O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco

Difícil mas prazeroso

Ele está na lista dos dez livros mais difíceis de ler (Listverse). O autor revelou que foi neste livro que inventou Dan Brown (Veja). Apenas estas duas notícias já seriam o suficiente para despertar a curiosidade sobre o que há de exótico em O Pêndulo de Foucault, do italiano Umberto Eco. Acrescente que Eco é meticuloso xiita incansável nas pesquisas preparatórias para os livros que escreve, tendo consultado mais de 1500 manuscritos e documentos antigos sobre sociedades secretas como templários, rosacrucianos, maçons etc. e personalidade famosas como Galileu, Leonardo Da Vinci, Isaac Newton, entre outras. E justamente esta pesquisa extensa é que torna a leitura lenta e complicada – muitas vezes chata e repetitiva – pois muitos títulos e citações pesquisados não são traduzidos para o português, aparecendo em francês, italiano, inglês etc. Mas é também o que torna o livro atraente: a possibilidade de incontáveis documentos e pessoas reais estarem envolvidos em uma teoria de conspiração mundial. Podemos dizer que enquanto muitos escritores tentam superficializar a sua escrita para facilitar a leitura e atingir o máximo de leitores, Eco vai na contramão, selecionando e limitando os seus leitores e forçando-os ao extremo para que a experiência com a leitura seja diferente. Por causa disso, este é o primeiro livro que eu recomendo aos interessados corajosos a antes lerem o resumo do enredo (que na Wikipédia é imenso) mesmo com spoilers para depois encararem o livro, pois terão um pequeno vislumbre do desafio que enfrentarão.

Trechos selecionados
Nascemos sempre sob o signo errado e estarmos no mundo de maneira dignificante equivale a corrigirmos dia após dia o nosso horóscopo. (57)
Como na insipiência do mundo fulgura a sapiência do Altíssimo, o sábio observa o insipiente com humildade. (161)
...a única maneira de constranger o diabo é fazê-lo acreditar que não acreditamos nele. (643)
Não te lamentes de seres mortal, presa de mil microrganismos que não dominas, não és responsável pelos teus pés pouco preênseis, pelo desaparecimento da cauda, dos cabelos e dos dentes que não voltam acrescer, dos neurônios que semeais, de passagem, das veias que se endurecem. São os Anjos Invejosos. (652)
Se creio em Deus? Não, não, creio em algo muito maior... (Rubinstein)

Quando os homens não creem mais em Deus, não é que não creem em mais nada, mas creem em tudo. (Chesterton) (653)
Todos escrevem poesia na mocidade, depois os verdadeiros poetas tratam de destruí-las e os maus poetas tratam de publicá-las. (657)
Como se pode passar uma vida procurando a Ocasião, sem se dar conta de que o momento decisivo, aquele que justifica o nascimento e a morte, já passou? (666)
Ficha técnica
Título: O Pêndulo de Foucault (Il Pendolo di Foucault)
Autor: Umberto Eco (Itália, 1932-)
Tradutor: Ivo Barroso
Editora: Bestbolso
Ano: 1988 (Itália), 2009 (Brasil)
Páginas: 686

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