Rapidinha do dia nº 7

VITA CANES
Dia destes, andava eu pela rua quando um cachorro parou na minha frente e pediu: Moço, me dá um trocado? Espantei-o aos chutes e berros, fazendo-o fugir com o rabo entremeio as pernas. Continuei meu caminho bufando onde estaria a carrocinha numa hora dessas pra dar fim a esta praga.

Franklyn (2008)

Alguém disse uma vez, que a religião era vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos sábios como falsa e pelos governantes como útil.

Uma pessoa pode ficar presa dentro de si mesma por tempo demais.

A pouca fé que tenho, a tenho em você.

O mundo está cheio de pessoas enviadas para nos ajudar. Na maioria das vezes, apenas não as vemos.

Se um Deus deseja impedir o mal, mas não é capaz, então não é onipontente. Se é capaz, mas não deseja, então deve ser malévolo. E se não é capaz nem deseja, então por que chamá-lo de Deus?

A vida já é uma senhora aventura, do jeito que é. Sem precisar inventar mais nada.


SINOPSE
O Filme é uma narrativa passada simultaneamente entre uma Londres contemporânea e em uma metrópole futura governada pelo fervor religioso. A história envolve de quatro almas, divididas entre dois mundos paralelos, que estão caminhando para uma colisão explosiva e quando uma única bala decidirá o destino de todos. No filme, Ryan Phillippe interpreta Preest, um detetive mascarado à procura de seu inimigo pelas ruas de Meanwhile City, uma metrópole governada pela fé e pelo fervor religioso. Bernhard Hill é Esser, um homem falido em busca de seu filho rebelde pela cidade de Londres. Sam Riley interpreta Milo, um garoto de coração partido que tenta, desesperadamente, encontrar o caminho de volta "à pureza do primeiro amor". E por fim, Eva Green vive Emília, uma estudante de arte, que produz trabalhos cada vez mais complexos e "de morte".

LINQUES
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TRAILER

O homem que falava igspy

Na última cidade em que morei, havia uma história que circulava entre os moradores locais. Apesar de não haver menção dela em nenhum livro que narra a saga dos personagens ilustres da região, a tradição oral era persistente em contá-la de geração em geração. Talvez fosse um pequeno mito urbano de uma pequena cidade do interior, mas o fato é que quem permanecesse pela cidade por mais de dois dias, ouviria uma das suas inúmeras versões. Das que eu ouvi, a mais verossímil é a que vou contar agora.

Havia um homem que falava igspy. Ninguém sabe se era por culpa dos pais -talvez eles fossem imigrantes de algum país que só falava igspy ou teriam um estranho humor negro na criação do seu rebento - ou se talvez foi por causa de algum trauma de infância, mas o fato é que em toda a vida de tal homem, nunca descobriram a origem daquele vocabulário tão sintético. Mesmo que pedissem para o homem lhes explicar, ele só daria uma resposta: igspy.

Quando garoto, o homem que só falava igspy até poderia ter tido dificuldades na escola, mas as professoras o consideraram um aluno especial e passaram a tratá-lo diferente dos demais. Afinal, nenhuma delas queria ser acusada de preconceituosa ou politicamente incorreta. Enquanto os outros alunos tinham de esforçar-se para aprender a tabuada, a juntar as letras em palavras e as palavras em frases e as frases em orações, o garoto que falava igspy sabia tudo o que precisava saber desde o berço. Nas provas, assinava igspy em seu nome, e em todas as outras respostas, e passava com louvores. Os colegas até tentaram colar algumas respostas dele, mas depois de verem que a nota não se assemelhava à do colega, desistiram. Nem por isso o homem que falava igspy, quando garoto, teve problemas para se socializar. Gostava de aprontar junto com os outros garotos, e quando a diretora pegava-o pelo colarinho e perguntava quem era o culpado, só ouvia sair igspy da boca dele. Isto o tornou muito popular entre os garotos e, por tabela, com as garotas. Uma moradora da cidade, hoje mãe de família, costuma incluir nesta parte da história que ela foi a primeira a beijar o homem que falava igspy quando adolescentes. Ela pedira a ele uma palavra romântica, e ele, sem pestanejar, soltou um igspy. Mas não foi só o que ele falou, mas como falou, que derreteu o coraçãozinho dela, e de tantas outras que vieram depois. O homem que falava igspy aprendeu desde cedo que não precisava de muitas palavras para se conquistar uma mulher. Bastava uma. Todas as moças que o haviam beijado fofocavam entre si de como ele era cavalheiro em não contar aos colegas detalhes de seus encontros amorosos como faziam os outros rapazes. Ele conhecia o valor da discrição. Sua boca era um túmulo, com uma janelinha onde só escapava um igspy de vez em quando.

Quando atingiu a idade adulta, o homem que falava igspy arranjou um emprego de vendedor ambulante de Bíblias. Como gostava de interagir com as pessoas, considerava um desafio e tanto ganhar sozinho o pão de cada dia usando o seu dom natural: a retórica. E foi um sucesso. Bastava uma palavra e já era convidado a entrar, sentar, tomar café e até almoçar, para somente depois, vender tudo o que ele vendia. Sim, de Bíblias ele passou a vender os mais diversos produtos essenciais ao consumismo moderno: seguros, calçados, roupas, planos piramidais, terrenos em loteamentos recém inaugurados, quotas de funerárias etc. E assim fez fama e fortuna por onde passou.

