Resoluções Literárias para 2013


Mas já? Pois é, se o mundo não acabar, já pensou no que você vai ler em 2013? Mais literatura brasileira, todas as obras de algum autor preferido, algum calhamaço ou coleção completa? Faça como eu, divulgue a sua lista na internet, quem sabe além de te animar a ler mais ano que vem não anima outros? Para os que, assim como eu, ainda estão dançando (ou já dançaram) com as resoluções literárias de 2012, já dá pra fazer o balanço do que conseguiram cumprir e o que foi meio que viagem e tirar uma base para o ano que vem. Em 2012 coloquei como resolução literária uma meta (terminar de ler esta coleção) e ainda mudei ela na metade do ano (terminar de ler outra coleção). Como só faltam 3 livros, devo alcançar em dezembro, aos 45 do segundo tempo. Em janeiro publicarei outro post falando sobre o cumprimento (ou não) das resoluções literárias para 2012.

Bem, para 2013, vou expandir para 5 metas:

  1. Continuar a ler 50 páginas por dia - já vem dando certo comigo pelo 2º ano consecutivo então, em time que está ganhando não se mexe; 
  2. Ler 1 calhamaço de pelo menos 500 páginas por mês - os danados estão se procriando aqui em casa! Sei que a minha média de livros lidos por mês/ano vai cair drasticamente, mas não me preocupo com isso: se seguir a meta 1, gastarei entre 10 e 20 dias em cada tijolão; 
  3. Ler todos os livros que ganhei de presente nos 2 últimos anos - incluindo os de amigo secreto do finado fórum literário www.meiapalavra.com.br e outros não são muitos, em torno de 10 livros;
  4. Comprar só 6 livros por mês - isso já diminui pela metade o meu vício consumista, pois minha média de compras em 2012 está em 12 livros/mês. Esta é uma das metas mais difíceis para mim (o Submarino ri na minha cara!);
  5. Ler pelo menos 12 livros de literatura brasileira - especialmente os que constem nesta lista.
Se você prestar atenção não são metas inimagináveis. E sim, eu preciso de resoluções literárias de fim de ano, elas não só me empurram mas também me animam. Por que você também não experimenta? 

Qual a cor que persegue e mata escritores?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Você já passou pela resposta)

A Mulher Desiludida, de Simone de Beauvoir


Trechos selecionados:

Não se compreende nunca o amor dos outros.

Fui feita para outro planeta me enganei de direção.

Verdade é que a história da humanidade é bela e é pena que a dos homens seja tão triste.

[Mamãe] lê muito, escuta o rádio. Eu lhe propus comprar uma televisão mas ela recusou. Disse: 'Eu não deixo entrar qualquer um em minha casa'.

Os grandes sábios são úteis à ciência na primeira metade de suas vidas, nocivos na segunda. (Bachelard)

O mundo se constrói sob meus olhos num eterno presente. Habituo-me tão depressa às suas faces que ele não parece mudar.

Carta de Amor, de Maria Bethânia

A partir de hoje já tenho a minha prece para todos os invejosos, ciumentos, olhos-gordos e mau amados (e mau amadas também) que cruzarem o meu caminho. Não mexe comigo...


Letra

Não mexe comigo que eu não ando só
Que eu não ando só que eu não ando só
Não mexe não (2x)


Tenho Zumbi, Besouro, chefe dos tupis. Sou tupinambá.
Tenho os Erês, caboclo boiadeiro, mãos de cura, morubixabas, cocares, arco-íris, zarabatanas, curare, flechas e altares.
A velocidade da luz no escuro da mata escura, o breu, silêncio, a espera.
Eu tenho Jesus, Maria e José. Todos os pajés em minha companhia.
O menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos, o poeta me contou.

Não mexe comigo que eu não ando só
Que eu não ando só que eu não ando só
Não mexe não (2x)


Não misturo, não me dobro.
A rainha do mar anda de mãos dadas comigo.
Ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim.
É do ouro de Oxum que é feita a armadura que guarda meu corpo, garante meu sangue e minha garganta.
O veneno do mal não acha passagem.
Em meu coração Maria acende sua luz e me aponta o caminho.

Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã.
Giro o mundo, viro, reviro.
Tô no recôncavo, tô em face.
Voo entre as estrelas, brinco de ser uma.
Traço o Cruzeiro do Sul com a tocha da fogueira de João Menino.
Rezo com as Três Marias. Vou além.
Me recolho no esplendor das nebulosas, descanso nos vales, montanhas.
Durmo na forja de Ogum.
Mergulho no calor da lava dos vulcões, corpo vivo de Xangô.

