Pior livro de 2007

Como não poderia deixar de ser, a maioria dos best-sellers entra na disputa. Afinal, para quem considera a escrita uma arte e procura por palavras que influenciem o pensamento, os livros publicados simplesmente para ganhar (muito) dinheiro não tem lá muito o que acrescentar. Tá certo que eu também leio - inclusive best-sellers - por diversão, mas quando um livro escrito exclusivamente para este fim não consegue nem isso é porque há algo errado.

Utilizei o mesmo critério na seleção do pior livro do ano que usei na escolha do melhor livro de 2007, só que invertido: o pior livro é o que menos mudou minhas idéias, influenciou minhas conversas e opiniões. Aquele que passei raiva várias vezes ao ler e a não indicar para os amigos. A experiência foi tão ruim que desanimei até mesmo de ler outros livros do autor. A minha mancada neste ano foi um best-seller norte-americano, emprestado por um amigo.

PIOR LIVRO LIDO EM 2007

Atlantis, de David Gibbins

A arte de escrever
Leia a resenha do livro clicando na imagem acima.

E você? Qual o pior livro que leu em 2007?

Georg Christoph Lichtenberg


O livro é um espelho: se um asno o contempla, não se pode esperar que reflita um apóstolo.

O sinal certo de um bom livro é que ele nos agrada cada vez mais à medida que envelhecemos.

O sábio procura a sabedoria, o tolo encontrou-a.

Quem leu muito, raramente faz grandes descobertas.

As pessoas que cedem e concordam com tudo são sempre as mais saudáveis, as mais belas, e de figura mais harmoniosa. Basta alguém ter um defeito para ter a sua própria opinião.

Estou convencido de que não apenas nos amamos nos outros, mas também nos odiamos neles.


Georg Christoph Lichtenberg (1742-1799) foi físico e escritor alemão.

Melhor livro de 2007

Qual critério adotar para escolher o melhor livro em uma lista variada de quase 50 que li? Se fosse o mais engraçado, com certeza os 2 Discworld (A cor da magia e O senhor da foice) de Terry Pratchett seriam os primeiros. Se fosse o melhor suspense policial seria ou o da Agatha Christie (O caso dos dez negrinhos) ou o do José Prata (Os coxos dançam sozinhos). Nos de filosofia, o páreo duro estaria entre Sêneca (Sobre a brevidade da vida e Da vida feliz) e Krishna (Bhagavad Gîtâ). Dentre os infantis escritos para crianças de todas as idades, concorreriam C. S. Lewis (As crônicas de Nárnia) e Antoine de Saint-Exupéry (O pequeno príncipe). Dentre os mais bem escritos, aqueles que nos fazem viajar e reler diversas vezes um único parágrafo estariam Hermann Hesse (Sidarta), F. Scott Fitzgerald (O grande Gatsby) e Luiz Antonio de Assis Brasil (Música Perdida).

Mas meu critério é bem mais simples: considero o melhor livro aquele que mais mudou minha cabeça, minhas idéias, influenciou minhas conversas e opiniões. Aquele que passei a citar e a querer reler assim que for possível, que indico e indicarei aos amigos. Olhando sob este prisma para o ano inteiro de 2007, um sobressaltou aos demais, e eis que o escritor campeão não poderia deixar de ser um clássico mundial.

MELHOR LIVRO LIDO EM 2007

A arte de escrever, de Arthur Schopenhauer

A arte de escrever
Leia a resenha do livro clicando na imagem acima.

E você? Qual o melhor livro que leu em 2007?

Nitro, 2007

Na vida, não podemos sempre fazer aquilo que queremos, mesmo que não seja justo.

- Por que pessoas doentes recebem flores? - Por que as flores são como a vida. Ajuda a melhorarem. - Então, por que os mortos as recebem? - Para demonstrarmos que gostamos deles. Flores são como o amor. - São como a vida ou como o amor? - É a mesma coisa.

Os imbecis nunca se revoltam. Os imbecis obedecem as regras do mercado.

Não provoque o diabo, ele tem fome.

Olhe o sol e a lua. Não é extraordinário, que daqui ambos pareçam ter o mesmo tamanho? Um é enorme, a milhões de kilômetros de distância. A outra é pequena a uns milhares daqui. Acha que é coincidência? Você tem o sol e a lua. Algumas vezes eles se aproximam, mais e mais. Quando ficam juntos dá-se um eclipse. Por isso apagam as luzes.


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Bom

Os livros que li em 2007

Eis a lista de tudo o que li em 2007. Alguns eu resenhei, outros não. Deixei propositalmente de fora livros de direito, revistas e similares. Incluí todos os de literatura, os referentes ao blog e as técnicas de escrita e os que não tem a ver com o trabalho ou a faculdade. Dentre os abaixo vou escolher o melhor livro que li no ano. Talvez para sacanear, também vou apontar o pior.

48. Fernando Pessoa : Poesias, seleção de Sueli Barros Cassal - bom
47. Mestres do Reiki, de Ademir Barbosa Júnior - bom
46. Técnicas de comunicação escrita, de Izidoro Blikstein - regular
45. Da vida feliz, de Sêneca - excelente
44. Cumes e vales : Velhos contos de mestres e discípulos esquecidos, de Michel Echenique - excelente
43. Curso prático de leitura dinâmica, de Marcos Gois - bom
42. Como Sophia educa suas crianças, de Elza Pastrello - bom
41. Como reconhecer sua vocação, de Michel Echenique - bom
40. Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves - ruim
39. Música perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil - excelente
38. Os coxos dançam sozinhos, de José Prata - bom

37. O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini - regular
36.
A Arte de Escrever com Arte, de Ronald Claver - bom
35. Matrix Revelations, de Goulart Gomes - bom
34. Os Espíritos Elementais da Natureza, de Jorge Angel Livraga - bom
33. A Arte de Escrever com Arte, de José Carlos Leal - ruim
32. Ankor, o Discípulo; de Jorge Angel Livraga - bom
31. O adiantado da hora, de Carlos Heitor Cony - ruim
30. Memorial de Buenos Aires, de Antonio Fernando Borges - bom
29. O Senhor da Foice, de Terry Pratchett - excelente
28. O Livro dos Cinco Anéis, de Miyamoto Musashi - regular
27. Prometeu Acorrentado, de Ésquilo - excelente
26. Bhagavad Gîtâ, de Krishna - bom
25. Introdução a análise da narrativa, de Benjamin Abdala Júnior - bom
24. Como ordenar as idéias, de Edivaldo Boaventura - bom

23. O Desastronauta, de Flávio Moreira da Costa - regular
22. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry - excelente
21. A Arte de Escrever, de Arthur Schopenhauer - excelente
20. Os Sete contra Tebas, de Ésquilo - ruim
19. Édipo em Colono, de Sófocles - excelente
18. Antígona, de Sófocles - excelente
17. Édipo Rei, de Sófocles - excelente
16. Atlantis, de David Gibbins - ruim
15. Os 300 de Esparta, de Frank Miller - excelente
14. Contos de Encantos, Seduções e Outros Quebrantos, de Rogério Andrade Barbosa - regular
13. Sobre a Brevidade da Vida, de Sêneca - bom
12. O Pistoleiro, de Stephen King - regular
11. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald - excelente
10. 101 Viagens de Sonho: e Como Torná-las Realidade, de Kiko Nogueira - ruim
9. A Vida e o Pensamento de Buda, de Morgana Gomes - bom
8. O Caso dos Dez Negrinhos, de Agatha Christie - excelente
7. O Caminho das Pedras, de Ryoki Inoue - bom
6. Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom - regular
5. Sidarta, de Hermann Hesse - excelente
4. Como Atirar Vacas no Precipício, de Alzira Castilho - excelente
3. O Historiador, de Elizabeth Kostova - bom
2. A Cor da Magia, de Terry Pratchett - excelente
1. As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis - excelente (geral para os 7 livros)

Da lista acima posso fazer uma análise superficial da qualidade do que li: A maioria esteve entre bom e excelente, o que significa que acertei em grande parte das minhas escolhas. Notei que li poucos livros escritos por mulheres, tenho que melhorar nesse aspecto. Não li nenhum russo, que tanto gosto. E também comecei duas séries: Discworld e Torre Negra, que pretendo dar continuidade. Obtive uma boa quantidade na leitura dos clássicos e dos filosóficos, o que considero bom. 11 livros foram ganhados, 9 emprestados e 2 online. Os mais lidos são da literatura brasileira, grega, norte-americana e inglesa, nesta ordem.