Até o dia em que um político enxergou no homem que falava igspy um diamante a ser lapidado. Chamou-o para um particular e ofereceu-lhe um cargo público. Não algo grandioso, pois o político exortou-o a adquirir experiência começando por baixo. Por isso, virou atendente ao público no setor de aposentadorias. Os velhinhos que lá chegavam diziam que ele era o melhor dos atendentes, pois tratava a todos da mesma forma, sem discriminação. O que ele falava para um, falava para todos. Em pouco tempo galgou o cargo de chefia, onde todos os subalternos entendiam perfeitamente as ordens que o homem que falava igspy dava. Os que não entendiam faziam de conta que entendiam, afinal, não queriam passar por burros na frente dos colegas. Quando não havia mais cargos a avançar dentro da instituição pública, o mesmo padrinho político sugeriu que ele se candidatasse pelo seu partido. E o homem que falava igspy assim o fez. Antes, casou-se com a filha mais nova do político.

Sua campanha foi um sucesso. Os seus adversários poderiam ter frases de efeito, mas nenhum tinha uma palavra de efeito! Em todos os discursos, ele subia no palanque e gritava igspy no microfone levantando os braços. Depois, dava meia volta e saía. O povo, cansado daquelas ladainhas intermináveis e enfadonhas dos concorrentes, aplaudia entusiasmado e pedia bis nos comícios do homem que falava igspy. Era um candidato que não prometia o que não iria cumprir, não falava mentiras para conquistar o voto dos eleitores, não mudava o seu jeito de ser para enganar os outros. O jingle da sua campanha caiu fácil na boca do povo e até as crianças o aprenderam e cantavam de cor. O sucesso foi arrasador. Os colegas de profissão, até os da oposição, eram só elogios. Ele era um homem de uma só palavra. Nunca voltava atrás no que dizia. E como sabiam que ele não daria com a língua nos dentes e sabia guardar segredos sujos e corruptos, encheram os bolsos dele com as propinas das maracutaias que lhe ofereciam. A sua escalada política foi vertiginosa. Em pouco tempo chegou à capital do país, rodeado de assessores e partidários. A última vez que ouviram falar do homem que falava igspy na sua terra natal foi da boca de um ex-prefeito que, voltando de uma viagem ao senado, chegou contando que o próximo candidato a presidente era natural da cidade. O sentimento de orgulho percorreu todos os habitantes, que sabiam que estavam sendo bem representados por um homem que pouco falava, mas com muito significado. Cada um lembrava o quanto foram úteis os seus conselhos, as suas respostas. Se entendiam o igspy como um sim, era esta a resposta sábia que o homem que falava igspy estava dando. Se entendiam como um não, da mesma forma. Assim, tudo o que o homem que falava igspy conquistou na sua tragetória de vida foi por ser firme, inabalável e, principalmente, igspy.

1º Lugar = 5 livros


Bem amigos da Rede Blogue, um prêmio inusitado foi faturado ontem por este que vos fala, no blogue Romances Policiais, do Thiago Carvalho. Como eu não tinha outra desculpa mais esfarrapada pra sair espalhando pra todo mundo a novidade, resolvi fazer um jabazinho do blogue dele (especializado em adivinhem o quê, hã? hã? hã?) e dos livros da Editora Record. A promoção era a seguinte:
Para participar e concorrer é só enviar um email para romancespoliciais@gmail.com com o assunto Promoção Record contendo os seguintes dados: Nome e Endereço Completo (com CEP), respondendo a seguinte pergunta:

Por que você quer ganhar o livro __________ ? (no espaço em branco colocar o livro que deseja ganhar)
O livro poderia ser uma dentre cinco opções. Prêmio? O livro que você escolhesse para os 2º ao 5º lugares e todos eles para o primeirão.

Como tava passando uma semana de férias na casa da minha mãe, à toa na vida, topei com essa maravilha de promoção nessa maravilha de site (menos J., menos). A resposta que mandei, sobre o livro O que se Perdeu, e que coincidentemente acabou ganhando, foi:
Eu quero ganhar o livro para ajudar ele, o livro, a descobrir tudo o que acontece na trama. Eu sei quem é o vilão e o que aconteceu com a pobre garotinha em 1984. O meu faro detetivesco infalível já desvendou tudo. Mas como vou revelar o mistério para o livro, se ele está longe de mim? Como ele chegará ao final da história sem alguém para acompanhá-lo e conduzi-lo? Somente uma mão amiga poderá indicar a direção e fazê-lo caminhar no rumo certo. E eu prometo tratá-lo com carinho, folheando-o calmamente, para não estressá-lo. Afinal, ninguém soluciona um caso estressado. A auto-estima também é essencial e por isso vou exibi-lo a todos os que eu conheço. Na minha estante, ele ficará na frente de todos os outros livros.

Porém, ao nos envolvermos na história, é preciso cautela. Por isso, seguiremos de mãos dadas, página por página, para não cairmos em nenhuma armadilha. Terei de orientá-lo para que não confie ou desconfie da pessoa errada. E também mostrarei ao livro que ele carrega todas as respostas dentro de si e que só obterá o sucesso com o apoio de alguém mais experiente que ele, que aponte em quais páginas, sentenças e palavras, ou até nas enigmáticas entrelinhas, estarão escondidas as pistas. Modéstia parte, sou mais velho do que ele nesse ramo e tenho outros livros como testemunhas que sou expert quando o assunto é mistério. Sozinho, o livro não conseguiria chegar ao final da história, não teria forças para vencer a última página. Acabaria triste em alguma vitrine por aí, deprimido porque não encontrou o seu objetivo na vida e não obteve as respostas para as suas perguntas existenciais. Somente nas mãos daquele que melhor o compreende, do seu mestre, amigo e leitor leal, ele se sentirá levando uma vida plena e feliz.

Rapidinha do dia nº 6


Os homens tem certas necessidades sexuais que as mulheres não entendem.
As mulheres tem certas necessidades sexuais que os homens não entendem.
Até as necessidades sexuais tem certas necessidades, que ninguém entende.