Não ando no breu nem ando na treva
É por onde eu vou que o santo me leva (2x)


Medo não me alcança, no deserto me acho.
Faço cobra morder o rabo, escorpião virar pirilampo.
Meus pés recebem bálsamos. Unguentos suaves das mãos de Maria, irmã de Marta e Lázaro, no oásis de Bethânia.
Pensou que ando só? Atente ao tempo.
Não começa nem termina, é nunca é sempre.
É tempo de reparar na balança de nobre cobre que o rei equilibra.
Fulmina-me justo. Deixa nua a justiça.

Eu não provo do teu fel eu não piso no teu chão
E pra onde você for não leva meu nome não (2x)


Onde vai valente?
Você secou. Seus olhos insones secaram.
Não vêem brotar a relva que cresce livre e verde, longe da tua cegueira.
Seus ouvidos se fecharam a qualquer música, a qualquer som.
Nem o bem nem o mal pensam em ti. Ninguém te escolhe.
Você pisa na terra e não a sente, apenas pisa.
Apenas vaga sobre o planeta. E já nem ouve as teclas do teu piano.
Você está tão mirrado que nem o diabo te ambiciona. Não tem alma.
Você é o oco do oco do oco do sem-fim do mundo.

O que é teu já tá guardado não sou eu que vou lhe dar,
não sou eu que vou lhe dar, não sou eu que vou lhe dar. (2x)


Eu posso engolir você, só pra cuspir depois.
Minha fome é matéria que você não alcança.
Desde o leite do peito de minha mãe até o sem-fim dos versos, versos, versos, que brotam no poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi.
Se choro, quando choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que alimenta a vida.
Chorando eu refaço as nascentes que você secou.
Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio.
Vivo de cara pro vento, na chuva. E quero me molhar.
O terço de Fátima e o cordão de Gandhi cruzam meu peito.
Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta.

Não mexe comigo que eu não ando só
Que eu não ando só que eu não ando só
Não mexe não (2x)

Chame o Lobo

Sábado à tarde shopping lotado. Na praça de alimentação animais domesticados falam andam comem riem compram bebem pegam fila conversam e desconversam usando a última moda tecnológica como que programados a repetirem eternamente em si as condutas condicionadas a sua geração. Sentada em uma das cadeiras afixadas ao chão para demarcar a cocheira destinada a cada cliente a jovem Vitoriane – quase imperceptível aos demais – não come não bebe não fala. Na mesa à sua frente repousa um objeto tão incomum àquele habitat quanto ela. Um livro. Na capa um nome russo. No olhar uma procura.

À garota só restava torcer para que ele ela não faltasse ao encontro. E que quem quer que aparecesse não fosse apenas outro maluco como da última vez: um religioso pretendendo convertê-la à sua fé mas que depois de um pouco de conversa a convidara à um motel. Ela estava cansada disso. Muito. Esta seria a sua última tentativa antes de partir para a solução extrema. Foi quando seu olhar reparou alguém a encarando do outro lado da praça. Não percebera como o velho chegara até lá assim como as demais pessoas que passavam pareciam tampouco notá-lo apesar de não esbarrarem nele como que afastadas por algum campo de força. Quando ele viu que se fizera perceber por ela ensaiou um sorriso que mesmo àquela distância gelou a espinha de Vitoriane. O coração dela acusava: desta vez obtivera sucesso.

O homem caminhou lentamente. Parecia impecável em seu terno preto feito sob medida. Usava bengala para magneticamente abrir caminho entre a multidão. Os poucos cabelos eram bem tratados e o rosto de um vermelho escandinavo. O percurso pareceu durar horas intensificando a impressão que o homem causava a cada passo. Ao se aproximar da mesa inclinou a cabeça por um momento para ler o título do livro. Sorriu mais uma vez e ela arrepiou-se mais uma vez. Ele apontou para a cadeira vazia à frente dela ao que recebeu um leve aceno afirmativo. Sentou-se sorriu encarou observou-a. Quem prestasse atenção àquele encontro julgaria tratar-se de um homem lanchando com a filha ou neta.

