Pior livro de 2007

Como não poderia deixar de ser, a maioria dos best-sellers entra na disputa. Afinal, para quem considera a escrita uma arte e procura por palavras que influenciem o pensamento, os livros publicados simplesmente para ganhar (muito) dinheiro não tem lá muito o que acrescentar. Tá certo que eu também leio - inclusive best-sellers - por diversão, mas quando um livro escrito exclusivamente para este fim não consegue nem isso é porque há algo errado.

Utilizei o mesmo critério na seleção do pior livro do ano que usei na escolha do melhor livro de 2007, só que invertido: o pior livro é o que menos mudou minhas idéias, influenciou minhas conversas e opiniões. Aquele que passei raiva várias vezes ao ler e a não indicar para os amigos. A experiência foi tão ruim que desanimei até mesmo de ler outros livros do autor. A minha mancada neste ano foi um best-seller norte-americano, emprestado por um amigo.

PIOR LIVRO LIDO EM 2007

Atlantis, de David Gibbins

A arte de escrever
Leia a resenha do livro clicando na imagem acima.

E você? Qual o pior livro que leu em 2007?

Georg Christoph Lichtenberg


O livro é um espelho: se um asno o contempla, não se pode esperar que reflita um apóstolo.

O sinal certo de um bom livro é que ele nos agrada cada vez mais à medida que envelhecemos.

O sábio procura a sabedoria, o tolo encontrou-a.

Quem leu muito, raramente faz grandes descobertas.

As pessoas que cedem e concordam com tudo são sempre as mais saudáveis, as mais belas, e de figura mais harmoniosa. Basta alguém ter um defeito para ter a sua própria opinião.

Estou convencido de que não apenas nos amamos nos outros, mas também nos odiamos neles.


Georg Christoph Lichtenberg (1742-1799) foi físico e escritor alemão.

Melhor livro de 2007

Qual critério adotar para escolher o melhor livro em uma lista variada de quase 50 que li? Se fosse o mais engraçado, com certeza os 2 Discworld (A cor da magia e O senhor da foice) de Terry Pratchett seriam os primeiros. Se fosse o melhor suspense policial seria ou o da Agatha Christie (O caso dos dez negrinhos) ou o do José Prata (Os coxos dançam sozinhos). Nos de filosofia, o páreo duro estaria entre Sêneca (Sobre a brevidade da vida e Da vida feliz) e Krishna (Bhagavad Gîtâ). Dentre os infantis escritos para crianças de todas as idades, concorreriam C. S. Lewis (As crônicas de Nárnia) e Antoine de Saint-Exupéry (O pequeno príncipe). Dentre os mais bem escritos, aqueles que nos fazem viajar e reler diversas vezes um único parágrafo estariam Hermann Hesse (Sidarta), F. Scott Fitzgerald (O grande Gatsby) e Luiz Antonio de Assis Brasil (Música Perdida).

Mas meu critério é bem mais simples: considero o melhor livro aquele que mais mudou minha cabeça, minhas idéias, influenciou minhas conversas e opiniões. Aquele que passei a citar e a querer reler assim que for possível, que indico e indicarei aos amigos. Olhando sob este prisma para o ano inteiro de 2007, um sobressaltou aos demais, e eis que o escritor campeão não poderia deixar de ser um clássico mundial.

MELHOR LIVRO LIDO EM 2007

A arte de escrever, de Arthur Schopenhauer

A arte de escrever
Leia a resenha do livro clicando na imagem acima.

E você? Qual o melhor livro que leu em 2007?

Nitro, 2007

Na vida, não podemos sempre fazer aquilo que queremos, mesmo que não seja justo.

- Por que pessoas doentes recebem flores? - Por que as flores são como a vida. Ajuda a melhorarem. - Então, por que os mortos as recebem? - Para demonstrarmos que gostamos deles. Flores são como o amor. - São como a vida ou como o amor? - É a mesma coisa.

Os imbecis nunca se revoltam. Os imbecis obedecem as regras do mercado.

Não provoque o diabo, ele tem fome.

Olhe o sol e a lua. Não é extraordinário, que daqui ambos pareçam ter o mesmo tamanho? Um é enorme, a milhões de kilômetros de distância. A outra é pequena a uns milhares daqui. Acha que é coincidência? Você tem o sol e a lua. Algumas vezes eles se aproximam, mais e mais. Quando ficam juntos dá-se um eclipse. Por isso apagam as luzes.


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Bom

Os livros que li em 2007

Eis a lista de tudo o que li em 2007. Alguns eu resenhei, outros não. Deixei propositalmente de fora livros de direito, revistas e similares. Incluí todos os de literatura, os referentes ao blog e as técnicas de escrita e os que não tem a ver com o trabalho ou a faculdade. Dentre os abaixo vou escolher o melhor livro que li no ano. Talvez para sacanear, também vou apontar o pior.

