Literatura perigosa

Este deve ser muito profundo: A Ética de Aristóteles. Qualquer um que o tenha lido deve acreditar que está um degrau acima daquele que ainda não o leu. Isso não é bom. Todos devemos ser semelhantes. A única maneira de sermos felizes é sendo todos iguais. Por isso temos de queimar os livros.

trecho do filme Farenheit 451

Black Snake Moan

Esta parte do filme é pura poesia:

Samuel L. Jackson:

- Faz anos que eu não toco para ninguém.

- Uma vez pelos filhos que não tive, porque para Rose, minha esposa, filhos não estavam em seus planos.

- Numa primavera, eu senti as mudanças, passava horas descansando por meses, eu só a via na banheira sem nada. Eu já havia visto outra mulher antes, então eu sabia.

- Então, um dia Rose me disse que ela tinha que ir com Jackson, visitar uns parentes. E estava com vergonha que eu fosse então eu fiquei aqui.

- Sabe quando falam sobre mulheres que tem aquele brilho? Ela não tinha mais, ela tirou fora. Nós temos que se livrar disso.

Aquela voz em meu ouvido,
toda vez que eu penso que passou,
volta mais alta e barulhenta.

Me chama no meio da noite,
mas não acho o caminho de casa.

Perdido no passado.
Chamo isso de "O gemido da serpente negra".

A serpente negra está
chamando no meu quarto.

E... serpente negra
chamando no meu quarto.


Não demore mamãe,
melhor pegar essa serpente negra logo.


Serpente negra é o mal!
Serpente negra é tudo o que eu vejo.

Serpente negra é o mal!
Serpente negra é tudo o que eu vejo.

Acordei essa manhã,
serpente negra se movendo em mim!

Felicidade é ponto de vista

Todo homem é feliz estando os a quem ama satisfeitos.
O altruísta é feliz ao ensinar felicidade aos à sua volta.
O sábio é feliz quando a humanidade sabe o que ele sabe.
O egoísta é feliz enquanto ninguém estiver mais feliz que ele.

Jefferson "Feliz" Maleski

Prometeu Acorrentado, de Ésquilo



"A inteligência nada pode contra a fatalidade".

Quem ensinou a arte do fogo ao homem? Para os gregos foi Prometeu, deus castigado por Zeus (Júpiter) por este e por outros motivos. A sua punição foi ficar acorrentado ao monte Cáucaso, onde uma ave comeria diaria e eternamente o seu fígado (que regenerava à noite). Prometeu é o único capaz de prever o futuro e evitar que o reinado de Zeus termine. Este é outro motivo da fúria de Zeus: Prometeu insiste em não revelar o segredo enquanto estiver preso.

Originalmente a tragédia do teatro grego sobre Prometeu era formada por três peças: Prometeu Acorrentado, Prometeu Libertado e Prometeu Portador do Fogo (a ordem é incerta). Mas somente a primeira chegou completa aos nossos dias. Ésquilo foi um dos principais teatrólogos gregos, ao lado de Sófocles e Eurípedes. Foi ele quem adicionou o coro e o diálogo (dois personagens) no teatro. Aristóteles o considerava o pai da tragédia grega.

Assim como o dilúvio, o mito de Prometeu é encontrado na mitologia indiana, eslava, germânia e celta, entre outras. Das muitas aplicações encontradas para o mito, a principal diz que o fogo significa a sabedoria e o conhecimento que diferenciam os homens dos animais. Uma delas sugere que o próprio poeta é aquele que traz luz para os homens e sofre por isso. Outra diz que Prometeu é o símbolo da revolta humana contra os deuses. Existem até mesmo interpretações cristãs: por um lado Prometeu é o Cristo que traz luz para a humanidade pelos seus ensinamentos e é punido com a morte, por outro lado é o Diabo, que fez com que Adão e Eva experimentassem da àrvore do conhecimento. Por isso seria chamado de Lúcifer (portador da luz).

A edição da Martin Claret traz uma bela capa e dois textos complementares pertinentes à obra, ambos retirados da Enciclopédia Abril. O primeiro e maior deles mostra o surgimento e a evolução do teatro. O segundo traz as diferenças entre a tragédia e as outras formas teatrais, inclusive o drama. Há também um estudo feito por Ana Paula Quintela Sottomayor sobre "Os Dilemas da Condição Humana" e um breve perfil biográfico da vida e obra de Ésquilo. Tantos anexos formam mais de 60% do livro, pois a peça tem apenas 30 páginas (pgs. 25-55). Apesar da tradução ser atribuída ao professor de história João Baptista de Mello e Souza, em uma nota na edição dos Clássicos Jackson, ele se declara apenas como o organizador "de tradutor português desconhecido, que venceu com certa galhardia as dificuldades do empreendimento".

leitura em: Junho 2007
título: Prometeu Acorrentado (Prometheus desmothes), de Ésquilo
edição: 1ª, Coleção Obra-Prima de cada Autor, Editora Martin Claret (2007), 113 pgs
Excelente

Um motivo para não gostar de você

Tenho seis mil setecentos e noventa e um motivos para gostar de você, e apenas um para não gostar. Entretanto, minha fraca memória só me permite lembrar dos primeiros.

Jefferson Luiz Maleski, platonicamente inspirado.