou o maior barraco, quase bateu no meu irmão, quase bateu em mim, e foi expulso pelos seguranças. Tudo conforme o planejado. E eu te digo, rapaz: não há nada mais maquiavélico que ver os outros agirem como fantoches em suas mãos, sem saberem disso.

- O seu irmão disse alguma coisa?

- Nada, ele me conhece muito bem. Ele é praticamente uma versão masculina minha. Foi embora sem ligar pro cara. Ele sabia que se tratava de só mais um coitado. Mas o importante é que espalhei entre os conhecidos do meu namorado que o meu irmão quase tinha sido agredido por um louco ciumento no cinema. Como você acha que ele reagiu ao ficar sabendo quem era o meu acompanhante? Acertei em mais uma previsão: no mesmo dia me ligou trinta e quatro vezes no celular. Não atendi nenhuma. Passou horas plantado na frente do meu apartamento, em vão, pois fui dormir na casa de uma prima. Os amigos e as amigas dele me procuravam, dizendo que estava arrependido, me pedindo para reconsiderar, porque ele se sentia mal e que nem comia direito. Coisas que, se não eram verdade, logo seriam, quando se passasse duas semanas de castigo. Após isso, fui na casa dele, para ver a cena patética que já esperava: choros, soluços, pedidos de perdão de joelhos, promessas de fazer qualquer coisa para remediar o erro. Fiz a minha lista de exigências, incluindo tacitamente o direito de humilhá-lo em público com eu tinha sido humilhada. O que fiz na frente dos pais dele, com eles me dando razão. Cada palavra minha tirava uma gota de sangue do coração dele. Se existisse algo mais humilhante a fazer para me agradar, ele teria feito naquela hora. Neste momento, eu disse que o perdoava, só porque o amava, e que qualquer pisada na bola como aquela seria definitivamente o fim. Geralmente, é a partir deste momento que a relação começa a ficar interessante. Até mesmo o sexo, que antes era aquela coisinha chocha, passou a ter outras dimensões, com apetrechos sado masoquistas, que ele no começo relutava usar, mas que, com o tempo e insistência acabou pegando gosto. Para mim era só a confirmação de outro experimento: tudo o que você rejeita em um momento da vida pode ser o que você irá amar em outro. E também: é preciso ficar atento e tomar cuidado para que os outros não moldem você do jeito que querem. E o último: um coração desesperado faz qualquer coisa, até mesmo aquilo que antes odiava.

- O namoro continuou por muito tempo?

- Não, durou só até acabarem as minhas experiências. Ele ainda se sujeitou a me dar tudo o que eu quis, em sexo, dinheiro ou trabalhos. E eu abusava cada vez mais. Ele intermediou encontros com os seus amigos, com os que eu escolhi, presenciou e participou em ménages à trois, rompeu relações com amigos e parentes porque mandei que assim o fizesse, aceitou torturas físicas, psicológicas e mentais cada vez maiores, tudo para não me perder de novo. Virou um escravo, um cachorrinho, que não respiraria se eu não mandasse. Pensava em mim a todo momento e a sua vida gravitava ao meu redor. Comecei a emprestá-lo para algumas amigas, bem mais velhas que eu, e depois a cobrar por isso. Ele obedecia a tudo. Só uma coisa ele não faria: me deixar. Mesmo quando eu joguei na cara dele que não o amava, ele dizia que não me deixava. Quando eu batia nele ou ficava com outros na sua frente, também não. Até quando contei todas as armações e experiências que tinha feito, ele não quis me deixar. Ao invés disso, repetia como um autômato que lá no fundo eu o amava. Que, se tratava ele exclusivamente tão mal, era porque era especial para mim. Pobre coitado! Não se cansava de me pedir pra lhe dizer que o amava e que, mesmo sendo mentira, o som das palavras lhe faziam bem. Mas um dia, eu cansei e percebi que não tinha mais nenhum experimento a fazer com ele, então resolvi ajudá-lo a se livrar de mim. Seria o meu último experimento com ele. Troquei de casa, de celular e parei de freqüentar os lugares que íamos juntos. Desapareci do mapa. Não foi preciso me justificar para ele, ele agora sabia como eu era e o que pensava, só precisava cair em si. Precisava abandonar a ilusão de que eu era a pessoa certa para ele, de que eu era a pessoa certa para alguém. Depois de dois meses fora, voltei e encontrei um amigo dele na rua.

“Você soube o que aconteceu com fulano?”, perguntou.

“Não”, menti.

“Ele se matou um mês depois que você terminou com ele. Deixou um bilhete dizendo que não sabia viver sem você”.

"Que pena!", menti de novo.

- Naquele momento refleti que todas as minhas experiências haviam sido bem sucedidas. Até a última: livrei ele do seu maior vício, livrei ele de mim. Quer uma prova maior de bondade para com outra pessoa? E ele já não era mais o mesmo, havia sido totalmente consumido por mim, assim como hoje eu também não sou mais a mesma, totalmente consumida pela vida, ambos nos transformamos na mais pura, fétida e desnecessária... fumaça.

Texto escrito por Jefferson Luiz Maleski em 10 de junho de 2009, às 02h25 de uma madrugada insone tentando gripá-lo.