48. Fernando Pessoa : Poesias, seleção de Sueli Barros Cassal - bom
47. Mestres do Reiki, de Ademir Barbosa Júnior - bom
46. Técnicas de comunicação escrita, de Izidoro Blikstein - regular
45. Da vida feliz, de Sêneca - excelente
44. Cumes e vales : Velhos contos de mestres e discípulos esquecidos, de Michel Echenique - excelente
43. Curso prático de leitura dinâmica, de Marcos Gois - bom
42. Como Sophia educa suas crianças, de Elza Pastrello - bom
41. Como reconhecer sua vocação, de Michel Echenique - bom
40. Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves - ruim
39. Música perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil - excelente
38. Os coxos dançam sozinhos, de José Prata - bom

37. O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini - regular
36.
A Arte de Escrever com Arte, de Ronald Claver - bom
35. Matrix Revelations, de Goulart Gomes - bom
34. Os Espíritos Elementais da Natureza, de Jorge Angel Livraga - bom
33. A Arte de Escrever com Arte, de José Carlos Leal - ruim
32. Ankor, o Discípulo; de Jorge Angel Livraga - bom
31. O adiantado da hora, de Carlos Heitor Cony - ruim
30. Memorial de Buenos Aires, de Antonio Fernando Borges - bom
29. O Senhor da Foice, de Terry Pratchett - excelente
28. O Livro dos Cinco Anéis, de Miyamoto Musashi - regular
27. Prometeu Acorrentado, de Ésquilo - excelente
26. Bhagavad Gîtâ, de Krishna - bom
25. Introdução a análise da narrativa, de Benjamin Abdala Júnior - bom
24. Como ordenar as idéias, de Edivaldo Boaventura - bom

23. O Desastronauta, de Flávio Moreira da Costa - regular
22. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry - excelente
21. A Arte de Escrever, de Arthur Schopenhauer - excelente
20. Os Sete contra Tebas, de Ésquilo - ruim
19. Édipo em Colono, de Sófocles - excelente
18. Antígona, de Sófocles - excelente
17. Édipo Rei, de Sófocles - excelente
16. Atlantis, de David Gibbins - ruim
15. Os 300 de Esparta, de Frank Miller - excelente
14. Contos de Encantos, Seduções e Outros Quebrantos, de Rogério Andrade Barbosa - regular
13. Sobre a Brevidade da Vida, de Sêneca - bom
12. O Pistoleiro, de Stephen King - regular
11. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald - excelente
10. 101 Viagens de Sonho: e Como Torná-las Realidade, de Kiko Nogueira - ruim
9. A Vida e o Pensamento de Buda, de Morgana Gomes - bom
8. O Caso dos Dez Negrinhos, de Agatha Christie - excelente
7. O Caminho das Pedras, de Ryoki Inoue - bom
6. Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom - regular
5. Sidarta, de Hermann Hesse - excelente
4. Como Atirar Vacas no Precipício, de Alzira Castilho - excelente
3. O Historiador, de Elizabeth Kostova - bom
2. A Cor da Magia, de Terry Pratchett - excelente
1. As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis - excelente (geral para os 7 livros)

Da lista acima posso fazer uma análise superficial da qualidade do que li: A maioria esteve entre bom e excelente, o que significa que acertei em grande parte das minhas escolhas. Notei que li poucos livros escritos por mulheres, tenho que melhorar nesse aspecto. Não li nenhum russo, que tanto gosto. E também comecei duas séries: Discworld e Torre Negra, que pretendo dar continuidade. Obtive uma boa quantidade na leitura dos clássicos e dos filosóficos, o que considero bom. 11 livros foram ganhados, 9 emprestados e 2 online. Os mais lidos são da literatura brasileira, grega, norte-americana e inglesa, nesta ordem.

As mortes de Ian Stone (The deaths of Ian Stone), 2007

Sonhe como se você fosse viver para sempre. Viva como se você fosse morrer hoje.

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Bom

Eu sou a lenda (I am legend), 2007

Bob Marley... tinha essas idéias. Um tipo de idéias alternativas. Ele acreditava que podia curar o racismo e o ódio. Literalmente curá-lo injetando música e amor na vida das pessoas. E quando estava marcado para cantar num show a favor da paz, um assassino foi à casa dele e o alvejou. Dois dias depois ele subiu no palco e cantou. Alguém lhe perguntou: Por que? E ele disse: As pessoas que estão tentando fazer deste mundo pior não estão tirando um dia de folga. Como eu posso tirar?

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Regular

Carlos Drummond de Andrade

Lutar com palavras é a luta mais vã, entanto lutamos mal rompe a manhã.

Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.

As obras-primas devem ter sido geradas por acaso; a produção voluntária não vai além da mediocridade.

Cem máximas que resumissem a sabedoria universal tornariam dispensáveis os livros.

A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.

É menor pecado elogiar um mau livro sem o ler, do que depois de o ter lido. Por isso, agradeço imediatamente depois de receber o volume. Não há vida literária plenamente virtuosa.

Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.

Quem gosta de escrever cartas para os jornais não deve ter namorada.

