Buda e o ladrão

Buda e seus discípulos descansavam sob a sombra de uma figueira à beira de uma estrada, quando alguns moradores de um vilarejo próximo se aproximaram em alvoroço. O grupo seguia aos brados dois homens com vestes oficiais, que traziam um terceiro entre eles. Ao se aproximarem do mestre, jogaram o homem aos seus pés. Um dos oficiais, talvez o de maior patente, falou:

- Ó Sâmana, este homem é um ladrão e estas pessoas são as suas vítimas. Eu, como soldado, tenho a obrigação de puni-lo conforme as leis do país. Mas o ladrão insiste em declarar que é pobre e rouba para alimentar a família. Contudo, estando tu, grande mestre, em nossa região e sendo chamado de sábio dos sábios, gostaria de ouvir a sentença que darias a tal homem. Eu pretendo fazer conforme o que tu disseres.

Buda levantou calmamente os olhos para o ladrão, depois para os oficiais e por fim mirou a multidão. O seu semblante era tão sereno que seria impossível saber se ele se incomodava ou apreciava a situação. Com uma voz educada mas firme, respondeu:

- Eu lhe darei o julgamento se tu responderes a duas perguntas: a primeira, o que deves ser considerado superior, o homem ou a lei? Se responderes que o homem é superior, então porque ele deve se curvar e obedecer a lei? Mas se responderes que a lei é superior, então por sem o homem ela não existiria?

O oficial ficou calado. O ladrão permanecia encolhido. A multidão nada disse, nem um simples sussurro. Até as aves pararam de cantar para aprenderem um pouco daquele momento. Cada um, além da respiração e das batidas do próprio coração, ouvia apenas o roçar suave do vento nas folhas das árvores. Depois de certo tempo, Buda, como que falando diretamente para toda a natureza, concluiu:

- No silêncio da tua resposta resides a minha sentença. Aprenda a escutá-la e saberás o que deves fazer.

Este conto é uma ficção. Foi inspirado e escrito após a leitura do Atthaka, o livro das oitavas, que diz: "O brâmane liberto já transcendeu as paixões e não se deixa mais afetar por elas. Para ele, não há mais norma, nem lei, nem coisa alguma existe que ele possa chamar de norma, e nada ainda que possa chamar de lei".

A Arte de Viajar (The Art of Travel) - 2008

"Não vá por onde o caminho te leva. Vá por onde não haja caminho, e deixe uma trilha." - Ralph Waldo Emerson

"Eu odeio citações. Me diga o que você sabe." - Ralph Waldo Emerson

A arte de viajar é se desviar do primeiro plano. Suba numa árvore para pegar um peixe.



O filme conta a história de Conner, que após abandonar o seu casamento durante a cerimônia, resolve viajar sem rumo, indo parar na Nicarágua, Panamá, Bolívia e Chile, vivendo grandes aventuras. Um filme para domingo a tarde com excelente fotografia. Veja mais: Trailer no Youtube e IMDB.

CLB - Copa de Literatura Brasileira - 2ª edição

Desde 2007, há uma competição virtual interessante ocorrendo entre livros brasileiros contemporâneos, a Copa de Literatura Brasileira. O sistema é simples, primeiro é aberta a votação para q o público escolha os 16 romances brazucas publicados no ano anterior. Depois, cada romance enfrentra um oponente, em um jogo em q o juiz analisa, resenha e dá ganhador por tais e quais motivos. Basicamente, qual dos 2 livros ele gostou mais e pq. E assim, de 16, 8 passam para as quartas-de-final, 4 para a semi-final e 2 para a grande final, onde todos os juízes votam. Este ano ainda tem a repescagem, para q algum livro q o público achou ter sido eliminado injustamente tenha uma segunda chance.



Mas o grande barato em si da CLB não é tanto a resenha do jogo, mas os comentários q vem depois. Aí entram os autores, os autores amigos e inimigos dele, os literatos e estudiosos do assunto, ou os intrometidos de plantão (como eu) e a briga às vezes fica feia. Muitas questões literárias sobre ética, estilo, crítica literária, etc. são debatidas. Enfim, é um ótimo lugar para saber oq está rolando no cenário literário atual.

Ano passado, na 1ª edição da CLB, participei como juiz em um dos jogos e ajudei na votação final q elegeu o livro Música Perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil, como o ganhador da Copa. Este ano estou só como observador e comentarista. Mas já conseguiram me convencer de comprar uns 3 livros para ler, não necessariamente os vencedores.

Extra! Extra! Extra!

Os boatos da internet não são fracos não.

Circula pelas más línguas virtuais a notícia de que o candidato eleito para a prefeitura de Anápolis/GO, no 2º turno das eleições 2008, Antônio Gomide (PT), mal ganhou e já corre o risco de ir parar na cadeia. E pela lei Maria da Penha.

Isso porque deu a maior surra na candidata adversária, Onaide Santillo (PMDB), na tarde de ontem.

Não entendeu? Clique aqui.

Portal Literal

Acabo de estrear no Portal Literal, com o artigo Dexter: a mão esquerda de Deus, publicado anteriormente aqui no blog. Existem duas etapas para a publicação por lá: primeiro, a fila de edição coletiva, que dura 48hs, onde outros colaboradores editam o seu texto para melhorá-lo (alguém acrescentou uma ótima imagem do Dex), e depois, a fila de votação, também de 48hs, onde é necessário atingir o mínimo de 20 votos para que o artigo seja publicado oficialmente.

Desde dezembro de 2002, o Portal Literal traz resenhas, notícias, artigos, entrevistas, ensaios e textos de ficção exclusivos, agregando conteúdo de e sobre autores consagrados e novos nomes. O seu Banco de Cultura é atualizado pelo núcleo de jornalistas do site e, em maior parte, por colaboradores de todas as regiões do Brasil e brasileiros no exterior, que submetem arquivos de texto, áudio e vídeo focados em literatura. Além de conteúdo produzido por usuários cadastrados, oferece material exclusivamente editorial criado e administrado por sua equipe, entre artigos, entrevistas, reportagens, oficinas para escritores, promoções com lançamentos e o concurso literário Exercícios Urbanos. O fluxo de colaborações passa por um sistema de ordenação por votos e critério de relevância. As colaborações mais votadas entram no site em destaque, ordenadamente; as não-votadas, ainda que não sejam publicadas, permanecem no perfil dos colaboradores que as submeteram. Assim, é possível visualizar com clareza o responsável por cada contribuição e também a interação entre os colaboradores.

Isaac Babel

Nenhum ferro aguçado pode atravessar o coração humano tão friamente como um ponto final colocado no lugar exato.

Oh! Morte, oh, cobiçosa, oh ladra ambiciosa, por que não nos poupaste, ao menos uma vez?

Issac Emmanuilovitch Babel (1894-1941) foi escritor e jornalista judeu russo. Seus três únicos livros são Contos de Odessa (Odesskie rasskazy) (1924), Cavalaria Vermelha (Konarmiia) (1926) e Contos judaicos (Evreiskie rasskazy) (1927), que reunidos dão um pequeno livro de bolso.
Veja também:

Zeitgeist II - Addendum (2008)


Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.

Ninguém é mais escravo do que aquele que falsamente se acredita livre.

Existem duas formas de conquistar e escravizar uma nação. Uma é pela espada. A outra pela dívida. (John Adams)

Se não houvesse dívidas em nosso sistema financeiro, não haveria dinheiro. (Marriner Eccles - Administrador da Reserva Federal - 1941)

O presidente norte-americano Andrew Jackson (1835) declarou: Os grandes esforços feitos pelo banco atual para controlar o governo são apenas premonições do destino que aguarda o povo americano caso sejam induzidos à perpetuação desta instituição ou ao estabelecimento de outra do mesmo tipo.

Somente Deus pode criar algo de valor a partir do nada.

A ganância e a competição não são o resultado de um temperamento humano imutável. Ganância e medo da escassez na verdade são criados e ampliados. A conseqüência direta disso é que temos que lutar uns com os outros para sobreviver. (Bernard Lietaer - Fundador do Sistema Monetário da União Européia)

Podemos ter democracia nesse país ou ter muita riqueza concentrada nas mãos de poucos, mas nunca os dois. (Louis Brandnis, Juiz da Suprema Corte)

É a tecnologia o que resolve os problemas, não a política.

Minha pátria é o mundo e minha religião é fazer o bem. (Thomas Paine)

O diabo, cujo interesse é distorcer a verdade, imita as circunstâncias exatas do Sacramento Divino. Ele batiza seus adeptos e promete o perdão dos pecados. Celebra a oblação do pão e traz o símbolo da ressurreição. Conheçamos portanto a artimanha do diabo, que copiou certas coisas Divinas. (Tertuliano - 155–222 d.C.)

