Vinho e vinagre

Hoje cedo recebi um email de uma amiga do trabalho, fazendo o convite: Vamos estudar filosofia? É óbvio que só o título já garantiu a minha atenção, pois sou vidrado em filosofia há alguns anos. Mas para quem esperava um bom texto, fui pego de surpresa lendo outra pessoa escrevendo exatamente o que penso. Deu até pra desconfiar, olhei por cima do ombro para ver se não era pegadinha e se ninguém ria às minhas costas, mas não era. Senti uma sincronicidade de pensamentos ali. Ou seria simplesmente bom senso?

O artigo enviado era o Autoajuda ou autoconhecimento, de Eloi Zanetti, que compara a insufocável procura pelos livros de autoajuda à abandonada busca pela sabedoria através da filosofia e do autoconhecimento. É claro que o estouro da boiada das massas muda de direção conforme novos livros que lhe massageiem os egos carentes. Preferem a mãozinha na cabeça ao dedo na cara mostrando que estão erradas. Vale a lei do menor esforço, até mesmo para serem humanos melhores. Mas, a autoajuda é moda passageira, ajudando efetivamente só os autores e editores a encherem os bolsos. Ou alguém aí se lembra de algum conselho que já não soubesse antes passado pelo Pai Rico, ou pelo Comedor de Queijos, ou pelo Segredo que todo mundo sabe?

Escrever autoajuda é fácil como enganar. Tem até uma receita enviada por email por outro amigo (ainda bem que tenho amigos inteligentes) que mostra como Escrever um Best-Seller em Seis Passos. Preste atenção nos passos 3 e 5 e vai lembrar o que o Eloi critica no artigo dele: agora, ao invés de usarem a filosofia para alcançar a sabedoria, estão diluindo-a misturada em grandes montes de nada (pra não dizer de outra coisa) simplesmente para vender e enriquecer. Entregam vinagre como se fosse vinho. Contribuem, assim, para que o homem dê alguns passos atrás na linha evolutiva intelectual e espiritual da humanidade.

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