O tio Philomeno

O tio Philomeno era o rei da festa. Com o seu jeito bonachão, quase nem era lembrado nos dias comuns. Mas quando a família se reunia, não havia como não prestar atenção naquela barriga enorme, na cara redonda e vermelha, nas brincadeiras pueris com crianças e adultos. No início, enquanto todos ainda chegavam meio tímidos, lá estava ele correndo atrás da gurizada, que fugia aterrorizada. Ao final, era a gurizada que não desgrudava dele de jeito nenhum, num festival de bracinhos agarrados às suas pernas e de choros sentidos. O tio Philomeno era companheiro inseparável de um canecão de vinho tinto sangue-de-boi, que corava rápido as suas bochechas polonesas. Quando a bebida e os parentes o incentivavam, cantava músicas de seus antepassados que só ele lembrava ou entendia. Durante as partidas de bocha, parece que não se importava muito em ganhar, mas em divertir a todos. Até hoje comenta-se sobre o dia em que ele se foi, engasgado com um pedaço de churrasco, aparecendo no quintal pulando e balançando os braços para os convidados, a cara vermelha e suada, fazendo a alegria e divertindo os parentes até mesmo em seu último suspiro.

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