As mortes de Ian Stone (The deaths of Ian Stone), 2007

Sonhe como se você fosse viver para sempre. Viva como se você fosse morrer hoje.

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Bom

Eu sou a lenda (I am legend), 2007

Bob Marley... tinha essas idéias. Um tipo de idéias alternativas. Ele acreditava que podia curar o racismo e o ódio. Literalmente curá-lo injetando música e amor na vida das pessoas. E quando estava marcado para cantar num show a favor da paz, um assassino foi à casa dele e o alvejou. Dois dias depois ele subiu no palco e cantou. Alguém lhe perguntou: Por que? E ele disse: As pessoas que estão tentando fazer deste mundo pior não estão tirando um dia de folga. Como eu posso tirar?

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Regular

Carlos Drummond de Andrade

Lutar com palavras é a luta mais vã, entanto lutamos mal rompe a manhã.

Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.

As obras-primas devem ter sido geradas por acaso; a produção voluntária não vai além da mediocridade.

Cem máximas que resumissem a sabedoria universal tornariam dispensáveis os livros.

A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.

É menor pecado elogiar um mau livro sem o ler, do que depois de o ter lido. Por isso, agradeço imediatamente depois de receber o volume. Não há vida literária plenamente virtuosa.

Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.

Quem gosta de escrever cartas para os jornais não deve ter namorada.

As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele.

Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes.


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi funcionário público e poeta modernista mineiro.

Justiça a Qualquer Preço (The Flock), 2007

"Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se tornar um monstro. Quando se olha muito para uma besta, esta besta também olha para você. Os momentos definitivos de nossas vidas nunca são planejados."

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Analecto que escrevi em 2007

Analecto: s. m. Coletânea de trechos em prosa e/ou verso, ger. de autores célebres e dispostos segundo época, autoria, tema etc.; antologia. Coleção de máximas ou aforismos escolhidos de um ou mais autores; antologia, seleta.
Aforismo: s. m. Máxima ou sentença que, em poucas palavras, explicita regra ou princípio de alcance moral; apotegma, ditado. Texto curto e sucinto, fundamento de um estilo fragmentário e assistemático na escrita filosófica, ger. relacionado a uma reflexão de natureza prática ou moral.
(Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0.5)

Todo filósofo é religioso, mas nem todo religioso é filósofo.

Deus e diabo são dois opostos assim como frio e calor, claro e escuro, bem e mal. Se você acredita na existência de um deles, forçosamente acredita na do outro.

Não se deve exigir que o escritor sempre se supere. Até porque mesmo grandes autores têm um período de hibernação antes de acordarem na próxima primavera com uma obra-prima desabrochando em suas mentes. (CLB)

Há pessoas que se apegam demais ao que têm, e outras ao que não têm.

O ideal seria que aqueles que raptam recém-nascidos encontrassem aqueles que os abandonam.

Se apenas um único de teus sorrisos ilumina toda a minha existência, porque tu insistes em exauri-los com aqueles cegos que preferem morar em eterna escuridão?

O amor é atemporal aos homens, pois mesmo que estes não existissem, ele existiria.

Todas as mulheres são princesas, só esqueceram de contar a algumas delas. Todos os homens são sapos e cônscios disso. Alguns sapos beijados por princesas viram príncipes, outros viram para o lado e dormem. Da mesma forma, alguns príncipes beijados por princesas viram reis, outros, sapos. Mas, no fundo (da lagoa) todo sapo sonha com o beijo da princesa.

Entrevemos o que é sorte quando o Universo todo inexplicavelmente gira ao nosso redor. Contudo, é necessário que ele não gire também ao redor dos outros, pois o ordinário não é classificado como sorte. Logo, forçosamente a sorte é egoísta e maldosa porque necessita que apenas um tenha, seja e ganhe aquilo que a maioria não tem, não é e não ganha. Quem perceber o desequilíbrio que a sorte lhe traz poderá dividir os frutos obtidos e harmonizar a balança da sua existência, transfigurando algo nocivo em prol da humanidade.

Melhor é a abstinência do que sexo com a pessoa errada. Aquilo que começar errado dificilmente terminará certo, mas o que começar certo terá as estatísticas a seu favor.

Hoje sou o dobro do que era no passado e a metade do que serei no futuro.

A verdadeira índole de uma pessoa aparece quando ela possui uma razão justificada contra você.

Os homossexuais são predadores, os ingênuos, a sua caça.

Todo homem é feliz estando os a quem ama satisfeitos.
O altruísta é feliz ao ensinar felicidade aos à sua volta.
O sábio é feliz quando a humanidade sabe o que ele sabe.
O egoísta é feliz enquanto ninguém estiver mais feliz que ele.

Um motivo para não gostar de você
Tenho seis mil setecentos e noventa e um motivos para gostar de você, e apenas um para não gostar. Entretanto, minha fraca memória só me permite lembrar dos primeiros.

A quantidade de preconceito que cada um de nós tem é inversamente proporcional a de inteligência.

Quanto mais para o alto eu olho, mais percebo o quão profundo é o vale em que me encontro.

Se você não se valorizar, chegará uma hora em que todos acreditarão em você. O contrário também é válido.

Aquele que tem por vício a leitura, droga alucinógena das mais leves, acabará cada vez mais dependente dela. E o pior, passará para drogas mais pesadas, como a escrita. Nesta fase crítica, o leitor-viciado-escritor, tende a fugir regularmente da realidade e ter devaneios alucinógenos de que, assim como Deus, é criador de Universos inteiros.

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

É uma verdade absoluta: gosto e nariz, cada um tem o seu. É por isso que aquilo que uns amam, outros odeiam, o que uns gostam, outros detestam. Essa diversidade é o que nos torna tão humanos e tão diferentes das máquinas. Entretanto, essa mesma diversidade põe um crítico literário contra a parede: divulgar o seu próprio gosto ou da maioria? Ler um livro, analisar um autor, o estilo, a técnica e a arte de modo impessoal? Mas será que algum crítico, leitor ou ser humano consegue ser impessoal, considerando o sentido da palavra como o "que não existe como pessoa, que não possui os atributos de pessoa; desprovido de qualquer traço pessoal"? (Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa) Acredito que não. Significa que nunca poderemos ser totalmente impessoais, pois sempre haverá uma pitada de opinião própria, por mais que nos esforcemos ou digamos fazer uma análise "impessoal" da obra.