Eu acredito que a verdade desarmada e o amor incondicional terão a palavra final na realidade. (Dr. Martin Luther King - 1929-1968)

Se for verdade que todos viemos do centro de uma estrela, cada átomo em nós veio do centro de uma estrela, então somos todos a mesma coisa. Mesmo uma máquina de refrigerante ou uma ponta de cigarro é feita de átomos que vieram das estrelas. Todos foram reciclados milhares de vezes, como eu e você. Portanto, o que há lá fora é simplesmente EU, não há o que temer, não há com o que se preocupar. Então o que temer, pois tudo somos nós! Nós fomos separados por termos nascido, recebido um nome e uma identidade. Fomos separados da Unidade, e isso é o que a religião explora: as pessoas tem esse anseio por fazer parte da Unidade de novo, e isso é explorado, batizam-no de Deus, dizem que ele tem regras, e eu acho isso cruel. Acho que você pode fazer isso sem religiões. Um visitante extraterrestre que examinasse as diferenças entre as sociedades humanas acharia essas diferenças triviais quando comparadas às semelhanças. Nossas vidas, passado e futuro estão ligados ao sol, à lua e às estrelas. Nós vimos os átomos que compõem tudo na natureza e as forças que esculpiram essa obra e nós, que possuímos os olhos, ouvidos e sentidos locais do cosmo, começamos a imaginar nossas origens. Matéria estelar contemplando as estrelas, grupos organizados de bilhões e bilhões de átomos, contemplando a evolução da natureza, traçando o longo caminho pelo qual se chegou à consciência aqui na Terra. Devemos lealdade às espécies e ao planeta. É nosso dever sobreviver e progredir, não só por nós mesmos, mas também pelo vasto e antigo cosmos de onde viemos. Somos uma espécie. Somos matéria estelar se nutrindo de luz das estrelas. (Carl Sagan - 1934-1996)

Todo ser humano nasce nu e precisa de calor, alimento, água, abrigo. Tudo mais é auxiliar.

A ilusão da democracia é um insulto à nossa inteligência.

A verdadeira revolução é a revolução da consciência, e só pode ser feita por cada um de nós. Precisamos aprender a combater o ruído materialista divisionário que temos sido levados a acreditar que é a verdade. Não podemos conseguir uma radical transformação da consciência, não aceitar as coisas como são, mas ir até elas, investigá-las, dar nosso coração, nossa mente. Mas isso depende só de nós mesmos, pois não existe pupilo, líder, mestre ou guru. Você mesmo é o mestre, o pupilo, o líder, o guru. Você é tudo. Entender é transformar o que é. (Krishnamurti)


Assista o vídeo de 1h56 legendado.


Veja também:

Como Escrever com Estilo, de Kurt Vonnegut

Revista do Livro nº 51, out/nov/dez de 1983
Série: O poder da palavra impressa. International Paper Company.
Fonte: Denny Marquesani


O autor de Um pássaro na gaiola e tantos outros livros de sucesso explica neste artigo especial como colocar estilo e personalidade em tudo o que você escreve.


Repórteres de jornais e redatores técnicos aprendem a ser impessoais em seus textos. Isso os torna uma espécie estranha no mundo dos escritores, pois quase todos os outros infelizes que lidam com canetas, papel e máquinas de escrever — habitantes desse mesmo universo — revelam muitas características pessoais por meio de suas obras. Intencionais ou não, tais revelações, são denominadas “elementos de estilo”.

Eles nos permitem saber, na condição de leitores, algo sobre o tipo de pessoa a quem estamos dedicando tempo. O autor pode nos parecer ignorante ou bem-informado, tolo ou brilhante, vigarista ou honesto, sem senso de humor ou brincalhão, e assim por diante.

E você? Por que analisar seu próprio estilo de redação, com o objetivo de aprimorá-lo? Bem, isso é um sinal de respeito por seus leitores, qualquer que seja o tema de seus textos. Caso você garatuje seus pensamentos sem maior cuidado, seus leitores com certeza sentirão que você não se preocupa muito com eles. E vão marcá-lo como um ególatra ou obtuso — ou, possibilidade ainda mais trágica, simplesmente deixarão de ler seus escritos.

A revelação mais comprometedora que um autor pode fazer sobre si mesmo é demonstrar que não sabe distinguir entre o que é ou não interessante. Isso também acontece quando você lê, não é verdade? Ou seja, você gosta ou não de determinados autores em função, principalmente, do que eles escolhem para lhe contar ou para lhe oferecer como material de reflexão. Algum dia você sentiu prazer em ler um escritor sem ideias, apenas pelo domínio que ele demonstra sobre a linguagem? Decerto não.

Por conseguinte, a fim de desenvolver um estilo de efeito, você precisa tomar como base suas ideias pessoais.


1. Ache um tema de seu interesse

Descubra um tema capaz de lhe despertar interesse e com o qual você sinta, no fundo, que os outros também deveriam se preocupar. É esse interesse autêntico, e não suas brincadeiras inteligentes com a linguagem, que virá a constituir o elemento mais convincente e agradável do seu estilo.

Não estou espicaçando o leitor deste artigo para que escreva um romance — embora viesse a me sentir feliz com isso. Uma petição dirigida à prefeitura referente a um buraco à porta de sua casa ou uma carta de amor preencheriam esse requisito.


2. Mas não divague sobre o assunto

Não farei divagações no tocante a este conselho.


3. Seja simples

Agora, quanto ao uso da linguagem: lembre-se de que dois expoentes como William Shakespeare e James Joyce escreviam frases com traços de infantil inocência, discorrendo sobre assuntos dos mais profundos. O Hamlet de Shakespeare pergunta: “Ser ou não ser?” E a palavra mais comprida da frase tem apenas três letras! Joyce, quando se sentia propenso a fazer brincadeiras era capaz de elaborar uma frase tão intrincada e resplandecente quanto, por exemplo, um colar destinado a adornar Cleópatra. Entretanto, minha frase predileta no conto Eveline, de sua autoria é: “Ela estava cansada”. Àquela altura da narrativa, não havia outras palavras que pudessem atingir tão a fundo o coração do leitor quanto esses três simples vocábulos.

A simplicidade da linguagem não é apenas meritória, mas, talvez até mesmo sagrada. O texto da Bíblia começa com uma frase que não foge aos limites de domínio de redação próprios de um adolescente de quatorze anos: “No início, Deus criou o céu e a terra” . . .


4. Tenha coragem de cortar

Talvez você tenha também a capacidade de, por assim dizer, tecer colares para Cleópatra. Contudo, sua eloquência deve ser colocada a serviço das ideias que lhe ocorrem. Valha-se das seguinte regra, fundamental em se tratando de estilo: se uma frase, por mais excelente que seja, não lança sobre seu tema uma luz que revele um aspecto novo, corte-a.


5. Seja você mesmo

Seu estilo de redação mais natural há de ecoar coisas que você ouviu na sua infância. O idioma inglês era a terceira língua do romancista Joseph Conrad, e grande parte do que parece pungente em seu uso do inglês foi, sem sombra de dúvida, influenciado por sua língua materna — o polonês. Quanto a mim, cresci na cidade de Indianápolis, onde a fala popular soa como uma serra de fita cortando estanho galvanizado, e o vocabulário empregado tem o efeito estético de um pinguim em cima da geladeira. Em algumas regiões mais afastadas dos montes Apalaches, nos Estados Unidos, ainda há crianças que crescem ouvindo canções e expressões da era elisabetana (assim como, nas regiões rurais do Brasil, muito do que se chama “a fala caipira” traz reminiscências do português castiço dos colonizadores)

Todas essas variedades de discurso são belas, assim como são belas as diversas espécies de borboletas. Não importa qual seja a sua língua materna, você deve sempre dar-lhe grande valor. Se, por acaso, o seu idioma não for o do país em que você vive hoje, e se a sua língua materna transparecer naquilo que você escreve, o efeito final, via de regra, será encantador.

Eu mesmo percebo, e os outros também, que acredito mais em meus textos quando as palavras soam, com maior fidelidade possível, como o discurso de uma pessoa de Indianápolis — ou seja, exatamente aquilo que sou. Qual a alternativa? Só aquela insistentemente recomendada pelos professores e, sem dúvida, também imposta ao leitor: a de escrever como um refinado cavalheiro que viveu há um século ou mais.