As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele.

Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes.


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi funcionário público e poeta modernista mineiro.

Justiça a Qualquer Preço (The Flock), 2007

"Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se tornar um monstro. Quando se olha muito para uma besta, esta besta também olha para você. Os momentos definitivos de nossas vidas nunca são planejados."

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Analecto que escrevi em 2007

Analecto: s. m. Coletânea de trechos em prosa e/ou verso, ger. de autores célebres e dispostos segundo época, autoria, tema etc.; antologia. Coleção de máximas ou aforismos escolhidos de um ou mais autores; antologia, seleta.
Aforismo: s. m. Máxima ou sentença que, em poucas palavras, explicita regra ou princípio de alcance moral; apotegma, ditado. Texto curto e sucinto, fundamento de um estilo fragmentário e assistemático na escrita filosófica, ger. relacionado a uma reflexão de natureza prática ou moral.
(Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0.5)

Todo filósofo é religioso, mas nem todo religioso é filósofo.

Deus e diabo são dois opostos assim como frio e calor, claro e escuro, bem e mal. Se você acredita na existência de um deles, forçosamente acredita na do outro.

Não se deve exigir que o escritor sempre se supere. Até porque mesmo grandes autores têm um período de hibernação antes de acordarem na próxima primavera com uma obra-prima desabrochando em suas mentes. (CLB)

Há pessoas que se apegam demais ao que têm, e outras ao que não têm.

O ideal seria que aqueles que raptam recém-nascidos encontrassem aqueles que os abandonam.

Se apenas um único de teus sorrisos ilumina toda a minha existência, porque tu insistes em exauri-los com aqueles cegos que preferem morar em eterna escuridão?

O amor é atemporal aos homens, pois mesmo que estes não existissem, ele existiria.

Todas as mulheres são princesas, só esqueceram de contar a algumas delas. Todos os homens são sapos e cônscios disso. Alguns sapos beijados por princesas viram príncipes, outros viram para o lado e dormem. Da mesma forma, alguns príncipes beijados por princesas viram reis, outros, sapos. Mas, no fundo (da lagoa) todo sapo sonha com o beijo da princesa.

Entrevemos o que é sorte quando o Universo todo inexplicavelmente gira ao nosso redor. Contudo, é necessário que ele não gire também ao redor dos outros, pois o ordinário não é classificado como sorte. Logo, forçosamente a sorte é egoísta e maldosa porque necessita que apenas um tenha, seja e ganhe aquilo que a maioria não tem, não é e não ganha. Quem perceber o desequilíbrio que a sorte lhe traz poderá dividir os frutos obtidos e harmonizar a balança da sua existência, transfigurando algo nocivo em prol da humanidade.

Melhor é a abstinência do que sexo com a pessoa errada. Aquilo que começar errado dificilmente terminará certo, mas o que começar certo terá as estatísticas a seu favor.

Hoje sou o dobro do que era no passado e a metade do que serei no futuro.

A verdadeira índole de uma pessoa aparece quando ela possui uma razão justificada contra você.

Os homossexuais são predadores, os ingênuos, a sua caça.

Todo homem é feliz estando os a quem ama satisfeitos.
O altruísta é feliz ao ensinar felicidade aos à sua volta.
O sábio é feliz quando a humanidade sabe o que ele sabe.
O egoísta é feliz enquanto ninguém estiver mais feliz que ele.

Um motivo para não gostar de você
Tenho seis mil setecentos e noventa e um motivos para gostar de você, e apenas um para não gostar. Entretanto, minha fraca memória só me permite lembrar dos primeiros.

A quantidade de preconceito que cada um de nós tem é inversamente proporcional a de inteligência.

Quanto mais para o alto eu olho, mais percebo o quão profundo é o vale em que me encontro.

Se você não se valorizar, chegará uma hora em que todos acreditarão em você. O contrário também é válido.

Aquele que tem por vício a leitura, droga alucinógena das mais leves, acabará cada vez mais dependente dela. E o pior, passará para drogas mais pesadas, como a escrita. Nesta fase crítica, o leitor-viciado-escritor, tende a fugir regularmente da realidade e ter devaneios alucinógenos de que, assim como Deus, é criador de Universos inteiros.

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

É uma verdade absoluta: gosto e nariz, cada um tem o seu. É por isso que aquilo que uns amam, outros odeiam, o que uns gostam, outros detestam. Essa diversidade é o que nos torna tão humanos e tão diferentes das máquinas. Entretanto, essa mesma diversidade põe um crítico literário contra a parede: divulgar o seu próprio gosto ou da maioria? Ler um livro, analisar um autor, o estilo, a técnica e a arte de modo impessoal? Mas será que algum crítico, leitor ou ser humano consegue ser impessoal, considerando o sentido da palavra como o "que não existe como pessoa, que não possui os atributos de pessoa; desprovido de qualquer traço pessoal"? (Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa) Acredito que não. Significa que nunca poderemos ser totalmente impessoais, pois sempre haverá uma pitada de opinião própria, por mais que nos esforcemos ou digamos fazer uma análise "impessoal" da obra.