Toda essa ladainha introdutória simplesmente para dizer que falarei de um livro do qual não gostei de ler, apesar de conhecer várias pessoas que gostaram. Como já disse, uma questão de gosto. Por isso, considere a minha opinião apenas como um dos lados da moeda, o negativo, algo que já fiz anteriormente em outras resenhas e muitos consideraram como uma ofensa pessoal (vide minha resenha sobre O Caçador de Pipas). A vantagem é que não há muitas variações nas opiniões sobre um livro: ou gosta ou não. Ou concorda com a minha opinião ou não. Ambos tipos de leitores são bem-vindos a deixarem suas impressões pessoais na forma de comentários. Diga se me ama ou se quer me atropelar. Ao menos saberemos que nem todos pensam iguais, e da consideração das diferenças é que evoluímos como um todo.

Um defeito de cor é o segundo livro de Ana Maria Gonçalves e conta a história de Kehinde, negra capturada ainda criança na África e trazida para o Brasil, onde vive muitos anos, tem filhos, torna-se liberta, participa de revoltas de escravos e retorna para a África. Aproximadamente 8 décadas da vida protagonista, como plano de fundo a história do Brasil (e um pouco da África).

A narração escolhida pela autora é a primeira pessoa e se torna cansativa em se tratando de 952 páginas. Expressões como "eu fiz isso", "eu estava assim" e "eu fui ali" são repetidas inúmeras vezes. E ainda piora: lá perto da metade do livro, quando nasce o segundo filho de Kehinde, ela começa a referir-se ao leitor como "você", como se o restante do livro fosse uma carta. Causa uma sensação estranha você se colocar no lugar do filho dela ou estar lendo uma carta que era para ele. O uso de palavreado atual também não convence como sendo a narração de alguém do século XIX, antes faz parecer como se uma atriz pouco talentosa interpretasse um papel histórico.

O crescimento físico, intelectual e moral de Kehinde da infância à velhice é narrado de maneira confusa. Apesar do livro ser as memórias escritas da Kehinde idosa (por sinal uma memória fenomenal), aparecem expressões que não condizem com a Kehinde narradora onisciente, mas com a Kehinde protagonista. Em outras passagens isso se inverte. Fica difícil ler a menina Kehinde falando sobre o estupro como "algo que devia doer" e pouco depois raciocinar como adulta sobre eventos que ainda nem ocorreram. Seria muito mais verossimilhante se a autora optasse por apenas uma das duas Kehindes ou separasse explicitamente quando uma ou outra atua.

Relevando a narração escolhida pela Ana Maria, o texto assemelha-se muito a uma coluna policial, contando tragédia após tragédia, de modo objetivo, direto e sem floreios na escrita. São tantos altos e baixos na vida de Kehinde que acaba tornando cansativa, novamente, a leitura. É certo que a fórmula universal para boas histórias prega que devem ter problemas a serem superados pelo protogonista, mas o excesso nunca é bem visto.

Excesso. Essa é a palavra que define o livro. Há excesso de informações que não significam nada para a trama. Mostra-se em várias páginas o funcionamento de um engenho de cana-de-açúcar. Ou detalha-se cômodo por cômodo, móvel por móvel, uma mansão (o Solar) onde Kehinde mora pouquíssimo tempo. Conta-se até sobre Tiradentes, mineiro que aparece de gaiato numa história que se passa a maior parte do tempo em cidades do litoral. A impressão que fica é que a autora, em suas pesquisas para escrever o livro, juntou uma quantidade enorme de informações que julgou interessantes e procurou encaixá-las a todo custo na história. Se não fosse por esse exagero provavelmente o tamanho do livro diminuiria 50% ou mais.

Mas o livro não é de todo ruim. Está sendo considerado responsável por preencher uma lacuna na literatura brasileira, mostrando a escravidão sob o ponto de vista dos maiores prejudicados, os negros. Eu também voto a favor nesse aspecto, porém com a ressalva que tais lacunas devem ser bem preenchidas com arte além de apenas informações. O livro é também indicado como fonte de informações históricas, devido à louvável e extensa pesquisa da Ana Maria, apesar de não ter nenhum índice que oriente onde aparecem a revolta dos escravos mussurumins, ou as informações sobre Tiradentes, ou os extensivos detalhes sobre as origens e rituais das crenças afro-brasileiras, ou qualquer outro material da época que seja difícil encontrar informações avulsas hoje. O leitor terá de ler o livro todo e marcar onde as informações que julgar importantes se encontram, para uma consulta futura.

O livro tirou o segundo lugar na Copa de Literatura Brasileira (CLB), perdendo apenas para Música Perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil. Perdeu porque são livros totalmente diferentes. Enquanto Um defeito de cor explora uma boa história, Música Perdida explora como contar bem uma história, mesmo que inferior. E é essa a diferença essencial que fez com que mais leitores preferissem um ao outro, conforme meu voto na CLB sintetizou bem:
Que tipo de leitor é você: daqueles que valorizam um livro pela história ou dos que apreciam o modo como ela é contada? Seria um dilema para você escolher entre o melhor escritor e a melhor história? Não para mim. E acredito ser justamente esse o diferencial dos dois finalistas da CLB. Música perdida nos revela Assis Brasil como um escritor habilidoso dotado de grande sensibilidade, escrevendo pela terceira vez sobre o que realmente entende: música. Em entrevista recente à Revista Malagueta admitiu seguir na contramão mercadológica quando disse não se importar com a notoriedade, antes que o texto lhe agrade: “Escrever um bom parágrafo pode levar uma semana, mas a satisfação é insuperável. Equivale a um prêmio.” Quão agradável é perceber que ele oferece esse prêmio a nós, leitores. Diferente de Um defeito de cor que traz uma narrativa jornalística estilo coluna policial exagerada em clichês, descrições, metáforas e mini-flashbacks que, apesar de não tirarem o mérito da história, atrapalham na degustação. Certamente dará um bom filme ou novela, porém conquistaria mais leitores não fosse desmedido nas imperfeições. Como o meu eu prefere (e anseia por) palavras bem escritas a uma longa história, meu voto vai para Música perdida.

Em um país em que a média anual de leitura é de 1,8 livros per capita, acredito que muito mais leitores sentiriam-se atraídos por Um defeito de cor se este fosse menor em tamanho ou se fosse uma série de livros com menos de 200 páginas cada. O estilo está bom, pois agrada os menos exigentes. Todavia, a autora teria de exigir muito mais da sua capacidade artística e literária do que da de jornalista e pesquisadora. Pena, pois a lacuna literária sobre a escravidão no Brasil, apesar de estar um pouco mais preenchida do lado da escrita, deverá continuar ainda bastante aberta pelo lado da leitura. Será um livro fadado a ser lido por poucos, seja pelo tamanho, seja pelo preço.

leitura em: Novembro / Dezembro 2007
obra: Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
edição: 1ª, Editora Record (2006), 952 pgs
preço: Compare os preços de Um defeito de cor no BuscaPé
Ruim

Tudo o que escrevi em 2007

Quase um ano de blog e início de tentativas de escrever algo consistente e agradável. A maioria são minicontos, e dois poesias. Alguns deles podem (e irão) ser melhorados, outros já estão perfeitos pra mim. Enfim, basicamente é tudo o que passou pela minha cabeça e que consegui colocar por escrito em 2007. Mas nem perguntem sobre o quanto ainda está lá esperando pra sair...

- Como matar um bicho-papão - Parte I
- O ilustre desconhecido
- Mal-me-quer
- Amor Pensado
- Memórias de um mentiroso
- Fábula de nós dois
- O profeta das pequenas coisas
- Mitologia no vocabulário
- O tio Philomeno
- Vida de Herói
- Moreno28 entra na sala...
- Como Salvar o Planeta Terra
- O Show do Ano
- Humpf!

PS: Será que dos primeiros escritos aos últimos dá pra notar alguma evolução? Ou é melhor eu entrar no ramo da pesca submarina?