6. Diga o que pretende dizer

Antigamente, eu costumava me sentir exasperado com professores desse gênero. Agora não mais. Entendo que todos aqueles textos antigos, com os quais eu deveria comparar meus trabalhos, não eram magníficos por serem de interesse permanente, ou por terem sido escritos por estrangeiros, mas sim porque transmitiam, com precisão, aquilo que seus autores pretendiam transmitir.

Segundo meus professores, eu deveria escrever com precisão, selecionando sempre os vocábulos de melhor efeito e concatenando-os sem dar margem à ambiguidade como peças de uma máquina.

Meus mestres não queriam me transformar num nobre inglês, mas nutriam esperanças de que eu me fizesse entender, e assim fosse entendido. E lá se foi meu sonho dourado de realizar, com as palavras, o que Pablo Picasso fez no campo da pintura, ou que um número incalculável de ídolos do jazz realizou em termos musicais. Se desobedecesse às regras de pontuação, se desse às palavras um significado incomum, e ainda por cima as dispusesse ao acaso, simplesmente não seria compreendido. Portanto, seria aconselhável que você também evitasse um estilo de redação à moda de Picasso ou dos músicos de jazz, na hipótese de ter algo que valha a pena ser dito, e de querer ser compreendido.

Os leitores desejam que as páginas por nós escritas não sejam muito diferentes das páginas que já leram. Por quê? Porque eles próprios têm uma tarefa espinhosa a cumprir, e necessitam de toda a ajuda que pudermos dar.


7. Tenha pena dos leitores

Eles são obrigados a identificar milhares de pequenos símbolos impressos no papel e a compreender, de imediato, seu sentido. São obrigados a ler — uma arte tão complexa que a maior parte dos seres humanos não consegue dominá-la completamente, mesmo depois de estudá-la durante todo o curso primário e secundário — doze longos anos! Assim, esta análise deve ser encerrada com o reconhecimento de um fato: nossas alternativas estilísticas não são abundantes nem glamorosas, uma vez que nossos leitores estão fadados a ser muito imperfeitos. Nosso público exige que sejamos professores compreensivos e pacientes, eternamente dispostos a simplificar e esclarecer — enquanto nós, escritores, por nossa vez, preferíamos alçar altos voos.

São essas as más notícias. Mas, de outro lado, protegidos pela Constituição Americana, podemos escrever o que desejarmos, sem receio de punição.

Essa falta de limites para a escolha de um tema é o aspecto mais significativo de nossos estilos literários.


8. Para conselhos mais detalhados

Aos leitores interessados em uma discussão mais específica sobre estilos literários, sob um enfoque mais técnico, informo que há boas obras sobre o assunto, como, em inglês, The elements of style, de William Strunk Jr. e E. B. White. (Em português, existem os livros de Silveira Bueno, A arte de escrever, e de Marcel Cressot, O estilo e suas técnicas, entre muitos outros.) Todos têm coisas fascinantes a dizer.

Entrevista: ORHAN PAMUK

Entrevista feita pelo Espaço Aberto Literatura com Orham Pamuk em Istambul, exibida nos dias 15 e 22 de outubro de 2008, onde o ganhador do Nobel de Literatura de 2006 revela detalhes sobre os seus principais livros e sobre a profissão de escritor.
Primeira parte da entrevista com o escritor Orhan Pamuk. O vencedor do Prêmio Nobel de 2006, fala sobre Istambul, cidade presente em seus livros, e a luta pela liberdade de expressão da Turquia.



Segunda parte da entrevista com Orhan Pamuk. Em Istambul, ele fala das ifluências das suas obras e da perseguição política que sofreu na Turquia após ter denunciado o extermínio de armênios e curdos.

Autocrítica

A melhor autocrítica ocorre quando ouvimos os
outros com a mente aberta e a boca fechada.


Jefferson Luiz Maleski

A Vírgula

Campanha publicitária criada pelo Grupo ABC/Africa em comemoração aos 100 anos da ABI - Associação Brasileira de Imprensa (www.abi.org.br), e narrada por Matheus Nachtergaele.



Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Bônus:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

Missiotário

Um homem observava silenciosamente, parado ao portão de sua casa, um jovem vindo em sua direção.

- Bom dia, senhor. Hoje estou fazendo visitas domiciliares e é um prazer encontrá-lo em casa. O meu objetivo é simples, trago-lhe a oportunidade de salvar a sua alma. Tenho aqui comigo um folheto bíbl...

- Eu não acredito em alma.

- Ahn? Como assim, todos acreditam, até quem não é cristão acredita!

- Eu não acredito.

- E em quê o senhor acredita?

- Veja bem, se eu acreditasse em alma humana, obrigatoriamente teria de acreditar em alma animal, alma vegetal e alma mineral. Mas não. Ao invés disso, creio que todos somos um só ser. Não há divisões. Eu não acredito que o ser humano seja separado em três partes: corpo, alma e espírito. Também que seja separado de outros seres. O mesmo ar que existe entre nós dois, e que você considera que nos separa, eu considero que nos une. Não há divisões. E não acredito que sou alguém com existência finita, existindo somente entre duas datas, mas que sou um processo contínuo e eterno da natureza. A natureza se renova, a natureza me renova. Assim, eu existia antes de nascer e continuarei existindo depois de morrer, de outra forma, quer visível quer invisível.

- Mas a alma é o que nos diferencia dos animais.

- Você tem certeza? Já experimentou ligar a tevê em qualquer noticiário? Você já viu animais indo à guerra uns contra os outros? Matando sem que seja por necessidade vital? Ou humilhando, abusando e torturando outro animal da mesma raça? Eu sou capaz de afirmar, sem receio algum, que muitos animais parecem ter mais alma que o homem.

- O senhor pertence a alguma religião?

- Não, eu não acredito em religião. No lugar de onde eu venho não existem religiões.

- E onde fica isso?

- No futuro.

- Ah, tá! E vai me dizer que no futuro não existem religiões?

- Não.

- E por quê?

- Porque as religiões não são mais necessárias. Elas foram só uma etapa no longo caminho de evolução humana. Assim como antes das religiões existiam as superstições. Assim como depois das religiões existirá outra etapa. Quando uma etapa é ultrapassada, ela torna-se obsoleta. E sairmos da etapa religiosa trouxe inúmeras vantagens, como não sofrermos mais nas mãos de líderes manipuladores e carismáticos ou termos nossas vidas e consciências atormentadas à toa. Além do que, todas as grandes injustiças cometidas em nome da religião acabaram por completo.

- Ok, mas se o senhor é do futuro, o que veio fazer justamente aqui, numa época cheia de crenças diferentes das suas?

- Eu sou um dos muitos que retornaram para mudar a humanidade. Nós já nos espalhamos em diversos países, mostrando os malefícios das ideologias que, apesar de fortemente arraigadas hoje, amanhã serão como fumaça lançada ao vento.

- E o senhor pode provar que veio do futuro?

- Claro, é simples. Eu estudei o perfil de todos os que tenho de contatar para iniciar a revolução. Você é um deles, Moacir Constante. Eu estava te esperando aqui, neste portão, antes mesmo de você sair de casa.

- Mas eu acredito na alma e na religião e em Deus!

- Por enquanto. Tudo o que eu aprendi quando era criança foi pensado e escrito por você. Você é um dos fundadores na Nova Ordem Mundial e abriu a mente de milhares de pessoas contra os conceitos errôneos que existem atualmente. Por exemplo, foi você quem escreveu que Deus não é uma pessoa, mas o conjunto de tudo o que existe, incluindo eu e você.

Moacir ficou quieto por um momento enquanto o homem no portão o observava. Depois olhou para baixo, contou alguns paralelepípedos da rua, coçou o nariz, olhou para uma pequena joaninha que subia em uma folha úmida de grama, deu um suspiro profundo e disse:

- Se você não queria ouvir o que eu tinha a dizer era só ter me falado desde o começo, viu?

E, virando as costas, foi-se embora.

Desafio de escrita proposto no Duelo de Escritores com o tema "A Missão". Desta vez saí na frente da Daisy e da Jéssica. Mas isso não importou nada para elas escreverem bons textos.

NaNoWriMo 2008

Desta vez chutei o balde dicumforça. Em um momento de bobeira, olhando as moscas voarem lentamente em meu protetor de tela, resolvi me inscrever no National Novel Writing Month 2008, ou o Mês Nacional Escrevendo um Romance. Apesar do nome, o NaNoWriMo para os mais íntimos, já virou febre internacional, mesmo sendo uma idéia ousada e maluca: um projeto online de escrita criativa que propõe o desafio a todos os inscritos para escreverem um romance completo durante 30 dias. O desafio acontece todo ano no mês de novembro.