Toda essa ladainha introdutória simplesmente para dizer que falarei de um livro do qual não gostei de ler, apesar de conhecer várias pessoas que gostaram. Como já disse, uma questão de gosto. Por isso, considere a minha opinião apenas como um dos lados da moeda, o negativo, algo que já fiz anteriormente em outras resenhas e muitos consideraram como uma ofensa pessoal (vide minha resenha sobre O Caçador de Pipas). A vantagem é que não há muitas variações nas opiniões sobre um livro: ou gosta ou não. Ou concorda com a minha opinião ou não. Ambos tipos de leitores são bem-vindos a deixarem suas impressões pessoais na forma de comentários. Diga se me ama ou se quer me atropelar. Ao menos saberemos que nem todos pensam iguais, e da consideração das diferenças é que evoluímos como um todo.

Um defeito de cor é o segundo livro de Ana Maria Gonçalves e conta a história de Kehinde, negra capturada ainda criança na África e trazida para o Brasil, onde vive muitos anos, tem filhos, torna-se liberta, participa de revoltas de escravos e retorna para a África. Aproximadamente 8 décadas da vida protagonista, como plano de fundo a história do Brasil (e um pouco da África).

A narração escolhida pela autora é a primeira pessoa e se torna cansativa em se tratando de 952 páginas. Expressões como "eu fiz isso", "eu estava assim" e "eu fui ali" são repetidas inúmeras vezes. E ainda piora: lá perto da metade do livro, quando nasce o segundo filho de Kehinde, ela começa a referir-se ao leitor como "você", como se o restante do livro fosse uma carta. Causa uma sensação estranha você se colocar no lugar do filho dela ou estar lendo uma carta que era para ele. O uso de palavreado atual também não convence como sendo a narração de alguém do século XIX, antes faz parecer como se uma atriz pouco talentosa interpretasse um papel histórico.

O crescimento físico, intelectual e moral de Kehinde da infância à velhice é narrado de maneira confusa. Apesar do livro ser as memórias escritas da Kehinde idosa (por sinal uma memória fenomenal), aparecem expressões que não condizem com a Kehinde narradora onisciente, mas com a Kehinde protagonista. Em outras passagens isso se inverte. Fica difícil ler a menina Kehinde falando sobre o estupro como "algo que devia doer" e pouco depois raciocinar como adulta sobre eventos que ainda nem ocorreram. Seria muito mais verossimilhante se a autora optasse por apenas uma das duas Kehindes ou separasse explicitamente quando uma ou outra atua.

Relevando a narração escolhida pela Ana Maria, o texto assemelha-se muito a uma coluna policial, contando tragédia após tragédia, de modo objetivo, direto e sem floreios na escrita. São tantos altos e baixos na vida de Kehinde que acaba tornando cansativa, novamente, a leitura. É certo que a fórmula universal para boas histórias prega que devem ter problemas a serem superados pelo protogonista, mas o excesso nunca é bem visto.

Excesso. Essa é a palavra que define o livro. Há excesso de informações que não significam nada para a trama. Mostra-se em várias páginas o funcionamento de um engenho de cana-de-açúcar. Ou detalha-se cômodo por cômodo, móvel por móvel, uma mansão (o Solar) onde Kehinde mora pouquíssimo tempo. Conta-se até sobre Tiradentes, mineiro que aparece de gaiato numa história que se passa a maior parte do tempo em cidades do litoral. A impressão que fica é que a autora, em suas pesquisas para escrever o livro, juntou uma quantidade enorme de informações que julgou interessantes e procurou encaixá-las a todo custo na história. Se não fosse por esse exagero provavelmente o tamanho do livro diminuiria 50% ou mais.

Mas o livro não é de todo ruim. Está sendo considerado responsável por preencher uma lacuna na literatura brasileira, mostrando a escravidão sob o ponto de vista dos maiores prejudicados, os negros. Eu também voto a favor nesse aspecto, porém com a ressalva que tais lacunas devem ser bem preenchidas com arte além de apenas informações. O livro é também indicado como fonte de informações históricas, devido à louvável e extensa pesquisa da Ana Maria, apesar de não ter nenhum índice que oriente onde aparecem a revolta dos escravos mussurumins, ou as informações sobre Tiradentes, ou os extensivos detalhes sobre as origens e rituais das crenças afro-brasileiras, ou qualquer outro material da época que seja difícil encontrar informações avulsas hoje. O leitor terá de ler o livro todo e marcar onde as informações que julgar importantes se encontram, para uma consulta futura.

