Prazer, dor, as paixões, de John Locke


O fim do estudo é o conhecimento, e o fim do conhecimento é a prática ou comunicação. É verdade, o deleite está comumente associado a todos os avanços do conhecimento, mas, quando estudamos somente com esse fim, é preciso considerá-lo mais como diversão do que como ocupação - e assim havemos de incluí-lo entre nossas recreações.

Todos sabem que o homem é suscetível de alguns graus de felicidade e grandes graus de miséria nesta vida.

Os graus do PRAZER mental (voluptas animi):
►Contentamento - quando resulta de causas brandas, especialmente no convívio;
►Deleite - quando resulta da presença de objetos sensíveis agradáveis;
►Alegria - quando resulta da consideração de algum grande e sólido bem;
►Conforto - quando [de] alguma mágoa passada que se elimine;
►Felicidade - quando perfeita e livre de todo incômodo.

Os graus da DOR mental (dolor animi):
►Cansaço - uma dor da mente, quando resulta da longa continuação de algo;
►Aborrecimento - quando resulta de uma causa pequena, da qual a mente esteja muito consciente;
►Mágoa - quando resulta de alguma coisa que é passada;
►Pesar - quando resulta da perda de um amigo;
►Tormento - quando de uma dor violenta do corpo;
►Melancolia - quando impede o discurso e a convivência;
►Preocupação - quando acompanhada de uma grande fraqueza;
►Angústia - quando muito violenta;
►Miséria - quando é o máximo que podemos conceber sem nenhuma mistura de conforto.

Suportamos a ausência de um grande prazer mais facilmente do que a presença de um pouco de dor. Falta de sensação não é o meio entre prazer e dor; coloca-se a insensibilidade que não seja perpétua no lado melhor: jamais nos queixamos do sono, que sempre nos furta a sensação de nossos gozos, mas o tomamos por prazer, quando faz cessar qualquer uma de nossas dores.
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