Só para ter uma idéia da seriedade do negócio, esta já é a 10ª edição do desafio. E com participantes do mundo todo. As regras são simples: você precisa escrever 50.000 palavras em 1 mês para ser um dos vencedores. Só isso. Fazendo as contas pelo meu Word, onde cada página tem cerca de 550 palavras, acabo concluindo que é o texto terá perto de 90 páginas. Dividindo por 30 dias, temos a média de 1.667 palavras ou 3 páginas por dia.

Parece pouco? Então lembre que são 3 páginas por dia durante 1 mês inteiro. Chova ou faça sol, com visitas daqueles parentes do interior, diarréia, falta de luz ou de internet, depressão ou qualquer outra desculpa daquelas que costumam aparecer quando queremos escrever algo um pouco mais extenso.

Parece muito? Pois saiba que em 2007, dos 101.767 inscritos, 15.335 saíram vencedores. E teve gente que conseguiu escrever 450.000 palavras, 818 páginas!

Como o objetivo é fazer uma pressão básica nos escritores cheios de idéias mas que sofrem de preguicite aguda ou síndrome do é-tão-difícil-começar, não importa se o resultado final será o texto mais lindo e poético e profundo que o mundo já viu, mas sim a contagem do número de palavras.

Basta botar tudo o que tem na sua cachola pra fora, ou melhor, no seu espaço virtual no NaNoWriMo, com direito a contador de palavras para colocar no seu blogue e certificado virtual exclusivo de vencedor. Mas a maior recompensa vem do seu ego, que vai lhe dizer: Viu, eu te disse que você era capaz! E fique despreocupado, ninguém lerá o que você escreveu se você não quiser, a escrita é só sua. Alguns vencedores do ano passado ganharam da Lulu.com exemplares impressos com capa colorida para os seus romances, outros foram patrocinados pela "vaquinha" que o NaNoWriMo faz com os donativos que recebe.

Se você não está se sentindo em suas plenas faculdades mentais ou deu vontade de fazer uma loucura, agora é a hora! As inscrições estão abertas e a empreitada começa dia 1º de novembro. Até lá dá pra pensar sobre o que deseja escrever e se preparar psicologicamente para o Dia D, ou melhor, o Mês N. E como dizia o Chapolin Colorado: sigam-me os bons (e loucos)!

Um Toque de Vida (Pushing Daisies) - 2ª temporada (2008)

2x04 Amichês
O que me torna único trouxe à minha vida todos o que amo.

2x01 Bzzzzzzzzz!

Conseguiu entender que um lar não significa quatro paredes e uma porta que nunca é atravessada. Lar é o sentimento de pertencer.
Pushing Daisies é a série da ABC que conta a história de Ned, um cara que tem o poder de trazer os mortos de volta a vida, mas com duas regras: se o morto for tocado novamente morrerá definitivamente e se o morto passar de 1 minuto vivo outra pessoa próxima morrerá. A trama ganha hilariedade e romantismo de um jeito ainda não visto quando Ned traz de volta Chuck, a garota que sempre amou, mas que agora não pode tocar. Saiba mais na Wikipédia, IMDB (nota 8.4) e no Site Oficial.

Dexter no 3:AM Magazine Brasil

Foi publicada no site 3:AM Magazine Brasil a minha resenha crítica sobre o livro Dexter: A Mão Esquerda de Deus, de Jeff Lindsay. As regras do site dizem que o "3:AM é um fórum livre e ecléctico para radicais literários - Não conseguimos imaginar porque alguém nos enviaria qualquer coisa vagamente de estilo ‘acadêmico’, ainda assim, pedimos que não. Também não desejamos receber textos afáveis, delicados ou chatos. Avisamos que não temos uma ‘linha’ politica na 3:AM, mas não desculpamos qualquer tipo de texto que pregue ódio ou discriminacao."

Nós Estamos Aqui: O Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.
(Canção Mínima, de Cecília Meireiles)




Nós Estamos Aqui: O Pálido Ponto Azul (tradução)
Carl Sagan

A espaçonave estava bem longe de casa. Eu pensei que seria uma boa idéia, logo depois de Saturno, fazer ela dar uma ultima olhada em direção de casa.

De saturno, a Terra apareceria muito pequena para a Voyager apanhar qualquer detalhe, nosso planeta seria apenas um ponto de luz, um "pixel" solitário, dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz que a Voyager avistaria: Planetas vizinhos, sóis distantes. Mas justamente por causa dessa imprecisão de nosso mundo assim revelado valeria a pena ter tal fotografia.

Já havia sido bem entendido por cientistas e filósofos da antiguidade clássica, que a Terra era um mero ponto de luz em um vasto cosmos circundante, mas ninguém jamais a tinha visto assim. Aqui estava nossa primeira chance, e talvez a nossa última nas próximas décadas.

Então, aqui está - um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes. Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas maquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidencia. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.

Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada crianças esperançosas, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada "superstar", cada "lidere supremo", cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importancia, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz.

Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não ha nenhum indicio que ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não ha lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, se estabelecer, ainda não. Goste ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.

Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos... o pálido ponto azul.

We Are Here: The Pale Blue Dot

The spacecraft was a long way from home. I thought it would be a good idea, just after Saturn, to have them take one last glance homeward.

From Saturn, the Earth would appear too small for Voyager to make out any detail. Our planet would be just a point of light, a lonely pixel hardly distinguishable from the other points of light Voyager would see: nearby planets, far off suns. But precisely because of the obscurity of our world thus revealed, such a picture might be worth having.

It had been well understood by the scientists and philosophers of classical antiquity that the Earth was a mere point in a vast, encompassing cosmos -- but no one had ever seen it as such. Here was our first chance, and perhaps also our last.

So, here they are: a mosaic of squares laid down on top of the planets in a background smattering of more distant stars. Because of the reflection of sunlight off the spacecraft, the Earth seems to be sitting in a beam of light, as if there were some special significance to this small world; but it's just an accident of geometry and optics. There is no sign of humans in this picture: not our reworking of the Earth's surface; not our machines; not ourselves. From this vantage point, our obsession with nationalism is nowhere in evidence. We are too small. On the scale of worlds, humans are inconsequential: a thin film of life on an obscure and solitary lump of rock and metal.

Consider again that dot. That's here. That's home. That's us. On it, everyone you love, everyone you know, everyone you've ever heard of, every human being who ever was lived out their lives. The aggregate of all our joys and sufferings; thousands of confident religions, ideologies and economic doctrines; every hunter and forager; every hero and coward; every creator and destroyer of civilizations; every king and peasant, every young couple in love; every mother and father; every hopeful child; every inventor and explorer; every teacher of morals; every corrupt politician; every supreme leader; every superstar; every saint and sinner in the history of our species, lived there -- on a mote of dust suspended in a sunbeam.

The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner. How frequent their misunderstandings; how eager they are to kill one another; how fervent their hatreds. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that in glory and triumph they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the universe, are challenged by this point of pale light.

Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity -- in all this vastness -- there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves. Like it or not, for the moment, the Earth is where we make our stand.

It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. It underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the only home we've ever known: the pale blue dot.

Dexter (2008) - 3ª temporada

3x11 I had a dream
Se "o lar é onde reside o coração", aonde vai quem não tem coração?

3x06 Sí se puede
Meu pai dizia para ter cuidado com o quanto achamos conhecer alguém. Provavelmente você estará errado.

Vemos apenas duas coisas nas pessoas: o que queremos ver e o que nos mostram.

Não importa o quão próximas duas pessoas são, uma enorme distância sempre as separa.

Nunca subestime a capacidade das pessoas de te decepcionarem.

3x03 The lion sleeps tonight

Em uma terra de predadores, um leão nunca teme um chacal.
Série do canal Showtime sobre o serial-killer que mata serial-killers. Baseada nos livros do norte-americano Jeff Lindsay: Dexter: a mão esquerda de Deus (2004), Dearly devoted Dexter (2005) e Dexter in the dark (2007). Saiba mais: IMDB, Official Site e Mundo Fox.

O Planeta Assassino

A minha espécie está perto do fim. Será extinta dentro em breve.

Os remanescentes, cada vez em menor número, sabem disso. Mas o que nos desagrada é que não iremos sumir de modo natural, do tipo em que toda espécie no universo sabe que viveu o que tinha de viver, deu o que tinha de dar, para só depois encarar o glorioso final do ciclo da sua existência. Afinal, todas as espécies possuem uma duração definida. Nada dura para sempre. Nem indivíduo, família, raça, espécie, governo, reino ou dinastia. É assim com as galáxias, se as considerarmos grandes seres vivos, nascendo, morrendo e depois deixando material para outras formas de vida surgirem. É assim nas atividades microscópicas, onde espécies inteiras que existiam antes não existem mais, mas contribuíram para o surgimento de outras espécies. Deveria ser assim também com a minha espécie, mas não. A duração da minha espécie será interrompida abruptamente pelo planeta em que vivemos. É ele quem está nos matando.