Música Perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil

O bom escritor é o que diz aquilo que pensamos - ou que julgávamos pensar. E são poucos. As pessoas que lêem demais ficam cínicas ou cabotinas, perdendo a ilusão da vida. (pg. 177)

Um livro para ser ouvido como se ouve uma bela sinfonia. Não, não se trata de mais um audio-book, tão na moda e disseminados pela internet. Antes, é um livro que sensibiliza o ouvido do leitor. Escuta-se o ritmo, os acordes, as notas da saga do maestro Joaquim José de Mendanha, protagonista de Música Perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil, de uma maneira tão rítmica que as palavras soam como música. Um efeito similar ao causado pelo livro (que depois virou filme) O Perfume: a história de um assassino, do alemão Patrick Süskind, porém onde o sentido aguçado pela leitura era o olfato.

Apesar de Assis Brasil já ter sido músico e escrito outros dois livros sobre o tema música, Música Perdida deixa transparecer que não tem como público-alvo os músicos especialistas, pelo contrário, parece que foi escrito para os que não entendem nada ou não apreciam ler sobre música. O autor flui de maneira tão suave e natural que até quem não se sente atraído pelo tema gostará de lê-lo. Admito que se o livro não fosse um dos finalistas da Copa de Literatura Brasileira (CLB) e eu um dos jurados, nem o título, nem a capa, nem a história chamariam a minha atenção em uma livraria para levá-lo comigo. Ainda bem que existem coincidências no Universo (frase dita ironicamente por alguém que não acredita em coincidências).

No livro presenciamos um grande escritor mostrando plenamente o seu talento. Por isso, o livro acabou ganhando merecidamente o primeiro prêmio (CLB) de melhor romance brasileiro lançado em 2006. O estilo do autor fez-me perceber há quanto tempo eu não lia um livro bem escrito e deixa claro que ele se importa realmente com o que escreve e com quem lê o que ele escreve. Não há erros de português. Aprende-se algumas palavras novas. Há várias frases e pensamentos a serem copiados na agenda. Os que possuem a arte de escrever bem e agradar são raros, principalmente dentre os escritores brasileiros contemporâneos. Na minha modesta opinião, Música Perdida deveria ser citado e utilizado pelas gramáticas e professores de língua portuguesa nas salas de aula para mostrar que temos hoje quem possa nos representar - e bem - no campo da literatura.

O livro narra a história do jovem Quincazé desde a infância até tornar-se o maestro Joaquim José de Mendanha. O maestro Mendanha foi um personagem real da história do Brasil que compôs o hino do Rio Grande do Sul. Outro personagem real foi o padre-mestre José Maurício Nunes Garcia. Não sabemos o quanto Assis Brasil se baseou na história verídica para escrever o seu livro, mas nem importa, a obra já entra com destaque para o rol dos romances-históricos brasileiros.

Mendanha possui um dom e uma maldição: o ouvido absoluto, capaz de identificar notas musicais naturalmente. Fato percebido primeiro pelo pai, no interior de Minas Gerais, que o manda estudar fora com a esperança de o filho tomar o seu lugar na Lira da pequena cidade de Itabira do Campo.

No trajeto, mais precisamente em Vila Rica, Mendanha conhece Bento Arruda Bulcão, que o treina e patroneia em busca de mestres mais grandiosos no Rio de Janeiro. A relação entre Mendanha e Bulcão dá margem a inúmeras interpretações, desde as verdadeiramente altruístas até as puramente homossexuais, e o gênio de Assis Brasil neste ponto consistiu em não identificar nenhuma delas. Cada leitor interpreta a história como achar melhor, com aquilo que possui em seu íntimo.

No Rio de Janeiro é treinado pela glória da arte colonial brasileira, José Maurício Nunes Garcia, que o ensina a "dosar" sua virtude. Afinal, explica, não havia no Brasil pessoas habilitadas o suficiente para reconhecer uma obra-prima da música mundial. Mendanha estaria fadado ao fracasso por ser um gênio em um país que não lhes dá valor algum e aprecia basicamente o vulgar e popular. Garcia ensina também que a assinatura de um grande músico e compositor brasileiro está nas pequenas imperfeições, sutilmente percebidas somente por seus iguais. "Eis tudo: toda dissonância é uma preparação para a harmonia". Cabe aqui uma observação importante (conforme destacada por um dos jurados da CLB): há alguns erros teóricos (ou técnicos) sobre música no decorrer do livro, todavia estes fazem Assis Brasil exatamente igual ao seu personagem Mendanha. Sua assinatura são as pequenas imperfeições na obra, somente reconhecidas por seus iguais. E deixa uma pertinente crítica à literatura brasileira, de que não há (muitas) pessoas capazes de apreciar as obras-primas literárias atualmente escritas por aqui.

Desafiando o seu mestre, Mendanha compõe sua obra-mestra escondido, a cantata Olhai, cidadãos do mundo, que além de dar o título ao livro, acaba se perdendo e vira o eixo central no fim da trama. Nada mais dramático do que ver um personagem obtendo um último lampejo de esperança para concretizar seu maior sonho, bem como seu maior pesadelo, antes de findar a sua existência. Neste ponto, o leitor pode se beneficiar de uma ótima lição de como enfrentar a velhice, mesmo não obtendo o "sucesso" na vida ou levando algumas frustrações passadas nas costas, porém firme ao lado da pessoa amada. Pilar, a esposa de Mendanha, é o exemplo perfeito de companheira ideal. "Ela aproximou os lábios de seu ouvido: - Vou acompanhar você até o inferno, se ele existe. - Existe sim."

A vida nunca é a mesma. Ou melhor, é sempre a mesma, mas comporta mil feições. A vida é um tema que nos é dado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Cada qual, segundo suas habilidades, encarrega-se de elaborar as variações. Por isso é que há os insensíveis e os artistas, os debochados e os virtuosos, os dóceis e os irascíveis.

Recomendo a leitura do livro por se tratar de uma escrita genuína, original e agradável. É um dos melhores que li este ano, se não o melhor. Dá vontade de ler as outras obras do autor, que em entrevista recente à revista online Malagueta admitiu ter feito uma mudança radical em seus últimos escritos, optando pela qualidade ao invés da quantidade (leia-se $$$).

leitura em: Novembro 2007
obra: Música perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil
edição: 1ª, Editora L&PM (2006), 220 pgs
preço: compare os preços de Música Perdida no BondFaro
Excelente

Ernesto Sabato

Creio que a verdade é perfeita para a matemática, a química, a filosofia, mas não para a vida. Na vida contam mais a ilusão, a imaginação, o desejo, a esperança.

A vaidade é um elemento tão sutil da alma humana que a encontramos onde menos se espera: ao lado da bondade, da abnegação, da generosidade.

A esperança não será a prova de um sentido oculto da existência, uma coisa que merece que se lute por ela?

A história não é mecânica, porque os homens são livres para a transformar.

A vida é tão curta e o ofício de viver tão difícil, que, quando começamos a aprendê-lo, temos de morrer.

Arte e literatura unificam-se naquilo a que chamamos poesia.

As ficções salvam os que as escrevem e os que as lêem.

As modas são legítimas nas coisas menores, como o vestuário. No pensamento e na arte, são abomináveis.

Eu escrevo, porque senão estaria morto, para procurar o sentimento da existência.

O artista deve ser uma mistura de criança, homem e mulher.

O imperativo de não torturar deve ser categórico, não hipotético; tortura é um mal absoluto, não relativo; não existem torturas más e outras benéficas.

Ser original é, de certo modo, dar a conhecer a mediocridade dos outros.

