Édipo em Colono, de Sófocles

Compre Édipo em Colono[ atualizado em 19/08/2008 ]

Apesar de ser a última tragédia escritas por Sófocles, a história de Édipo em Colono (401 a.C.) se passa entre as narradas em Édipo Rei e Antígona. Das três é possível ser a que mais surpreenderá o leitor, pois a história dos outros livros já são parcialmente conhecidos enquanto esta trama será inédita. A sensação é a mesma de quando se assiste um filme fora da seqüência, e passa a entender detalhes de muitos eventos ocorridos depois, neste caso, Antígona. A percepção da relação entre Antígona e Creonte é melhorada, bem como entre Antígona e o irmão Polinice. Os três são personagens centrais de Antígona. Aqui se dá uma razão a mais para os sentimentos envolvidos nas ações que levam ao fim trágico de Antígona.

Édipo em Colono relata os últimos dias da vida de Édipo, velho, cego, mendigo e expatriado. Expulso de Tebas, sem o auxílio de seus dois filhos homens, que se interessam mais pelo trono do que pelo pai, o errante Édipo chega em Colono, território de Atenas. O Édipo idoso é diferente do jovem Édipo rei de Tebas, e cego vê melhor que com o sentido da visão. A velhice e o sofrimento o tornaram sábio e obediente aos oráculos: "Com o tempo, amadurecida a dor mortificante, compreendi que o tormento que me triturou foi castigo mais severo que erros cometidos". É justamente um oráculo que prediz publicamente que, onde Édipo estiver, vivo ou morto, a cidade será vitoriosa sobre Tebas. Isto causa uma disputa interesseira: os que antes o abandonaram agora o querem de volta. Tanto Etéocles quanto Polinice - rivais na guerra - tentam de várias maneiras persuadir ou forçar Édipo a ir com eles. Mas ambos são amaldiçoados por ele. Édipo pede proteção a Teseu, rei de Colono, garantindo que a predição somente traria benefícios a Atenas.

Édipo é amparado pela filha Antígona, que o acompanha em sua vida errante. Ismene também o auxilia. "Estas, embora sejam donzelas, no limite de suas forças, me alimentam, me agasalham, com afeto me socorrem, destemidamente. Enquanto que meus filhos, em lugar de quem os gerou, elegeram trono, cetro, poder, mando". Dizem que que os heróis de Sófocles são os que mais sofrem; e em uma época onde as mulheres eram tratadas como inferiores ele sabe enaltecê-las.

A seqüência cronológica para a leitura das obras que narram a saga edipana seria:

1º - Édipo Rei (escrito em 430 a.C.), de Sófocles;
2º - Édipo em Colono (401 a.C.), de Sófocles;
3º - Os Sete contra Tebas (467 a.C.), de Ésquilo;
4º - As Fenícias (411 a.C.), de Eurípedes;
5º - Antígona (442 a.C.), de Sófocles;

As tragédias sofoclianas são melhores que novelas mexicanas refilmadas em Holywood. A trama é tão bem amarrada e com diálogos tão concisos que nos surpreendemos a cada página. Deve ser justamente por isso que são consideradas clássicos, pois não há nada melhor atualmente, seja em livros, filmes ou em outras mídias. A tradução direta do grego é de Donaldo Schüler. Aliás, ele também escreve o prefácio da obra, onde faz um apanhado geral das tragédias escritas por Sófocles que ainda existem, e comparações com Ésquilo e Homero.

leitura em: Abril 2007
título: Édipo em Colono, de Sófocles
edição: 1ª, L&PM Editores (2007), Coleção L&PM Pocket nº 315, 142 pgs
preço: Compare no Buscapé
Excelente
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