Viver em guerra com o seu próprio planeta seria algo insano, se fossem os seus habitantes que o estivessem atacando. Mas não. Ele ataca. Nós defendemos. E depois contamos os milhares de baixas.

O trabalho de nossas vidas sempre foi melhorar o nosso planeta. Tentamos dia e noite reflorestar as matas, limpar as águas, acabar com a poluição, normalizar as mudanças na pressão atmosférica, enfim, resolver os problemas causados pelo próprio planeta e que dizimam milhões de nós.

Eu nasci em uma sociedade evoluída e eficaz. Depois de milhares de anos, chegamos à forma perfeita de viver em sociedade. A separação por castas. Não castas separadas pela riqueza, pois todos têm jornada de trabalho e lazer iguais, e ganham o mesmo salário. Tampouco separadas pela inteligência ou sobrenome ou cor do sangue, pois nos consideramos todos iguais, filhos do mesmo Deus. As nossas castas são separadas pelo tipo de trabalho.

Por isso, na sociedade em que vivo não existe desemprego. Quando uma casta está com falta de trabalhadores, são enviados reforços para lá até que nasçam mais crianças dentro daquela casta e tudo volte à normalidade. Eu, por exemplo, nasci na casta dos trabalhadores da área de logística, e ajudo a gerenciar a distribuição de recursos alimentícios e energéticos até os lugares mais distantes do planeta. Também faz parte do meu trabalho verificar onde é necessário aumentar a segurança e a saúde e, neste aspecto, tenho de agir prontamente, antes que uma carência vire um problema. Eu sei que sou apto para este trabalho e o farei com orgulho até a minha morte. Assim, em nossa sociedade uns trabalham em esgotos, outros na limpeza, outros no transporte, na alimentação, ventilação, produção de energia, e todos são felizes.

Talvez por isso eliminamos os cargos políticos. Quando todos têm trabalho e sabem fazê-lo, ganhando o suficiente para serem felizes, não é preciso ninguém para lhes dizer o que fazer. É certo que, em casos de emergência, precisamos trabalhar mais e assumir funções extras, mas todos fazem visando o bem da coletividade. Mas havia nuvens no horizonte de nosso céu azul.

De que adianta viver feliz, trabalhar duro, quando o lugar onde você mora volta-se contra você? Pois é, foi o que aconteceu. Primeiro, o planeta nos atacou com queimadas e trouxe a poluição para as nossas vidas. Começou a queimar grandes quantidades de áreas destinadas à preservação ambiental. Muitos das castas dos bombeiros e guardas florestais morreram tentando controlar os danos. Mas os ataques eram superiores à nossa capacidade. O nosso planeta é mais poderoso que todos nós juntos. As regiões devastadas foram se alastrando mais e mais, e onde antes existiam florestas geradoras de oxigênio, agora existe somente uma paisagem fúnebre de lodos negros, fétidos e poluídos em que vida alguma sobrevive. Diminuindo as florestas, a qualidade do ar também piorou. Os mais velhos dizem que o ar, na época deles, era limpo, fresco, saudável. Mas hoje não. Vivemos em um mundo poluído, cinza, assassino.
Infelizmente, o planeta está ganhando a guerra.

Depois, o planeta parou de movimentar-se, sem explicação. As conseqüências foram catastróficas. Não tínhamos noção do quanto nossas vidas dependiam dos movimentos do planeta. O fluxo dos rios, a pressão atmosférica, a produção energética, tudo foi comprometido. Os alimentos passaram a deteriorar-se e tivemos de nos acostumar com comida de má qualidade.

Estes problemas fizeram com que a população passasse a ter uma tarefa dupla: amenizar os efeitos das calamidades e continuar as atividades normais. Esta sobrecarga de atividades reduziu a nossa capacidade laboral e a média de idade gradualmente. Passamos a viver menos e a sofrer mais. O planeta começou a liberar toxinas no ar, na água e nos alimentos. Eram drogas potentíssimas que faziam uns caírem no sono durante horas, outros agiam como bêbados e outros morriam. Fomos envenenados.

Por isso, sei que estamos em uma viagem acelerada rumo à extinção. Milhões morrem todos os dias. O fim está próximo. Não sei se nós quem fomos amaldiçoados por nascer em um planeta ruim ou se o planeta é que não tem noção de quanto trabalhamos por ele. A minha espécie acabará logo, por causa do planeta em que vive.

O meu planeta se chama Corpo Humano. E eu sou apenas uma das milhões de células que vivem nele, sendo dizimadas todos os dias. Estamos sendo intoxicadas com cigarro, álcool, comida ruim e sedentariasmo. Quem sabe um dia nosso planeta não irá sentir a nossa falta? Ou perceber que nós só queremos o melhor para ele? Talvez existam outros planetas por aí que não sejam iguais ao meu. Talvez existam bons planetas. O meu azar foi ter nascido aqui, em um planeta assassino.

Desafio de escrita proposto para Daisy e Jéssica, usando a sugestão de tema do Duelo de Escritores, que é "Condição". Bem, como as meninas postaram primeiro, só faltava o meu. Aí está, espero que gostem. Se mais alguém quiser entrar na brincadeira, basta acompanhar os próximos temas propostos e avisar quando postar. Qualquer dúvida, entre em contato.

Justiça sem Limites "Boston Legal" (2008-2009) - 5ª temporada


5x09 Kill, Baby, Kill
A vida de uma pessoa é a soma de suas experiências.

5x03 Dances with Wolves
O truque para mudar a lei não é vencê-la, mas ser vencido. Aí você pode apelar para uma corte que pode mudá-la.
Boston Legal é uma dramédia do canal ABC que mostra os bastidores da firma de advocacia Crane, Pool & Schmidt. Enquanto narra as desventuras dos advogados nada convencionais Alan Shore (James Spader) e Denny Crane (William Shatner), foca os atuais problemas jurídicos e sociais dos Estados Unidos da América. Veja mais na Wikipédia, IMDB (nota 8.9) ou no Site Oficial.

Dexter: a mão esquerda de Deus, de Jeff Lindsay

“Sociopatia: As características dos sociopatas englobam o desprezo pelas obrigações sociais e a falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles possuem um egocentrismo exageradamente patológico, emoções superficiais, teatrais e falsas, pobre ou nenhum controle da impulsividade, baixa tolerância para frustração, baixo limiar para descarga de agressão, irresponsabilidade, falta de empatia com outros seres humanos, ausência de sentimentos de remorso e de culpa em relação ao seu comportamento. Não obstante, eles são artistas na capacidade de disfarçar de forma inteligente suas características de personalidade. Na vida social, o sociopata costuma ter um charme convincente e simpático para as outras pessoas e, não raramente, ele tem uma inteligência normal ou acima da média.” (Yahoo!)

O que você pensaria de torcer por um “mocinho” que é um assassino em série? De se colocar no lugar de alguém que finge ser uma pessoa normal, mas que mata sem nenhuma hesitação? Se a sua resposta é não, eu nunca pensaria nisso, é porque você ainda não conhece Dexter Morgan, o mais recente mocinho-vilão de sucesso na tevê, internet e literatura. Dexter é o sociopata sombrio, calculista, frio e adorável criado pelo escritor norte-americano Jeff Lindsay.

Dexter Morgan trabalha na polícia de Miami. É perito em borrifos de sangue. Possui uma irmã de criação, Deborah, e uma namorada chamada Rita. E a sua vida seria completamente normal, e tediosa, se não guardasse um segredo: ele é um assassino. Mas não um simples assassino, ele é um matador de assassinos, um serial-killer de serial-killers. Isso porque o seu pai adotivo, o policial Harry, percebendo o lado sombrio de Dexter ainda na adolescência, criou regras e ensinou o filho como e a quem matar. O código Harry ficou marcado na mente doentia de Dexter: matar só os que merecem. Pedófilos, assassinos, psicopatas, estupradores, traficantes, enfim, pessoas que Dexter sabe como pensam e agem. Eles são iguais a ele. Por isso, Dexter sabe onde encontrá-los, muitas vezes antes da polícia, para saciar a sua fome assassina.