O velho olhou para a mesa ao lado. “Oi, querida, foi você quem me ligou mais cedo?” – disse um rapaz ao celular. Os olhos da moça adquiriram um brilho especial na presença do acompanhante ao entender a deixa. Apontou para o livro e soltou um profundo suspiro preso a uma eternidade. “Há tempos eu venho te procurando nos livros” – iniciou com voz falha tossiu ajeitou-se na cadeira e continuou – “comecei pelos religiosos, depois espíritas, esotéricos, místicos e discipulares. Mas as melhores pistas consegui encontrar na literatura.” O homem a ouvia com os olhos. O silêncio do interlocutor deu segurança ao seu tom de voz. “Autores como Dee, Goethe, Borges, Crowley, Lavey, Blavatsky, Lovecraft, Dostoiévski, Coelho e outros me foram úteis em fazer-me conhecê-lo melhor, mas a ideia de como te encontrar só me apareceu depois de ler Skazka, do Nabokov.”

O velho fez um sinal e a garçonete quase que imediatamente trouxe-lhe uma tulipa de chope. Ele pagou com uma cédula deixando uma generosa gorjeta. Depois pegou o porta copos e o atirou suavemente sobre a mesa rumo a Vitoriane. Continha uma inscrição em forma arredondada. “Chope Belga: desde 1926 satisfazendo os seus melhores desejos.” Ela fez um sinal um sorriso um olhar de que entendera.

“Edwin, o protagonista do conto, tinha um problema com flertes. Eu também tenho, só que sou o oposto dele. Você quer ouvir a minha história?”. Uma senhora passa ao lado da mesa com o celular tocando “Oh yes, yes, Can’t you feel the passion when I look in your eyes?”. Vitoriane sorriu encabulada. “Tenho apenas dezesseis anos e provavelmente sou a mulher mais bonita neste shopping, talvez em toda a cidade. E você sabe que isso não é mentira”. “Oh yes, yes, Can’t you feel the passion when I look in your eyes?” volta ma mesma senhora a mesma música no celular carregando uma bandeja com comida a ser devorada. “Mas ninguém ao nosso redor percebe porque aprendi a me fazer não atraente, a me tornar pouco notada. Uso roupas largas e fora de moda que não realçam o corpo. Procuro passar um aspecto desleixado quando saio de casa: não me maqueio, não cuido dos cabelos e unhas e sempre uso um par de óculos de armação ridícula como disfarce. Todo este trabalho para que os homens – e ultimamente as mulheres – me deixem em paz. Os outros parecem não entender quando falo que não quero me relacionar com ninguém. Estou feliz sozinha com os meus livros e filmes. A misoginia torna o meu mundo melhor. Mas carrego comigo a maldição da beleza: não consigo deixar de atiçar a libido alheia quando sou natural. Não suporto os flertes de idiotas me comendo com os olhos e me provocando nojo. Até os olhares de meu padrasto me fizeram enclausurar-me em meu quarto. O que não reclamo. A única coisa que quero é ficar quieta em meu canto. Feliz. Sozinha. Por isso eu te procurei. Faço qualquer acordo, pacto, promessa ou sacrifício para que você me transforme em um ser invisível. Sei que você pode fazer isso. Eu estou cansada de fingir ser quem não sou e ter de fugir quando não estou fingindo. Quero viver tranquila sem ninguém me atrapalhando e sem atrapalhar ninguém. Por isso me coloco em suas mãos.”

O homem terminou em um único gole o que restava do chope e apontou o dedo para um cartaz de cinema. “Mostra de Filmes Estrangeiros. Hoje: Vem Dançar Comigo”. Levantou-se e estendeu a mão esquerda à Vitoriane. Ela olhou para os lados como que esperando que alguém tentasse convencê-la a mudar de ideia no último instante. Mas ninguém prestava atenção nela além do velho.

De mãos dadas jovem e velho atravessaram a praça de alimentação calmamente. Vitoriane nunca mais foi vista.

Aforismos - Outubro 2012

Escolha qual você gostou mais. Todos escritos por Jefferson Luiz Maleski. Se quiser replicar algum deles, só peço para que mencione a autoria, ok?

E o anencéfalo que pôs a mão na consciência e ela estava totalmente limpa.

No meu celular, nenhuma chamada. No dela, apenas não há a minha.

Queimem, pecadores, ardam, incendeiem-se! Ou aproveitem as nossas ofertas de ar-condicionado em doze vezes sem juros!

Paranoia é alguém fantasiar expectativas sobre outra pessoa e quando elas se frustrarem jogar toda a culpa nesta outra pessoa.