O livro tirou o segundo lugar na Copa de Literatura Brasileira (CLB), perdendo apenas para Música Perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil. Perdeu porque são livros totalmente diferentes. Enquanto Um defeito de cor explora uma boa história, Música Perdida explora como contar bem uma história, mesmo que inferior. E é essa a diferença essencial que fez com que mais leitores preferissem um ao outro, conforme meu voto na CLB sintetizou bem:
Que tipo de leitor é você: daqueles que valorizam um livro pela história ou dos que apreciam o modo como ela é contada? Seria um dilema para você escolher entre o melhor escritor e a melhor história? Não para mim. E acredito ser justamente esse o diferencial dos dois finalistas da CLB. Música perdida nos revela Assis Brasil como um escritor habilidoso dotado de grande sensibilidade, escrevendo pela terceira vez sobre o que realmente entende: música. Em entrevista recente à Revista Malagueta admitiu seguir na contramão mercadológica quando disse não se importar com a notoriedade, antes que o texto lhe agrade: “Escrever um bom parágrafo pode levar uma semana, mas a satisfação é insuperável. Equivale a um prêmio.” Quão agradável é perceber que ele oferece esse prêmio a nós, leitores. Diferente de Um defeito de cor que traz uma narrativa jornalística estilo coluna policial exagerada em clichês, descrições, metáforas e mini-flashbacks que, apesar de não tirarem o mérito da história, atrapalham na degustação. Certamente dará um bom filme ou novela, porém conquistaria mais leitores não fosse desmedido nas imperfeições. Como o meu eu prefere (e anseia por) palavras bem escritas a uma longa história, meu voto vai para Música perdida.

Em um país em que a média anual de leitura é de 1,8 livros per capita, acredito que muito mais leitores sentiriam-se atraídos por Um defeito de cor se este fosse menor em tamanho ou se fosse uma série de livros com menos de 200 páginas cada. O estilo está bom, pois agrada os menos exigentes. Todavia, a autora teria de exigir muito mais da sua capacidade artística e literária do que da de jornalista e pesquisadora. Pena, pois a lacuna literária sobre a escravidão no Brasil, apesar de estar um pouco mais preenchida do lado da escrita, deverá continuar ainda bastante aberta pelo lado da leitura. Será um livro fadado a ser lido por poucos, seja pelo tamanho, seja pelo preço.

leitura em: Novembro / Dezembro 2007
obra: Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
edição: 1ª, Editora Record (2006), 952 pgs
preço: Compare os preços de Um defeito de cor no BuscaPé
Ruim

Tudo o que escrevi em 2007

Quase um ano de blog e início de tentativas de escrever algo consistente e agradável. A maioria são minicontos, e dois poesias. Alguns deles podem (e irão) ser melhorados, outros já estão perfeitos pra mim. Enfim, basicamente é tudo o que passou pela minha cabeça e que consegui colocar por escrito em 2007. Mas nem perguntem sobre o quanto ainda está lá esperando pra sair...

- Como matar um bicho-papão - Parte I
- O ilustre desconhecido
- Mal-me-quer
- Amor Pensado
- Memórias de um mentiroso
- Fábula de nós dois
- O profeta das pequenas coisas
- Mitologia no vocabulário
- O tio Philomeno
- Vida de Herói
- Moreno28 entra na sala...
- Como Salvar o Planeta Terra
- O Show do Ano
- Humpf!

PS: Será que dos primeiros escritos aos últimos dá pra notar alguma evolução? Ou é melhor eu entrar no ramo da pesca submarina?

Música Perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil

O bom escritor é o que diz aquilo que pensamos - ou que julgávamos pensar. E são poucos. As pessoas que lêem demais ficam cínicas ou cabotinas, perdendo a ilusão da vida. (pg. 177)

Um livro para ser ouvido como se ouve uma bela sinfonia. Não, não se trata de mais um audio-book, tão na moda e disseminados pela internet. Antes, é um livro que sensibiliza o ouvido do leitor. Escuta-se o ritmo, os acordes, as notas da saga do maestro Joaquim José de Mendanha, protagonista de Música Perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil, de uma maneira tão rítmica que as palavras soam como música. Um efeito similar ao causado pelo livro (que depois virou filme) O Perfume: a história de um assassino, do alemão Patrick Süskind, porém onde o sentido aguçado pela leitura era o olfato.

Apesar de Assis Brasil já ter sido músico e escrito outros dois livros sobre o tema música, Música Perdida deixa transparecer que não tem como público-alvo os músicos especialistas, pelo contrário, parece que foi escrito para os que não entendem nada ou não apreciam ler sobre música. O autor flui de maneira tão suave e natural que até quem não se sente atraído pelo tema gostará de lê-lo. Admito que se o livro não fosse um dos finalistas da Copa de Literatura Brasileira (CLB) e eu um dos jurados, nem o título, nem a capa, nem a história chamariam a minha atenção em uma livraria para levá-lo comigo. Ainda bem que existem coincidências no Universo (frase dita ironicamente por alguém que não acredita em coincidências).