Toda a obra de ficção é catártica.

Um bom escritor exprime grandes coisas com pequenas palavras; pelo contrário, o mau escritor diz coisas insignificantes com palavras grandiosas.

Viver consiste em construir recordações futuras.

Os best-sellers estão para a literatura como a prostituição está para o amor.

Ernesto Sabato (1911-) é um escritor e artista plástico argentino. Escreveu o livro Sobre heróis e tumbas.

Como matar um bicho-papão - Parte I: A CARTA

Andréa olhava o moço ir embora. Parada na porta de casa, ainda não acreditava na história que ele contara. Tivera receio de pedir a ele para repeti-la uma terceira vez. Seria declarar descaradamente que não acreditava nele. Quando o vulto virou a esquina é que voltou a si e percebeu que tinha em mãos a encomenda que ele deixara. Um envelope amarelado, um pouco sujo, mas lacrado. Parecia ter sido escrito há muito tempo, pelo estado avançado de manuseio em que se encontrava. Com um nome escrito à caneta: Andréa Ferreira dos Santos. O nome dela. Mais embaixo o nome da cidade. Estavam em tinta azul, quase desbotando em outras tonalidades, mas aquelas palavras gastas apontavam o dedo diretamente para uma única pessoa. Andréa Ferreira dos Santos. Ela. Precisava pensar melhor. Resolveu entrar em casa.

Posto o envelope sobre a mesa, foi tomar o cafezinho que o visitante recusou. Disse-lhe que tinha pressa em retornar à sua terra natal. Já estava em viagem havia muitos anos, todavia finalmente terminava nela a sua missão. A cada gole de café, engolia o líquido e as palavras que ainda pairavam à sua frente. O moço viera de longe, de Minas Gerais, somente para lhe entregar aquela carta. Contou que aquela era a última de sete cartas que foram entregues em sete cidades do país. Apesar de ter recebido instruções específicas de onde e como encontrar os destinatários, levara anos para terminar aquela tarefa. Cinco anos para ser mais exato.

As sete cartas eram de um famoso médium espírita, psicografadas um pouco antes dele morrer e entregues ao fiel discípulo. Como último desejo do mestre querido, deveria entregar pessoalmente cada carta. Eram cartas que mudariam o traçado do destino de várias pessoas, algumas vivas, outras não. O jovem discípulo viajou por diversos lugares, procurando as pessoas somente pelo nome e cidade escritos em cada envelope e pelas orientações fornecidas pelo vidente. Admitiu que nunca teve curiosidade em ler as cartas, mas teve de ser rígido na ordem de entrega, pois foi-lhe dito que encontraria os destinatários somente nos lugares e épocas indicados pelo instrutor. Aquela seria uma demonstração grandiosa da fé que tinha no mestre. Uma fé que Andréa, apesar de ir à igreja todos os fins de semana, invejou.

Findo o café, voltou novamente a sua atenção ao envelope sobre a mesa. O marido estava fora. As crianças na escola. Ainda tinha algum tempo livre até começar a fazer o almoço. O momento era propício, mas ela estava com medo. A verdade é que ela não costumava receber cartas. Quase nunca. Ainda mais de um morto. Ou pior, de dois mortos. Tentou enumerar quem poderia estar tentando entrar em contato com ela do além. Teria de ser alguém falecido a pelo menos cinco anos. O tio Manoel do seu esposo estava descartado, morrera ano passado. A filha da Dona Rita também. Não se lembrou de mais ninguém. Com o tempo, os mortos também costumam morrer na memória. Poderia ser alguém que não conhecia, como o avô materno ou a avó paterna, ambos falecidos antes de Andréa nascer.

Além do receio em relação ao misterioso remetente, havia também o medo quanto ao conteúdo da carta. Se era tão importante a ponto de ser psicografado por um médium famoso e este ter incumbido um fiel discípulo de entregá-la pessoalmente, e deste último persistir por anos a fio até completar a sua tarefa, deveria ser uma mensagem importante e significativa. Mas para quem? Para o falecido, para o médium famoso ou para ela? E se fossem maldições ou coisas do além que ela não gostaria de saber? Mas, por outro lado, e se falasse do futuro, de seu marido ou dos seus filhos? E se lhe contasse como melhorar de vida ou como evitar uma tragédia?

Naquele momento, Andréa sentiu-se terrivelmente sozinha. Aquela carta começava a pesar sobre os seus ombros.

Continua: Parte II: O PAI

Compra e venda de livros usados

Acabo de colocar alguns livros usados à venda na internet. Por enquanto estão somente no site Estante Virtual, mas em breve quero cadastrá-los em outros como o Mercado Livre etc. Para quem quiser ver quais livros estou vendendo a preço de banana, é só clicar no logo abaixo e entrar em contato.

Dexter (2007) - 2ª temporada


Season Finale: 2x12 "The British Invasion"
Quando algo além da razão acontece, transforma céticos em crentes. Crentes em um poder maior. [...] Se você acredita que Deus faz milagres, tem que considerar se o Diabo não tem uns na manga. Mas quando não se acredita em nada, em quem você pensa numa hora dessas? [...] Aparentemente milagres são subjetivos.

Você quer ter sentimentos por mim, mas não passam de impulsos. É uma resposta primitiva às necessidades imediatas. Você sabe toda a letra, mas não escuta a música.

É estranho ter uma cria lá fora. Uma versão profundamente alterada de você mesmo correndo por aí sem controle e ferrando com tudo. Me pergunto se é assim que os pais se sentem.

Há pouco tempo tive um sonho em que as pessoas me viam do jeito que sou, e por um breve momento, o mundo realmente viu meus trabalhos. Alguns até gostaram. Mas acontece que ninguém vela os malvados.

Eu sou mau? Eu sou bom? Parei de me perguntar isso, pois não tenho as respostas. Alguém tem?


2x07 "That night, a forest grew"
A verdade fala comigo de um lugar tranqüilo. Eu só preciso sintonizar a estação certa para ouvi-la.
Série baseada nos livros do norte-americano Jeff Lindsay: Dexter: a mão esquerda de Deus (2004), Dearly devoted Dexter (2005) e Dexter in the dark (2007). Saiba mais: IMDB (ING) Mundo Fox (BR).

Piratas do Caribe: No Fim do Mundo (Pirates of the Caribbean: At World's End), 2007


Quando se quer muito uma coisa tem um preço que deve ser pago no final.

O mundo costumava ser um lugar maior. O mundo continua o mesmo, só que menos unido.

A morte é uma maneira curiosa de mudar suas prioridades.

Nenhuma causa é perdida. Não se tivermos um só tolo para lutar por isso.

Crueldade é uma questão de perspectiva.

Mais informações: IMDB (ING) Cine Players (BR)

Duas frases, duas verdades

Há pessoas que se apegam demais ao que têm, e outras ao que não têm.

O ideal seria que aqueles que raptam recém-nascidos encontrassem aqueles que os abandonam.

Jefferson Luiz Maleski

Bones, 2005-2007


3x06 "The intern in the incinerator"

A inteligência não é uma questão de desejo. Não é um defeito de personalidade ser menos inteligente que outra pessoa.

Sendo grande a culpa, o medo ainda a ultrapassa. E o medo extremo, não pode lutar nem voar, mas com temor trêmulo, covardemente morre. (Shakespeare)

Série inspirada na vida da antropologista forense e escritora norte-americana Kathy Reichs.