Sou um monstro bem asseado.” (pg. 21)

Porém, a rotina de trabalhos periciais durante o dia e de caçador de monstros durante a noite de Dexter é interrompida: um novo assassino aparece em Miami, matando prostitutas e separando cirurgicamente as partes do corpo. Sem vestígios de sangue. Dexter percebe que este assassino é diferente, um verdadeiro artista (para Dexter), que mata como ele gostaria de fazer e que deixa mensagens que somente ele percebe. Dexter encontra enfim um amiguinho para brincar. Mas como parar este assassino sem revelar o seu segredo? Por que ele escolheu Dexter para brincar? Este é o desafio de Dexter na trama. Mas à medida que desvenda a identidade do Carniceiro de Tamiami (no livro; ou Assassino do Caminhão de Gelo, “ITC - Ice Truck Killer”, na tevê), Dexter precisa descobrir as razões psicológicas de porque ele próprio é assim. Dex inicia um jogo de xadrez onde o seu lado obscuro enfrenta um outro lado mais obscuro, desconhecido, dele mesmo.

Ninguém gosta de mim, nem jamais gostará. Nem mesmo, e principalmente, eu.” (pg. 56)

Antes de ser apenas uma obra sombria para pessoas de gostos estranhos, Dexter mostra de modo superlativo algo que todos nós temos: o lado sombrio. Quantos não têm dentro de si aquela voz que insiste para fazer algo errado, a Coisa dentro, o observador silencioso, o cara sentado no banco de trás do carro e que, às vezes, consegue assumir o volante? Chame de instinto animal, alterego, tentação, desejo, o que quiser; Dexter o chama de Passageiro das Trevas. Assim, não tentando livrar-se desta voz interior, mas considerando-a como parte importante do seu ser, Dexter mostra ser o oposto de Raskólnikov – personagem de Crime e Castigo, de Dostoiévski –, pois enquanto no último há uma consciência que o atormenta e sentimentos de culpa que o recriminam quando comete um crime, no primeiro não há nada disso. Parece que a consciência de Dexter foi substituída pelo Passageiro das Trevas. É como se aparecesse só o diabinho para ajudá-lo nas decisões.

Felizmente, eu não tenho consciência.” (pg. 35)

Outro ponto importante refere-se a máscara criada por Dexter para se ajustar como alguém normal e passar despercebido. Demonstra algo que todos nós fazemos: nos adaptamos, fingimos ser o que não somos para sermos aceitos em determinado grupo. Usamos máscaras. A diferença reside apenas no grau de simulação. Dexter é o grau extremo, pois usa a máscara a maior parte do tempo, e somente quando está matando é que se revela de verdade. Já parou pra pensar quando é que você se mostra de verdade, sem máscaras? Como você age quando ninguém mais está vendo?

Jeffry P. Freundlich (1952-), ou Jeff Lindsay, é casado com Hilary Hemingway, sobrinha de Ernest Hemingway, e começou a escrever por volta de 1994 em parceria com a esposa, mas veio a se destacar só anos depois no gênero suspense policial com a série de livros que trazem Dexter Morgan como protagonista. Até o momento são quatro livros: Darkly Dreaming Dexter (2004), Dearly Devoted Dexter (2005), Dexter in the Dark (2007) e Dexter By Design (previsto para 2009). O primeiro livro traduzido no Brasil veio em julho deste ano, com o título Dexter: a mão esquerda de Deus (PLANETA, 2008). O título brazuca ficou distante do significado original - algo como “Adorável Sombrio Dexter” – mas soa bem melhor aos leitores brasileiros que não conhecem a série televisiva. Remonta à referência bíblica de que, enquanto a mão direita de Deus é usada para a criação, a esquerda é a da destruição. Dexter é assim, Abadon, uma espécie de Anjo Destruidor. É também uma brincadeira sutil com a palavra "dexter", que em grego quer dizer destro. O destro é canhoto. O que supostamente parece normal seria anormal. (Nota: não tenho nada contra os canhotos, mas são várias as culturas que consideram o lado direito como representativo do bem e o esquerdo do mal.)

Estava mais um lindo dia de sol em Miami. Com possibilidade de cadáveres mutilados enfrentarem chuva à tarde. Me vesti e fui para o trabalho.” (pg. 167)

Quem já segue a série Dexter (Showtime, 2006) – atualmente ela está no começo da terceira temporada – deve se surpreender com a escrita leve de Jeff Lindsay. É impressionante como ele consegue contar de forma descontraída e carregada de humor negro, em primeira pessoa, a história de um assassino em série. Esta tática faz com que o leitor conheça os pensamentos sombrios e contraditórios de Dexter. Pode-se tentar entender e até simpatizar com o seu modo de pensar. A tradução de Beatriz Horta talvez contribua para a leveza também, sem erros de português e deixando as palavras latinas no original, para ressaltar a forte influência cubana em Miami. Somente o nome Deborah poderia ter sido traduzido, pois existe em nosso idioma. E também faltou uma nota da tradutora referente à brincadeira, feita recorrentemente no livro, com o nome do policial Angel Batista, da pg. 33: “Angel Batista-sem-parentesco, como ele costumava se apresentar... sem qualquer parentesco com o outro.” O outro é o líder cubano Fulgencio Batista, deposto por Fidel Castro em 1959, com quem Angel certamente não queria ser associado.

A capa da edição brasileira ficou bastante chamativa, com uma mão usando luva cirúrgica e segurando um bisturi, ambos sujos de sangue. Apelativa, mas bonita. O livro só foi traduzido por causa do sucesso da série, uma das mais cultuadas na tevê por assinatura e internet atualmente. Assim, Dexter já era um personagem conhecido dos brasileiros meses antes da publicação do livro, o que deve alavancar as vendas não só deste, mas das sequências, quando forem traduzidas.

Apesar de a primeira temporada da série televisiva ser muito fiel ao livro – até os nomes dos personagens são exatamente iguais, assim como a sequência dos fatos – há algumas alterações que ficaram melhores na tevê. Talvez pelo próprio Jeff Lindsay ter trabalhado no roteiro, pôde melhorar aquilo que não havia gostado no seu livro. Algumas das diferenças principais são: a maneira com que Dexter conhece o Carniceiro de Tamiami, o que a irmã de Dexter descobre sobre ele, o personagem que morre no final. E o próprio final do livro, que parece abrupto demais, destoando do restante. Mas costuma-se dizer por aí que nos bons livros o final é o que menos importa. Por isso, quem assistiu à primeira temporada da série não irá se decepcionar com o livro, e vice-versa.

Veja mais:
Excelente
leitura: Setembro / Outubro de 2008
obra: Dexter: a mão esquerda de Deus (Darkly Dreaming Dexter), de Jeff Lindsay
tradução: Beatriz Horta
edição: 1ª, Editora Planeta do Brasil (2008), 270 pgs
procure o melhor preço:






Nobel da Literatura 2008

Saiu hoje (9/10/2008) o ganhador do Prêmio Nobel da Literatura: o romancista e ensaísta francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, de 68 anos. Le Clézio embolsou o prêmio de US$ 1,4 milhão, mais o aumento nas vendas e traduções de seus livros que costumam alavancar quando se acrescenta um Nobel no currículo. O site do prêmio justifica da escolha: "Autor de inovações, aventuras poéticas e êxtase sensual, explorador de uma humanidade que transcende a civilização dominante". Nascido em Nice, França, e apesar de ter escrito dezenas de livros, o escritor tem publicados no Brasil apenas os livros O Deserto (Brasiliense, 1986); A Quarentena (Companhia das Letras, 1997); Peixe Dourado (Companhia das Letras, 2001) e O Africano (Cosac Naify, 2007).

Veja também:

Um Toque de Vida (Pushing Daisies) - 1ª temporada (2007)

1x08 Bitter Sweets
A bravura está em não revidar.

Às vezes um crime passional é não perceber a paixão a tempo. Outras vezes, o crime é não ver o mundo como ele é. Mas a maioria dos crimes passionais são, na verdade, crimes.

1x06 Bitches

Só dá para saber se um cachorro é bravo mexendo na comida dele.

As pessoas são como cães. Elas fogem quando são culpadas.

Acordamos todos os dias com uma lista de desejos e passamos a vida toda tentando realiza-los. Mas só porque os queremos não significa que nos farão felizes.


1x02 Dummy
Você adora segredos. Você quer se casar com segredos e ter filhos meio segredos e meio humanos.

1x01 Pie-lette
Morrer é uma desculpa tão boa quanto qualquer outra para voltar a viver.

Eu te beijaria se isso não fosse me matar.