No livro presenciamos um grande escritor mostrando plenamente o seu talento. Por isso, o livro acabou ganhando merecidamente o primeiro prêmio (CLB) de melhor romance brasileiro lançado em 2006. O estilo do autor fez-me perceber há quanto tempo eu não lia um livro bem escrito e deixa claro que ele se importa realmente com o que escreve e com quem lê o que ele escreve. Não há erros de português. Aprende-se algumas palavras novas. Há várias frases e pensamentos a serem copiados na agenda. Os que possuem a arte de escrever bem e agradar são raros, principalmente dentre os escritores brasileiros contemporâneos. Na minha modesta opinião, Música Perdida deveria ser citado e utilizado pelas gramáticas e professores de língua portuguesa nas salas de aula para mostrar que temos hoje quem possa nos representar - e bem - no campo da literatura.

O livro narra a história do jovem Quincazé desde a infância até tornar-se o maestro Joaquim José de Mendanha. O maestro Mendanha foi um personagem real da história do Brasil que compôs o hino do Rio Grande do Sul. Outro personagem real foi o padre-mestre José Maurício Nunes Garcia. Não sabemos o quanto Assis Brasil se baseou na história verídica para escrever o seu livro, mas nem importa, a obra já entra com destaque para o rol dos romances-históricos brasileiros.

Mendanha possui um dom e uma maldição: o ouvido absoluto, capaz de identificar notas musicais naturalmente. Fato percebido primeiro pelo pai, no interior de Minas Gerais, que o manda estudar fora com a esperança de o filho tomar o seu lugar na Lira da pequena cidade de Itabira do Campo.

No trajeto, mais precisamente em Vila Rica, Mendanha conhece Bento Arruda Bulcão, que o treina e patroneia em busca de mestres mais grandiosos no Rio de Janeiro. A relação entre Mendanha e Bulcão dá margem a inúmeras interpretações, desde as verdadeiramente altruístas até as puramente homossexuais, e o gênio de Assis Brasil neste ponto consistiu em não identificar nenhuma delas. Cada leitor interpreta a história como achar melhor, com aquilo que possui em seu íntimo.

No Rio de Janeiro é treinado pela glória da arte colonial brasileira, José Maurício Nunes Garcia, que o ensina a "dosar" sua virtude. Afinal, explica, não havia no Brasil pessoas habilitadas o suficiente para reconhecer uma obra-prima da música mundial. Mendanha estaria fadado ao fracasso por ser um gênio em um país que não lhes dá valor algum e aprecia basicamente o vulgar e popular. Garcia ensina também que a assinatura de um grande músico e compositor brasileiro está nas pequenas imperfeições, sutilmente percebidas somente por seus iguais. "Eis tudo: toda dissonância é uma preparação para a harmonia". Cabe aqui uma observação importante (conforme destacada por um dos jurados da CLB): há alguns erros teóricos (ou técnicos) sobre música no decorrer do livro, todavia estes fazem Assis Brasil exatamente igual ao seu personagem Mendanha. Sua assinatura são as pequenas imperfeições na obra, somente reconhecidas por seus iguais. E deixa uma pertinente crítica à literatura brasileira, de que não há (muitas) pessoas capazes de apreciar as obras-primas literárias atualmente escritas por aqui.

Desafiando o seu mestre, Mendanha compõe sua obra-mestra escondido, a cantata Olhai, cidadãos do mundo, que além de dar o título ao livro, acaba se perdendo e vira o eixo central no fim da trama. Nada mais dramático do que ver um personagem obtendo um último lampejo de esperança para concretizar seu maior sonho, bem como seu maior pesadelo, antes de findar a sua existência. Neste ponto, o leitor pode se beneficiar de uma ótima lição de como enfrentar a velhice, mesmo não obtendo o "sucesso" na vida ou levando algumas frustrações passadas nas costas, porém firme ao lado da pessoa amada. Pilar, a esposa de Mendanha, é o exemplo perfeito de companheira ideal. "Ela aproximou os lábios de seu ouvido: - Vou acompanhar você até o inferno, se ele existe. - Existe sim."

A vida nunca é a mesma. Ou melhor, é sempre a mesma, mas comporta mil feições. A vida é um tema que nos é dado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Cada qual, segundo suas habilidades, encarrega-se de elaborar as variações. Por isso é que há os insensíveis e os artistas, os debochados e os virtuosos, os dóceis e os irascíveis.

Recomendo a leitura do livro por se tratar de uma escrita genuína, original e agradável. É um dos melhores que li este ano, se não o melhor. Dá vontade de ler as outras obras do autor, que em entrevista recente à revista online Malagueta admitiu ter feito uma mudança radical em seus últimos escritos, optando pela qualidade ao invés da quantidade (leia-se $$$).

leitura em: Novembro 2007
obra: Música perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil
edição: 1ª, Editora L&PM (2006), 220 pgs
preço: compare os preços de Música Perdida no BondFaro
Excelente

Ernesto Sabato

Creio que a verdade é perfeita para a matemática, a química, a filosofia, mas não para a vida. Na vida contam mais a ilusão, a imaginação, o desejo, a esperança.

A vaidade é um elemento tão sutil da alma humana que a encontramos onde menos se espera: ao lado da bondade, da abnegação, da generosidade.

