Vendo livro raro


Vendo metade do livro “Descubra quem é você”, escrito por escritor anônimo francês do século XVII. A outra metade eu queimei, porque era tão ruim que não poderia deixar ninguém mais ler aquela bosta. É o meu jeito de ser bom samaritano, não precisa agradecer. Mas sobrou muita coisa boa, como o capítulo que me fez chorar ensinando a receita da salada que mistura cebola crua e cebola cozida. Já no capítulo que fala sobre o futuro, não devo ter prestado muita atenção, porque não lembro de muita coisa além da frase inicial: “Aguarde, em breve você vai...”. Agora, no capítulo com o título “Amaramando”, fiz questão de deixar algumas anotações para os futuros leitores e enchi as margens de referências clássicas e contemporâneas sobre essa eterna maravilha e grande merda que é o amor. Fique tranquilo que escrevi à caneta, para não correr o risco das dicas apagarem-se com o tempo. Para você sentir exatamente a mesma emoção que eu senti ao ler o capítulo, sublinhei algumas frases ligando-as com setas a outras, como a da página 47, “não dê importância se ninguém o(a) ama, curta o prazer de sua própria companhia”, com a da página 31, “ande com idiotas e aumentará o bando”. Acredito, que qualquer leitor depressivo como eu vai perceber claramente o que o livro quer dizer, que se estou enjoado de conversar comigo mesmo, tenho de arranjar um jeito de dar um tempo e me afastar de mim, talvez pelo uso da bebida, drogas ou até uma lobotomia. Mas isto não vem ao caso agora, vamos voltar ao livro que é o que interessa. Ah, já falei que o livro traz cinco lindas figuras desenhadas à mão por um François não-sei-de-quê? São de página inteira, mas arranquei duas para mim e se você pagar um extra envio elas também. Aos interessados nessa obra única, peço o favor de entrarem em contato pelo telefone (62) 3397-7721 para saber detalhes do preço e forma de envio. Mas não liguem no final de semana porque costumo me trancar no quarto ouvindo música alta e não escuto mais nada, nem se a minha mãe estiver derrubando a porta, como costuma fazer.

Texto escrito por Jefferson Luiz Maleski, que se sodomiza imaginando se já não existem anúncios assim pela internet.
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