Sinopse: Pushing Daisies é a série da ABC que conta a história de Ned, um cara que tem o poder de trazer os mortos de volta a vida, mas com duas regras: se o morto for tocado novamente morrerá definitivamente e se o morto passar de 1 minuto vivo outra pessoa próxima morrerá. A trama ganha hilariedade e romantismo de um jeito ainda não visto quando Ned traz de volta Chuck, a garota que sempre amou, mas que agora não pode tocar.

Saiba mais: Wikipédia, IMDB e Site Oficial.

Reputação e Caráter, de William Hersey Davis

Reputation and Character

The circumstances amid which you life determine your reputation;
the truth you believe determines your character.

Reputation is what you are supposed to be;
character is what you are.

Reputation is the photograph;
character is the face.

Reputation comes over one from without;
character grows up from within.

Reputation is what you have when you come to a new community;
character is what you have when you go away.

Your reputation is learned in an hour;
your character does not come to light for a year.

Reputation is made in a moment;
character is built in a lifetime.

Reputation grows like a mushroom;
character grows like the oak.

A single newspaper report gives you your reputation;
a life of toil gives you your character.

Reputation makes you rich or makes you poor;
character makes you happy or makes you miserable.

Reputation is what men say about you on your tombstone;
character is what angels say about you before the throne of God.


Reputação e Caráter

As circunstâncias em que você vive determinam a sua reputação;
a verdade em que você acredita determina seu caráter.

A reputação é o que se supõe que você seja;
O caráter é o que você é.

A reputação é a fotografia;
O caráter é o rosto.

A reputação vem sobre você de fora;
O caráter cresce de dentro.

A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova;
O caráter é o que você tem quando vai embora.

A sua reputação é conhecida em uma hora;
o seu caráter não aparece em um ano.

A reputação é feita em um momento;
O caráter é construído em uma vida.

A reputação cresce como um cogumelo;
O caráter cresce como um carvalho.

Uma única notícia de jornal dá a sua reputação;
uma vida de trabalho dá o seu caráter.

A reputação fará você rico ou fará você pobre;
O caráter fará você feliz ou fará você miserável.

A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura;
O caráter é o que os anjos dizem de você diante do trono de Deus.

Nota: Este texto circula errôneamente pela internet como sendo de Arnaldo Jabor.

Melhorar o mundo

A maneira mais rápida de melhorar o mundo ao seu redor é mudando o seu olhar, o seu pensar, o seu viver.
A maneira mais rápida de melhorar o mundo ao seu redor é melhorando você.


Jefferson Luiz Maleski

Microcontos, de JLM

Segundo a Wikipédia, o microconto é uma espécie de conto minimalista. Apesar de ainda não ser reconhecido pela teoria literária, é apontado cada vez mais como o representante legítimo dos tempos modernos, informáticos, ágeis e apressados. O microconto é escrito em apenas uma linha - alguns o limitam a 100 ou 200 caracteres - e revela só o básico para que a imaginação do leitor faça o resto. Se você está interessado em como escrever um microconto, leia a matéria de Geraldo Galvão Ferraz. Ou visite A Casa das Mil Portas e Dois Palitos. Abaixo seguem algumas tentativas que esbocei neste gênero.

Novela Mexicana
Miguel casou-se com Rosália.
Mas estava apaixonado pela cunhada.
Rosália também.


Impossível Agradar
Deus disse: "Desfaça-se a luz!" e todos dormiram.
Menos o ateu.


Hitchcock
Era cega, mas sabia que alguém a observava.
Ok, talvez fosse paranóica também.


Não te Amo Mais
Cansou.
Ele não a escutava mesmo.
Desepediu-se do corpo e foi embora.


Bicão
Entrou no Jardim do Éden pela porta dos fundos.
Disparou o alarme e levou um raio na testa.


Hitchcock com Humor Negro
O assassino me olhava do quintal.
Ainda bem que tranquei a porta.
Pow! Pléim! Nhéééééé... Fudeu.


Revelações
Não sou sua mãe.
Também não sou mulher.
Muito menos estou vivo.


Você é o que você come
Leu tantos livros raros até que virou um.


Como Conquistar um Homem
Sirva cerveja e aperitivo no intervalo do jogo.
De biquíni.


Como Conquistar uma Mulher
Prometa dar tudo o que tem para ela.
Mas nunca diga quanto é.


Regra Básica para Quem está com Diarréia
Não Peide.


Saddam Hussein
Nem todo aquele que te tira do buraco é teu amigo.

MEC disponibiliza a Obra Completa de Machado de Assis para download

O MEC resolveu fazer uma graça e disponibilizou gratuitamente a Obra Completa de Machado de Assis para download. Quem quiser aproveitar, basta clicar na imagem abaixo para ser redirecionado para o Portal do MEC. As obras estão disponíveis em formato PDF e HTML.

Partir ou ficar são dois lados da mesma moeda, de JLM

O blog Duelo de Escritoes faz um desafio de escrita a cada decêndio aos seus participantes: escrever um conto, crônica ou poesia sobre determinado tema. Como não sou participante do blog nem escritor (ainda), mas gostei do tema da vez (suicídio), resolvi fazer este conto lembrando a trágica história de Chayyam. Espero que gostem.

PARTIR OU FICAR SÃO DOIS LADOS DA MESMA MOEDA


Escutei o bater da porta atrás de mim. O estrondo havia sido tão forte que todo o meu corpo tremeu e o som ecoou pelo gigantesco salão, chamando a atenção dos que estavam ali. Para qualquer lado que olhasse, com exceção das minhas costas, onde estava a porta, era possível ver silhuetas de pessoas, algumas em grupos, outras andando aos pares ou sozinhas, agachadas. As que estavam mais próximas destacavam-se das distantes tal como camadas sobrepostas dentro de um espelho. Com o barulho da minha chegada explícita, alguns deixaram de conversar por um momento para me olhar. Outros pareciam  já me olhar antes da porta bater. Um sentimento de vergonha fez o meu rosto arder, não por não conhecer ninguém ali, mas por eu ser uma pessoa naturalmente tímida. Tentei mexer as pernas: não consegui. Elas não estavam paralisadas; eu é que não sabia para onde ir. Não sabia nem se queria ir.

Tudo naquele lugar parecia ao mesmo tempo estranho e calmo. Uma neblina densa dominava o ambiente, de modo que não era possível ver o teto tampouco o final do salão. Isso dava a impressão dele não ter fim, tanto para os lados quanto para cima. O chão era de mármore branco e havia colunas enormes dispostas no meio do salão. Sei que eram enormes pela espessura e não pela altura, pois elas desapareciam na neblina a poucos metros do chão. E o silêncio era aterrador, apesar do número considerável de pessoas.

- Seu nome, por favor. – disse a voz atrás de mim, me assustando.

Voltei-me e vi uma figura pequena segurando uma prancheta. Com cerca de um metro de altura, não dava para dizer se era um anão mais alto ou uma pessoa normal mais baixa. Outro detalhe: pela voz e pelas roupas – um uniforme cinza com o colarinho branco – também não pude distinguir se era homem ou mulher. Enquanto as feições do rosto puxavam para o masculino, o timbre da voz tendia para o feminino. No peito trazia uma plaquetinha dourada escrita "Caronte”. Seria um nome ou uma função? Nome de homem ou de mulher? Ele/ela abaixou a armação retangular dos óculos e olhou por cima das lentes diretamente para os meus olhos e, pela batida acelerada da caneta na prancheta, percebi que estava com pressa.

- Chayyam – respondi.

- Um instante – e começou a procurar algo nas folhas presas na prancheta. Tentei ver o que estava escrito, mas só vi papéis em branco. Após algumas viradas de página e o surgimento de um sorriso de satisfação passageiro, talvez por ter encontrado o que buscava ou por ter me localizado nas páginas em branco, "Caronte" voltou-se para mim. – Aqui está, Chayyam, dezesseis anos, Índia, certo?

- Sim.

- Desculpe-me por este procedimento, mas é necessário já que vez por outra ocorre algum engano e mandam para cá a pessoa errada. Ninguém gosta de ser mandado para o lugar que não é o seu, certo? Mas não é o seu caso. Me acompanhe, por favor, que vou lhe mostrar onde fica a sua seção.

Caronte passou por mim e continuou andando. Para não ficar sozinha, fui atrás. A conversa me fez concluir que era uma mulher, mas de aspecto masculino. E, apesar dos passos apressados, ela era menor que eu, sendo fácil para mim acompanhá-la.

