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Medíocre

Para os inteligentes, sou burro, mas para os burros sou inteligente. Para os bonitos, sou feio, mas para os feios sou bonito. Para os altos, sou baixo, mas para os baixos sou alto. Para os gordos, sou magro, mas para os magros sou gordo. Para os rápidos, sou lerdo, mas para os lerdos sou rápido. Para os interessantes, sou chato, mas para os chatos sou interessante. Para os ricos, sou pobre, mas para os pobres sou rico. Para os generosos, sou sovina, mas para os sovinas sou generoso. Para os quentes, sou frio, mas para os frios sou quente. Para os coloridos, sou desbotado, mas para os desbotados sou colorido. Para os humanos, sou um animal, mas para os animais sou humano. Para os vivos, estou morto, mas para os mortos estou vivo.

Apoliom

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Aforismos Reunidos, de Franz Kafka

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A partir de certo ponto não há mais retorno. É este o ponto que tem de ser alcançado. Você é a lição de casa. Por todos os lados, nenhum aluno. Uma vez incorporado o mal, não se exige mais que se acredite nele. É ridículo como você coloca arreios em si mesmo para este mundo. Na luta entre você e o mundo, apoie o mundo. Quem, dentro do mundo, ama o próximo, não está mais nem menos certo do que quem, dentro do mundo, ama a si mesmo. Resta só a pergunta sobre se o primeiro deles é possível. A expulsão do paraíso, no seu principal aspecto, é eterna. É verdade também que essa expulsão é definitiva e que a vida no mundo, inevitável, mas, apesar disso, a eternidade do processo torna possível não só que continuemos continuamente no paraíso, como também que, na realidade, estejamos lá de forma duradoura, não importa se aqui temos ou não conhecimento disso. Teste a si mesmo pela humanidade. Ela faz quem duvida duvidar, quem acredita, acreditar. O convívio com os seres humanos atrai para a

Vampiro

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O amor é um vampiro parado no umbral, esperando ser convidado a transformar a vitalidade do outro em um cadáver exangue.

Todo palpite sonha ser intuição

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Resenha de A Metamorfose, de Franz Kafka

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Os bons livros têm a capacidade de proporcionar o prazer ao leitor de se deparar com uma nova obra a cada releitura. Não é que o livro tenha mudado, é o leitor quem mudou, conforme as novas experiências e conhecimentos que acrescentou à sua cultura e vivência. A Metamorfose, de Kafka, dispensa apresentações, por ser um dos livros mais lidos, conhecidos (mesmo por aqueles que não o leram) e influentes do século XX. Eu já havia lido ele duas vezes, além das duas versões em quadrinhos, mas nunca havia interpretado a história como desta vez. E é bem possível que na próxima releitura apareça uma nova interpretação, e assim por diante.  Um aspecto do livro que sempre me perturbou era como a família e outras pessoas (gerente, empregadas e locatários), e até o próprio protagonista, encaram com a maior naturalidade a transformação de Gregor Samsa em um “inseto monstruoso”. Eles reagem com repulsa, raiva e até com comiseração, mas nunca acham aquilo anormal. Apesar de esta ser uma das ca

O homem versus o cachorro

O homem, levantando o pedaço de pau, desafia o cachorro:  - Me convença que os animais possuem alma e eu te deixarei viver. O cachorro, encolhido e assustado, responde: - Me deixe viver e eu me convencerei de que os homens a têm.