Eu e o Orkut: nada a ver

Hoje estou cancelando a minha conta no Orkut. Como todos os que me conhecem bem sabem que sou anti-Orkut desde sempre, surpreenderam-se quando anunciei meses atrás que havia criado um perfil. Mas era apenas um teste, uma fase.

Entrei basicamente por três motivos. O primeiro foi pesquisar quem andava divulgando algumas citações minhas. Há um certo orgulho bobo em ver os nossos pensamentos espalhados pelo mundo. Além de vários perfis, encontrei minhas frases em comunidades anti-rascismo, anti-homofobia, de auto-ajuda, sobre autores famosos (logo eu?, kkk) e até de dietas e regimes. Depois de algumas semanas esse motivo me pareceu cada vez mais rídiculo até desaparecer por completo a sua importância. O segundo foi encontrar comunidades e informações sobre assuntos que gosto como filosofia, técnicas de escrita e direito, bem como pessoas que partilhassem desses interesses. Mas percebi que as comunidades em que me inscrevi indicavam sites disponíveis fora do Orkut. Como já uso a internet há anos, não preciso de intermediários, sou grandinho para ir direto à fonte. E por último, mas não mais importante que os demais, ingressei no Orkut para ver se minha rede de contato com amigos, colegas ou parentes melhoraria. Entretanto, o Orkut não faz isso, pois a troca de mensagens informais, cotidianas ou banais, não em tempo real como ocorre em comunicadores instantâneos (MSN, ICQ e Skype) é uma cópia do email, apenas com mais pessoas participando passivamente nas conversas. A privacidade até existe no Orkut, mas é incompatível com a sua essência. Quem está no Orkut é para ver e para ser visto.

Aliás, a privacidade foi um dos pontos cruciais para o rompimento. Prezo muito a minha e sei o que alguém mau intencionado pode fazer com os dados online de outrem. A regra básica de segurança na internet nunca mudou: quanto menos souberem sobre você, mais protegido você estará contra golpes virtuais. O Orkut é uma fonte de informações disponibilizadas por você e por aqueles que te conhecem, mesmo se divulgadas inocentemente.

Posso agora, com experiência, dizer que o Orkut não é para mim. Eu não tenho o tempo disponível para perder horas e horas nele assim como outros têm. O meu tempo é escasso e muito bem distribuído. Não posso, por exemplo, perder tempo olhando o que meus conhecidos fizeram durante o último fim de semana. Nem deveria, pois é algo pessoal e se estes quisessem que eu soubesse com certeza me contariam ao vivo e à cores. Também não posso ficar mandando scraps com mensagens poéticas, filosóficas, rimadas, copiadas e coladas, ou simplesmente repassadas como correntes. Nem posso responder a todos aqueles que deixaram mensagens divulgando shows, cursos, sites pornôs, produtos, curas medicinais, polêmicas ou algum vírus novo que pegaram. Tem muita gente que possui tempo para fazer tais coisas e eu as invejo por terem sobrando algo que para mim falta.

Agradeço desde já aos que me aceitaram como amigo ou como membro em suas comunidades, que suportaram algum scrap, comentário em foto, depoimento ou algo parecido de minha parte que tirou o seu precioso tempo. Não fiz por maldade. Quero que saibam que não os julgo por continuarem no Orkut. Cada um com o seu cada um, como diz um colega. Eu agora sou mais anti-Orkut do que nunca, mas digo isso somente aplicado a mim. Cabe a cada um decidir como gastar o seu próprio tempo, pois onde gastarem o tempo é onde gastarão as suas vidas. A minha vida, com certeza, não será gasta assim.

Se quiserem conversar comigo me contatem no MSN ou email ou através do blog www.jefferson.blog.br ou me telefonem ou me convidem para um bate papo descontraído em algum barzinho. Todas são ótimas opções e estarei totalmente disponível para os amigos e as amigas. Só não me chamem para o Orkut, porque esta não é (mais) a minha praia.

Um grande abraço a todos.


Leia também:
Manifesto Desorkute-se!
Dicas de Segurança para o Orkut (página oficial)
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