Caminhamos durante algum tempo, não sei ao certo quanto, poderia ser meia hora ou duas, até passarmos perto de um grupo de pessoas. Percebi, fixada na coluna próxima a eles, uma placa escrita, não na minha língua, mas perfeitamente decifrável. Dizia: "GOVERNANTES”. Aquela seção tinha um bom número de pessoas, algumas fumavam charutos, outras bebiam uísque, outras debatiam em tom sério. Notei que havia mais homens que mulheres. A minha guia falou como se já tivesse repetido aquelas palavras milhares de vezes:

- Aqui é a seção dos políticos, reis, imperadores, ditadores e presidentes. Geralmente são megalomaníacos, mas possuem um grande carisma com o povo. Por exemplo, aquele baixinho ali, de bigode esquisito e cabelo ensebado berrando com se estivesse em um palanque é o Adolf. Não se espante, ele tem o gênio difícil mesmo. Os três perto dele usando túnicas e debochando são os veteranos: Nero, Cleópatra e Marco Antônio. Aquele aplaudindo é o Getúlio, amigo de Adolf, da América do Sul. Os outros são de outros lugares, mas têm em comum o gosto para discutir crises, estratégias, guerras, massacres ou simplesmente se gabarem do que fizeram e lamentar que as coisas hoje não são mais como nos tempos deles.

A próxima seção estava identificada pela placa “DOENTES” e tinha pessoas tossindo, espirrando, escarrando, gemendo, gritando ou gargalhando. Uma repulsa me fez sentir mal com toda aquela confusão de sons e imagens. Não sei se Creonte percebeu e, se percebeu não demonstrou, continuou com a explicação.

- Esta seção é dividida nas alas “Eutanásicos”, “Cobaias” e “Loucos”. Como você pode perceber, os eutanásicos são os mais infelizes aqui. O que faz a permanência deles um pouco mais suportável é a companhia dos doidos, que volta e meia aprontam alguma doidice.

- Ei, aquele ali na ala dos “Loucos” não é o Adolf, que vimos lá trás?

- É sim, minha querida. Alguns têm trânsito livre em mais de uma seção. No caso do Adolf, ele passa mais tempo aqui que na outra seção.

Continuamos andando. Após algum tempo, ouvi um embaralhado de sons anunciando que a próxima ala não era como as outras. Era mais barulhenta. Havia pessoas cantando, tocando guitarras e violões e outros instrumentos, numa grande confusão, pois faziam ao mesmo tempo. Uma loira próxima a nós, de vestido brilhante e segurando um grande microfone, cantava:

Happy birthday to you
Happy birthday to you
Happy birthday, Mr. President
Happy birthday to you

Caronte a censurou:

- Marilyn, eu já te disse que o seu lugar não é aqui. Cantar parabéns não te faz uma cantora! Por favor, volte para a sua ala e não me faça vir te buscar de novo!

Ao falar neste tom grave e rude, percebi que estava enganado a respeito de Caronte: com certeza, era um homem. Confirmei isso quando a loira obedeceu, mesmo a contragosto e saiu pisando emburrada, até passar por um rapaz de óculos, que disse:

Ela passou do meu lado
Oi, amor - eu lhe falei
Você está tão sozinha
Ela então sorriu pra mim
Foi assim que a conheci...

A moça esboçou um sorriso e foi embora. Na seção ao lado, uma pequena multidão saudava com fervor outro cantor – que assim como o anterior, usava barba, mas diferente dele, tinha os cabelos loiros e compridos. As pessoas repetiam os versos:

Baby you're going down in the dark
Baby you're gonna die someday
See you in your crowded' wasted
When you start to fade
Then we'll start singing faster
I wouldn't wait so long
Won't get any easier in the dark

Ao terminar, o rapaz teve pedidos de bis. Olhando para mim, disse com um sorriso maroto:

- Humm, smells like teen spirit.

Isso foi o suficiente para fazer com que várias pessoas assoviassem, aplaudissem ou soltassem gritinhos. O meu guia justificou:

- Não ligue para esta bagunça, Chayyam. A administração achou melhor que a seção dos “DEPRIMIDOS” ficasse ao lado da ala dos “Músicos”, já que ambas estão intimamente relacionadas. O único problema é ter de aturar uma barulheira infernal constante neste setor.

Percebi muitos adolescentes, iguais a mim, na seção dos deprimidos e perguntei:

- Não é aqui que eu fico?

- Não minha cara, apesar de ter muitos da sua idade aqui, você vai para outra seção. Aliás, você poderia até ficar naquela seção ali, a dos “ADOLESCENTES”, mas ela está com superlotação e tenho ordens para te levar para outra mais exclusiva.

E assim fomos passando pelas seções, algumas subdivididas em alas, como a seção dos “ARTISTAS”, da qual faziam parte as alas dos “Músicos”, “Pintores”, “Escritores”, entre outras. Na ala dos pintores, fiquei maravilhada com um homem que pintava em um quadro uma orelha em tons pastéis. Na ala dos escritores, vários deles jogavam cartas e um quadro de giz ao lado da mesa dava a classificação:

1º lugar: Ernest - 4.379 pontos
2º lugar: Florbela - 3.951 pontos
3º lugar: Virgínia - 3.899 pontos
4º lugar: Primo - 1.576 pontos

Ao passar pela seção dos adolescentes, uma moça mais velha que eu, perguntou para Caronte aonde me levava, e ele respondeu que era para a penúltima seção.

- Ah, ela vai para a seção dos idiotas? – debochou.

- Eu já disse que não é mais este o nome daquela seção, Julieta. E se eu fosse você prestava mais atenção naquele seu namoradinho – porque eu já vi ele de conversinhas com outras por aí –, e parava de atazanar quem está chegando agora!

A moça fechou a cara para Caronte e continuamos a andar. Não me contive e perguntei:

- Existe uma seção para idiotas?

- Existia, se chamava “TOLOS”, mas estava dando muitos problemas, porque quase todos aqui tinham acesso a ela e passou a ser um lugar comum a todas as outras alas e seções. Daí a administração achou que estava muito tumultuado por lá e resolveu mudar o nome. Você não precisa ter pressa, nós já estamos chegando.

E realmente já estávamos perto, e percebi que a placa da minha seção era “INDEFINIDOS”. Ficava entre a seções “CIENTISTAS” e “RELIGIOSOS”. Na seção dos cientistas, um homem de chapéu panamá branco e bigode fez uma cortesia quando passamos, olhou para o relógio de pulso e depois para cima, como se estivesse aguardando algo passar sobre ele. Da seção dos religiosos, que estava apinhada de gente, só consegui ler o nome das duas alas mais próximas: “Mártires”, onde alguns estavam sentados em posição de meditação, de olhos fechados e com aparência de tranqüilidade; e “Enganados”, onde orientais choravam baixinho e outros ajoelhados, de capuzes pretos e coletes estranhos, cheios de fios vermelhos e azuis e mostradores de relógios, batiam forte no peito e curvavam o rosto até o chão.

Na minha seção, confirmando o que Caronte havia falado, somente uma pessoa estava perto para me receber.

- Bom dia, mocinha. Posso te dar um beijo de boas-vindas?

- Não comece com essa história de novo, Judas. Deixe a menina em paz. Ela não é para o seu bico. E você, Chayyam, espere aqui que eu vou buscar a encomenda que chegou para você. Considere-se sortuda, pois quase ninguém tem acesso a aparelhos de tevê para passar o tempo. Ah, só mais uma coisa: antes que eu vá, você deseja me perguntar algo?

- Sim. Por que eu estou nessa seção?

- Bem, deixe-me ver, só um momento – respondeu enquanto procurava apressadamente nas páginas da prancheta, dando novamente a impressão de ser uma mulher – pronto, aqui está: você está nesta seção até a administração analisar melhor o seu caso. Isso acontece quando você se encaixa em mais de uma seção ou ala, ou quando não há nenhuma específica para você. Há só uma nota de observação dizendo para te informar que o mundo não acabou em 10 de setembro de 2008 por causa do Large Hadron Collider, o que, é claro, você logo logo iria perceber pela tevê.

Agradecimentos especiais aos suicidas famosos da história, por participarem do conto e fazerem com que a morte de Chayyam não tenha sido tão fútil. "O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder à uma pergunta fundamental da filosofia." (Albert Camus) - Ordem de aparecimento: Adolf Hitler, Nero, Cleópatra, Marco Antônio, Getúlio Vargas, Marilyn Monroe, Renato Russo, Kurt Cobain, Vincent Van Gogh, Ernest Hemingway, Florbela Esparca, Virgínia Woolf, Primo Levi, Julieta (a do Romeu, de Shakespeare), Santos Dumont, kamikazes, homens-bomba e Judas Iscariotes.