A esperança não será a prova de um sentido oculto da existência, uma coisa que merece que se lute por ela?

A história não é mecânica, porque os homens são livres para a transformar.

A vida é tão curta e o ofício de viver tão difícil, que, quando começamos a aprendê-lo, temos de morrer.

Arte e literatura unificam-se naquilo a que chamamos poesia.

As ficções salvam os que as escrevem e os que as lêem.

As modas são legítimas nas coisas menores, como o vestuário. No pensamento e na arte, são abomináveis.

Eu escrevo, porque senão estaria morto, para procurar o sentimento da existência.

O artista deve ser uma mistura de criança, homem e mulher.

O imperativo de não torturar deve ser categórico, não hipotético; tortura é um mal absoluto, não relativo; não existem torturas más e outras benéficas.

Ser original é, de certo modo, dar a conhecer a mediocridade dos outros.

Toda a obra de ficção é catártica.

Um bom escritor exprime grandes coisas com pequenas palavras; pelo contrário, o mau escritor diz coisas insignificantes com palavras grandiosas.

Viver consiste em construir recordações futuras.

Os best-sellers estão para a literatura como a prostituição está para o amor.

Ernesto Sabato (1911-) é um escritor e artista plástico argentino. Escreveu o livro Sobre heróis e tumbas.

Como matar um bicho-papão - Parte I: A CARTA

Andréa olhava o moço ir embora. Parada na porta de casa, ainda não acreditava na história que ele contara. Tivera receio de pedir a ele para repeti-la uma terceira vez. Seria declarar descaradamente que não acreditava nele. Quando o vulto virou a esquina é que voltou a si e percebeu que tinha em mãos a encomenda que ele deixara. Um envelope amarelado, um pouco sujo, mas lacrado. Parecia ter sido escrito há muito tempo, pelo estado avançado de manuseio em que se encontrava. Com um nome escrito à caneta: Andréa Ferreira dos Santos. O nome dela. Mais embaixo o nome da cidade. Estavam em tinta azul, quase desbotando em outras tonalidades, mas aquelas palavras gastas apontavam o dedo diretamente para uma única pessoa. Andréa Ferreira dos Santos. Ela. Precisava pensar melhor. Resolveu entrar em casa.

Posto o envelope sobre a mesa, foi tomar o cafezinho que o visitante recusou. Disse-lhe que tinha pressa em retornar à sua terra natal. Já estava em viagem havia muitos anos, todavia finalmente terminava nela a sua missão. A cada gole de café, engolia o líquido e as palavras que ainda pairavam à sua frente. O moço viera de longe, de Minas Gerais, somente para lhe entregar aquela carta. Contou que aquela era a última de sete cartas que foram entregues em sete cidades do país. Apesar de ter recebido instruções específicas de onde e como encontrar os destinatários, levara anos para terminar aquela tarefa. Cinco anos para ser mais exato.

As sete cartas eram de um famoso médium espírita, psicografadas um pouco antes dele morrer e entregues ao fiel discípulo. Como último desejo do mestre querido, deveria entregar pessoalmente cada carta. Eram cartas que mudariam o traçado do destino de várias pessoas, algumas vivas, outras não. O jovem discípulo viajou por diversos lugares, procurando as pessoas somente pelo nome e cidade escritos em cada envelope e pelas orientações fornecidas pelo vidente. Admitiu que nunca teve curiosidade em ler as cartas, mas teve de ser rígido na ordem de entrega, pois foi-lhe dito que encontraria os destinatários somente nos lugares e épocas indicados pelo instrutor. Aquela seria uma demonstração grandiosa da fé que tinha no mestre. Uma fé que Andréa, apesar de ir à igreja todos os fins de semana, invejou.

Findo o café, voltou novamente a sua atenção ao envelope sobre a mesa. O marido estava fora. As crianças na escola. Ainda tinha algum tempo livre até começar a fazer o almoço. O momento era propício, mas ela estava com medo. A verdade é que ela não costumava receber cartas. Quase nunca. Ainda mais de um morto. Ou pior, de dois mortos. Tentou enumerar quem poderia estar tentando entrar em contato com ela do além. Teria de ser alguém falecido a pelo menos cinco anos. O tio Manoel do seu esposo estava descartado, morrera ano passado. A filha da Dona Rita também. Não se lembrou de mais ninguém. Com o tempo, os mortos também costumam morrer na memória. Poderia ser alguém que não conhecia, como o avô materno ou a avó paterna, ambos falecidos antes de Andréa nascer.

Além do receio em relação ao misterioso remetente, havia também o medo quanto ao conteúdo da carta. Se era tão importante a ponto de ser psicografado por um médium famoso e este ter incumbido um fiel discípulo de entregá-la pessoalmente, e deste último persistir por anos a fio até completar a sua tarefa, deveria ser uma mensagem importante e significativa. Mas para quem? Para o falecido, para o médium famoso ou para ela? E se fossem maldições ou coisas do além que ela não gostaria de saber? Mas, por outro lado, e se falasse do futuro, de seu marido ou dos seus filhos? E se lhe contasse como melhorar de vida ou como evitar uma tragédia?

