Top Five 2013: os melhores LIVROS lidos durante o ano

Costumeiramente nos últimos anos costumo escolher os cinco melhores livros, filmes, HQs e séries que vi durante o ano. Este é o post em que menciono quais os cinco melhores livros lidos em 2013. Dentre os 92 que li, somente 30 classifiquei com a nota Excelente, e destes escolhi cinco, sendo que três deles são compostos por mais de um volume. Sim, isto porque considero séries como um livro único, aonde qualquer leitor é capaz de continuar a história do momento em que parou no volume anterior. E se mais de um volume da série ficou com a nota Excelente, Muito bom ou Bom, ela já merece pelo menos ser digna de atenção. Bem, ficam as 5 leituras como minhas recomendações para os amigos.


1. O SENTIDO DE UM FIM, de Julian Barnes (2011, Rocco). Uma das exceções (senão A exceção) dos livros que li no ano e me convenceu a não vendê-lo após a última página. É, tem livros que simplesmente te conquistam e pedem para te acompanhar mais um pouco. É filosófico e provocativo, exatamente o tipo que me conquista. Ele levanta a teoria, a hipótese, talvez a realidade não percebida, de que o passado que acreditamos ter vivido é mero fruto imperfeito de nossa memória nada imparcial. Assim como a História costuma ser narrada (e em grande parte inventada) pelos vencedores, a nossa história pessoal é narrada por quem sempre vai querer justificar os nossos erros, esquecer os nossos pecados, amenizar as nossas falhas, a nossa boa e velha memória, capaz de incriminar outros mais do que deviam só para encontrarmos paz sob os travesseiros. Ah, o livro ganhou o Booker Prize 2011. Um livro que merece ser relido, até porque a minha memória pode ter me enganado a respeito.


2. A DIVINA COMÉDIA (Inferno, Purgatório e Paraíso), de Dante Aliguieri (1304-1321, Editora 34). Uma das obras-primas literárias da humanidade, e independente se você é religioso ou ateu, cristão, católico ou evangélico, merece ser lida pelo seu conteúdo histórico, literário, artístico ou, como dizem os críticos, enciclopédico. A edição bilíngue da 34 contém excelentes notas de rodapé e o texto em italiano antigo. Eu, particularmente, gostei bem mais do Inferno e Purgatório, sendo que o Paraíso, apesar de excelente, acaba um pouco apagado frente à força dos anteriores. Vale a pena lembrar que toda a concepção imaginária que os cristãos e ocidentais passaram a ter sobre como seriam o inferno, purgatório e paraíso começaram em Dante. E foram poucos os escritores que mudaram o pensamento do mundo com tamanha intensidade.


3. A MENINA SEM QUALIDADES, de Juli Zeh (2004, Record). Um livro que resolvi ler exclusivamente por causa da série da MTV Brasil. Uma história provocadora e inteligente, que estimula a leitura de outros livros, alguns deles citados aqui neste post. A literatura alemã costuma ser densa e reflexiva, por isso eu não recomendaria o livro à maioria dos adolescentes brasileiros (há exceções, eu sei, mas a estas eu recomendaria qualquer leitura que existe). A adaptação televisiva ficou bem fiel, trocando a maioria das referências literárias e culturais europeias por latino-americanas. E o livro de Zeh é um daqueles que "puxam" outras leituras, principalmente aquele a que o título em português faz referência, O homem sem qualidades, também do alemão Robert Musil. Veja também a resenha que escrevi do livro.


4. A CRÔNICA DO MATADOR DO REI [série] (Primeiro dia: O nome do vento e Segundo dia: O temor do sábio), de Patrick Rothfuss (2007-2011, Sextante). Enquanto a continuação da série As crônicas de gelo e fogo, de George R. R. Martin, não dá sinal de vida, esta é uma ótima opção para quem quer fantasia um pouco mais adulta que Harry Potter. A leitura ainda é bastante infanto-juvenil, mas não infantil, justamente por acompanharmos as aventuras do jovem Kvothe, lendário músico, esgrimista, conquistador e mágico enquanto não era nada disso. Você pode ou não gostar do jeito que a magia é tratada na série, mas vai ter que admitir que é original e se encaixa na trama. O terceiro e último livro da série se chama As portas de pedra e não tem previsão de lançamento. E, sinceramente, acredito que pela quantidade de mistérios que faltam serem resolvidos no último livro, se o autor resolvesse dividi-lo em dois ou três eu não estranharia.


5. A TORRE NEGRA [série] (O pistoleiro, A escolha dos três, As terras devastadas, Mago e vidro, Lobos de Calla, Canção de Susannah e A torre negra), de Stephen King (1982-2004, Suma de Letras). Se alguém me perguntasse daqui a alguns anos o que marcou as minhas leituras do ano de 2013 a resposta estaria na ponta da língua: foi o ano em que li os 7 volumes de A torre negra. Baseada num poema obscuro e na saga O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, Stephen King conseguiu misturar faroeste, viagens no tempo, universos paralelos, referências a músicas, filmes e outras histórias fantásticas, de uma maneira tão bem tecida que o final das mais de 5 mil páginas deixam saudade no leitor. Para os que se sentem um membro do Ka-Tet de Roland, Eddie, Jake, Susannah e Oi, em 2013 foi lançado outro livro adicional à série, O vento pela fechadura, que segundo o autor, situa-se entre o 4º e o 5º livros, mas que não prejudica a sequência, pelo contrário. O livro também faz referências a outros do autor, sendo que A hora do vampiro e Insônia estão bastante relacionadas com a trama.

Outras menções honrosas de 2013 ficam com: Anna Kariênina (Tolstoi), O jogo do exterminador (Scott Card), Os três mosqueteiros (Dumas), Clube da luta (Palahniuk) e Laranja Mecânica (Burgess).
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