Mais informações: IMDB (ING) Séries Online (BR)

Vencedor da 1ª Copa de Literatura Brasileira

Chegou ao fim a CLB - Copa de Literatura Brasileira em que 16 livros enfrentaram-se no estilo mata-mata até sobrar o campeão. Diferente das partidas regulares, a final foi arbitrada por 15 jurados, e deu Música perdida 9 x 5 Um defeito de cor. Ganhou aquele em que eu votei como sendo o melhor, mas isso não significa que nem todos os outros que não chegaram à final sejam ruins, pelo contrário, ainda pretendo ler alguns que tropeçaram pelo caminho.



Encerro assim a minha participação na CLB, resenhando nos próximos dias os dois livros finalistas aqui no blog. Agradeço publicamente pela oportunidade de participar comentando e resenhando alguns concorrentes. Ao meu ver esta iniciativa só trouxe benefícios à literatura brasileira e aos leitores e críticos contemporâneos.

José Saramago

Em vez de as pessoas ouvirem os escritores em busca de respostas sobre o que somos, precisam ouvir umas às outras, porque nós, autores, não somos mais do que meros trabalhadores das palavras e temos limites como todos.

Há coisas que nunca poderão se explicar por palavras.

O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio.

Quem acredita levianamente tem um coração leviano.

Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos.

Ser homem não deveria significar nunca impedimento a proceder como um cavalheiro.

O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas.

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.

Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não.

José de Sousa Saramago (1922-) é escritor português e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998 e o Prêmio Camões em 1995. É conhecido como ateu e comunista ativo. Seu livro mais famoso é O Evangelho segundo Jesus Cristo.

Samantha Who?, 2007


1x06 "The Hypnotherapist"
A estrada da independência leva tempo, mas não importa de onde você vem ou pra onde esta indo. A jornada é sempre melhor quando você tem alguém para dizer "Obrigado por estar aqui".

1x04 "The Virgin"

Você não percebe até você perder, mas a sua memória é tudo o que você é. Sem ela você é uma tela em branco renascida, sem pontos de referência, experiências, até mesmo opiniões.

1x02 "The Job"

Coco Chanel disse que para evitar o excesso de acessórios, as mulheres deviam olhar no espelho e tirar uma coisa. Com você, geralmente era a sua dignidade.

1x01 "Pilot"

Tem uma música de Tom Waits que diz: Se você se distanciar o suficiente, estará no seu caminho de casa.

Mais informações: IMDB (ING) Entrei de Gaiato (BR)

Súplica do livro

Clique na imagem para visualizá-la em tela cheia.

O ilustre desconhecido

Comentavam que aquele era O cara. Visto em cerimoniais, palestras, shows, eventos, casamentos, funerais, homenagens, saraus, premiações e por aí vai. Transitava com desenvoltura em todo tipo de festas, desde as mais finas e requintadas até as consideradas simples e modestas. A grande massa presente aos eventos o via somente poucas vezes, não porque ele tinha faltado a algum evento - o que era impossível, conforme notavam os mais atentos - mas porque nem todos freqüentavam tanto quanto ele as festividades sociais. A sua agenda provavelmente girava exclusivamente em torno disso. Alguns levantaram a hipótese dele ser o dono, ou empregado, de um cerimonial ou buffet. Isso ninguém nunca soube, somente que ele tinha presença confirmada sempre, e sempre era visto conversando com o prefeito, com o capitão, com o governador, fazendo os brindes, dançando com a noiva, saindo nas fotos da debutante, relembrando alguma virtude de alguém que estava sendo homenageado, enfim, entretendo os convidados.

Como boatos são coisas que não faltam em festas, um dos que surgiram certa feita foi o que o viram em uma inauguração de um "puxadinho" num bairro de periferia. Dizem que dançou forró e bebeu até a cerveja esquentar e beijou a mulata mais quente da festa até ela esfriar. Mas boatos vêm e vêm e, como pensamentos, perdem-se rapidamente.

Na high society, era visto ora fumando um charuto entre os homens de negócios importantes, dando e recebendo tapinhas nas costas, ora divertindo as damas com gracejos e anedotas. Havia ainda o comentário surdo de que ele ganhava a vida fazendo conexões necessárias entre as pessoas nas festas: se alguém precisasse de algo e houvesse naquela festa alguém capaz de ajudá-la, ele sabia exatamente quem era e te apresentaria.

Talvez tenha escolhido o anonimato como cartão de visitas e de fato ninguém o conhecia suficientemente bem para lembrar qual era seu nome. Porém, todos apreciavam muito a sua companhia. Agradava diferentes faixas etárias, diferentes sexos, credos, raças e opiniões. Alguns garçons o viam diversas vezes trocando beijos com uma ou outra moça em cantos obscuros ou próximo às piscinas. Ele também conhecia jogos e brincadeiras das mais interessantes que faziam as crianças o idolatrarem fascinadas.

O que ninguém via, aquilo que não aparecia nas festas, nos eventos, nos cerimoniais, casamentos, velórios, chás de bebês, era que no final da festa, quando tudo acabara e todos já haviam ido embora para as suas casas, ele saía da cozinha com um embrulho contendo restos generosos do buffet e se dirigia solitário assobiando uma música qualquer do Roberto Carlos até o ponto de ônibus mais próximo.

Parecia feliz não somente quando era o centro das atenções, mas também quando estava inteiramente só.

Oito milímetros (8mm), 1999

Quando você dança com o diabo, você não muda o diabo, o diabo muda você.

Mais informações: IMDB (ING) Cinema com Rapadura (BR)

Ruas de fogo (Streets of fire), 1984


A noite está apenas começando
(Tonight is What it Means to be Young, do Fire Inc.)


Eu tive um sonho com um anjo na praia
E ondas perfeitas começaram a vir
Seu cabelo estava flutuando num arco-íris dourado
E seu toque tinha um poder paralisante

Eu tive um sonho com um anjo na floresta
Encantado no meio de um lago
De seu corpo saiam raios de luz
E a terra começou a tremer

Mas eu nao vejo nenhum anjo na cidade
Eu nao vejo nenhum coro santo cantando
E seu eu ainda nao posso ter um anjo
Eu ainda posso ter um rapaz
E um rapaz é a coisa mais proxima
A coisa mais próxima de um anjo
Um rapaz é a coisa mais próxima

Eu tive um sonho com um rapaz num castelo
E ele dançava como um gato na escada
Ele tinha o fogo de um príncipe em seus olhos
E soavam tambores em seus ouvidos

Eu tive um sonho com um rapaz numa estrela
Olhando para o mundo real
Ele está sozinho e sonhando com alguém como eu
Eu não sou um anjo, mas ao menos sou uma mulher

Eu tive um sonho que quando a escuridão acabar
Nós estaremos juntos em raios de sol
Mas isto é apenas um sonho e esta noite é a realidade
Nunca saberá o que significa,
Mas você saberá o que sinto
Quando estiver por acabar (acabar)
Antes que você saiba que começou
(antes que você saiba que começou)
Tudo é possível esta noite
Pare de chorar (esta noite)
Antes que você saiba, acabou (esta noite)
A noite está apenas começando
A noite está apenas começando

Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos
Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos

Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem (a noite está apenas começando)
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos (antes que você perceba acabou...)
Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem (a noite está apenas começando)
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos (antes que você perceba acabou...)

Disse uma prece na escuridão para que a magia comece
Não importa o que pareça
A noite está apenas começando
A noite está apenas começando
Antes que você perceba acabou,
A noite está apenas começando
Antes que você perceba acabou

Solo

Eu tive um sonho que quando a escuridão acabar
Nós estaremos juntos em raios de sol
Mas isto é apenas um sonho e esta noite é a realidade
Nunca saberá o que significa,
Mas você saberá o que sinto
Quando estiver por acabar (acabar)
Antes que você perceba acabou

E tudo é possivel esta noite
Pare de chorar (esta noite)
Antes que você perceba, acabou (esta noite)
A noite está apenas começando
A noite está apenas começando

Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos
Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos

Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem (a noite está apenas começando)
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos (antes que você perceba acabou...)
Deixe as rebeliões começarem
Deixe os fogos começarem (a noite está apenas começando)
Estaremos dançando pelos desesperados e corações-partidos (antes que você perceba acabou...)