Não leve a opinião de ninguém tão a sério. Incluindo a sua.

"Trouxe essa maçã pra senhora, fêssora!", disse a Rainha Má quando era pequena.

Eu sou sério, os outros é que não levam isso a sério.

Filmes & Séries Vistos - Outubro 2012


11 FILMES

220. Ruby Sparks: a namorada perfeita (Ruby Sparks) - EUA, 2012 -Muito bom
221. Safety not guaranteedEUA, 2012 - Bom
222. Looper: assassinos do futuro (Looper)EUA, 2012 - Bom
223. Rock of ages: o filme (Rock of ages)EUA, 2012 - Bom
224. Valente (Brave)EUA, 2012 - Bom [animação]
225. A era do gelo 4 (Ice age: continental drift)EUA, 2012 - Regular
226. Moonrise kingdomEUA, 2012 - Muito bom
227. CosmopolisEUA, 2012 - Ruim
228. Procura-se um amigo para o fim do mundo (Seeking a friend for the end of the world) - EUA, 2012 - Bom
229. Para Roma com amor (To Rome with love) - EUA, 2012 - Muito bom
230. Copper: 1ª temporada - EUA, 2012 - Regular [série]

Minhas Leituras - Outubro 2012


10 LIVROS = 1492 PÁGINAS

100. O crocodilo & Notas de inverno sobre impressões de verão (1864) - Fiódor Dostoiévski - 168 pgs - regular [emprestado]
101. Arte e letra: estórias L (2011) - Diversos autores - 88 pgs - muito bom
102. Quase memória (1995) - Carlos Heitor Cony - 223 pgs - bom
103. Pantaleón e as visitadoras (1973) - Mario Vargas Llosa - 255 pgs - excelente
104. Cartas a um jovem poeta (1926) - Rainer Maria Rilke - 80 pgs - bom
105. Canção de amor e morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke (1899) - Rainer Maria Rilke - 32 pgs - regular
106. Uma estranha família (2001) - Ray Bradbury - 208 pgs - regular
107. O cavaleiro inexistente (1959) - Italo Calvino - 120 pgs - muito bom
108. O velho e o mar (1952) - Ernest Hemingway - 96 pgs - bom [releitura][clube de leitura]
109. Angústia (1936) - Graciliano Ramos - 222 pgs - regular

Livros Adquiridos - Outubro 2012


17 LIVROS = -R$ 389,84 +R$ 149,90 = -R$ 239,94

201. Como partir o coração de um dragão - Cressida Cowell - Intrínseca - R$ 19,80 - www.skoob.com.br
202. A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói - 34 - R$ 9,90 - www.skoob.com.br
203. A história de O - Pauline Reàge - Ediouro - R$ 19,80 - www.skoob.com.br
204. Arte e letra: estórias R - Diversos autores - Arte e Letra - R$ 16,50 - Assinatura anual (lido)
205. Hagakure - Yamamoto Tsunotomo - Conrad - R$ 43,26 - www.estantevirtual.com.br (vendido)
206. Objetos turbulentos - José J. Veiga - Bertrand Brasil - troca - www.trocandolivros.com.br
207. Na ponta dos dedos - Sarah Waters - Record - troca - www.skoob.com.br
208. A Torre Negra vol. 2: A escolha dos três - Stephen King - Objetiva - R$ 9,90 - www.skoob.com.br
209. A invenção de Hugo Cabret - Brian Selznick - SM - troca - www.skoob.com.br (lido)
210. Col. Eternamente Clássicos: O mágico de Oz - L. Frank Baum - Leya - R$ 1,12 - www.casasbahia.com.br
211. Col. A torre negra (7 vols) - Stephen King - Suma das Letras - presente - www.submarino.com.br
212. O relógio Belisário - José J. Veiga - Bertrand Brasil - troca - www.trocandolivros.com.br
213. Hagakure - Yamamoto Tsunotomo - Conrad - R$ 94,70 - www.estantevirtual.com.br
214. O xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase - Mircea Eliade - Martins Fontes - R$ 122,12 - www.estantevirtual.com.br
215. Box A divina comédia - Dante Alighieri - 34 - R$ 43,11 - www.casasbahia.com.br
216. Juventude - Joseph Conrad - L&PM Pocket Plus - R$ 5,31 - www.casasbahia.com.br
217. O coronel Chabert / A mulher abandonada - L&PM Pocket Plus - R$ 4,41 - www.casasbahia.com.br (lido)