Umrao Jaan (2006)

Deixe o seu olhar encantar qualquer coisa que desejar. Mesmo que caia sobre uma pedra, ele a transformará.

Eu abandonei o mundo por amor à minha amada. A mesma amada me deixou por amor ao mundo.

Um diamante não tem conhecimento do seu brilho, só um joalheiro pode sabê-lo.

Sinopse: Filme indiano baseado no livro Mirza Muhammad (1905) que conta a triste história real de Umrao Jaan Ada, uma cortesã real do séc. XIX em Lucknow, raptada ainda menina e vendida para um bordel, onde aprende poesia, música e dança. Nesta jornada ela aprende a seduzir desde bandidos até a sultões e se depara com um suceder de desilusões por que se apaixonou. O filme traz uma ótima fotografia, e coreografia, além de mostrar os costumes islãs naquela região no começo do séc. XX.

Trailer: Veja no Youtube

Língua Portuguesa: Palíndromo e Tautologia

Recebi o email abaixo e achei interessante.

Coisas da nossa rica língua portuguesa: Palíndromo e Tautologia.

1) Palíndromo: Um palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário. Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase, como é o caso do conhecido:

- Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos

Diante do interesse pelo assunto (confesse, você leu a frase de trás pra frente), tomamos a liberdade de selecionar alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões... Se você souber de algum, acrescente e passe adiante.

- Anotaram a data da maratona?
- Assim a aia ia a missa
- A diva em Argel alegra-me a vida
- A droga da gorda
- A mala nada na lama
- A torre da derrota
- Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na moda da romana: anil é cor azul
- O céu sueco
- O galo ama o lago
- O lobo ama o bolo
- O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro
- Rir, o breve verbo rir
- A cara rajada da jararaca
- Saíram o tio e oito marias
- Zé de Lima, Rua Laura, mil e dez

2) Tautologia: é o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exata
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- fato real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planear antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito

Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.

Gostou? Então divulgue para os amigos amantes da língua portuguesa.

Prática e Teoria


Prática é quando tudo funciona mas a gente não sabe porquê.

Teoria é quando nada funciona mas a gente sabe porquê.


Aqui se conjugam teoria e prática: nada funciona e ninguém sabe porquê...


(Anônimo)

TEMA: Amor



UMA LENDA GOIANA


Existe uma velha lenda, talvez o único vestígio da extinta tribo dos índios Goyazes - além, é claro, dos genes que os seus descendentes mestiços carregam por aí - que conta como surgiram o amor e a humanidade. Diz a lenda que Jê, o grande deus guerreiro solar, habitava acima das nuvens e irradiava a sua luz por todo o universo, sem preocupar-se com coisa alguma. Até que certo dia, ao olhar para baixo, avistou alguém enviando em sua direção um brilho intenso que ele nunca vira antes. Jê nunca tinha sido ofuscado por outro, e resolveu descer para conhecer de perto aquele que competia com ele. A grande surpresa de Jê foi perceber que não era nenhum ser mais iluminado que ali habitava, mas a bela Avá, a deusa das águas, que refletia os próprios raios do deus sol de volta para ele. Quando perguntou a ela por que fazia aquilo, respondeu-lhe com um sorriso que era porque a luz e calor que ela recebia faziam-na feliz, e tinha resolvido devolver um pouco do que ganhava como sinal de gratidão. E, sem querer, acabou chamando a atenção do poderoso Jê para ela. Jê enamorou-se dos longos cabelos azuis de Avá e desejou casar-se com ela. A deusa também ficou fascinada pela majestade do deus guerreiro, mas havia um problema, ela já era prometida de Orenoco, o deus da terra. Orenoco, quando viu ambos conversando, irritou-se grandemente, mas sabia que ambos eram deuses poderosos e era improvável que um deles ganhasse uma luta, caso houvesse. Por isso, ao invés de desafiá-lo para a batalha, lançou um poderoso feitiço sobre ambos. Jê e Avá não poderiam nunca mais se aproximar. O fogo do deus sol seria insuportável para a deusa das águas, fazendo-a ferver e evaporar-se, desaparecendo na sua presença. E Avá, se insistisse em se aproximar de Jê, presenciaria o brilho do guerreiro desvanecer até se apagar por completo. Estariam fadados a eterna ausência um do outro ou a destruírem-se mutuamente. Como a poderosa magia de Orenoco não poderia ser desfeita, Jê resolveu, como o seu primeiro e último gesto de amor por Avá, dar-lhe uma raça inteira de filhos para que ela lembrasse do seu amor. Estes eram os homens e mulheres goyazes, que sentiriam um pouco da dor dos dois amantes. É por isso que quando o homem se apaixona pela mulher, o seu peito arde como se ali dentro habitasse a chama de Jê. É por isso que quando o amado se afasta da sua mulher, ela derrama pequenas gotas de água por ele, deixando-as cair por terra. A palavra tupi Goyá significa literalmente “semelhante”, “da mesma raça” ou “parecido”. Assim, quando um homem e uma mulher se amam, provam que são parecidos, semelhantes e da mesma raça que os deuses que os criaram.


Este texto é uma ficção, escrita por Jefferson Luiz Maleski em 3 de junho de 2009, sob o frio da primeira noite de Pecuária em Anápolis, Goiás.