Mais informações: IMDB (ING) Projeto Autobahn (BR)

Mal-me-quer


Não iria deixar barato. Onde já se viu alguém brincar com os sentimentos de uma mulher e se safar assim? Ah, não com ela. Iria fazer da vida daquele cachorro um inferno. Não lhe daria sossego um minuto sequer. Sabia o email, o blog e o orkut dele. Conhecia os sites que ele frequentava e as pessoas com quem se relacionava. Tinha o site da empresa em que trabalhava, uma multinacional. Iria começar a disseminar verdades e mentiras sobre ele. Várias. Desde as mais simples, críveis, até as mais escabrosas e difíceis de engolir. Insultaria quem entrasse na sua frente e tivesse a audácia de defendê-lo, provavelmente gente da mesma laia. Entraria em sites pornôs e listas de spam e cadastraria o email dele em todos. Adicionaria o perfil dele em sites gays, pedófilos, racistas e até nos doadores de órgãos anônimos. Colocaria a foto dele no cafajestes.com.br, espalharia textos preconceituosos, nazistas, machistas, chauvinistas, narcisistas pela internet como se fossem dele. A profissão, credo e ginástica dela a partir daquele momento seriam persegui-lo, incomodá-lo, humilhá-lo. Aquele insensível aprenderia do pior jeito possível com quem havia mexido. Saberia exatamente quem ela era.

Perigosa. Vingativa. Revoltada. Desesperada. Uma alma partida. Um coração magoado. Ele iria aprender a nunca mais fazer isso com as mulheres. Nunca mais conversaria com garotas pelo msn, chat e email até seduzi-las. Não mandaria poemas para elas. Não diria obscenidades tão necessárias às mulheres carentes. Não as ensinaria a atingirem orgasmos virtuais. Não aplicaria o golpe do Coração Solitário em mais nenhuma divorciada. Não. Era o fim daquele Don Juan de araque.

Enquanto isso, em um lugar distante:

- Issaí, Marquinho. Anotaê meu novo email e messenger: moreno 1435 sedutor arrôba zêdábliuxis ponto com. Tive que mudar por causa duma minaê, sabe cumé qui é né? Um cara goxtoso como eu elas experimentam e não largam mais, hehehe. Depois te passo as fotos que ela me mandou só de calcinha, cê precisa ver. Agora tenho de ir porque a minha mãe ta berrando de novo pra eu terminar meu dever de casa. Falous procê, seu viado.

Heroes, 2006-2007


2x08 "Chapter eight: Four months ago..."

É a habilidade do homem de lembrar-se que nos diferencia. Nós somos a única espécie que se preocupa com o passado. Nossas lembranças nos dão voz. Elas testemunham a História para que outros possam aprender. Para que possam celebrar as nossas vitórias e serem advertidos sobre nossos fracassos.

Existem várias formas de definir nossa frágil existência. Várias formas de dar significado a ela. Mas são nossas memórias que dão forma ao seu propósito e dão contexto a ela. Os sortimentos particulares de imagens, medos, amores e arrependimentos. Por essa cruel ironia da vida é que estamos destinados a manter a escuridão com a luz. O bem com o mal. O sucesso com a decepção. Isso é o que nos separa, o que nos torna humanos. E no fim, temos de lutar para nos sustentar.

Mais informações: IMDB (ING) Blog Heroes Brasil (BR)

Cora Coralina

O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.

Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas.

Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Cora Coralina é o pseudônimo usado por Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), poetisa goiana. Publicou o seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, com 75 anos. Em 1983 foi eleita intelectual do ano e ganhou o Prêmio Juca Pato.

Os coxos dançam sozinhos, de José Prata

Porto Brandão é um cafajeste. Policial corrupto e corruptor que não liga para regras. Não respeita os seus superiores nem os subordinados. Faz o que quer, quando quer e do jeito que lhe convier impulsivamente em cada ocasião. É machista, racista e narcisista. Esbanja seu pseudo conhecimento soltando frases em latim em todas a situações e abusando de produtos de grife americanos que exaltam o american way of life. Humilha a todos ao redor somente para saciar o seu ego e sentir-se superior a todos, e se alguém o confronta, ele encara o desafio seja contra quem for.

Porto Brandão é um cafajeste. Mata prostitutas gordas e loiras de forma cruel, sádica e mesquinha. Assassino vil e calculista, faz questão de deixar uma assinatura pessoal e inconfundível em suas vítimas, que são como troféus para ele. Acredita ser um profissional que está sempre um passo à frente da polícia, mas é surpreendido quando outro assassino passa a mexer em suas vítimas e a alterar as cenas dos crimes tentando incriminá-lo.

Esse é o Brandão, policial e assassino ao mesmo tempo de Os coxos dançam sozinhos, livro do português José Prata. E para aqueles que já vociferam contra o autor desta resenha creditando a ele a culpa por estragar algum mistério essencial da trama, saibam que o autor já revela tal situação tanto na contra-capa do livro quanto no primeiro parágrafo da estória:

“Estou no quarto e não estou sozinho. À minha frente, deitada ao comprido, de barriga para baixo, está a velha que matei hoje de manhã. Bem morta, nua de todo, as banhas esparramadas pela alcatifa. Um mimo. O problema foi terem destacado para o caso o inspector Brandão – e caso não saibam o Brandão sou eu, Porto Brandão, prazer em conhecer-vos.”

Primeiro romance de José Prata, Os coxos dançam sozinhos é um bom livro policial e merece ser lido. Primeiro pela idéia bastante original de começar com a premissa de revelar que o assassino em série e o investigador designado para o caso são a mesma pessoa. E protagonista da estória, narrada em primeira pessoa. Em segundo lugar, pelo tipo nada convencional de Brandão: nada de baixinhos barrigudos com bigodões parecendo aquilo que o imaginário brasileiro a tempos estereotipou como o investigador policial português. Ele faz musculação e adora exibir seus bíceps e tríceps a quem estiver por perto. Da mesma forma com que cospe frases em latim esperando que outros ao redor tenham a obrigação de saber o que significam, exibe seu estilo ora com camisetas apertadas para demonstrar seus músculos ora com sobretudos e óculos que lembram os cops dos filmes americanos. Como geralmente ninguém entende suas citações – cabe aqui lembrar que o latim é considerado uma língua morta e usada hoje, quando muito, no curso de Direito e na missa católica – ou piadas de duplo sentido – é o assassino e tudo o que diz é com humor negro (qualquer semelhança com Dexter não é mera coincidência) – ele humilha, despreza e zomba de seu auxiliar estagiário Alminha, seu boss o Major Alvega ou de qualquer vítima que tenha a infelicidade de cruzar o seu caminho. Mas se o livro todo fosse só isso tenderia a não render uma boa trama. Mas rende, e rende muito.

Acontece algo inusitado na rotina de crimes e investigações de si mesmo com que Brandão não contava. Após cometer os seus crimes, Brandão (o assassino em série) passa cada dia por mais apuros quando alguém acessa as cenas dos crimes e faz modificações nas vítimas, tentando deixar pistas sobre Brandão que ele houvera apagado. O grande mistério é descobrir quem faz isso e por que. Seria um copycat (cópia-gato na versão portuguesa do termo), um imitador de assassinos? Paralelamente, há trechos breves no final dos capítulos – também breves – que mostram a perturbadora infância de Brandão e a sua relação com a mãe que podem justificar a sua personalidade tão dicotômica e perturbada.