Naquele momento, Andréa sentiu-se terrivelmente sozinha. Aquela carta começava a pesar sobre os seus ombros.

Continua: Parte II: O PAI

Compra e venda de livros usados

Acabo de colocar alguns livros usados à venda na internet. Por enquanto estão somente no site Estante Virtual, mas em breve quero cadastrá-los em outros como o Mercado Livre etc. Para quem quiser ver quais livros estou vendendo a preço de banana, é só clicar no logo abaixo e entrar em contato.

Dexter (2007) - 2ª temporada


Season Finale: 2x12 "The British Invasion"
Quando algo além da razão acontece, transforma céticos em crentes. Crentes em um poder maior. [...] Se você acredita que Deus faz milagres, tem que considerar se o Diabo não tem uns na manga. Mas quando não se acredita em nada, em quem você pensa numa hora dessas? [...] Aparentemente milagres são subjetivos.

Você quer ter sentimentos por mim, mas não passam de impulsos. É uma resposta primitiva às necessidades imediatas. Você sabe toda a letra, mas não escuta a música.

É estranho ter uma cria lá fora. Uma versão profundamente alterada de você mesmo correndo por aí sem controle e ferrando com tudo. Me pergunto se é assim que os pais se sentem.

Há pouco tempo tive um sonho em que as pessoas me viam do jeito que sou, e por um breve momento, o mundo realmente viu meus trabalhos. Alguns até gostaram. Mas acontece que ninguém vela os malvados.

Eu sou mau? Eu sou bom? Parei de me perguntar isso, pois não tenho as respostas. Alguém tem?


2x07 "That night, a forest grew"
A verdade fala comigo de um lugar tranqüilo. Eu só preciso sintonizar a estação certa para ouvi-la.
Série baseada nos livros do norte-americano Jeff Lindsay: Dexter: a mão esquerda de Deus (2004), Dearly devoted Dexter (2005) e Dexter in the dark (2007). Saiba mais: IMDB (ING) Mundo Fox (BR).

Piratas do Caribe: No Fim do Mundo (Pirates of the Caribbean: At World's End), 2007


Quando se quer muito uma coisa tem um preço que deve ser pago no final.

O mundo costumava ser um lugar maior. O mundo continua o mesmo, só que menos unido.

A morte é uma maneira curiosa de mudar suas prioridades.

Nenhuma causa é perdida. Não se tivermos um só tolo para lutar por isso.

Crueldade é uma questão de perspectiva.

Mais informações: IMDB (ING) Cine Players (BR)

Duas frases, duas verdades

Há pessoas que se apegam demais ao que têm, e outras ao que não têm.

O ideal seria que aqueles que raptam recém-nascidos encontrassem aqueles que os abandonam.

Jefferson Luiz Maleski

Bones, 2005-2007


3x06 "The intern in the incinerator"

A inteligência não é uma questão de desejo. Não é um defeito de personalidade ser menos inteligente que outra pessoa.

Sendo grande a culpa, o medo ainda a ultrapassa. E o medo extremo, não pode lutar nem voar, mas com temor trêmulo, covardemente morre. (Shakespeare)

Série inspirada na vida da antropologista forense e escritora norte-americana Kathy Reichs.

Mais informações: IMDB (ING) Séries Online (BR)

Vencedor da 1ª Copa de Literatura Brasileira

Chegou ao fim a CLB - Copa de Literatura Brasileira em que 16 livros enfrentaram-se no estilo mata-mata até sobrar o campeão. Diferente das partidas regulares, a final foi arbitrada por 15 jurados, e deu Música perdida 9 x 5 Um defeito de cor. Ganhou aquele em que eu votei como sendo o melhor, mas isso não significa que nem todos os outros que não chegaram à final sejam ruins, pelo contrário, ainda pretendo ler alguns que tropeçaram pelo caminho.



Encerro assim a minha participação na CLB, resenhando nos próximos dias os dois livros finalistas aqui no blog. Agradeço publicamente pela oportunidade de participar comentando e resenhando alguns concorrentes. Ao meu ver esta iniciativa só trouxe benefícios à literatura brasileira e aos leitores e críticos contemporâneos.

José Saramago

Em vez de as pessoas ouvirem os escritores em busca de respostas sobre o que somos, precisam ouvir umas às outras, porque nós, autores, não somos mais do que meros trabalhadores das palavras e temos limites como todos.

Há coisas que nunca poderão se explicar por palavras.

O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio.

Quem acredita levianamente tem um coração leviano.

Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos.

Ser homem não deveria significar nunca impedimento a proceder como um cavalheiro.

O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas.

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.

Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não.

José de Sousa Saramago (1922-) é escritor português e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998 e o Prêmio Camões em 1995. É conhecido como ateu e comunista ativo. Seu livro mais famoso é O Evangelho segundo Jesus Cristo.