"- Bom dia Sr. Inspector. A mãezinha, está melhor?
(A mãezinha é um vegetal que eu tenho lá em casa, anda a soro há cinco ou seis anos, desde o Grande Coma. A enfermeira diz que está rija, que se aguenta ainda outros cinco ou seis. Cá por mim por tudo bem, a pensão da Mamã dá-me jeito, os Armani são baratos mas nem tanto…)"


O único ponto fraco para os leitores brasileiros é a quantidade enorme de palavras, gírias e expressões portuguesas que não são comuns por aqui nem mesmo nos nossos dicionários. Por causa disso o livro, classificado como divertidíssimo humor negro pelos nossos irmãos portugueses, não causa maiores sorrisos em um brasileiro, provavelmente por diferenças nos estilos de humor apreciados e compreendidos distintamente por cada povo. Mas esses detalhes não chegam a atrapalhar em nada no entendimento da trama. A originalidade, a repulsa pelo protagonista que nos faz torcer contra ele na maior parte do tempo, as lembranças de sua infância como parte de um quebra-cabeça à parte, o final bem ao estilo Agatha Christie amarrado com uma surpresa aos leitores fazem de Os coxos dançam sozinhos uma ótima opção de leitura de fim de semana.

leitura em: Novembro 2007
obra: Os coxos dançam sozinhos, de José Prata
edição: 1ª, Editora Nova Fronteira (2005), 206 pgs
preço: Compare os preços de Os coxos dançam sozinhos no BuscaPé
Bom

Monteiro Lobato


Um país se faz com homens e livros.

José Bento Monteiro Lobato (1882-1948) foi promotor público, empresário, fazendeiro e escritor brasileiro. Dentre suas obras destacam-se Urupês, Cidades Mortas e a coleção infantil O Sítio do Picapau Amarelo.

Mandando Bala (Shoot 'Em UP), 2007


Porque os EUA é a terra das oportunidades onde um pobre pode ficar rico e um frouxo pode virar um cara durão se tem uma pistola na mão.

Alguém tem de ser o esperto e alguém tem de ser o burro.

Mais informações: IMDB (ING) Revista Paradoxo (BR)

Poder Além da Vida (Peaceful Warrior), 2006


Sinopse: Dan Millman (Scott Mechlowicz) é um talentoso ginasta adolescente que sonha em participar das Olimpíadas. Ele tem tudo o que um garoto da sua idade pode querer: troféus, amigos, motocicletas e namoradas. Certo dia seu mundo vira de pernas para o ar, quando conhece um misterioso estrangeiro chamado Socrates (Nick Nolte). Depois de sofrer uma séria lesão, Dan conta com a ajuda de Socrates e de uma jovem chamada Joy (Amy Smart). Ele descobrirá que ainda tem muito a aprender e que terá de deixar várias coisas para trás a fim de que possa se tornar um guerreiro pacífico e assim encontrar seu destino.

Trecho "A felicidade está na jornada e não no destino":


Conhecimento não é o mesmo que sabedoria. Sabedoria é agir.

É possível viver a vida toda sem estar acordado.

Todos lhe dizem o que fazer e o que é bom para você. Não querem que você encontre suas próprias respostas. Querem que você acredite nas respostas deles. [...] Quero que pare de reunir informação no seu exterior e comece a reunir informação no seu interior. As pessoas temem o que há por dentro. E é o único lugar em que encontrarão o que precisam.

As pessoas não são o que pensam. Elas pensam que são e isso lhes traz todo tipo de tristeza.

A mente é um órgão de reflexão. Reage a tudo. Enche sua cabeça com milhões de pensamentos aleatórios por dia. Nenhum desses pensamentos revela mais sobre você do que uma sarda na ponta do nariz.

Às vezes, é preciso perder a cabeça antes de pensar racionalmente.

Emoções são naturais. Como o clima passageiro. O que fazer quando não se pode fazer aquilo para o qual nasceu?

As pessoas mais difíceis de serem amadas normalmente são as que mais precisam de amor.

Nunca será melhor. Do mesmo modo que nunca será menos do que ninguém. O hábito é o problema. Só precisa estar consciente de suas escolhas e ser responsável por seus atos.

Toda ação tem seu preço e seu prazer. Reconhecer ambos os lados o torna realista e responsável por meus atos.

A morte é uma transformação. É um pouco mais radical do que a puberdade mas nada que nos deixe particularmente chateados. A morte não é triste. O triste é que a maioria das pessoas não vive nada.

Ser guerreiro não exige perfeição. Ou vitória. Ou invulnerabilidade. Ele é a vulnerabilidade absoluta. Essa é a única coragem de verdade.

Quase toda a humanidade passa por essa situação difícil. Quando não conseguem o que querem, sofrem. E mesmo quando conseguem exatamente o que querem, continuam a sofrer. Porque não podem se agarrar a isso para sempre.

Paradoxo: A vida é um mistério. Não perca tempo tentando entendê-la. Humor: Tenha senso de humor especialmente sobre si mesmo. É a força por trás de toda atitude. Mudança: Nada permanece o mesmo.

A jornada é o que nos traz a felicidade, não o destino.

Amor Pensado


Penso, logo amo.
Ou amo, logo penso.
Ou não logo, não penso, só amo.
Tanto não penso que pensei viver é não pensar, é amar.
Mas amar não começa no pensar?, pensei.
Oh tola incerteza.

O meu coração fica dentro da cabeça.
Só pode.
Assim sei porque cada vez que penso nela ele bate tum tum.
Acelerado tum tum tum tum quando ela está perto.
Irregular tuuuuuuum tut um se ela se vai.
Desnorteado tum paralalalá chibum se me sorri.
Meu coração se aperta todo diante dela
Repuxa minha face até parecer um sorriso bobo.

Quisera eu acreditar no amor como algo inventado na idade média, moderna ou antiga.
Que algum filósofo ou escritor pensou e puf! criou o amor.
Fácil assim.
Sem paranóia.
Talvez se acreditasse nisso também acreditaria que posso dizer o que eu quiser que o amor é e puf! acreditariam em mim.

Eu diria que o amor está dentro do coração.
Mas que o coração está dentro da cabeça.
Pois amamos aquilo que vemos, já que os olhos estão na cabeça.
E meus olhos derramam lágrimas quando meu coração chora.
E amamos o que ouvimos, porque os ouvidos estão na cabeça.
Por isso não ouço a ninguém quando meu coração ensurdece.
Também amamos aquilo que degustamos, pois a boca está na cabeça.
Assim quando a beijo meu coração fica pertinho do dela
Tão pertos que nem parecem dois, mas um só.
Enfim, diria que amamos
Ou pensamos que amamos
Simplesmente
Porque o coração está dentro da cabeça.

E lá no fundo um pergunta
E aquilo que fica no meio do peito, o que é?
Sei lá, acho que se chama cérebro.

Poema em linha reta, Álvaro de Campos


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Stardust - O Mistério da Estrela, 2007


Um filósofo certa vez perguntou: "Somos humanos porque contemplamos as estrelas ou às contemplamos por que somos humanos?" O verdadeiro ponto é: As estrelas também nos contemplam? Essa é a questão.

Você pode procurar a maior riqueza de todo o universo e nunca encontrará nada mais lindo: o amor é incondicional. Mas também sei que pode ser imprevisível, inesperado, incontrolável, insuportável e estranhamente fácil de achar que está odiando.

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